Conceito de Fatos sociais: são maneiras coletivas, exteriores e gerais de agir, pensar e sentir, pertencentes a determinados grupos sociais.
Para que existam fatos sociais, primeiro é preciso falar de Socialização, pois todo ser humano é um ser social (vivemos em sociedade onde aprendemos a viver e conviver em sociedade)
Socialização : é o processo pelo qual nós aprendemos e internalizamos as normas, valores, crenças e comportamentos de uma determinada sociedade ou grupo social. É um processo contínuo que ocorre ao longo da vida, desde a infância até a idade adulta, e envolve a interação com diversos agentes sociais, como a família, a escola, amigos e a comunidade em geral.
Quando nascemos, somos como uma folha em branco e o nosso cérebro vai aprendendo a partir da relação com os outros. Se não tivermos contato social com os outros, não aprenderemos nem sequer a falar. A socialização ocorre ao mesmo tempo em que se desenvolve o id, ego e superego, os pilares da nosso lado psicológico que estão profundamente ligados ao sociológico.
O Id: é a parte mais primitiva e instintiva da nossa mente: ele opera de acordo com o princípio ou impulso do prazer, buscando satisfação imediata para todas as nossas necessidades e desejos básicos, como fome, sede e conforto. Um bebê, por exemplo, chora incessantemente até que suas necessidades sejam atendidas, sem se preocupar com o ambiente ou as conveniências alheias. Nesse estágio, o id reina soberano.
O Ego: O Mediador da Realidade: À medida que crescemos e somos expostos ao mundo externo através da socialização, o ego começa a se desenvolver. Nós vamos aprendendo que não podemos fazer tudo o que queremos, ou seja, há diversas proibições, regras, etc. O Ego se desenvolve para atuar como um mediador entre os impulsos do id e as proibições (ou demandas da realidade). O ego opera de acordo com a realidade, buscando atender ou não as necessidades do id. Por exemplo, uma criança aprende que não pode simplesmente pegar o brinquedo de outra, mas precisa pedir ou esperar sua vez. É através das interações com os pais, cuidadores e o ambiente que o ego aprende a negociar, adiar gratificações e considerar as consequências de suas ações.
O Superego: é o nosso controlador, nossa consciência moral de certo e errado que se forma a partir do momento em que percebemos que temos que aceitar as regras e os valores da sociedade. O Superego é influenciado pelas figuras de autoridade que nos cercam. Ele nos impulsiona a agir de forma moralmente correta. Essa internalização das normas sociais é um fruto direto do processo de socialização.
Resumindo:
Id: quer fazer o que gosta ou o que quer sem pensar nas consequências, seja para o bem ou para o mal.
Superego: Avisa que não podemos fazer o que queremos, que há regras, disciplina, proibições, que a vida só melhora se estudarmos e trabalharmos e tudo isso só é possível através de disciplina e ordem.
Ego: é como se fosse o juiz que decidirá se atenderemos ao Id ou ao Superego.
Socialização e Equilíbrio: Em suma, o processo de socialização na infância é crucial para moldar a interação dinâmica entre o id, ego e superego. É através dela que aprendemos a controlar nossos impulsos, a nos comportar, internalizar os padrões, as regras, etc. Um desenvolvimento saudável dessas estruturas, impulsionado por um processo de socialização equilibrado, é fundamental para nos tornarmos indivíduos adaptados, conscientes e capazes de funcionar plenamente em sociedade. É através dessa socialização que se formam a personalidade e o caráter.
A Personalidade descreve como você é: extrovertido, tímido, otimista, pessimista, organizado, impulsivo, etc. São características mais ligadas ao seu estilo de ser e de interagir.
O Caráter revela o nosso lado moral: É o que nos leva a agir de forma ética ou antiética, justa ou injusta, honesta ou desonesta.
Voltando para o tema FATOS SOCIAIS, agora que aprendemos o que é socialização:
Exemplos
de fatos sociais: falar um idioma, usar roupas, obedecer regras, leis normas, agir
conforme os usos, costumes, etc. Até mesmo ações como o roubo e o assassinato são fatos sociais, pois a maioria da sociedade os considera errados, imorais, desumanos, cruéis, etc.
Os fatos sociais possuem três características:
1 – COERCITIVIDADE: são as regras, as normas, os regulamentos, as leis, etc. Caso o ser humano desobedeça, será ou deveria ser punido. O ser humano precisa de regras, precisa de limites, e elas existem para que seja possível a convivência pacífica e educada entre as pessoas em todos os ambientes.
As sanções (ou punições) podem ser leves (exemplo: desobedecer aos pais/ficar de castigo), ou graves (cometer um crime/ser preso),
- Exemplos de instituições coercitivas: Família, Escola, Religião, Forças Armadas, Empresa (pública ou privada), etc.
IMPORTÂNCIA DA COERCITIVIDADE: sem ela, a maioria da população seria analfabeta, ignorante, violenta, etc. sem ela, os filhos não respeitariam os pais e não seria possível aprender nada na escola(pois a base para se aprender é a disciplina, a concentração, o respeito e o foco). Sem ela não haveria hierarquia e cumprimento de ordens em uma empresa ou em um Exército, por exemplo. O caos social e o estado de selvageria se instalaria.
2 – EXTERIORIDADE: os fatos sociais são exteriores e superiores a nós, ou seja, são eles que exercem poder e influência sobre nós e não o contrário. Exemplos: não somos nós que criamos as leis, portarias, decretos, músicas, propaganda, religiões, etc. etc. além disso, temos a influência das religiões e a mídia em geral com sua forte influência sobre a vida da população (em geral alienada), tais como a música, a televisão, os filmes, as novelas, a propaganda, internet, etc.
3 – GENERALIDADE OU CONSCIÊNCIA COLETIVA: Os fatos sociais são gerais, atingem toda a sociedade...são coletivos e não individuais. São maneiras de agir comuns a todos, ou seja, ocorre quando a maioria das pessoas concorda com determinada ação, uso ou costume ou pratica determinada ação.
-É o conjunto dos usos, costumes, sentimentos e comportamentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade
Exemplos: desde os mais simples até os mais complexos:
- ser educado e cumprimentar os outros dando bom dia, boa tarde, etc.
- usar roupas compatíveis com o ambiente.
- comportar-se de maneira compatível com o evento (missa, culto, funeral, audiência, etc.)
- respeitar as filas, ceder o lugar para quem precisa no metrô ou ônibus
- casar e ser leal ao cônjuge
- trabalhar e evitar ser um peso para os outros.
- ser honesto, pagar as contas, não dever a ninguém, etc.
GRAU DE UNIFORMIDADE DA CONSCIÊNCIA COLETIVA
Mais uniformizadas: ocorre, geralmente, nas sociedades mais simples, mais isoladas ou mais afastadas dos grandes centros urbanos. O que significa ser mais uniformizada? significa que a maioria segue as mesmas regras, costumes, usos, tradições, religiosidade, etc. Nestas sociedades, a individualidade e o relativismo moral são menores, ou seja, há bem menos pessoas que pensam e agem diferentes da maioria.
Exemplos: os povos indígenas, as pequenas cidades do interior e os povos isolados nas florestas ou lugares distantes.
Quanto maior for essa uniformidade, maior é a coesão entre seus participantes, ou seja, há mais semelhança de usos, costumes, crenças, etc., ao mesmo tempo que é menor a individualidade.
Menos uniformizadas: ocorre nas sociedades mais complexas, mais urbanas. Quanto mais complexa for a sociedade, mais rápidas são as mudanças em sua consciência coletiva, pois há menos coesão, menos semelhança de usos e costumes...são essas sociedades onde a quebra de tabus ocorre com mais frequência.
Os fatos sociais possuem três características:
1 – COERCITIVIDADE: são as regras, as normas, os regulamentos, as leis, etc. Caso o ser humano desobedeça, será ou deveria ser punido. O ser humano precisa de regras, precisa de limites, e elas existem para que seja possível a convivência pacífica e educada entre as pessoas em todos os ambientes.
As sanções (ou punições) podem ser leves (exemplo: desobedecer aos pais/ficar de castigo), ou graves (cometer um crime/ser preso),
- Exemplos de instituições coercitivas: Família, Escola, Religião, Forças Armadas, Empresa (pública ou privada), etc.
IMPORTÂNCIA DA COERCITIVIDADE: sem ela, a maioria da população seria analfabeta, ignorante, violenta, etc. sem ela, os filhos não respeitariam os pais e não seria possível aprender nada na escola(pois a base para se aprender é a disciplina, a concentração, o respeito e o foco). Sem ela não haveria hierarquia e cumprimento de ordens em uma empresa ou em um Exército, por exemplo. O caos social e o estado de selvageria se instalaria.
2 – EXTERIORIDADE: os fatos sociais são exteriores e superiores a nós, ou seja, são eles que exercem poder e influência sobre nós e não o contrário. Exemplos: não somos nós que criamos as leis, portarias, decretos, músicas, propaganda, religiões, etc. etc. além disso, temos a influência das religiões e a mídia em geral com sua forte influência sobre a vida da população (em geral alienada), tais como a música, a televisão, os filmes, as novelas, a propaganda, internet, etc.
3 – GENERALIDADE OU CONSCIÊNCIA COLETIVA: Os fatos sociais são gerais, atingem toda a sociedade...são coletivos e não individuais. São maneiras de agir comuns a todos, ou seja, ocorre quando a maioria das pessoas concorda com determinada ação, uso ou costume ou pratica determinada ação.
-É o conjunto dos usos, costumes, sentimentos e comportamentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade
Exemplos: desde os mais simples até os mais complexos:
- ser educado e cumprimentar os outros dando bom dia, boa tarde, etc.
- usar roupas compatíveis com o ambiente.
- comportar-se de maneira compatível com o evento (missa, culto, funeral, audiência, etc.)
- respeitar as filas, ceder o lugar para quem precisa no metrô ou ônibus
- casar e ser leal ao cônjuge
- trabalhar e evitar ser um peso para os outros.
- ser honesto, pagar as contas, não dever a ninguém, etc.
GRAU DE UNIFORMIDADE DA CONSCIÊNCIA COLETIVA
Mais uniformizadas: ocorre, geralmente, nas sociedades mais simples, mais isoladas ou mais afastadas dos grandes centros urbanos. O que significa ser mais uniformizada? significa que a maioria segue as mesmas regras, costumes, usos, tradições, religiosidade, etc. Nestas sociedades, a individualidade e o relativismo moral são menores, ou seja, há bem menos pessoas que pensam e agem diferentes da maioria.
Exemplos: os povos indígenas, as pequenas cidades do interior e os povos isolados nas florestas ou lugares distantes.
Quanto maior for essa uniformidade, maior é a coesão entre seus participantes, ou seja, há mais semelhança de usos, costumes, crenças, etc., ao mesmo tempo que é menor a individualidade.
Menos uniformizadas: ocorre nas sociedades mais complexas, mais urbanas. Quanto mais complexa for a sociedade, mais rápidas são as mudanças em sua consciência coletiva, pois há menos coesão, menos semelhança de usos e costumes...são essas sociedades onde a quebra de tabus ocorre com mais frequência.
AS MUDANÇAS NA CONSCIÊNCIA COLETIVA E A QUEBRA DE TABUS:
O termo Tabu significa algo que é considerado sagrado ou quase isso, algo que não deve ser mudado... são tradições associadas a religiões, sexualidade, costumes, etc. Mas assim como a cultura não é estática, o tabu também vai sendo alterado com o tempo. Isso significa que a sociedade está mudando. Se essa , na visão de alguns para melhor e na visão de outros, para pior. Muitos aprovam, outros não.
AS CONSEQUÊNCIAS DA QUEBRA DE TABUS
A quebra de tabus é um fenômeno que gera impactos positivos e negativos na sociedade. Com o passar do tempo e a aceitação cada vez maior na sociedade, o que era tabu vai deixando de ser.
Essa quebra pode ser um fato de progresso social ou pode gerar consequências negativas para o indivíduo e para a coletividade.
Tabu vs. Valor Moral: Uma Distinção Necessária:
Tabu: É uma proibição relacionada a práticas, tradições, costumes ou religiosidade sobre determinados temas.
Valor Moral: É um princípio que guia o que é considerado "certo" ou "errado" em uma cultura (ex: honestidade, respeito à vida, lealdade). O valor atua no campo da "conduta". A sociedade é um organismo vivo cujas partes dependem de normas rígidas. Quando tabus são quebrados em massa, as consequências apontadas são: - Dessensibilização: A quebra de alguns tabus sobre violência ou sexualidade na mídia pode gerar uma "anestesia moral". O que antes causava indignação passa a ser visto como normal, diminuindo a empatia e o senso de urgência ética.
- Relativismo Moral: A ideia de que "tudo é construção social" pode levar à conclusão de que não existem valores objetivos. Se nenhum comportamento é tabu, então nenhum valor é absoluto, o que pode fragilizar o senso de dever e responsabilidade. A perda de valores ocorre quando a quebra de tabus acontece de forma destrutiva, sem que algo melhor seja construído no lugar. Se o tabu do "pudor" cai e no lugar surge a objetificação, há perda de valor.
Exemplos positivos:
1- A liberdade religiosa em países onde antes só era permitido uma única confissão. O Brasil passou por essa experiência.
2 - O uso de tatuagens, que foi por muito tempo, vista como uma profanação do corpo, algo impuro, associado a marginalidade, rebelião, etc. O corpo era considerado um templo sagrado, e qualquer alteração permanente como a tatuagem era um tabu inquestionável.
3 - A criação das cotas para acesso à Universidade e Concursos públicos.
Exemplos negativos:
1 - A exposição constante de tragédias ou da vida íntima nas redes sociais quebra o tabu do pudor, podendo gerar dessensibilização. As pessoas passam a sentir menos empatia ou choque diante do sofrimento real, pois tudo se torna espetáculo.
2 - A erotização precoce na infância: ela quebra o tabu da pureza infantil e é considerada por muitos especialistas como prejudicial ao desenvolvimento emocional e saudável. Incluem-se também o fato de crianças dançarem gêneros musicais (como o funk ou o pop) que possuem conotações sexuais. A exposição da criança a filmes, vídeos, propaganda e letras de música que tratam de relações sexuais, objetificação do corpo e consumo de álcool. O uso de roupas inadequadas, curtas ou justas, que copiam modelos adultos.
3 - A Perda de Valores Morais: a quebra de alguns tabus provoca a perda de valores morais fundamentais que historicamente sustentaram a sociedade. Um dos maiores exemplos é a transformação da prostituição em uma profissão reconhecida. O principal argumento não religioso contrário é o da transformação do corpo e da intimidade em uma mercadoria. A moralidade baseada na dignidade humana seria substituída por uma "moralidade de mercado. Institucionalizar a prostituição como "trabalho" banaliza o sexo, desvinculando-o de qualquer compromisso ético ou emocional. Isso poderia enfraquecer a estrutura familiar e os laços sociais de fidelidade, promovendo uma cultura de consumo imediato de prazer (hedonismo), o que muitos consideram uma decadência dos costumes. O corpo não deve ser mercadoria; o Estado deve proteger a dignidade, não regulamentar a exploração.
Velocidade das Mudanças:
Antigamente, uma quebra de tabu levava séculos ou décadas (como o direito ao voto ou o divórcio); hoje, novos comportamentos são normalizados em poucos anos ou até meses.
Antes da internet, a quebra de um tabu dependia de grandes instituições (mídia, universidades, cinema e por fim o Estado). Hoje, através das redes sociais, a comunicação é horizontal. Grupos que compartilham comportamentos antes considerados "tabus" se encontram online, criam comunidades e validam uns aos outros. A velocidade aumentou porque a sanção social mudou de lado. No passado, quem quebrava o tabu era punido. Hoje, em muitos ambientes (especialmente digitais), quem defende ou luta pela manutenção de alguns tabus passa até a ser perseguido.
- As redes sociais expõem os usuários repetidamente a conteúdos disruptivos (defesa e luta pela queda de tabus). A exposição constante diminui a resistência emocional e gera aceitação por familiaridade.
No passado, a base dos valores estava em tradições e costumes muitas vezes com base religiosa. Atualmente, a base dos valores deslocou-se para a esfera do bem-estar individual e no consenso imediato. Como o "bem-estar" e o "desejo" são fluidos, a moralidade que os acompanha também se torna volátil e rápida.
Essa rapidez provoca:
- a Polarização: Surgem dois grupos antagônicos: os que são contrários e os que são favoráveis à quebra de vários tabus.
- a Superficialidade: Tabus são quebrados sem que a sociedade reflita sobre as consequências a longo prazo. É o que alguns sociólogos chamam de "Modernidade Líquida" (Zygmunt Bauman), onde nada é feito para durar, nem mesmo os valores.
A velocidade das quebras de tabus pode ser uma fonte de controvérsia. Mudanças muito rápidas podem não permitir que a sociedade se adapte adequadamente, levando a tensões e conflitos.
Pressão para Conformidade: Em alguns casos, a quebra de tabus pode criar uma pressão social para a conformidade com novas normas, limitando a liberdade individual e a diversidade de opiniões.
Impacto na Identidade Cultural: A rápida quebra de tabus pode ter impactos na identidade cultural de uma sociedade, resultando em uma perda percebida de tradições e valores.
É importante reconhecer que a quebra de tabus são inevitáveis porque as sociedades sempre mudaram ao longo do tempo. Sabemos também que sempre haverá pessoas que rejeitam e pessoas que aceitam. É necessário abordar essas mudanças com diálogo aberto e respeito pela diversidade de opiniões.
Os conservadores são contra. Os relativistas são a favor. A moral social evolui, provocando, lentamente, mudanças na consciência coletiva, que antes, considerava imoral, reprovável ou criminoso determinados comportamentos. Exemplos: o direito ao emprego para os PNE, os direitos de acessibilidade, o casamento homossexual, a marcha da maconha, a ideologia de gênero, etc.
-Nas sociedades onde se desenvolve uma divisão do trabalho (solidariedade orgânica), a consciência comum ocupa uma reduzida parcela, permitindo a ampliação do espaço para o crescimento da individualidade, porque os indivíduos são diferenciados, ou seja, não pensam de maneira coletiva, mas individualizada, embora não totalmente. Sendo assim, a reação às mudanças na consciência coletiva são menores; Quanto mais cosmopolita é a sociedade, mais aberta às mudanças ela tende a ser.
FATOS SOCIAIS NORMAIS: A sociedade é semelhante a um corpo, onde os fatos sociais normais representam a saúde do mesmo. Nem tudo que se vê numa sociedade que pareça ser ruim é anormal, nem sempre a dor é ruim, pois ela faz parte da saúde de um corpo. O anormal é aquilo que sai da regra, é o diferente da normalidade, da norma. Exemplo: O crime é um fato social normal porque representa a importância dos valores sociais que repudiam essa conduta como ilegal e sujeita a penalidades.
FATOS SOCIAIS PATOLÓGICOS OU ANORMAIS: É o estado doentio da sociedade: são anormais todos os fatos que põem em risco a harmonia, o consenso e a evolução da sociedade. Caso isso ocorra, a sociedade estará doente. Eles extrapolam os limites dos acontecimentos mais gerais de uma sociedade, não refletindo os valores e as condutas aceitas pela maior parte da população. Eles encontram-se fora dos limites permitidos pela ordem social, caracterizando a situação de anomia. Exemplos: A violência das torcidas organizadas, os comandos organizados do crime, o toque de recolher em alguns bairros, o crescimento dos índices de violência a tal ponto que o Estado perde o controle da repressão (como o que ocorre em determinados locais dominados pelo crime organizado); ausência do Estado em comunidades carentes, onde impera a miséria, a falta de saneamento, habitação digna, educação, saúde, segurança, etc.
SOLIDARIEDADE: É a situação em que um grupo social vive em comunhão de atitudes e de sentimentos, constituindo uma unidade sólida, capaz de resistir às forças exteriores e mesmo de tornar-se ainda mais firme em face de oposição vinda de fora. Divide-se em:
a) SOLIDARIEDADE MECÂNICA: ocorre nas sociedades "primitivas" ou arcaicas (grupos sociais de tipo tribal formado por clãs); os indivíduos que as integram aceitam sem questionamento todos os valores, tradições e costumes da tribo; o grupo compartilha os mesmos valores e crenças, o que assegura a coesão social. É uma sociedade mais conservadora.
b) SOLIDARIEDADE ORGÂNICA: ocorre nas sociedades modernas complexas, onde há diferenças de valores, crenças, costumes, etc. Características: consciência e interesses individuais, divisão econômica do trabalho complexa (diversidade de profissões e atividades); sociedade em geral mais cosmopolita (há exceções).
- A Coesão social ocorre de duas maneiras: a) através da divisão do trabalho; b) através das regras de conduta (leis, normas, punições, etc), que estabelecem direitos e deveres.
– ANOMIA (OU ANOMIA SOCIAL): É a situação de desintegração das normas que regem a conduta da sociedade, não havendo mais garantias da ordem social ou de um mínimo de segurança pública. Exemplo: em dias de greve da Polícia militar A complexidade da sociedade orgânica pode gerar a Anomia. .
- Causas da Anomia: A anomia é causada pelos altos níveis de desemprego (muita procura, pouca oferta), pela desesperança de muitos em relação ao futuro incerto, já que vivem sem dignidade (habitação, saúde, segurança precários ou inexistentes), ausência do Estado nas questões cruciais da população (saúde, educação, segurança, moradia, emprego, etc), a sensação de insegurança e de impunidade.
O termo Tabu significa algo que é considerado sagrado ou quase isso, algo que não deve ser mudado... são tradições associadas a religiões, sexualidade, costumes, etc. Mas assim como a cultura não é estática, o tabu também vai sendo alterado com o tempo. Isso significa que a sociedade está mudando. Se essa , na visão de alguns para melhor e na visão de outros, para pior. Muitos aprovam, outros não.
AS CONSEQUÊNCIAS DA QUEBRA DE TABUS
A quebra de tabus é um fenômeno que gera impactos positivos e negativos na sociedade. Com o passar do tempo e a aceitação cada vez maior na sociedade, o que era tabu vai deixando de ser.
Essa quebra pode ser um fato de progresso social ou pode gerar consequências negativas para o indivíduo e para a coletividade.
Tabu vs. Valor Moral: Uma Distinção Necessária:
Tabu: É uma proibição relacionada a práticas, tradições, costumes ou religiosidade sobre determinados temas.
Valor Moral: É um princípio que guia o que é considerado "certo" ou "errado" em uma cultura (ex: honestidade, respeito à vida, lealdade). O valor atua no campo da "conduta". A sociedade é um organismo vivo cujas partes dependem de normas rígidas. Quando tabus são quebrados em massa, as consequências apontadas são: - Dessensibilização: A quebra de alguns tabus sobre violência ou sexualidade na mídia pode gerar uma "anestesia moral". O que antes causava indignação passa a ser visto como normal, diminuindo a empatia e o senso de urgência ética.
- Relativismo Moral: A ideia de que "tudo é construção social" pode levar à conclusão de que não existem valores objetivos. Se nenhum comportamento é tabu, então nenhum valor é absoluto, o que pode fragilizar o senso de dever e responsabilidade. A perda de valores ocorre quando a quebra de tabus acontece de forma destrutiva, sem que algo melhor seja construído no lugar. Se o tabu do "pudor" cai e no lugar surge a objetificação, há perda de valor.
Exemplos positivos:
1- A liberdade religiosa em países onde antes só era permitido uma única confissão. O Brasil passou por essa experiência.
2 - O uso de tatuagens, que foi por muito tempo, vista como uma profanação do corpo, algo impuro, associado a marginalidade, rebelião, etc. O corpo era considerado um templo sagrado, e qualquer alteração permanente como a tatuagem era um tabu inquestionável.
3 - A criação das cotas para acesso à Universidade e Concursos públicos.
Exemplos negativos:
1 - A exposição constante de tragédias ou da vida íntima nas redes sociais quebra o tabu do pudor, podendo gerar dessensibilização. As pessoas passam a sentir menos empatia ou choque diante do sofrimento real, pois tudo se torna espetáculo.
2 - A erotização precoce na infância: ela quebra o tabu da pureza infantil e é considerada por muitos especialistas como prejudicial ao desenvolvimento emocional e saudável. Incluem-se também o fato de crianças dançarem gêneros musicais (como o funk ou o pop) que possuem conotações sexuais. A exposição da criança a filmes, vídeos, propaganda e letras de música que tratam de relações sexuais, objetificação do corpo e consumo de álcool. O uso de roupas inadequadas, curtas ou justas, que copiam modelos adultos.
3 - A Perda de Valores Morais: a quebra de alguns tabus provoca a perda de valores morais fundamentais que historicamente sustentaram a sociedade. Um dos maiores exemplos é a transformação da prostituição em uma profissão reconhecida. O principal argumento não religioso contrário é o da transformação do corpo e da intimidade em uma mercadoria. A moralidade baseada na dignidade humana seria substituída por uma "moralidade de mercado. Institucionalizar a prostituição como "trabalho" banaliza o sexo, desvinculando-o de qualquer compromisso ético ou emocional. Isso poderia enfraquecer a estrutura familiar e os laços sociais de fidelidade, promovendo uma cultura de consumo imediato de prazer (hedonismo), o que muitos consideram uma decadência dos costumes. O corpo não deve ser mercadoria; o Estado deve proteger a dignidade, não regulamentar a exploração.
Velocidade das Mudanças:
Antigamente, uma quebra de tabu levava séculos ou décadas (como o direito ao voto ou o divórcio); hoje, novos comportamentos são normalizados em poucos anos ou até meses.
Antes da internet, a quebra de um tabu dependia de grandes instituições (mídia, universidades, cinema e por fim o Estado). Hoje, através das redes sociais, a comunicação é horizontal. Grupos que compartilham comportamentos antes considerados "tabus" se encontram online, criam comunidades e validam uns aos outros. A velocidade aumentou porque a sanção social mudou de lado. No passado, quem quebrava o tabu era punido. Hoje, em muitos ambientes (especialmente digitais), quem defende ou luta pela manutenção de alguns tabus passa até a ser perseguido.
- As redes sociais expõem os usuários repetidamente a conteúdos disruptivos (defesa e luta pela queda de tabus). A exposição constante diminui a resistência emocional e gera aceitação por familiaridade.
No passado, a base dos valores estava em tradições e costumes muitas vezes com base religiosa. Atualmente, a base dos valores deslocou-se para a esfera do bem-estar individual e no consenso imediato. Como o "bem-estar" e o "desejo" são fluidos, a moralidade que os acompanha também se torna volátil e rápida.
Essa rapidez provoca:
- a Polarização: Surgem dois grupos antagônicos: os que são contrários e os que são favoráveis à quebra de vários tabus.
- a Superficialidade: Tabus são quebrados sem que a sociedade reflita sobre as consequências a longo prazo. É o que alguns sociólogos chamam de "Modernidade Líquida" (Zygmunt Bauman), onde nada é feito para durar, nem mesmo os valores.
A velocidade das quebras de tabus pode ser uma fonte de controvérsia. Mudanças muito rápidas podem não permitir que a sociedade se adapte adequadamente, levando a tensões e conflitos.
Pressão para Conformidade: Em alguns casos, a quebra de tabus pode criar uma pressão social para a conformidade com novas normas, limitando a liberdade individual e a diversidade de opiniões.
Impacto na Identidade Cultural: A rápida quebra de tabus pode ter impactos na identidade cultural de uma sociedade, resultando em uma perda percebida de tradições e valores.
É importante reconhecer que a quebra de tabus são inevitáveis porque as sociedades sempre mudaram ao longo do tempo. Sabemos também que sempre haverá pessoas que rejeitam e pessoas que aceitam. É necessário abordar essas mudanças com diálogo aberto e respeito pela diversidade de opiniões.
Os conservadores são contra. Os relativistas são a favor. A moral social evolui, provocando, lentamente, mudanças na consciência coletiva, que antes, considerava imoral, reprovável ou criminoso determinados comportamentos. Exemplos: o direito ao emprego para os PNE, os direitos de acessibilidade, o casamento homossexual, a marcha da maconha, a ideologia de gênero, etc.
-Nas sociedades onde se desenvolve uma divisão do trabalho (solidariedade orgânica), a consciência comum ocupa uma reduzida parcela, permitindo a ampliação do espaço para o crescimento da individualidade, porque os indivíduos são diferenciados, ou seja, não pensam de maneira coletiva, mas individualizada, embora não totalmente. Sendo assim, a reação às mudanças na consciência coletiva são menores; Quanto mais cosmopolita é a sociedade, mais aberta às mudanças ela tende a ser.
FATOS SOCIAIS NORMAIS: A sociedade é semelhante a um corpo, onde os fatos sociais normais representam a saúde do mesmo. Nem tudo que se vê numa sociedade que pareça ser ruim é anormal, nem sempre a dor é ruim, pois ela faz parte da saúde de um corpo. O anormal é aquilo que sai da regra, é o diferente da normalidade, da norma. Exemplo: O crime é um fato social normal porque representa a importância dos valores sociais que repudiam essa conduta como ilegal e sujeita a penalidades.
FATOS SOCIAIS PATOLÓGICOS OU ANORMAIS: É o estado doentio da sociedade: são anormais todos os fatos que põem em risco a harmonia, o consenso e a evolução da sociedade. Caso isso ocorra, a sociedade estará doente. Eles extrapolam os limites dos acontecimentos mais gerais de uma sociedade, não refletindo os valores e as condutas aceitas pela maior parte da população. Eles encontram-se fora dos limites permitidos pela ordem social, caracterizando a situação de anomia. Exemplos: A violência das torcidas organizadas, os comandos organizados do crime, o toque de recolher em alguns bairros, o crescimento dos índices de violência a tal ponto que o Estado perde o controle da repressão (como o que ocorre em determinados locais dominados pelo crime organizado); ausência do Estado em comunidades carentes, onde impera a miséria, a falta de saneamento, habitação digna, educação, saúde, segurança, etc.
SOLIDARIEDADE: É a situação em que um grupo social vive em comunhão de atitudes e de sentimentos, constituindo uma unidade sólida, capaz de resistir às forças exteriores e mesmo de tornar-se ainda mais firme em face de oposição vinda de fora. Divide-se em:
a) SOLIDARIEDADE MECÂNICA: ocorre nas sociedades "primitivas" ou arcaicas (grupos sociais de tipo tribal formado por clãs); os indivíduos que as integram aceitam sem questionamento todos os valores, tradições e costumes da tribo; o grupo compartilha os mesmos valores e crenças, o que assegura a coesão social. É uma sociedade mais conservadora.
b) SOLIDARIEDADE ORGÂNICA: ocorre nas sociedades modernas complexas, onde há diferenças de valores, crenças, costumes, etc. Características: consciência e interesses individuais, divisão econômica do trabalho complexa (diversidade de profissões e atividades); sociedade em geral mais cosmopolita (há exceções).
- A Coesão social ocorre de duas maneiras: a) através da divisão do trabalho; b) através das regras de conduta (leis, normas, punições, etc), que estabelecem direitos e deveres.
– ANOMIA (OU ANOMIA SOCIAL): É a situação de desintegração das normas que regem a conduta da sociedade, não havendo mais garantias da ordem social ou de um mínimo de segurança pública. Exemplo: em dias de greve da Polícia militar A complexidade da sociedade orgânica pode gerar a Anomia. .
- Causas da Anomia: A anomia é causada pelos altos níveis de desemprego (muita procura, pouca oferta), pela desesperança de muitos em relação ao futuro incerto, já que vivem sem dignidade (habitação, saúde, segurança precários ou inexistentes), ausência do Estado nas questões cruciais da população (saúde, educação, segurança, moradia, emprego, etc), a sensação de insegurança e de impunidade.
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