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quarta-feira, 10 de maio de 2023

EGITO ANTIGO

EGITO ANTIGO
Foi uma grande civilização que floresceu às margens do rio Nilo, no nordeste da África, entre o V milênio a.C. e 332 a.C. Foi uma sociedade complexa, organizada em torno de um faraó, considerado uma divindade, e com uma rica cultura, incluindo hieróglifos, pirâmides, templos e avanços em áreas como matemática, astronomia e medicina. O Egito fazia parte, junto com a Mesopotâmia de uma gigantesca área chamada de Crescente Fértil, que partilhava características semelhantes: uma área desértica que se tornou fértil devido às enchentes anuais de grandes rios, onde havia a presença de milhares de pessoas comandadas por um estado teocrático que comandava as grandes obras hidráulicas através do trabalho  compulsório.

A história do Egito antigo é dividida em dois períodos:

1 - Período Pré-dinástico (5000-3100 aC)

É o período que vai desde a formação dos Nomos, passando pela criação de dois reinos (alto e baixo Egito) até a unificação.

2 - A divisão histórica do Egito: intercalaram-se fases de poder unificado (Antigo, Médio e Novo Império) e fases de descentralização do poder (períodos intermediários). A fase final é chamada de Época Baixa. A primeira fase é chamada de Período Pré-dinástico 

PERÍODO PRÉ-DINÁSTICO
Apesar de estar localizada em uma região desértica, o Egito tornou-se um importante centro de povoamento na Antiguidade. Diversos povos foram atraídos para as margens do rio Nilo, atraídos pela fertilidade do solo proporcionada pelas enchentes anuais. Essas inundações, ao recuarem, deixavam uma camada de húmus que tornava a terra ideal para a agricultura, sendo fundamentais para a sobrevivência naquela região árida. Com o tempo, milhares de pessoas se fixaram ao longo do Nilo, formando os primeiros núcleos de habitação, conhecidos inicialmente como Proto-Nomos.

Proto-nomos: do grego Proto (primeiro ou inicial) e Nomo (distrito ou província)l”. Os proto-nomos eram as formas iniciais e rudimentares de organização territorial no Egito.

Características: Comunidades pequenas e descentralizadas, baseadas em clãs, os quais viviam basicamente da agricultura de subsistência. Não havia uma autoridade central forte ou estrutura administrativa formal.

Nomos: A expansão dos proto-nomos deu origem aos Nomos, os quais eram unidades administrativas e territoriais bem definidas, cada um com seu governante, (chamado de Nomarca), seus deuses, símbolos e centro político. Os Nomos eram cidades-estados.

 

ALTO E BAIXO EGITO:

Com o passar do tempo, os nomos foram unificados em dois reinos: Alto Egito e Baixo Egito;

 
Alto Egito: Sua capital era Tebas; localizava-se ao sul, era conhecido pela sua proximidade com a nascente do Nilo e a região montanhosa. Era a região mais extensa. A coroa do faraó era vermelha.

 Baixo Egito: tendo Mênfis como capital, localizava-se ao norte e sua área correspondia à região costeira e ao Delta do Nilo. A coroa do faraó era branca.

 O Alto e o Baixo Egito  existiram como reinos separados durante cerca de 400 anos, até que por volta de 3100 aC, o faraó Menés (ou Narmer), do Alto Egito, invadiu e anexou o Baixo Egito, unificando os dois reinos, tornando-se o primeiro faraó e dando início ao período dinástico.

 PERÍODO DINÁSTICO: Diferentemente dos governantes mesopotâmicos que eram representantes dos deuses, os faraós eram considerados como deuses e passaram a usar uma coroa dupla, vermelha e branca, representando a união dos dois reinos.


A TEOCRACIA

O Egito era uma monarquia teocrática, ou seja, era ao mesmo tempo uma monarquia e uma teocracia.
As diversas atribuições do Faraó: suas atribuições eram política, militar, econômica e religiosa.
-Liderança Política e Econômica: Ele governava o Egito através dos sacerdotes, nomarcas e uma enorme burocracia governamental.
- Trabalho compulsório: os camponeses estavam submetidos a esse tipo de trabalho (também conhecido como corveia), o qual era a base de toda a riqueza do Egito.
- Os escribas eram a espinha dorsal da administração, registrando tudo, desde a colheita até os impostos e a contabilidade. O controle sobre essas classes era fundamental para a manutenção do estado.
-A distribuição de alimentos e recursos para os camponeses era crucial para a estabilidade do reino, especialmente em uma economia agrícola.
- A capacidade de mobilizar e organizar grande quantidade de mão de obra e recursos para essas obras demonstrava o poder e a autoridade do faraó e dos sacerdotes e nomarcas sob o seu coma
ndo.
- Liderança Militar: o Faraó era o chefe militar do Exército e responsável tanto pela guerra de expansão quanto pela defesa do território.
- Liderança Religiosa: o faraó era considerado a encarnação de um dos deuses; sua principal responsabilidade era manter a Ma'at, a ordem cósmica e a justiça, através da participação em rituais e oferendas. A falha nesse dever poderia levar ao caos (secas, fome, pragas, etc). O faraó também era o sumo sacerdote de todos os cultos, com os sacerdotes agindo em seu nome.

A construção de templos e sepulturas grandiosas  era uma expressão visível de sua devoção e poder, visando garantir sua imortalidade e a continuidade do bem-estar do Egito. Em suma, a função religiosa do faraó era a espinha dorsal do sistema egípcio, garantindo a estabilidade e prosperidade do reino.
 
DIVISÃO DO PERÍODO DINÁSTICO: é subdividido em fases que alternam períodos de centralização e descentralização do poder político, provocadas pela opressão, rebeliões, clima, invasões estrangeiras, etc.

 ANTIGO IMPÉRIO - foi a primeira fase  centralizada. É mais conhecida como a “era das pirâmides”. Foi uma época marcada pela paz interna e externa, estabilidade política e grande concentração de poder na mão dos faraós, a qual foi usada para dirigir gigantescas obras públicas, dentre elas as da construção das famosas pirâmides de Gizé, realizadas através dos trabalhos compulsórios (ou servidão coletiva ou corveia), submetendo a maioria da população (os felás ou camponeses) a esse tipo de trabalho.


Causas do fim do Antigo Império:
Crise hídrica: diminuição do volume das enchentes do rio Nilo
Menos terras férteis
Menos colheitas
Menos alimentos
Desabastecimento e fome

Opressão sobre os camponeses: a pressão da servidão coletiva continuava, mesmo com a falta de mantimentos e fome
Essa opressão resultou em diversas rebeliões camponesas, as quais desestabilizaram o poder dos faraós, provocando o colapso do poder centralizado

PRIMEIRO PERÍODO INTERMEDIÁRIO
O Egito se dividiu em diversos pequenos reinos ou principados, governados pelos nomarcas, que passaram a atuar de forma independente, controlando suas próprias terras, recursos e exércitos.
Ascensão dos Nomarcas: Os nomarcas, que antes eram meros administradores do faraó, tornaram-se governantes de seus nomos. Eles rivalizavam entre si e não reconheciam uma autoridade faraônica superior. Isso gerou conflitos e guerras civis internas pelo controle de territórios e recursos.
Ao mesmo tempo, alguns povos conseguiram invadir partes do território egípcio, aproveitando o momento de crise.

MÉDIO IMPÉRIO
Com o passar do tempo, o faraó Mentuhotep II conseguiu reunir forças suficientes para quebrar o poder dos Nomarcas, expulsar invasores e voltar a centralizar o poder.
Fim da crise hídrica: regularização das enchentes anuais do rio Nilo

Retorno de grandes obras obras públicas

Crescimento populacional

Expansão do comércio e execução de grandes projetos arquitetônicos (ex: construção de lagos,  tumbas e templos majestosos).

Para tentar garantir a estabilidade política e aumentar seu poder de expansão, o Estado investiu na ampliação do Exército, o qual era composto principalmente pelos camponeses.

O Egito conquista partes da Núbia (atual Sudão) e da atual Palestina
Causas do fim do Médio Império:
A grandiosidade das obras contrastava com a opressão do trabalho compulsório e a pobreza dos camponeses.

Voltam a ocorrer diversas revoltas camponesas com o apoio de nomarcas e sacerdotes.

A instabilidade política e as revoltas internas favoreceram a invasão do norte do Egito por alguns povos semitas chamados de Hicsos, os quais tinham armas superiores às egípcias e usavam cavalo e carros de guerra.


SEGUNDO PERÍODO INTERMEDIÁRIO

Os Hicsos governavam o norte e os egípcios o sul.

Os Hicsos tentaram legitimar e ampliar o seu poder sobre o povo adotando adotando tradições e costumes egípcios, inclusive o título de Faraó. Em contrapartida, os egípcios não se conformavam com a perda de uma rica e significativa parcela de seus domínios."

Foi durante esse período de domínio Hicso que ocorre a chegada dos hebreus, os quais foram bem recebidos e instalaram no baixo Egito.

 

NOVO IMPÉRIO

Ao final de cerca de 150 anos de domínio hicso, os egípcios reuniram forças militares suficientes para expulsá-los.

O faraó Amósis I conseguiu reunir forças militares suficientes para expulsar os hicsos e reunificar o país. No novo império, o Egito se tornou uma grande potência militar e econômica.

A faraôa Hatshepsut passou para a história como a primeira mulher a governar o Egito; ela fez um bom governo, expandindo o comércio e mantendo boas relações diplomáticas e realizando grandes obras arquitetônicas.

Foi no novo império que, sob a liderança de Moisés, ocorreu a saída dos hebreus, após um fase em que foram submetidos à escravidão...esse evento foi chamado de Êxodo.

A reforma religiosa: O faraó Akenaton (ou Amenófis IV) implantou uma reforma religiosa, substituindo o politeísmo pelo monoteísmo dedicado ao deus sol Aton. Os estudiosos apontam como causas dessa reforma:

a) Akenaton imaginou que através dessa reforma enfraqueceria a influência, a riqueza e o poder dos sacerdotes de Amon (deus dos ventos e do ar) sobre o povo, ao mesmo tempo em que fortaleceria o seu poder.

b) A crença pessoal de Akenaton no deus Aton podem ter influenciado a tomar essa decisão radical,

c) Ele almejava unificar o Egito através da religião, eliminando os cultos regionais e enfatizando a adoração a um único deus.

As Consequências: A reforma religiosa foi muito mal recebida tanto pelos sacerdotes quanto pelo povo, já que alguns templos foram fechados e as imagens e inscrições dos deuses foram removidas ou destruídas. O povo, de maneira geral, não aceitava abandonar o politeísmo e o culto aos deuses tradicionais. Após a morte de Akhenaton, sua reforma religiosa foi anulada.

 

O fim do Novo Império: uma série de fatores provocaram sua decadência e fim:

o sistema político centralizado, burocratizado, ineficiente e corrupto, revoltas internas, secas, declínio das colheitas, aumento da fome, invasão de outros povos tais como os assírios e os hititas.

Além disso, o sistema político centralizado e burocrático dos faraós se tornou cada vez mais ineficiente e corrupto, o que contribuiu para o declínio geral do Novo império, que chegou ao fim após a invasão dos Povos do Mar (foi uma coalizão de vários grupos nômades que se estabeleceram ao longo da costa do Mediterrâneo Oriental e atacaram várias cidades e reinos na região, incluindo o Egito)

 

A ÉPOCA BAIXA: A PARTE FINAL DA HISTÓRIA DO EGITO ANTIGO

Foi marcado pela instabilidade onde o poder fragmentou-se entre os nomarcas e alguns povos invasores, como os núbios e os líbios.

No final deste período, uma dinastia Núbia conquistou o Egito e governou-o por cerca de um século, período em que ocorreu o RENASCIMENTO SAÍTA, uma época em que o Egito teve sua cultura e sua arte revitalizadas.

O FIM: O Império Aquemênida (persa) invadiu e conquistou o país, marcando o fim do Egito como nação independente.

 

O EGITO SOB DOMÍNIO PERSA:
1a ocupação: 525 a.C. - 404 a.C.
2a ocupação: 343 a.C. - 332 a.C.
 A dominação persa foi marcada por duas fases de ocupação intercalada por uma fase em que a resistência egípcia conseguiu durante um breve período reconquistar sua autonomia (entre 404 e 343 aC.).

O EGITO SOB DOMÍNIO MACEDÔNICO: Alexandre  conquistou o Egito em 332 a.C., tendo sido recebido como um libertador, pois os persas exerciam uma intensa opressão através de muitos impostos, além de desrespeitarem as tradições e a religiosidade egípcias. Alexandre, pelo contrário,  demonstrou grande respeito, tendo, inclusive, ido visitar os templos onde ofereceu sacrifícios aos deuses egípcios. Foi desta maneira que os egípcios passaram a reconhece-lo como faraó e ele assumiu os títulos e o poder associados a essa posição, sendo coroado em Mênfis (a antiga capital do Egito). Alexandre fundou a cidade de Alexandria.

Dinastia Ptolemaica: Após a morte de Alexandre em 323 a.C., seu vasto império foi dividido entre seus generais. Um de seus generais, Ptolomeu I Sóter, assumiu o controle do Egito e fundou a Dinastia Ptolemaica. Essa dinastia macedônica governou o Egito por quase 300 anos, mantendo muitos costumes egípcios, mas com uma forte influência cultural grega.  Foi sob o domínio macedônico que a famosa rainha Cleópatra viveu e governou.

 

Cleópatra VII Filopátor (reinou de 51 a.C. a 30 a.C.) foi a última rainha da Dinastia Ptolemaica. Embora ela tenha sido a única de sua linhagem a aprender a língua egípcia (além do grego), sua cultura e sua dinastia eram essencialmente gregas macedônias.

 

SOCIEDADE

Em termos de Estratificação, era uma sociedade estamental: a mobilidade (movimentação) social não era impossível, mas era bastante difícil, pois a posição social do indivíduo era praticamente determinada pela condição de nascimento do indivíduo. Exemplo: quem nascia camponês, geralmente morria camponês, embora fosse possível se tornar um artesão ou comerciante, ou casar com alguém de outro estamento. Os principais estamentos eram:

    Faraó e família real: o faraó era o líder do Egito e era uma das divindades.Sua família e os parentes mais próximos tinham grande poder e prestígio. Na família do faraó havia a prática do incesto. Isso ocorria por algumas razões:

- a ideia da "pureza" da dinastia real

- a crença de que, sendo uma divindade, só poderia casar com outras divindades, no caso, sua própria família.

- evitar que o poder passasse a ser de outra dinastia

Nem todos os faraós se casaram com irmãos ou parentes próximos. Alguns se casaram com mulheres de outras famílias reais ou até mesmo com mulheres plebeias.

    Sacerdotes:

- organizavam os rituais, festas e atividades religiosas; eram donos de vastas propriedades e comandavam os trabalhos de milhares de pessoas. Desfrutavam de enorme riqueza proveniente das oferendas. pelo culto aos deuses

- eram bastante populares e tinham acesso a conhecimentos considerados sagrados. Muitos faraós os consideravam como pessoas perigosas, que ambicionavam tomar o seu lugar.

- faziam parte dos conselheiros de faraó.

    Nobreza:

era composta pelos Nomarcas, altos funcionários reais e militares. Eles possuíam grandes propriedades de terra e exerciam grande influência política.

   Artesãos, comerciantes e escribas: os artesãos eram obrigados a trabalhar em oficinas estatais, produzindo objetos de luxo e outros bens para o Estado e para os templos; sendo assim, estavam sujeitos aos trabalhos compulsórios.

   Camponeses (ou Felás): formavam a maior parte da população e estavam sujeitos a todo o tipo de trabalho compulsório que o Estado os obrigasse.

    Escravos: diferente do que muitos imaginam, a maior parte da mão de obra egípcia não era escrava...

A origem dos escravos:

a) prisioneiros de guerra

b) através dos traficantes, que os vendiam nos mercados

c) escravidão por dívida

O escravo era utilizado em qualquer tipo de trabalho, desde os mais pesados (pedreiras, minas, construções de monumentos, agricultura), até os mais amenos, como o trabalho doméstico. Os escravos eram propriedade do Estado ou de particulares. A escravidão era hereditária: os filhos dos escravos também continuavam sendo escravos.


A SITUAÇÃO DAS MULHERES

Elas desfrutavam de uma posição social e legal mais avançada do que em muitas outras civilizações da mesma época, possuindo direitos que poucos imaginam existir naquela época. Elas  podiam exercer papéis significativos em diversas esferas da vida. Havia igualdade legal com os homens, ou seja, elas podiam:

-Possuir e administrar propriedades: Incluindo terras, casas e escravos. Isso era um direito raro para mulheres em outras culturas antigas.

-Comprar e vender bens: Podiam fazer seus próprios negócios e contratos.

-Herança: As mulheres podiam herdar bens de seus pais e maridos. A linha de herança muitas vezes passava de mãe para filha.

-Divórcio: Podiam iniciar um processo de divórcio e, em muitos casos, manter uma parte dos bens adquiridos durante o casamento, incluindo a casa. Acordos pré-nupciais eram comuns para proteger os bens da mulher.

-Testemunhar e depor em tribunal: Tinham voz legal e eram tratadas de forma semelhante aos homens na justiça.

-Papéis Domésticos e Profissionais: Ainda que a maioria se dedicasse ao lar e à família, o que era altamente valorizado, elas também exerciam uma variedade de profissões:

-Gerentes de propriedade: Mulheres de classes mais altas frequentemente supervisionavam suas próprias propriedades e os trabalhadores nelas.

-Sacerdotisas: Desempenhavam papéis importantes em templos dedicados a deuses e deusas, como as "Esposas de Deus Amon", que tinham grande poder espiritual e influência política.

-Médicas: Há registros de mulheres atuando como médicas, como Peseshet, considerada a primeira médica conhecida na história.

-Artesãs e comerciantes: Trabalhavam como tecelãs, padeiras, cervejeiras, cozinheiras e vendiam produtos em mercados.

-Musicistas e dançarinas: Tinham presença em festividades e eventos religiosos.

OS FARAÓS NEGROS

O Egito Antigo se desenvolveu no nordeste da África, onde sua população original era, e ainda é, uma mistura de povos africanos, com gradientes de características físicas variadas ao longo do Vale do Nilo, as quais não se encaixam como brancas ou negras de forma simplificada. A pele dos egípcios antigos, como representados em sua própria arte, variava de tons mais claros a mais escuros.

Nem todos os faraós eram brancos: durante a época baixa, o Egito foi governado por faraós negros, vindos da Núbia (correspondente ao atual Sudão e parte do sul do Egito). Essa fase é conhecida como a 25ª Dinastia do Egito, também chamada de Dinastia Cuchita (ou Kushita), que reinou aproximadamente entre 747 a.C. e 656 a.C. Aqui estão os pontos chave sobre os faraós negros do Egito Antigo:

Origem e Contexto: A Núbia, ao sul do Egito, era uma região com uma rica e antiga civilização, o Reino de Kush. Esse reino tinha uma relação longa e complexa com o Egito, ora como parceiro comercial, ora como dominado (especialmente durante o Novo Império).

 

Durante a Época Baixa, os reis de Kush, que se consideravam herdeiros legítimos das tradições egípcias e devotos do deus Amon (cultuado tanto no Egito quanto na Núbia), aproveitaram a oportunidade para invadir e reunificar o Alto e o Baixo Egito.

Características do Reinado Cuxita:

Restauração Egípcia: influenciados pela cultura egípcia, os faraós cuxitas restauraram antigas tradições religiosas, templos e monumentos, com destaque para a construção de muitas pirâmides de tamanho bem menor.

O domínio cuxita  sobre o Egito chegou ao fim devido às invasões e campanhas militares dos assírios, os quais tinham táticas e tecnologia militar superior.


O PAPEL DOS SACERDOTES: os templos desempenhavam um papel semelhante ao da Mesopotâmia — eram verdadeiros "estados dentro do Estado", especialmente quando o poder real estava enfraquecido.

Os templos não eram espaços só religiosos, mas também  econômicos, administrativos e culturais, tais como:

a) Cuidar dos Templos e dos Deuses: Os templos eram a "casa" do deus local, e os sacerdotes realizavam rituais diários: banhar, vestir, alimentar e homenagear suas esculturas, manter os rituais e o calendário religioso.

b) Administração e Economia: grandes extensões de terras e riquezas eram de domínio dos templos, sendo administradas pelos sacerdotes, os quais administravam os trabalhos dos camponeses, armazenavam grãos, etc.

c) Conhecimento e Ciência: Eram também escribas, astrônomos, médicos e estudiosos. Usavam saberes sobre medicina, astrologia, matemática e escrita para fins práticos e rituais. Guardavam e copiavam textos sagrados e científicos. Usavam um calendário litúrgico para marcar datas de festivais e oferendas.

 

A RIVALIDADE ENTRE FARAÓ E O CLERO: os sacerdotes (ou o clero egípcio), devido ao seu poder político sobre o povo, tornaram-se uma força política quase autônoma e até perigosa para a autoridade real. Havia uma rivalidade entre o faraó e os sacerdotes, os quais disputavam quem teria mais influência junto ao povo. Em várias épocas, os sacerdotes chegaram a rivalizar ou até substituir a autoridade política do faraó em regiões específicas. Embora oficialmente servissem ao faraó, na prática, eles controlavam riquezas e  influência sobre o povo. Em determinados períodos, principalmente quando o poder faraônico enfraquecia, os templos se tornaram verdadeiros Estados dentro do Estado, com influência econômica, militar e política — uma forma de Estado-Templo egípcio.

 

A QUESTÃO DA PROPRIEDADE: Quem eram os donos da terra?

-No Egito antigo, toda a terra era propriedade do faraó, pois ele considerado o governante supremo e uma divindade viva, detendo o controle de todas as terras e recursos do reino.

- No entanto, uma parte significativa das terras era concedida aos templos, e estes, por sua vez, eram administrados pelos sacerdotes. Os templos acumulavam grande riqueza e influência por meio dessas propriedades, que eram cultivadas por camponeses através do trabalho compulsório, os quais entregavam uma parte da colheita como tributo.

- outra parte das terras pertencia a funcionários importantes do governo, nobres e chefes militares: eles recebiam estas terras como recompensa por seus serviços ao faraó. Essas terras eram cultivadas por trabalhadores e geravam renda para seus "proprietários". Embora fossem "dadas" pelo faraó, esses indivíduos tinham um controle significativo sobre elas e podiam até passá-las para seus herdeiros, mas sempre sob a soberania do faraó.

-Havia também pequenas propriedades: Há evidências de que algumas famílias, talvez camponeses mais abastados ou artesãos, podiam ter o usufruto de pequenas parcelas de terra, mas sempre com a obrigação de pagar impostos e prestar serviços ao Estado.

 

O LEGADO EGÍPCIO

O Antigo Egito deixou um legado significativo para a humanidade em diversas áreas, incluindo:

    Arquitetura monumental: as pirâmides, templos, tumbas e outros edifícios monumentais

    Escrita hieroglífica: considerado uma das primeiras formas de escrita do mundo e foi usado por mais de três mil anos.

    A medicina: Desenvolveram técnicas avançadas para a época, deixando um importante legado para a humanidade, mesmo não estando totalmente desvinculada do misticismo. Acreditavam que algumas doenças eram causadas por deuses ou demônios. Usavam encantamentos e amuletos associados aos tratamentos, especialmente quando os procedimentos técnicos eram insuficientes.


Características da Medicina Egípcia:

Papiros Médicos: A maior parte do nosso conhecimento sobre a medicina egípcia provém de papiros antigos que contém registros sobre diagnósticos, tratamentos, prognósticos e prescrições para uma vasta gama de doenças e lesões. Eles demonstram um conhecimento detalhado de anatomia e fisiologia (embora com algumas imprecisões).

Conhecimento Anatômico: A prática da mumificação, que envolvia a remoção de órgãos internos, proporcionou aos egípcios um conhecimento anatômico prático sem precedentes para a época. Eles eram capazes de identificar órgãos e suas posições, o que era crucial para cirurgias e tratamentos.

 

Farmacologia: Utilizavam uma vasta gama de ingredientes naturais em suas prescrições, incluindo ervas, minerais e produtos animais. O mel, por exemplo, era amplamente usado por suas propriedades antissépticas. Havia também o uso de substâncias com propriedades analgésicas, como o ópio, e até métodos contraceptivos.

 

Higiene e Saúde Pública: Os egípcios davam grande importância à higiene pessoal e à saúde. Banhavam-se regularmente, e há evidências de preocupação com a limpeza e prevenção de doenças.

 

Matemática
era voltada para a prática, para a necessidade de resolver os problemas do cotidiano, tais como a  construção, medição de terrenos e a contabilidade.  Embora não tivessem o conceito de zero, eram hábeis para calcular áreas e volumes, essencial para suas grandes obras arquitetônicas.

    Astronomia: desenvolveram um calendário baseado no ciclo anual do rio Nilo, além de terem uma compreensão avançada dos movimentos planetários.

   Fontes:
https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/historia-de-que-raca-eram-os-egipcios.phtml
DORSA, V. L. O. (Org.). Mulheres e Múmias: O Feminino no Egito Antigo. Rio de Janeiro: Editora da UERJ, 2018.

SILVA, L. S. O Livro dos Mortos do Antigo Egito: Tradução e Estudo da Recensão Tebana. Petrópolis: Vozes, 2008.

SILVA, R. A. História do Egito Antigo. São Paulo: Ática, 2007 (ou edições posteriores).

AMARAL, I. H. (Org.). Mundo Egípcio: Estudos de Arqueologia e História. São Paulo: Humanitas/FFLCH-USP, 2012.

CHAMPOLLION, J-F. Gramática Egípcia. Tradução de Fábio Freire. Rio de Janeiro: Lexicon, 2010.

 



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 4 de maio de 2023

I GUERRA MUNDIAL

 Uma guerra que também recebeu o título de A Grande Guerra... chegaram a afirmar que seria a guerra para acabar com todas as guerras...até então, foi a maior guerra da história.

ANTECEDENTES/CAUSAS
- IMPERIALISMO OU NEOCOLONIALISMO: as potências europeias colonizaram a África e a Ásia, com destaque para a Inglaterra e a França.

- UNIFICAÇÃO TARDIA DA ALEMANHA E ITÁLIA: entram tardiamente na disputa por colônias, por terem se unificado em 1870.

- ALEMANHA, UMA POTÊNCIA: seu exército era considerado o melhor do mundo. Seus produtos eram considerados de superior qualidade; a Alemanha era uma crescente potência econômica e militar que expandia sua presença colonial, rivalizando com franceses e ingleses...os britânicos a enxergavam como uma ameaça à sua liderança mundial.

- REVANCHISMO FRANCÊS: alimentava o desejo de se vingar dos alemães da humilhação sofria após a derrota na guerra franco-prussiana de 1870, quando teve que entregar a região da Alsácia-Lorena.

- NACIONALISMO: foi uma das principais causas... O sentimento nacionalista era muito forte, principalmente entre os germânicos e os eslavos.
a) PAN-GERMANISMO: defendia a unificação de todos os povos germânicos em um único Estado; o movimento foi impulsionado por intelectuais e políticos alemães que também  buscavam expandir a influência cultural e política da Alemanha.
b) PAN-ESLAVISMO: buscava unir os povos eslavos em uma única entidade política e cultural, sob o patrocínio da Rússia, o maior país eslavo do mundo. Defendiam a libertação dos eslavos que estivessem sob domínio de outros povos: essa crítica direcionava-se aos austro-húngaros, que haviam anexado a Bósnia (um país eslavo) em 1908.


- A ANEXAÇÃO DA BÓSNIA PELO IMPÉRIO AUSTRO-HÚNGARO EM 1908: aumentou ainda mais o sentimento nacionalista dos eslavos.

- O MOVIMENTO TERRORISTA SÉRVIO MÃO NEGRA: tinha como objetivo libertar a Bósnia da ocupação austro-húngara, com destaque para o terrorista Gavrilo Princip, autor do assassinato do arquiduque Francisco Ferdinand e de sua esposa

- A PAZ ARMADA: Diante do clima de intensa rivalidade e sentimentos nacionalistas e revanchistas, as potências europeias estavam em um processo de corrida armamentista, pois imaginavam que precisavam estar preparadas pois a qualquer momento seus rivais poderiam atacar.

- A FORMAÇÃO DE ALIANÇAS MILITARES: as potências europeias se dividiram em duas alianças militares. Outros países foram entrando ao longo do conflito ao lado da Entente Cordiale (exemplos: EUA e Brasil). A Itália tinha se aliado à Alemanha, mas no início do conflito passou para o lado da Entente.
a) ENTENTE CORDIALE (ou tríplice entente)
França, Rússia, Inglaterra, Itália, etc.
b) TRÍPLICE ALIANÇA:
Alemanha, Império Austro-Húngaro, Império Otomano.

- O ATENTADO EM SARAJEVO (28/06/1914): neste dia ocorreu o assassinato do arquiduque do império austro-húngaro Francisco Ferdinando e sua esposa, cometido pelo membro do movimento mão negra, Gavrilo Princip, que foi imediatamente preso.

- O ULTIMATO CONTRA A SÉRVIA E AS DECLARAÇÕES DE GUERRA: após o atentado, a Áustria-Hungria apresentou um ultimato à Sérvia, contendo várias exigências, consideradas  inaceitáveis pelos sérvios, os quais sabiam que isso era um pretexto para uma declaração de guerra. Sabendo que a guerra seria inevitável, os sérvios pediram a ajuda militar russa; ao mesmo tempo, os austro-húngaros negociaram com os alemães a ajuda militar. Essas negociações levaram cerca de um mês. No dia 28 de julho de 1914, o Império Austro-húngaro  declarou guerra à Sérvia. Essa declaração pôs em marcha as alianças militares, ou seja, várias declarações de guerra passaram a ser formalizadas, dando início oficial ao conflito.

O DESENROLAR DA GUERRA
Os alemães acreditavam que venceriam facilmente a guerra através do Plano Schlieffen, o qual 
consistia em um ataque maciço contra a França, usando inclusive os territórios belga e holandês. A França seria derrotada em poucas semanas, permitindo que a Alemanha voltasse suas forças contra os russos. Sendo assim, evitariam lutar em duas frentes.
O plano fracassou porque a resistência franco-britânica foi intensa; o avanço germânico foi interrompido na Batalha do Marne, em setembro de 1914. Além disso, os alemães foram atacados no sul da França pelos italianos. A partir daí, a guerra vai se arrastar, tornando-se uma guerra quase estática, travada em trincheiras. 

A ENTRADA DO BRASIL: o afundamento de navios cargueiros brasileiros por submarinos alemães levou o Brasil a declarara guerra em outubro de 1917. O país enviou uma esquadra da marinha para patrulhar o Mar Mediterrâneo e uma missão médica para o front.

A ENTRADA DOS ESTADOS UNIDOS: vários motivos levaram os americanos a declarar guerra à Tríplice Aliança:
-   O afundamento do navio de passageiros Lusitania em 1915, que matou mais de 1000 pessoas, incluindo 128 americanos e aumentou a indignação pública contra a Alemanha.
-    O afundamento de navios cargueiros por submarinos alemães, resultando em mortes de americanos e prejuízos materiais
-    A interceptação e publicação da mensagem Zimmermann em 1917, na qual o governo alemão propôs uma aliança militar com o México para atacar os Estados Unidos. Caso fosse aceita pelos mexicanos, isso dificultaria o envio de tropas americanas para a Europa.
-    O risco de perder muito dinheiro caso a França e a Inglaterra fossem derrotadas. Os EUA estavam vendendo muita mercadoria que seria paga posteriormente. Caso a Alemanha vencesse, os perdedores dificilmente teriam como pagar a enorme dívida.
-    Os americanos imaginavam também que, se a Alemanha vencesse, se tornaria tão poderosa sobre a Europa que poderia decidir por um embargo econômico dos países vencidos contra os EUA, fato que prejudicaria a economia americana e fortaleceria a economia alemã.

CAUSAS DO FINAL DA GUERRA
A TRÍPLICE ALIANÇA ESVAZIADA / A TRÍPLICE ENTENTE AMPLIADA / A ALEMANHA FICOU SÓ
1- Em set/1918, a Bulgária capitula; em out/1918 é a vez do Império Otomano; em nov/1918, os austro-húngaros também capitulam. A Tríplice Aliança foi esvaziada e a Alemanha ficou só.
2 - No lado da Entente ocorria o contrário: vários países aderiram tais como os EUA, Japão e Brasil.

ALEMANHA ISOLADA / FIM DA MONARQUIA / INÍCIO DA REPÚBLICA
3 - O Alto Comando alemão percebeu que seria impossível vencer essa guerra sozinhos.
4 - A Alemanha sofria com um forte bloqueio econômico, ou seja, o país estava economicamente isolado, sem receber suprimentos; os alemães já estavam passando privações, desabastecimento e fome.
5 - A Revolução Alemã de 1918: espalham-se pela Alemanha vários protestos e rebeliões populares contra a guerra, o desabastecimento, a inflação e as mortes. O Kaiser Guilherme II perde apoio e é forçado a renunciar antes mesmo da rendição. Com sua renúncia, a monarquia é abolida e a república de Weimar é implantada.
6 - mesmo sem o país ter sido invadido pelas tropas da Entente, o novo governo alemão  preferiu negociar a rendição em novembro de 1918. Os que se opunham à rendição argumentavam que o exército teria condições de resistir, mas o governo, diante da forte crise econômica e da revolta do povo contra a guerra, decidiu pela rendição, sabendo que o país sofreria severa punição dos vencedores.

CONSEQUÊNCIAS DA GUERRA
1 - segundo estimativas, o total de mortos (militares e civis) estaria em torno de 14 a 15 milhões de pessoas, onde estão incluídas as mortes por armas, fome, doenças, etc.

2 - Gigantesco prejuízo econômico: destruição de infraestruturas, cidades, indústrias e a interrupção das relações comerciais internacionais. As estimativas giram em torno de cerca de US$ 186 bilhões (em valores da época)

4 - Fim dos impérios russo, alemão, austro -húngaro e otomano; surgimento de novos países na Europa tais como Tchecoslováquia, Iugoslávia (união dos povos sérvios, croatas, bósnios, etc), Polônia, Estônia, Letônia, Lituânia e Finlândia.

5 - Instabilidade política com o fim dos impérios alemão e russo: se foi ruim com eles, ficou pior sem eles: em seu lugar duas das piores ditaduras da história: a Socialista na Rússia e a Nazista na Alemanha.

6 - A ascensão americana: A guerra aumentou o poder econômico e político dos Estados Unidos, que emergiram como uma superpotência mundial.

7 - A Conferência de Paris e o Tratado de Versalhes: foi o resultado de uma série de encontros diplomáticos entre os principais países envolvidos, sob o comando dos vencedores (França, Inglaterra, EUA e Itália). Ao final das conferências, os vencedores impuseram uma humilhante condenação à Alemanha; Pelas decisões do Tratado, a Alemanha
- foi declarada culpada pela guerra
- perdeu 13% de todo o seu território
- foi obrigada a devolver a Alsácia-Lorena para os franceses
- ficou impedida de acessar a região de Sarre, rica em carvão, que ficou sob controle dos franceses
- perdeu parte de seu território para a Polônia, através da criação de um corredor polonês separando o país de uma parte da Prússia.
- perdeu a região de Schleswig para a Dinamarca;
- ficou proibida de anexar a Áustria
- perdeu todas as suas colônias, as quais foram repartidas entre franceses e ingleses.
- ficou proibida de promover recrutamento militar;
- ficou proibida de ter mais que 100 mil soldados;
- ficou proibida de ter aviação e marinha de guerra;
- ficou proibida de ter tanques de guerra e artilharia pesada;
- foi obrigada a desmilitarizar a região da Renânia
- foi obrigada a destruir seis milhões de rifles, 15 mil aviões e 130 mil metralhadoras;
- foi obrigada a pagar cerca de 20 bilhões de marcos alemães em ouro, em valores da época. Esse valor deveria ser pago até abril de 1921, mas tempos depois franceses e britânicos passaram a exigir mais de 200 bilhões de marcos em ouro.

As humilhantes imposições sobre a Alemanha foram criticadas pelo presidente americano Woodrow Wilson. Antes mesmo do fim da guerra, Wilson já havia proposto uma série de medidas, chamadas de 14 pontos, para tentar acabar com as guerras...algumas delas eram a liberdade de navegação nos oceanos, fim dos bloqueios econômicos, fim do colonialismo, autodeterminação dos povos, criação da liga das nações, etc. Wilson foi contra a humilhação imposta à Alemanha, pois em sua opinião poderia gerar um mal maior no futuro. 

8 - Avanços tecnológicos: A guerra levou a avanços significativos em tecnologia militar, incluindo armas químicas, tanques, submarinos, telecomunicações e aviões.

9 - Criação da Liga das Nações: A Liga das Nações foi criada após a guerra com o objetivo de prevenir futuros conflitos. No entanto, ela não conseguiu impedir a Segunda Guerra Mundial.





segunda-feira, 1 de maio de 2023

LIBERDADE ECONÔMICA E DEMOCRACIA

LIBERDADE ECONÔMICA E DEMOCRACIA

Ao longo da história, a humanidade sempre procurou vivem em ambientes onde haja melhores condições de vida...sendo assim, muitos procuram viver em países onde isso seja possível. Qual seria o melhor modelo de país para se viver? A resposta está em um conjunto de fatores que envolvem liberdade econômica, democracia plena e bons indicadores sociais. Na atualidade, os melhores países do mundo possuem essas características. Isso é possível porque a liberdade econômica promove a criação de renda, empregos e oportunidades, resultando em menos gente dependente de auxílios governamentais e menos políticos populistas/demagogos. Além disso, democracias consolidadas são menos corruptas e possuem bem mais participação e transparência. Ao mesmo tempo, com bons indicadores econômicos há mais recursos para os benefícios sociais nas áreas da educação, saúde e previdência. Tudo isso resulta em serviços públicos de qualidade, baixa desigualdade social e elevado nível de bem-estar para a população.
Algumas características de países com ampla liberdade econômica são
1 - Estímulo a inovação e a criatividade: A liberdade econômica permite que indivíduos e empresas possam criar, inovar e produzir livremente, sem as amarras das regulamentações e restrições governamentais. Isso gera um ambiente propício para a criação de novos produtos e serviços que podem melhorar a vida das pessoas.
2 - Concorrência: A liberdade econômica estimula a concorrência entre as empresas, o que leva a uma melhoria na qualidade dos produtos e serviços oferecidos, além de preços mais baixos para o consumidor.
3 - Criação de empregos: A liberdade econômica permite que empresas cresçam e se desenvolvam, o que gera mais oportunidades de emprego e aumenta a renda das pessoas.
4 - Empreendedorismo: A liberdade econômica permite que empreendedores possam criar e gerir seus próprios negócios, o que pode levar a um aumento na criação de riqueza e inovação.
5 - Estímulo ao comércio internacional: A liberdade econômica favorece a abertura de fronteiras para o comércio internacional, o que aumenta as opções de produtos e serviços para os consumidores e promove a troca de conhecimento e tecnologia entre países.
6 - Redução da pobreza: A liberdade econômica permite que as pessoas possam produzir e criar riqueza livremente, o que pode levar a uma redução na pobreza e na desigualdade.
7 - Melhoria da eficiência econômica: A liberdade econômica permite que o mercado atue de forma mais eficiente, alocando recursos de forma mais racional e produtiva, o que gera benefícios para a sociedade como um todo.
8 - Responsabilidade individual: A liberdade econômica incentiva a responsabilidade individual, uma vez que cada indivíduo é livre para tomar suas próprias decisões e arcar com as consequências.
9 - Estímulo da criatividade e diversidade cultural: A liberdade econômica favorece a diversidade cultural, já que empresas e indivíduos podem criar produtos e serviços que atendam às necessidades de grupos específicos, o que pode promover a riqueza cultural e a criatividade.
10 - Respeito à liberdade individual: A liberdade econômica respeita a liberdade individual, uma vez que permite que as pessoas possam produzir e trocar bens e serviços livremente, sem a intervenção coercitiva do governo.
Com raras exceções, nos países onde há plena liberdade econômica também há plena democracia e bons indicadores sociais. São exemplos: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália, Suíça, Cingapura, Hong Kong, Nova Zelândia, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Noruega, etc. De maneira geral, esses países apresentam bons indicadores sociais, expectativa de vida mais longa, baixas taxas de pobreza e desemprego, maior liberdade individual, bons sistemas de saúde e educação, entre outros fatores que contribuem para uma melhor qualidade de vida.

PAÍSES COM POUCA LIBERDADE ECONÔMICA
No sentido contrário, em países onde há pouca liberdade econômica (Brasil incluído), além da democracia precária (ou não possui), o Estado intervém fortemente em diversos setores da economia e isso se traduz em muito imposto, mais burocracia, estatais caras e ineficientes, parasitismo, privilégios, corrupção, etc.,  fatos que prejudicam o desenvolvimento econômico e, consequentemente, a qualidade de vida da população. Além disso, em muitos desses países, há altos níveis de corrupção, falta de transparência e respeito pelos direitos de propriedade e contratos, o que desencoraja investimentos e negócios, afetando diretamente a economia e, portanto, a qualidade de vida das pessoas. Além disso, o governo controla de maneira ineficiente muitas vezes corrupta a saúde, educação, saneamento e moradia, o que pode levar a baixa qualidade de serviços e falta de inovação e competitividade. Em resumo, a liberdade econômica é fundamental para que haja eficiência, inovação, competitividade e crescimento econômico, o que, por sua vez, leva a uma melhoria na qualidade de vida da população.
Exemplos de países: Brasil, Venezuela, Argentina, Cuba, Coreia do Norte, Irã, Zimbabue, etc.

O Brasil está atualmente em 140º lugar no Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, entre os 180 países avaliados. O país tem uma pontuação de 53,7 pontos, o que o coloca na categoria "principalmente não livre" em termos de liberdade econômica.


EXERCÍCIOS (RESPONDA COM BASE NO TEXTO)

1 - um país de economia liberal é um país bom ou ruim para se viver? comente
2 - há outros fatores além da economia liberal, que fazem um país ser considerado bom para se viver? comente
3 - por que a concorrência é benéfica para o consumidor? comente
4 - a economia liberal reduz a pobreza e a miséria? comente
5 -qual é melhor indicador de melhoria na economia: o emprego ou o auxílio-desemprego? comente
6 - estabeleça uma relação entre economia liberal e liberdade individual
7 - por que o desenvolvimento econômico é prejudicado quando há forte intervenção do estado na economia?
8 - comente porque o Brasil é considerado um dos países com menos liberdade econômica
9 - qual seria o tipo de país ideal para se viver: aquele com economia liberal ou aquele com forte intervenção do estado? comente, com base no texto.
10 - países de economia liberal, de maneira geral são mais democráticos e inclusivos? comente com base no texto.

terça-feira, 25 de abril de 2023

DEMOCRACIA: CRÍTICAS E SOLUÇÕES

 Democracia, Críticas e Propostas de solução


Democracia é uma prática política essencial para o direito, para a política, para
qualquer indivíduo e qualquer sociedade que queira viver em um ambiente onde há liberdades. O ser humano só tem liberdade em um regime democrático. Há uma relação direta entre liberdade e democracia.
- Onde há democracia deve haver liberdade
- Onde não há liberdade não há democracia
Entretanto, a própria democracia não é perfeita, assim como nenhum tipo de governo é ...
Não existe um modelo perfeito...todos tem falhas e problemas, alguns mais do que outros...ou seja, todos são ruins, entretanto, a democracia, mesmo com todas as falhas é considerado o menos ruim. Como ninguém conseguiu criar algo melhor que a democracia, ela é o modelo usado por boa parte do mundo, mesmo que de maneira precária por muitos.

Quais seriam as principais críticas à democracia?

1 - A tirania da maioria: A democracia também é assim chamada porque em eleições prevalece a vontade da maioria, ou seja
- a maioria pode eleger um bom ou um mau governante ou um falso líder que se passa por uma pessoa de bem...
-a maioria pode ser enganada e eleger um líder que usa de sofismas, tem um discurso atraente, que parece ser o defensor das melhores causas, mas na prática é um hipócrita e quando assume o poder, atende apenas aos interesses de um pequeno grupo.
- a maioria pode eleger um demagogo, aquele líder populista que afirma ser o defensor dos mais pobres, que promete muitos benefícios, que manipula as massas a seu favor a ponto do povo dispensar os parlamentares e a democracia, pois basta a relação direta com seu líder.
Por outro lado, em um verdadeiro regime democrático deve haver espaço para que toda a sociedade seja ouvida e atendida no que for possível...ou seja, as minorias devem ser ouvidas e atendidas também...
Já dizia a filósofa Ayn Rand: a menor minoria de todas é o indivíduo...
Como a democracia pode defender as minorias?
Sugestões de solução: mesmo tendo como base a vontade da maioria, os regimes verdadeiramente democráticos devem respeitar e atender os direitos das minorias. Exemplos: 
- Sistemas de proteção e representação; exemplos:
- adequar espaços públicos e particulares para cegos e cadeirantes
- crédito educativo para estudantes pobres
- cotas raciais e sociais para estudantes considerados oriundos de minorias
- Linguagem clara: uso de uma linguagem clara e acessível em documentos, bulas e materiais educativos, para que todos possam compreendê-los, incluindo pessoas com deficiência intelectual ou cognitiva.
- Transporte acessível e adaptado para pessoas com mobilidade reduzida
- Ensinar os estudantes sobre o respeito mútuo entre grupos distintos
- Liberdade de imprensa para que se possa investigar e denunciar os problemas
-Educação cívica: é o primeiro passo: deve-se educar as crianças a respeitar todas as pessoas, independente de sua condição física, de sua sáude, religião, etnia, religião, etc.

2 - Corrupção: A democracia pode ser vulnerável à corrupção, especialmente quando a fiscalização é frouxa e os partidos políticos e os políticos têm acesso facilitado aos recursos públicos. A corrupção pode minar a confiança do público na democracia e no governo.
Sugestões de solução:
- Independência política e econômica das instituições responsáveis pelo combate à corrupção: elas não devem responder nem ao poder executivo e nem ao poder legislativo. Devem ter recursos suficientes para realizar suas atividades. Exemplos: a Polícia Federal, o Ministério Público e a Controladoria Geral da União.
- Transparência: o povo deve ter pleno acesso às contas e as ações  públicas É fundamental que haja transparência nas ações dos políticos e nos gastos públicos. Isso pode ser feito, por exemplo, por meio da divulgação de informações sobre contratos públicos, gastos com publicidade, salários de servidores, entre outros.
- Punição efetiva: É importante que a corrupção seja punida de forma efetiva e rápida, de modo a desestimular a prática. Isso inclui a aplicação de penas mais rigorosas, o confisco de bens adquiridos de forma ilícita e a recuperação do dinheiro desviado.
-  Educação: É necessário investir em educação cívica e em valores éticos desde a infância, para que os cidadãos compreendam a importância da honestidade e da integridade na vida pública.
-  Reformas políticas: É preciso fazer reformas políticas que garantam maior representatividade e participação popular, como a redução do número de cargos comissionados e a ampliação da participação dos cidadãos nas decisões políticas.
-  Controle social: É importante incentivar a participação da sociedade civil no controle das políticas públicas e no acompanhamento das ações dos políticos. Isso pode ser feito, por exemplo, por meio de conselhos e fóruns de discussão.

3 - Demorada e complicada: A democracia costuma ser lenta para a tomada de decisões, porque necessita de intensa negociação nos parlamentos. Quando o tema é polêmico pode se arrastar ainda mais, pois haverá o embate entre oposição e situação. Sendo assim, a democracia pode ser vista como insensível com os problemas do povo e ineficaz diante de questões o povo necessita ver aprovadas urgentemente.
Sugestões de soluções:
1 - Educação cívica: investir em programas educacionais que ensinem os cidadãos sobre a importância da participação política e da tomada de decisões informadas e responsáveis.
2 - Reformas políticas: avaliar e reformar periodicamente as estruturas políticas e eleitorais, como o sistema eleitoral e a representação política, para garantir que as vozes dos cidadãos sejam ouvidas e os políticos sejam responsáveis perante a sociedade.
3 - Ampliar as formas de participação do povo, através da ampliação de votações através de plebiscitos e referendos.
A diferença entre Plebiscito e Referendo é que o plebiscito é convocado antes da criação da norma (ato legislativo ou administrativo), e os eleitores, por meio do voto, que vai aprovar ou não a questão que lhe for submetida. Já o referendo é convocado após a edição da norma, devendo o povo ratificá-la ou não.
exemplo:
plebiscito: sobre a forma de governo em 1993
referendo: sobre desarmamento em 2005

4 - Manipulação da mídia e propaganda: A democracia pode ser vulnerável à manipulação da mídia e propaganda, onde as informações são distorcidas ou ocultas para influenciar as opiniões e escolhas dos eleitores.
Sugestão de solução:
- Não acreditar de imediato no que se publica
- Usar a precaução ou cautela
- Evitar tanto a rejeição imediata quanto a aceitação imediata
- Verificar se há fontes confiáveis sobre a notícia

5 - Falta de participação: A democracia pode ter baixos níveis de participação cívica e política da maioria do povo. No Brasil, a maioria desconhece aspectos gerais da política e generaliza a questão relacionando todos os políticos ao roubo e corrupção. No entanto, não participa, não fiscaliza, não cobra, não exige. Para a maioria dos políticos, isso é bom pois evita a fiscalização e a cobrança de suas promessas e atuação política

Sugestão de solução:

1 - Educação cívica do povo, através de programas voltados para o ensino dos princípios básicos da política.
exemplos:
Finlândia, Suécia, Canadá, Austrália e EUA (alguns estados): a educação cívica e política é uma parte importante do currículo escolar e é ensinada desde a escola primária.

EDUCAÇÃO CÍVICA
É a educação voltada para o conhecimento das leis, normas e valores da sociedade em que se vive, bem como aos direitos e deveres dos cidadãos (ex: direito ao voto, a liberdade de expressão, e a obrigação de pagar impostos, etc.). É voltada para a formação de cidadãos conscientes e responsáveis, que entendam o funcionamento das instituições democráticas e saibam exercer seus direitos e cumprir seus deveres.
EDUCAÇÃO POLÍTICA
É direcionada para a formação do pensamento crítico e reflexivo sobre questões relacionadas ao poder político. Visa também o conhecimento de princípios de ciências políticas tais como o papel dos partidos políticos e da mídia na formação da opinião pública, a avaliação de políticas públicas e a participação em debates e fóruns de discussão.

Em resumo, a educação cívica se preocupa com o conhecimento das regras e instituições da sociedade, enquanto a educação política busca a formação de uma consciência crítica e ativa sobre o poder político.