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sexta-feira, 30 de agosto de 2024

AÇÃO SOCIAL - SOCIOLOGIA

É toda ação que o indivíduo realiza levando em consideração a reação ou o comportamento de outras pessoas. Essa ação nem sempre tem o  objetivo de obter um benefício direto para quem a realiza. O importante é que ela tem um significado subjetivo e é orientada em função dos outros, seja para obter uma resposta, influenciar comportamentos, ou mesmo expressar emoções ou valores. O simples fato de escrever uma mensagem ou uma carta é uma ação social, pois o emissor espera que ela seja lida por alguém. Seu ato somente tem significado enquanto envolve outra pessoa. 

Tipos de Ação Social


Ações racionais
são feitas pelos sujeitos que têm  controle sobre seus atos e procuram realizá-los. Elas são separadas em dois conceitos:


  • Ação racional em relação a fins – ocorre quando o propósito da ação justifica a intenção e os caminhos percorridos para alcançar determinado objetivo. O sujeito utiliza meios racionais para conquistar um resultado satisfatório.
    Exemplos:
    Quando alguém estuda almejando objetivos tais como tirar boas notas, ser aprovado no Enem, em um concurso, emprego, etc. 
    Quando alguém vai a uma igreja em busca da cura ou de um emprego.
    Quando alguém trabalha em troca do salário.
  • Ação racional em relação a valores – o indivíduo age sem almejar benefícios próprios, mas de acordo com seus valores ou crenças pessoais. Age de acordo com o que considera correto, benéfico para o próximo. Esse tipo de ação geralmente é fruto de tradições, como religiosas ou familiares.
    Exemplos:
    Ativismo ambiental: Uma pessoa que se dedica a causas ambientais, como reduzir o consumo de plástico ou participar de protestos contra o desmatamento, não por ganhos materiais, mas por acreditar na importância de preservar o meio ambiente.

    Atitudes religiosas: Alguém que pratica rituais religiosos, jejua, ou segue regras estritas de conduta moral porque acredita nos ensinamentos de sua fé, mesmo que isso exija sacrifícios.

    Pacifismo: Uma pessoa que se recusa a participar de conflitos armados ou a usar violência, mesmo em situações de autodefesa, por acreditar firmemente nos valores da paz e da não-violência.

    Trabalho voluntário: Alguém que dedica seu tempo a ajudar os menos favorecidos, como trabalhar em uma ONG ou distribuir alimentos a pessoas em situação de rua, guiado por um sentido de justiça social e compaixão, sem esperar nada em troca.

    Luta por direitos civis: Uma pessoa que se envolve em movimentos por igualdade e justiça, como protestar contra a discriminação racial ou de gênero, porque acredita profundamente na importância dos direitos humanos.


Ações irracionais 


Nesta segunda definição, os atos são baseados em sentimentos, motivados pela emoção ou impulsos. Eles também são divididos em dois subgrupos:


  • Ação irracional tradicional – é pautada nos hábitos e costumes que as pessoas, dentro da sociedade em que vivem, começam a adotar. É em decorrência de tudo que aprenderam habitualmente a fazer e acreditar. O costume de ir à missa aos domingos, por exemplo, é visto como uma ação irracional tradicional.
    Exemplos:
        Cumprimentar com um aperto de mão: Muitas pessoas apertam as mãos ao se encontrar, sem pensar conscientemente sobre por que fazem isso. É um costume social estabelecido.

        Fazer o sinal da cruz ao passar por uma igreja: Algumas pessoas fazem o sinal da cruz automaticamente ao passar por uma igreja, sem refletir profundamente sobre o significado da ação a cada vez que a realizam.

        Celebrar datas comemorativas: Participar de festas como o Natal ou o Ano Novo, seguindo tradições familiares, mesmo que a pessoa não tenha uma conexão religiosa ou pessoal forte com o significado dessas datas.

        Usar certos trajes em eventos específicos: Vestir roupas formais para um casamento ou usar preto em um funeral, seguindo tradições culturais, sem questionar o motivo por trás dessa prática.

        Sair de casa com o pé direito: Em algumas culturas, é comum as pessoas seguirem superstições, como sair de casa com o pé direito para atrair sorte, sem realmente acreditar ou pensar no porquê de fazer isso.


  • Ação irracional afetiva – envolve sentimentos e emoções. O sujeito tem uma ação motivada por raiva, esperança, medo, paixão, inveja, entre outros gatilhos sentimentais. Como o afeto pode ser despertado pelo costume, esse tipo de ação irracional também se enquadra na categoria tradicional.
    Exemplos:
    Gritar de alegria ao receber uma boa notícia: Quando alguém recebe uma notícia muito boa, como passar em um concurso ou receber uma promoção, e grita ou pula de alegria, agindo impulsivamente, movido pela emoção.

    Chorar ao assistir a um filme triste: Uma pessoa que chora durante uma cena emocional de um filme, reagindo de maneira imediata e emocional, sem refletir sobre o fato de que é apenas uma história fictícia.

    Agir com raiva em uma discussão: Quando alguém, no calor de uma discussão, grita ou faz gestos agressivos, agindo sob a influência da raiva sem pensar nas consequências ou na racionalidade da situação.

    Abraçar impulsivamente uma pessoa querida após um reencontro: Encontrar alguém que você não vê há muito tempo e, sem pensar, correr e abraçar a pessoa, movido pelo carinho e saudade.

    Cometer um ato de vingança ferindo ou matando alguém, ou destruindo objetos, reagir de maneira perigosa diante de um assalto, reagir de forma imediata e emocional, buscando retribuir o que considera uma injustiça, sem ponderar as consequências de sua ação.

sexta-feira, 12 de abril de 2024

LUIZ GAMA

Luiz Gama: o maior abolicionista do Brasil


Luís Gonzaga Pinto da Gama (1830-1882) , mais conhecido como Luiz Gama, é considerado o patrono da abolição no Brasil.. É o patrono da cadeira n.º 15 da Academia Paulista de Letras.

Luiz Gonzaga Pinto da Gama nasceu livre em Salvador, Bahia, no dia 21 de junho de 1830. Filho de um português  (cujo nome jamais citou) e da escrava livre Luiza Mahin que, segundo ele, participou da revolta do Malês em 1835 e da Sabinada em 1837 e, como consequência teve que fugir para o Rio de Janeiro, deixando o filho aos cuidados do pai.

Em 1840, com 10 anos, foi levado por seu pai para o Rio de Janeiro e vendido ao negociante e alferes Antônio Pereira Cardoso para pagar uma dívida de jogo. De lá, ele foi levado para uma fazenda em Limeira, São Paulo...
sendo assim, foi o único abolicionista que passou pela experiência da escravidão. Com 17 anos, Luiz Gama conheceu o estudante Antônio Rodrigues do Prado, hóspede da fazenda de seu pai, que lhe ensinou a ler e escrever.
Em 1848, com 18 anos, sabendo que sua situação era ilegal, uma vez que sua mãe era livre, Luiz fugiu para a cidade de São Paulo e conquistou a alforria na justiça. Nesse mesmo ano, alistou-se na Força Pública da Província.
Em 1850, casou-se com Claudina Gama, com quem teve um filho. Ainda em 1850, tentou ingressar no curso de Direito do Largo de São Francisco, mas a faculdade recusou sua inscrição porque era ex-escravo e pobre. Mesmo sendo hostilizado pelos professores e alunos, ele teve direito a assistir as aulas como ouvinte.
Mesmo sem ter a formação plena em Direito, Gama adquiriu o direito de atuar como advogado (naquela época era permitido), fato que o levou a se especializar na defesa jurídica dos escravos. Por meio do estudo aprofundado da cultura jurídica, ele descobriu leis que protegiam a vida dos escravizados e não eram aplicadas. Além da articulação na área do direito, ele escrevia sobre os casos nos jornais locais para conscientizar a população sobre os seus direitos

Em 1856 tornou-se escriturário da Secretaria de Polícia da Província de São Paulo.
Em 1864, junto com o ilustrador Ângelo Agostini, Luiz Gama inaugurou a imprensa humorística paulista ao fundar o jornal Diabo Coxo, que se destacou por utilizar caricaturas que ilustravam as reportagens dos fatos cotidianos da conjuntura social, política e econômica, o que permitia os iletrados compreenderem os fatos.

Em 1869, junto com Rui Barbosa, fundou o Jornal Paulistano. Colaborou com diversos jornais, entre eles Ipiranga e A República.
De escravo a advogado abolicionista: Gama sempre esteve  envolvido nos movimentos contra a escravidão tornando-se um dos maiores líderes abolicionistas do Brasil. Em 1873 participou da Convenção de Itu, que criou o Partido Republicano Paulista.

Ciente de que naquele espaço dominado por fazendeiros e senhores de escravos suas ideias abolicionistas não receberiam apoio, passou a denunciá-los e condená-los de todas as formas. Em 1880 tornou-se o líder da Mocidade Abolicionista e Republicana.

Luiz Gama trabalhou na defesa dos negros escravizados exercendo a profissão de “rábula” - nome dado aos advogados sem título acadêmico por meio de uma licença especial, o provisionamento.

Nos tribunais, Luiz Gama usava uma oratória impecável e com seus conhecimentos jurídicos defendia os escravos que podiam pagar pela carta de alforria, mas eram impedidos da liberdade por seus donos. Defendeu os escravos que entraram no território nacional após a proibição do tráfico negreiro de 1850.

Participava de sociedades secretas, como a Maçonaria, que o ajudava financeiramente.
Livros e poemas

Luiz Gama projetou-se na literatura em função de seus poemas, nos quais satirizava a aristocracia e os poderosos de seu tempo. Muitas vezes ele se ocultava sob o pseudônimo de Afro, Getulino e Barrabás.

Em 1859, Luiz Gama publicou uma coletânea de versos satíricos, intitulado Primeiras Trovas Burlescas de Getulino, que fez grande sucesso, no qual se encontra o poema, “Quem Sou Eu?” (Popularmente chamada de “Bodarrada” ou “Bode” era uma gíria que tentava ridicularizar os negros.

CONTEXTO HISTÓRICO DA ÉPOCA DE LUIZ GAMA: O Brasil estava em um processo de mudança, onde já existiam leis abolicionistas, embora com pouco efeito...mesmo assim, já era possível a um ex-escravizado estudar em uma faculdade e exercer a função de advogado mesmo sem ter completado os estudos.


Em 1931, ele se tornou a primeira pessoa negra a ter uma estátua na cidade de São Paulo. A homenagem está localizada no Largo do Arouche, centro da cidade.
Em 2015, 133 anos após sua morte, o abolicionista recebe o título oficial de advogado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e em 2018 foi declarado patrono da abolição da escravidão no Brasil.

QUESTÕES SOBRE O FILME "PRIMEIRO ELES MATARAM MEU PAI"

1 – A ESCRAVIZAÇÃO DO POVO CAMBOJANO PELA DITADURA MARXISTA DO KHMER VERMELHO
- A escravização do povo fazia parte da política de reforma da ditadura do Khmer Vermelho, que tinha o marxismo com base político/ideológica para sua prática, através de um programa de "engenharia social", onde o povo foi submetido à uma brutal reestruturação social e econômica, entre 1975 e 1979. As razões da ditadura foram basicamente as seguintes:
- Visão Ideológica Radical: O Khmer Vermelho era uma ditadura socialista que buscava criar uma sociedade comunista de base agrária, livre de influências ocidentais. Eles acreditavam que a transformação radical da sociedade era necessária para atingir esse objetivo. Para realizar esta transformação era preciso eliminar qualquer influência considerada negativa: religiões (o regime era materialista), todas as antigas tradições tanto orientais quanto ocidentais, toda a cultura ocidental (com exceção da marxista), a burguesia local, etc.
- Ano Zero: O Khmer Vermelho adotou uma política conhecida como "Ano Zero", na qual eles buscavam apagar completamente todas as influências culturais, religiosas e sociais do passado do Camboja. Eles consideravam a população urbana e educada como inimigos do regime e buscavam criar uma nova sociedade agrária a partir do zero, o que exigia trabalho forçado para alcançar seus objetivos.
- Reestruturação Econômica: A ditadura queria transformar a economia cambojana de maneira rápida e extremamente radical: de uma economia agrária para uma economia agrária de subsistência, onde todos foram forçados a ir viver e trabalhar na agricultura, sem direito a salário (o dinheiro foi abolido)....a única recompensa era a precária alimentação...na prática era a volta da escravidão Os que resistiam à essa Engenharia social foram submetidos a tortura e execuções sumárias.
Controle e Poder: O uso de trabalho escravo servia para consolidar o controle do regime sobre a população. Ao obrigar as pessoas ao trabalho escravo, a ditadura marxista demonstrava que seu poder não tinha limite algum.
Em suma, o Khmer Vermelho escravizou seu próprio povo como parte de sua visão radical de reestruturação social, econômica e política do Camboja. Eles acreditavam que apenas por meio do trabalho forçado e da repressão extrema poderiam alcançar seus objetivos de criar uma sociedade comunista radicalmente transformada.

2 - CONTEXTO HISTÓRICO DO FILME
O Camboja é um país localizado no sudeste asiático, com uma rica herança cultural e histórica, incluindo os antigos templos de Angkor Wat. No século XIX tornou-se uma colônia francesa até a sua independência em 1953. O país era uma monarquia até 1970 e era neutra em relação à guerra do Vietnã.
Mesmo sendo neutro, o território do Camboja estava envolvido na Guerra: o Vietnã do Norte tinha bases e rotas de suprimentos no leste do país.
No mesmo ano de 1970, um golpe de estado derrubou a monarquia e implantou uma república, sob o comando do general Lon Nol, o qual declarou apoio aos EUA na guerra do Vietnã...sendo assim, entrou em guerra contra o Vietnã do Norte. Além disso, já enfrentava o grupo guerrilheiro marxista Khmer Vermelho, que almejava tomar o poder no Camboja.
A aliança com os EUA resultou na permissão para que os americanos bombardeassem posições vietcongs no território, resultando na morte de civis do próprio Camboja. Esses bombardeios pioraram a situação do governo, pois resultaram em
a) ódio da maioria do povo contra o governo de Lon Nol.
b) ódio da maioria do povo contra os EUA.
c) aumento da influência do movimento do Khmer Vermelho sobre o povo, que aproveitava para insuflar o ódio do povo contra Lon Nol e os EUA...ao mesmo tempo, o Khmer Vermelho tentava passar a ideia de que seriam os “libertadores” do Camboja.
O exército de Lon Nol, mau equipado e mau treinado, foi presa fácil dos guerrilheiros do Khmer Vermelho, os quais tomaram a capital, Phnom Penh, em 17 de abril de 1975.
Sob o regime Khmer Vermelho, estima-se que cerca de 1,7 milhão de pessoas tenham morrido de fome, execuções sumárias, desnutrição, doenças e trabalho escravo. A população cambojana foi submetida a graves abusos de direitos humanos e o país enfrentou décadas de devastação e trauma.
O filme se passa nesse contexto histórico turbulento, narrando a história da família de Loung Ung, enquanto eles lutam pela sobrevivência sob o regime brutal do Khmer Vermelho. Ele oferece uma visão íntima e pessoal dos horrores do genocídio e das consequências devastadoras da ideologia marxista do regime no povo cambojano.

3 - O REGIME E A IDEOLGIA DO KHMER VERMELHO
Tinha uma ideologia comunista radical e empregou um brutal programa de engenharia social, através da expropriação dos bens, deslocamento da população para o campo, censura, repressão política, trabalho escravo, torturas, fome, desnutrição, milhões de mortos, enfim, um  genocídio. .
PRINCÍPIOS MARXISTAS QUE FORAM USADOS PELO KHMER VERMELHO
A - Igualitarismo radical: Em qualquer sociedade é natural que haja desigualdades, pois os seres humanos são desiguais por natureza...mas isso era visto como um problema para o Khmer Vermelho, o qual procurou igualar todos através das seguintes ações:
- expropriação de toda a propriedade privada: tudo passou a pertencer ao Estado
- eliminação do dinheiro
- eliminação de todos aqueles que eram considerados
"inimigos de classe": fazendeiros, intelectuais, professores, artistas, empresários, jornalistas, etc.
B - Coletivização agrícola: Inspirado na ideia de coletivização criada por Marx, o Khmer Vermelho forçou a população ao trabalho escravo nas fazendas coletivas gerenciadas pelos soldados do Khmer. A disciplina brutal resultava em julgamentos e execuções sumárias de todos os que cometiam qualquer ato, incluindo o de comer escondido algumas espigas para tentar matar a fome, que era uma rotina.
C - Ruralização da sociedade: A ditadura do Khmer usou seu povo como cobaias, através de um projeto de engenharia social, que na prática traduziu-se em trabalho escravo, fome, torturas, desnutrição, doenças, miséria, execuções sumárias e milhões de mortos.
D - Autoritarismo centralizado: O regime estabeleceu um governo centralizado e autoritário, com Pol Pot e seus associados exercendo controle absoluto sobre todas as instituições do Estado e da sociedade. Isso refletia a ideia marxista-leninista de um partido de vanguarda que lideraria a revolução e implantaria a ditadura, que no caso não foi uma ditadura do proletariado, pois o país não era industrializado e não havia um comitê de operários como ditadores.

4 - AS ATROCIDADES DO KHMER VERMELHO
O marxismo, através de suas obras "O capital" e "O manifesto comunista" defende a ideia de uma ditadura do proletariado no poder... sendo assim, defende uma ditadura, um regime que não é, nunca foi democrático e nunca será democrático. O termo "ditadura do proletariado" na teoria marxista, criado por Marx e Engels, foi usado para descrever um período de transição entre o capitalismo e o comunismo, durante o qual a ditadura faria reformas sociais, que na prática sempre resultam em expropriações, prisões, censura, perseguições, tortura, eliminação de opositores, etc.
Na ideologia marxistas, a ditadura do proletariado significa uma fase de transição para uma sociedade sem classes. O que Marx não diz é que na prática isso significa o uso da violência governamental para tomar todas as propriedades do povo, todos os meios de produção, concentrando-a nas mãos da ditadura e impondo o povo ao trabalho escravo...quem discorda é preso e eliminado...isso é incompatível com os ideais democráticos e viola todos os direitos humanos fundamentais.
Portanto, é válido afirmar que qualquer regime que use da violência para impor sua vontade e reprimir a oposição está agindo de forma autoritária, independentemente de se autodenominar como uma democracia ou ou uma república popular. O respeito aos direitos humanos e às liberdades individuais deve ser uma preocupação central em qualquer sistema político que se pretenda democrático e justo.

VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS PRATICADAS PELA DITADURA COMUNISTA DO KHMER VERMELHO:
Sob o comando do ditador Pol Pot, entre 1975 e 1979, houve uma série de violações graves dos direitos humanos:
a) Genocídio: O regime almejava eliminar grupos étnicos minoritários, intelectuais, religiosos e outros que fossem considerados uma ameaça à ideologia do partido, resultando em um genocídio que levou à morte de milhões de pessoas.
b) Prisões arbitrárias e execuções em massa: Milhares de pessoas foram presas arbitrariamente e executadas sem julgamento prévio. Muitos foram mortos em campos de extermínio ou forçados a trabalhar até a morte em condições desumanas.
c) Trabalho escravo: O regime forçou a população a trabalhar em campos agrícolas coletivos em condições desumanas. Muitos morreram de fome, exaustão e doenças devido às condições brutais.
d) Restrições à liberdade de expressão e religião: Todas as formas de expressão e religião foram reprimidas. Livros foram queimados, templos religiosos foram destruídos e práticas religiosas foram proibidas.
e) Deslocamento forçado da população: Milhões de pessoas foram deslocadas de suas casas e forçadas a viver em áreas rurais para trabalhar nos campos. Famílias foram separadas e muitos morreram durante o deslocamento.

f) Fim das liberdades individuais: crença, opção política, opinião, imprensa, expressão, direito de ir e vir, tudo foi eliminado.

f) Justiça: a justiça foi extinta e em seu lugar os guerrilheiros do Khmer julgavam, torturavam e matavam qualquer um que considerassem inimigos de qualquer princípio ou orientação da ditadura. Foi assim que eliminaram os pais da protagonista.

5 - LOUNG UNG, A PROTAGONISTA E SUA FAMÍLIA
aos 10 anos de idade, Loung Ung tinha visto mais mortes, desgraças e tragédias do que a maioria das pessoas viu durante toda a vida. Ung foi criada em uma família de classe média alta em Phnom Penh...seu pai, era um oficial militar no governo de Lon Nol...tudo mudou quando em em 17 de abril de 1975, o Khmer Vermelho do ditador Pol Pot invadiu a capital e forçou dois milhões de pessoas a evacua-la. Todos os que resistiram foram baleados e mortos.
O assassinato dos pais
Os pais de Loung Ung, foram mortos pela ditadura devido à sua origem urbana e ao seu passado associado à classe educada e intelectual. Para a ditadura do Khmer Vermelho, os membros da classe urbana, incluindo funcionários do governo, profissionais, educadores e intelectuais, por terem uma educação e cultura influenciadas pelo Ocidente, eram vistos como inimigos do regime e eram alvos de perseguição e execução.
O Khmer Vermelho buscava implementar uma visão radicalmente igualitária da sociedade cambojana, promovendo uma ideologia agrária e anti-intelectual. Eles consideravam a vida urbana e a educação formal como símbolos de corrupção e exploração, e procuravam eliminar qualquer vestígio da antiga ordem social.

Como resultado, muitos dos que tinham origem urbana, educação formal ou associação com o governo anterior foram considerados traidores ou espiões e foram alvo de perseguição, prisão e execução sumária pelo regime do Khmer Vermelho. Os pais de Loung Ung, como muitos outros, foram vítimas dessa política de repressão e violência indiscriminada.

Nos 5 anos seguintes, Ung foi separada de seus pais e irmãos, torturada, presa em cativeiro e obrigada a treinar como criança soldado (aos sete anos). Algum tempo depois, ela, seu irmão e sua cunhada conseguiram fugir para a Tailândia, onde permaneceram em um campo de refugiados até que conseguiram asilo político nos EUA, em junho de 1980. Em 2000, ela publicou suas memórias em um livro intitulado First They Killed My Father.
Loung Ung é uma ativista e professora de direitos humanos... é a porta-voz nacional da Campanha por um Mundo Livre de Minas Terrestres.




domingo, 24 de março de 2024

INTRODUÇÃO À HISTÓRIA - Primeiro ano do ensino médio


O TEMA ESTÁ DIVIDIDO EM TEXTOS PARA FACILITAR A APRESENTAÇÃO DOS SEMINÁRIOS

TEXTO 1

INTRODUÇÃO À HISTÓRIA

Origem da palavra: sua origem é grega e significa "conhecimento que se adquire através da pesquisa". Para os historiadores, o grego Heródoto é considerado o Pai da história: foi provavelmente, o primeiro a escrever sobre eventos de maneira metódica, buscando evidências que comprovassem a veracidade. 

Dois dos vários conceitos de História: 1 - É a ciência que estuda o ser humano e suas ações ao longo do tempo, analisando mudanças e permanências. 2 - É a ciência que estuda os acontecimentos do passado da humanidade utilizando-se de seus vestígios.

A IMPORTÂNCIA DA HISTÓRIA 
Sua  importância é medida pelo poder que tem e pelo medo que o poder tem dela. Se o passado fosse inofensivo, não haveria esforço algum em reescrevê-lo. Quando governantes se preocupam em manipular e deturpar a História, eles admitem, mesmo sem dizer, que o passado legitima ou deslegitima o presente. Uma narrativa histórica bem controlada pode transformar dominação em “ordem”, violência em “necessidade” e privilégios em “tradição”. O que foi conflito vira consenso; o que foi imposição vira destino.


TEXTO 2

História: Instrumento de poder X Conhecimento crítico 
Controlar o passado não é nostalgia, é estratégia política.

A História não é apenas um relato do que passou, mas um campo de disputa no presente. Quem define o que é lembrado e o que é esquecido impõe ao povo uma ditadura do pensamento único. Não por acaso, regimes autoritários costumam atacar historiadores, arquivos, livros didáticos e professores que tem uma visão diferenciada. Se a História fosse irrelevante, os maus governantes não se preocupariam em manipulá-la. O esforço em ocultar, distorcer ou selecionar o passado é um reconhecimento silencioso de seu poder. 

Para os governantes autoritários: a história deve ser aquela que eles definiram como verdade, a qual deve ser a única permitida, sendo obrigatoriamente ensinada nas escolas e divulgada pelos veículos de propaganda oficiais e privados. É uma espécie de monumento feito para veneração.

Para uma sociedade livre: a história deve ser usada com total liberdade, onde o povo tenha acesso a todos os tipos de fontes fidedignas e informações suficientes. Além disso, deve existir plena liberdade de pesquisa, investigação, debates e confronto de fontes.

A História é um campo de luta onde um lado quer esconder, distorcer ou eliminar e o outro quer pesquisar e divulgar a verdade. O passado não é um território neutro e silencioso; ele é disputado porque legitima poderes, identidades e projetos políticos no presente. Por isso, a História frequentemente se transforma em um campo de luta simbólica, onde memórias são exaltadas, silêncios são impostos e versões convenientes tentam ocupar o lugar dos fatos.

TEXTO 3

O Controle da Memória do povo: “Quem controla o presente controla o passado, quem controla o passado controla o presente” (frase do livro 1984): significa que o poder político tem meios para reorganizar a narrativa histórica: reescrever livros, selecionar documentos, apagar nomes, criar heróis convenientes e transformar crimes em “necessidades históricas”. O passado deixa de ser aquilo que aconteceu e passa a ser aquilo que se diz que aconteceu. Ao definir o passado, o poder molda o modo como as pessoas compreendem o agora. Se um regime consegue convencer a sociedade de que sempre foi assim, de que não há alternativa, de que mudanças anteriores levaram ao caos, então a obediência parece natural, quase inevitável. 

Além da mentira imposta ao povo, o poder avança destruindo ou ocultando documentos  e todo o tipo de fontes contrárias aos seus interesses.

Quando não há documentos, testemunhos ou versões concorrentes, o presente vira uma sala sem janelas: tudo o que se vê é o que o poder permite enxergar. Daí a importância do trabalho histórico, dos arquivos, da imprensa livre e da educação crítica. Eles quebram o ciclo da frase. Onde a memória é plural e debatida, o poder não consegue fechar o tempo em um círculo perfeito.

Onde a História é vigiada, o presente também está. Defender a liberdade de estudar, ensinar e discutir o passado não é apego acadêmico, é defesa da autonomia social. Um povo que pode interrogar sua própria história tem mais chances de escolher seu caminho, em vez de apenas repetir o roteiro que lhe foi entregue.

TEXTO 4

O USO DA HISTÓRIA

Não são apenas os historiadores ou os curiosos que a usam. Todos nós a usamos  diariamente, quando estamos conhecendo e repassando os acontecimentos da nossa casa, da escola, da vizinhança, do trabalho, da cidade, do estado, do país e do exterior, desde os mais simples até os mais complexos.

-Há outras áreas do conhecimento que a usam, mesmo que seus profissionais não tenham a formação nesta área. Exemplos:

-o investigador e o perito criminal a usam como base de seu trabalho, através de várias técnicas de investigação.

-Advogados de defesa e promotores a utilizam em seus trabalhos para fortalecer seus argumentos e melhor representar seus clientes ou o estado.

-O jornalista sério usa a história através da verificação da veracidade das informações, não se deixando levar por suas preferências políticas, ideológicas, etc. Da mesma maneira devem proceder o escritor, o cineasta, o professor, etc.

Todas as áreas do conhecimento possuem sua própria história: história da física, da química, da matemática, da medicina, da engenharia, etc. A história deve produzir conhecimento científico através de métodos rigorosos baseados em análise de fontes e crítica documental. A história não apenas interpreta fatos, ela os reconstrói criticamente a partir de fontes. O material básico da ciência histórica são as fontes; elas nos dão acesso aos fatos.


TEXTO 5

FATOS, EVENTOS E PROCESSOS HISTÓRICOS

Fato Histórico: É uma afirmação, evento ou ocorrência que deve ser verdadeira. Já diz o provérbio popular: "Contra fatos não há argumentos", ou seja, as evidências, dados e provas  tornariam inútil a argumentação contrária. Entretanto, os fatos podem ser mal interpretados ou distorcidos, e a interpretação depende de quem os relata.

. Os fatos são ocorrências verificáveis através de: 

relatos ou depoimentos (história oral)

registros (história escrita)

imagens (pinturas, gravuras, esculturas, fotografias, vídeos, etc)

números, dados 

reportagens, etc.

Os fatos existem e para quem é culpado, só resta tentar impedir o acesso, omitir parte dele, distorcê-lo ou destrui-lo.

O que é Fato Concreto? todo fato é concreto, mas o termo significa um evento histórico já estudado, analisado e comprovado, sendo possível sua verificação e veracidade. Exemplos: a queda do muro de Berlim, o colapso da economia estatal da União Soviética

Evento histórico é um fato que ganha relevância devido ao seu impacto, repercussão social e consequências no desenrolar da história. 


TEXTO 6

Processo Histórico: é a sucessão contínua e interligada de fatos ao longo do tempo. Não se trata de fatos isolados, mas de uma cadeia de causa e efeito (um evento leva ao outro) que molda a sociedade e a trajetória da humanidade. 

Exemplo: A chegada dos portugueses ao Brasil foi um evento histórico resultante de um processo. os fatos desse evento foram vários: (as embarcações, as rotas, o local da chegada, o contato pacífico com os indígenas, a primeira missa, a primeira carta, etc.). Sendo assim, podemos resumir da seguinte maneira: 

Processo Histórico: As Grandes Navegações e a expansão marítima portuguesa

Evento Histórico: A chegada dos portugueses no Brasil

Fatos históricos: as rotas marítimas, as embarcações, o local da chegada no Brasil, os contatos iniciais com os indígenas, a primeira missa, etc. 

Narrativas: São formas de interpretar e contar os fatos, podendo incluir lendas.

Narrar não é apenas relatar fatos, mas também dar-lhes sentido, escolher começo, meio e fim, destacar personagens, causas e consequências. Toda narrativa é uma interpretação organizada do real. Elas podem ser verídicas ou lendárias (ficcionais/folclóricas), variando conforme o objetivo, a intenção de quem conta e a veracidade dos fatos narrados.


TEXTO 7

Diferentes narrativas podem surgir a partir dos mesmos fatos. Os acontecimentos não falam sozinhos; são as sociedades que lhes atribuem significado. Nesse processo entram valores, memórias, interesses, etc.  A narrativa é o fio que costura os fatos, não o tecido em si.

As narrativas envolvem:

- ênfase, seleção, organização e linguagem

- envolve também interesses, intenções, valores, etc. A narrativa é um juízo de valor (bom x ruim, certo x errado, moral x imoral, etc)

Um livro, um texto jornalístico, uma apostila ou uma tese de doutorado são narrativas, mas não no mesmo sentido que um romance, um mito ou uma lenda. Eles são narrativas históricas porque organizam acontecimentos no tempo, selecionam fatos, constroem encadeamentos causais e apresentam argumentos. Ou seja, contam uma história explicativa, não uma história inventada. 

Lendas, mitos e tradições orais não são fatos históricos, mas fazem parte da maneira como grupos explicam sua origem, seus heróis e seus traumas. Para o historiador, elas não servem para provar o que aconteceu, mas para entender como as pessoas pensavam, acreditavam e se representavam. A lenda revela mentalidades, identidades e conflitos simbólicos. O risco surge quando a narrativa passa a ser confundida com o próprio fato. A narrativa pode conter o modo de pensar ou de ver o mundo do historiador, suas opiniões, etc. A narrativa envolve uma avaliação subjetiva, podendo conter crenças, valores e experiências individuais. 


TEXTO 8:

A RELAÇÃO ENTRE HISTÓRIA E VERDADE

Sem a busca da verdade não há ciência.  Se a História não buscasse a verdade, não haveria critério para distinguir o que é pesquisa e o que é propaganda, discurso ou opinião; os documentos perderiam valor; qualquer narrativa teria o mesmo peso. A História deixaria de ser ciência e viraria discurso, opinião e mera narrativa.

Verdade histórica é a explicação mais bem fundamentada possível, construída a partir de fontes, método crítico e debate racional. Ela deve estar ancorada em fatos comprováveis;  sustentada por fontes analisadas criticamente e aberta à revisão.

 A verdade histórica é sempre provisória, pois novas fontes podem surgir para revisar e mudar ou não aquilo que era considerado como verdadeiro. 


Evite o Dogmatismo e o Subjetivismo

a) Dogmatismo: é uma postura que defende a ideia de que há verdades inquestionáveis e universais, sem necessidade de comprovação rigorosa. Sua origem está na palavra Dogma (uma crença ou doutrina aceita como verdade absoluta e inquestionável). 

O dogmático acha que apenas sua interpretação é definitiva; não admite nunca que está errado. Rejeita qualquer nova informação que altera aquilo que considerado como verdade. Mesmo quando confrontado com a verdade, não admite estar errado, ou seja, é uma estupidez.

Narrativas dogmáticas servem aos ditadores, pois oferecem explicações simples, morais e mobilizadoras. Eles se tornam os “Guias infalíveis da nação”, os “pais e protetores do povo”, etc. O dogmatismo ocorre quando um grupo ou indivíduo aceita uma doutrina como uma verdade absoluta e inquestionável. 


TEXTO 9  

Dogmatismo significa ignorar dados, fatos, provas, ou qualquer coisa contrária ao que consideramos como verdade.

B) Subjetivismo: O que é? doutrina filosófica segundo a qual a realidade do mundo depende das características, formas e explicações que lhe são atribuídas pela subjetividade. Isso significa que cada sujeito teria a sua verdade, o que vale é o ponto de vista individual, o qual seria o centro da experiência humana. Ou seja, a   verdade é a mentira individual. A verdade é criada pelo sujeito. Isso é uma visão que resulta na negação da realidade objetiva.


No subjetivismo, todos os fatos, eventos, processos, opiniões e narrativas passam a valer o mesmo, independentemente de evidências. Nesse cenário, a História perde seu critério de verdade. Se tudo é interpretação, é “achologia”, nada pode ser refutado. Teorias conspiratórias e propagandas políticas encontram terreno fértil, pois basta rotulá-los como “outra narrativa”. O fato deixa de ser o árbitro; o debate vira disputa de versões, não de argumentos. Essa visão incoerente favorece o poder já que nega critérios objetivos e deixa livre o espaço para a versão oficial, mas não a verdadeira. Quem controla os meios de difusão passa a impor sua narrativa sem precisar provar nada. A História, sem método, torna-se vulnerável à manipulação. Além disso, esse relativismo, assim como o dogmatismo, favorece a barbárie, pois relativiza crimes hediondos, os quais são relativizados em nome do “contexto  histórico”, (ex: Holodomor, Holocausto, revolução cultural maoísta, genocídio cambojano, etc.) dissolvendo responsabilidades. A História precisa explicar, não absolver nem apagar. A História não é nem dogma nem opinião livre. Ela se apoia em evidências, crítica de fontes, debate racional e revisão constante. Entre a rigidez que cala e o relativismo que tudo permite, o historiador caminha por uma trilha estreita, mas necessária.


TEXTO 10

O CETICISMO MODERADO NA HISTÓRIA

Ceticismo significa basicamente uma postura de questionamento em vez de uma aceitação ou negação imediata. O ceticismo moderado (também chamado de ceticismo metodológico ou crítico) na história é o equilíbrio entre acreditar cegamente em tudo o que está escrito e duvidar de tudo a ponto de dizer que "nada pode ser conhecido". 

O historiador parte do princípio de que nenhum documento é neutro: Todo texto, mapa ou objeto foi produzido por alguém com uma intenção ou uma visão de mundo específica. A convergência de fontes, a coerência contextual e a crítica metodológica permitem estabelecer fatos razoavelmente seguros. Os fatos não foram inventados, mas surgiram dentro de um contexto. O cético  reconhece que um fato pode ser bem comprovado sem ser definitivo, sólido sem ser imutável. Novos documentos podem ajustar interpretações, não apagar a realidade do acontecimento. Esta deve ser a atitude correta do historiador ou de qualquer indivíduo.  

Sem o ceticismo moderado, a história vira dogmatismo (aceitar a versão oficial como verdade absoluta). Com ele, a história se torna uma ciência humana, que aceita que não possui a "Verdade Única", mas sim uma interpretação rigorosa e honesta dos fatos. Um grande exemplo de ceticismo moderado foi o da comemoração do Dia internacional da Mulher (08 de março): havia ou ainda há uma falsa narrativa sobre um incêndio em 1857 nos EUA. A verdade dos fatos conclui que a data surgiu a partir de greves femininas na Rússia em 1817.


TEXTO 11

O QUE A HISTÓRIA ESTUDA? 

-As realizações humanas, independente de serem consideradas boas ou ruins.

-As mudanças tecnológicas e comportamentais.

As permanências (aquilo que ao longo do tempo foi preservado, sendo praticado e respeitado por determinada civilização).

-A produção cultural, imaterial e material.

- As Mudanças e Permanências: O que muda de maneira mais rápida: a tecnologia ou os comportamentos? 

As mudanças tecnológicas ocorrem de maneira mais rápida do que as comportamentais...isso é explicado pelo desejo humano de ter menos esforço, de procurar mais conforto, mais benefícios, etc.

As mudanças comportamentais ocorrem de maneira mais lenta porque dependem dos usos, costumes, tradições, crenças, etc.

Algumas civilizações mudam de comportamento de maneira mais rápida do que outras...o maior exemplo é quando comparamos a civilização ocidental com a islâmica: a ocidental muda de maneira bem mais rápida na questão dos usos e costumes.

Alguns povos praticamente não mudaram ao longo do tempo devido ao isolamento em que vivem. Temos o exemplo de algumas nações indígenas isoladas na Amazônia brasileira.

- A produção cultural:

Todo ser humano é um ser cultural; nós produzimos e reproduzimos cultura; exemplo: somos os únicos seres que criamos, utilizamos e aperfeiçoamos objetos para nossa alimentação, transporte, vestuário, diversão, habitação, etc.

Toda a produção cultural humana é imaterial e material 

Imaterial: antes de materializar-se, ela foi imaginada, pensada, projetada, etc. 

Material: ocorre quando a ideia se materializa. Exemplos: 

-os objetos que inventamos; primeiramente foram imaginados, depois foram fabricados. 

-a casa que alguém sonhou em ter: primeiro ela foi imaginada, depois ela foi construída segundo o que foi projetado.

-a música que alguém compôs: ela existiu primeiro na mente e se materializou quando foram usados instrumentos musicais, partitura, etc.

-samba e frevo fazem parte do patrimônio imaterial do Brasil porque existem primeiramente na mente, traduzem saberes, relações de pertencimento, para sambar ou frevar é preciso primeiro conhecer os passos, ensaiar, etc...e tudo isso ocorre na mente.

TEXTO 12

-Patrimônio Cultural:

Um Povo sem História é um Povo sem Memória...preservar paisagens, obras de arte,  festas populares, arquitetura, gastronomia ou qualquer outro elemento cultural de um povo, é manter a identidade desse povo. 

A produção cultural ao longo do tempo produz um patrimônio imaterial e material, o qual, deve ser preservado. Essa preservação vai depender do grau de importância que cada povo concede ao seu passado. Esse patrimônio faz parte da identidade cultural de um povo, do seu legado, de sua história. Infelizmente, o Brasil não valoriza seu rico patrimônio histórico (museus, parques históricos e naturais, etc), fato que resulta em descaso e depredação. Alguns dos motivos para esse descaso são: 

- Falta de investimentos públicos na manutenção e valorização do patrimônio: O Estado, seja ele federal, estadual ou municipal pouco investe na valorização e preservação do patrimônio histórico. O Estado também não investe na educação do povo para ser ensinado a preservar e não destruir. É preciso investir em programas educativos que despertem o interesse das crianças e jovens pela história e pela cultura, que ensinem a importância de preservar os bens materiais e imateriais, e que incentivem a participação da comunidade na proteção do patrimônio. 

- A maioria da população desconhece e não tem interesse em preservar, justamente por não ter a devida educação patrimonial e por isso picha e destrói. O maior exemplo já começa na escola, onde muitos estudantes não reconhecem nem a valorizam como parte do patrimônio: picham as paredes e mesas, quebram ou empenam cadeiras e bancas, destroem os banheiros, etc. A educação patrimonial é uma ferramenta para valorizar a cultura e os aspectos que caracterizam a sociedade e o local de vida da comunidade.


TEXTO 13

A Memória Coletiva

É um conjunto de fatos e lembranças que compõem a identidade de um povo. Ela é construída a partir das interações entre os indivíduos e grupos, e é transmitida através das gerações por meio da oralidade, da escrita, da música, da arte e de outras formas de expressão cultural. 

A preservação da memória coletiva de um povo em relação ao seu passado é de importância vital para a construção e manutenção da identidade cultural, social e histórica de uma nação. Essa memória coletiva, que abrange tradições, histórias, costumes, conhecimentos e experiências compartilhadas, desempenha um papel fundamental em diversos aspectos da vida de uma sociedade. São componentes da memória coletiva: 

1. Identidade Cultural: Ao preservar e transmitir histórias e tradições de geração em geração, uma sociedade mantém vivas suas raízes e características únicas. Essa identidade cultural cria um senso de pertencimento e continuidade, reforçando os laços entre os membros da comunidade e promovendo um entendimento profundo do que significa fazer parte daquele grupo. Exemplos de identidade cultural de algumas regiões do Brasil: 

Nordeste: festas juninas, frevo, forró, axé, maracatu, bumba-meu-boi 

Sudeste: Festas do divino, peão de boiadeiro, samba, caiapó, folia de reis e jongo

Região Sul: Oktoberfest, Festa da Uva, fandango, milonga, chimarrão, Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, etc. 

Região Norte: Boi-Bumbá (Festival de Parintins),  Carimbó, Círio de Nazaré, etc.


TEXTO 14

2. Coesão Social: A preservação da memória coletiva promove a coesão social ao criar uma narrativa compartilhada que une os indivíduos em torno de uma história comum. Celebrações, rituais e eventos históricos fortalecem os laços sociais e incentivam a solidariedade e o apoio mútuo.

3. Patrimônio e Herança: A memória coletiva é um componente essencial do patrimônio e da herança de uma nação. Monumentos, documentos históricos, arte, literatura e outras formas de expressão cultural preservam a rica cultura de um povo. 

As diferentes identidades culturais: O Brasil, com dimensões continentais, abriga uma multiplicidade de identidades culturais que se manifestam de maneira distinta em cada região do país. Essa diversidade é resultado de uma rica tapeçaria de influências indígenas, africanas, europeias e asiáticas. Mesmo sendo diferentes, há alguns elementos que são comuns e servem para identificar aquilo que seria a identidade cultural brasileira: a língua portuguesa, o carnaval e o futebol (os três elementos são comuns em todo o território brasileiro). 


TEXTO 15

Para que serve a História? por que estudar história?

-O estudo da história não tem o poder de salvar a humanidade dos erros do passado, nem pode impedir que suas repetições. Se assim fosse, não teríamos, por exemplo, o erro que milhares de pessoas cometem ao enveredar pelo caminho das drogas ou do alcoolismo, mesmo sabendo que são caminhos de desgraça. O estudo da história também não pode evitar que as pessoas elejam e reelejam governantes corruptos e enganadores.

- A história, quando não manipulada, serve como um alerta sobre os perigos de se repetir erros. O sábio aprende com os erros alheios, o inteligente aprende com os próprios erros, o insensato não aprende e geralmente não reconhece que está errado.

A história nos auxilia a compreender o que a humanidade construiu ao longo de sua existência e o que os diversos povos contribuíram em termos intelectuais, culturais e materiais.

-Compreensão do Passado: Estudar história nos permite entender como as sociedades evoluíram ao longo do tempo, compreendendo os eventos e processos que moldaram o mundo moderno.

-Valorização das Conquistas: Conhecer as grandes conquistas e inovações do passado nos ajuda a valorizar e apreciar os avanços tecnológicos, científicos e culturais.

-Construção da Identidade: A história é fundamental para a construção da identidade individual e coletiva, proporcionando um senso de pertencimento e continuidade.

- Desenvolvimento do Pensamento Crítico: Estudar história estimula o pensamento crítico, pois exige a análise e interpretação de fontes e eventos complexos.


TEXTO 16

-História e as Diferenças Culturais: A história nos permite tentar entender a diversidades das culturas e tradições ao redor do mundo. É normal a comparação com a nossa cultura. Temos também a liberdade de não concordar, pois os povos não são blocos homogêneos nem moralmente intocáveis; são atravessados por disputas, contradições e transformações. Ninguém é obrigado a suspender o juízo crítico, mas temos a liberdade de afirmar que determinadas práticas  resultaram em restrição de direitos, escravidão, humilhação,  desigualdade estrutural, etc, (assim como ocorreu na própria civilização ocidental no passado). Compreender por que essas práticas existiram ou existem não significa aceitá-las, mas explicar seus fundamentos históricos: sistemas tribais e autoritários, estruturas estatais frágeis e corruptas, etc. Como exemplo, ainda temos regiões na África onde persiste a escravidão tradicional (sob a forma de servidão por dívida, trabalho compulsório e casamentos forçados) baseada em hereditariedade e relações de posse): em vários países do cinturão do Sahel — como Níger, Mali, Chade e Sudão. Na Mauritânia ainda persistem relações sociais e econômicas profundamente enraizadas que reproduzem práticas equivalentes à escravidão tradicional. Devemos também combater a visão anacrônica, ou seja, julgar sociedades passadas apenas com valores atuais; isso empobrece a compreensão histórica e transforma o estudo do passado em tribunal moral permanente. Assim, o historiador não apaga diferenças nem as sacraliza. Ele as compreende, contextualiza e problematiza, oferecendo à sociedade não respostas fáceis, mas uma visão mais ampla e responsável da experiência humana no tempo.

TEXTO 17

A História também serve como um corretivo da Memória coletiva, no sentido de evitar a ocultação do que é considerado ruim. Devemos evitar que a memória seja transformada em um conto de fadas. Os povos que  esquecem suas tragédias estão condenados a virar figurantes de um remake de terror. Governantes enganadores tentam impor  uma História que só mostra seu lado positivo ou só aquilo que lhe convém. O que é ruim é omitido ou impedido o acesso à documentação. Constroem e impõem uma biografia pública virtuosa, marcada por feitos heroicos, sacrifícios pelo povo e decisões sempre necessárias. Erros viram silêncios, fracassos viram conspirações alheias, e escolhas controversas são rebatizadas como gestos visionários. A vida do governante passa a ser narrada como destino, não como trajetória política sujeita a críticas.

O papel da história deve ser o de mostrar o lado bom e ruim de qualquer governante, seus erros e acertos. A história está repleta de personagens inspiradores de coragem coragem, resiliência e inovação que podem motivar e encorajar as pessoas a superar desafios e buscar seus objetivos. nenhum grupo humano é moralmente puro, nem moralmente condenado por essência, ou seja, na história brasileira, portugueses, indígenas e africanos tinham virtudes e defeitos. O papel do historiador não é distribuir certificados de virtude nem selos de culpa coletiva. Ele analisa ações, contextos e relações de poder, reconhecendo que todos os grupos históricos agiram dentro de circunstâncias concretas, com escolhas limitadas, interesses próprios e contradições internas. Portugueses não foram apenas exploradores, assim como indígenas e africanos não foram apenas vítimas passivas.


TEXTO 18

Todos participaram, de maneiras diferentes e desiguais, da construção histórica do Brasil. O Papel do historiador é elogiar e criticar quando se faz necessário a partir das evidências. A colonização portuguesa envolveu brutalidade e exploração, mas também instituições, práticas culturais e formas de organização que marcaram a sociedade brasileira. Os indígenas  sofreram violência extrema, mas também travaram guerras entre si e estabeleceram alianças com portugueses e franceses. Os africanos foram vítimas de um sistema desumano, mas também atuaram como agentes históricos através da luta e resistência, muitos ex-escravos tiveram escravos, outros criaram culturas, resistiram e, em alguns casos, participaram de estruturas hierárquicas internas herdadas da África. Sendo assim, todo mundo está sujeito a ser criticado ou elogiado. A História não é um tribunal moral simplificado, nem um palco de personagens divididos em anjos e demônios. Quando o passado é reduzido a categorias morais absolutas, perde-se justamente aquilo que o historiador mais busca: complexidade, contexto e humanidade.

O historiador crítico rejeita essa visão maniqueísta que tenta impor uma visão de que todos os portugueses  foram opressores malvados, ao mesmo tempo em que todos os indígenas e africanos eram bons e foram oprimidos


 Substituir antigos heróis por novos santos ou antigos vilões por vítimas absolutas não aprofunda o conhecimento, apenas troca o sinal ideológico.

A História do Brasil, como qualquer história humana, é feita de contradições, choques, escolhas e consequências. A colonização foi um fator decisivo de origem, o qual nos trouxe coisas boas e ruins. Mas origem não é destino, e a História não se encerra no ponto de partida. Já se passaram mais de duzentos anos desde a Independência, tempo suficiente para que responsabilidades se acumulem, escolhas sejam feitas e caminhos distintos pudessem ter sido seguidos.

Reduzir os problemas atuais a uma culpa colonial única produz um efeito confortável, mas enganoso: retira a responsabilidade das gerações posteriores. Se tudo é herança do passado remoto, nada precisa ser enfrentado no presente. A História, porém, mostra que desigualdades foram mantidas, aprofundadas ou negligenciadas ao longo do tempo por decisões concretas de governos, elites e instituições brasileiras.


TEXTO 19

AS FONTES HISTÓRICAS 

A fonte é a base de toda e qualquer pesquisa histórica. São documentos, objetos, textos, fotografias, vídeos, filmes, sons, etc., os quais possuem informações fundamentais e indispensáveis para a pesquisa histórica. Sem elas, é impossível a pesquisa.

Tipos de Fontes históricas

a) escritas: textos, discursos, leis, decretos, etc., os quais foram escritos em argila, papiro, pergaminho, pedra, papel, digital, etc. 

B) orais: depoimentos, entrevistas, gravações, relatos e histórias contadas por pessoas...incluem-se também as lendas e as tradições que uma geração passa para a outra.

c) Fontes Diretas ou Primárias: são documentos, objetos ou testemunhos originais. Elas fornecem  evidências diretas e contemporâneas sobre os acontecimentos, as pessoas e os lugares estudados. Alguns exemplos: 

Documentos Escritos: Diários, cartas, contratos, registros oficiais, leis, tratados, manuscritos e jornais contemporâneos aos eventos. 

Artefatos: Objetos como ferramentas, roupas, moedas, móveis e armas que foram usados na época. 

Registros Visuais e Sonoros: Fotografias, filmes, gravações de áudio e vídeos que capturam eventos em tempo real.

Depoimentos Orais: são relatos e testemunhos de pessoas que vivenciaram e testemunharam os fatos. As fontes diretas são valiosas porque permitem aos pesquisadores obter uma visão mais precisa e detalhada dos eventos e contextos históricos. 


TEXTO 20

Fontes Indiretas ou Secundárias:  São análises, interpretações e sínteses de informações baseadas em fontes diretas. Elas são produzidas após os eventos e geralmente por pessoas que não foram testemunhas diretas dos acontecimentos. Alguns exemplos:

Livros e Artigos Acadêmicos: Obras escritas por historiadores, pesquisadores e acadêmicos que analisam e interpretam eventos históricos com base em fontes primárias. 

Ensaios e Resenhas: Textos críticos que discutem e avaliam trabalhos acadêmicos e outras obras relacionadas aos eventos estudados. 

Documentários, filmes e produções audiovisuais que reconstroem e interpretam eventos históricos com base em pesquisas e entrevistas.

Enciclopédias e Dicionários: Obras de referência que compõem informações de diversas fontes para fornecer uma visão geral sobre determinados temas.

Exemplo do uso das fontes diretas e indiretas: em um acidente automobilístico com dois veículos, são fontes diretas os que estavam nos veículos,  as testemunhas que o presenciaram e a gravação das câmeras (no caso de sua existência). Se, porventura, em uma casa próxima ao local da colisão, alguém ouviu o barulho do ocorrido, ela é considerada uma fonte direta do barulho, e uma fonte indireta visual, porque seu cérebro "montou" a cena baseada apenas no som da freada e da batida. Já o noticiário da imprensa ou das redes sociais sobre a ocorrência é uma fonte indireta, assim como o boletim de ocorrência policial.


TEXTO 21

d) Fontes Imagéticas: referem-se às imagens, gravuras, desenhos, pinturas, esculturas, filmagens, mosaicos, vídeos, grafitagens, etc. Na pré-história o ser humano já desenhava nas paredes das cavernas as gravuras rupestres. 

E) Fontes materiais: um documento escrito é ao mesmo tempo uma fonte escrita e uma fonte material. Um filme também. As fontes materiais

são os vestígios físicos das atividades humanas. Por exemplo: roupas, móveis, utensílios, ferramentas, armamentos, filmes, documentos, etc... incluem-se também os objetos, sítios arqueológicos, fósseis, esculturas, pinturas, etc.


O TEMPO E A HISTÓRIA

1 - Anacronismo: significa a interpretação do passado realizada a partir de um contexto social, político e cultural diferente e distante daquele em que ocorreram os eventos. É um erro de temporalidade onde eventos, objetos ou interpretações de uma determinada época são aplicados incorretamente a outra. Isto ocorre quando alguém interpreta o passado a partir de valores, conhecimentos, contextos sociais, políticos e culturais contemporâneos, que são diferentes daqueles que estavam presentes no período em questão. Esse tipo de análise pode distorcer a compreensão histórica, criando uma imagem imprecisa ou tendenciosa dos eventos passados. Hoje, todos nós criticamos com razão o colonialismo e a escravidão sem considerar que, durante milênios a escravidão, a exploração, a invasão, a guerra e a conquista de novas terras eram consideradas legítimas por diversos povos. Essas práticas consideradas absurdas nos dias atuais eram considerados normais pelos povos do passado, pois os mesmos viviam em um contexto totalmente diferente do nosso.

Interpretar eventos históricos fora de seu contexto original pode levar a mal-entendidos significativos. Julgar práticas sociais de civilizações antigas com base nos padrões éticos e morais de hoje pode resultar em uma visão distorcida sobre a complexidade de outras culturas e épocas. Para evitar anacronismos, é essencial que historiadores e estudiosos mantenham uma perspectiva crítica e contextual ao analisar documentos, artefatos e eventos históricos. Isso não significa que estamos defendendo aquilo que é considerado injusto, desumano ou cruel, mas estamos entendendo o seu contexto cultural, político e histórico...ou seja, não se está defendendo nem a escravidão nem a colonização...significa que, tendo como base diversos contextos (religioso, cultural, político, etc.), entendemos porque aquilo que se praticava.


TEXTO 22

 Tempo Cronológico: refere-se à contagem do tempo a partir de eventos marcantes para algumas civilizações. Esses eventos resultaram na criação de CALENDÁRIOS. Abaixo, temos dois dos mais famosos calendários são: 

a) Gregoriano: também conhecido como cristão ou ocidental, é o calendário usado atualmente pela maioria dos países, incluindo o Brasil. Tem como base o nascimento de Jesus Cristo...sendo assim, a contagem do tempo é dividida em antes e depois de Cristo.

b) Judaico ou Hebraico: tem como base a criação do mundo de acordo com a tradição religiosa. Em 2024, o calendário hebraico corresponde aos anos 5784 e 5785; o ano 5784 começou no dia 15 de setembro de 2023 e termina no dia 2 de outubro de 2024.

3 - Tempo Histórico: tem como base os eventos considerados mais importantes para a história de cada povo, os quais são adotados como datas comemorativas. Exemplos:

a) Independência do Brasil: 07 de setembro

b) Revolução Francesa: 14 de Julho

c) Independência dos EUA: 04 de Julho


4 - Tempo de Natureza: é o tempo que alguns povos usam para orientar suas atividades produtivas e suas celebrações, através da observação do clima e das estações do ano... geralmente são povos isolados, nações indígenas.

5 - Tempo de Fábrica: é o tempo mais utilizado no mundo, pois tem como base a hora, a carga horária para a realização de diversos tipos de atividades: aulas, treinamentos, trabalho, diversão, etc.

TEXTO 23

 - Tempo de Informática: é a modalidade mais recente de uso do tempo, o qual inovou a partir da dispensa da presença física dos envolvidos. O maior exemplo são as aulas, treinamentos e atividades realizadas à distância, sem a necessidade da presença física dos envolvidos. Pilotar drones militares, participar de conferências e realizar cirurgias à distância já é uma realidade.

- Tempo de curta duração: refere-se a um evento que tem data para iniciar e terminar. Exemplos: As Olimpíadas e a Copa do mundo de futebol. 

- Tempo de Média duração: são eventos que dependem de um contexto histórico tanto para iniciar quanto para terminar. Sua duração é variável. Exemplo:

- o processo da independência do Brasil, que levou 14 anos, tendo iniciado com a transferência da Corte em 1808 e terminado com o evento do "grito" de independência de Dom Pedro às margens do riacho do Ipiranga, em 1822.

- Tempo de Longa Duração: são eventos históricos tão comuns que já se incorporaram ao cotidiano da vida de um povo. Exemplos:

- a república, nos países que são republicanos

- o cristianismo, nos países que são cristãos

- a monarquia, nos países que são monárquicos

- o islamismo, nos países que são islâmicos.

Observação importante: para não haver confusão, é preciso distinguir os eventos de longa e média duração:

exemplos:

- a república brasileira é um evento de longa duração (1889 até os dias atuais), entretanto, o processo do golpe que implantou a república é um evento de média duração (meados do século XIX até 15/11/1889).

- o Brasil independente é um evento de longa duração, entretanto, o processo da independência é um evento de média duração.


TEXTO 24

10 - Tempo cíclico: é o tempo que se repete, de maneira rápida ou lenta. Na vida pessoal, ocorre diariamente: acordar, tomar café, sair para estudar ou trabalhar, voltar para casa, etc. Na história econômica dos povos, há ciclos de crescimento econômico e ciclos de recessão e desemprego. Alguns países pobres da África e do Oriente Médio experimentam ciclos de conflito e paz, caracterizados por períodos de instabilidade seguidos por fases de relativa calma. No entanto, é crucial notar que a "paz" nesses contextos muitas vezes não significa estabilidade plena, mas sim uma ausência de conflitos em larga escala. 

11 - Tempo Linear: é o tempo caracterizado por uma sucessão de eventos que não se repetem. De maneira geral, a historiografia moderna se baseia na concepção linear do tempo histórico. É  importante ressaltar que essa não é uma visão unânime e que a ideia de tempo cíclico também aparece em diferentes contextos e interpretações da história, como já citamos. 

Exemplos:

a) nosso tempo de vida biológico: nascimento, crescimento, envelhecimento, morte

b) nossa evolução do conhecimento: ensino fundamental, médio, superior, pós graduação, etc.

c) nossa evolução profissional: o tempo em que a pessoa passou em cada empresa, as promoções, as mudanças de emprego, etc.

d) a história dos povos: Cada país, ao analisar seu passado, o faz linearmente, buscando entender como eventos, personagens e processos históricos o levaram ao presente.

e) O cristianismo ensina que a história humana tem um começo e um fim, de acordo com as narrativas que começam no Gênesis e terminam no Apocalipse

f) a história da evolução tecnológica: da pedra lascada aos grandes avanços da ciência nos dias atuais.

 TEXTO 25

Multiperspectividade histórica:  é a abordagem que analisa eventos do passado a partir de múltiplos pontos de vista, fontes e grupos sociais, em vez de focar apenas na narrativa dominante. Ela é essencial para uma compreensão complexa e crítica, pois valoriza a diversidade, incluindo perspectivas de outros grupos. No Brasil, muitos historiadores procuram pesquisar a história sob o ponto de vista dos escravos negros, dos indígenas, das mulheres (ricas e pobres), dos judeus, dos imigrantes europeus e japoneses, das prostitutas, dos militares, dos homossexuais, dos garimpeiros, etc. 

Principais Aspectos e Benefícios: 

Superação da Narrativa Única: Evita a simplificação dos fatos, reconhecendo que diferentes grupos experienciam e interpretam o mesmo evento de maneiras distintas.

Uso de Fontes Diversas: Baseia-se na análise de múltiplas fontes primárias e secundárias para corroborar ou contestar informações, fomentando o pensamento histórico. 

Empatia e Pensamento Crítico: Estimula os estudantes a se colocarem no lugar do outro, promovendo empatia e uma compreensão mais profunda do contexto histórico.

Consciência Histórica: Ajuda a entender que a história é uma construção contínua, influenciada por perspectivas e interpretações, e não uma verdade absoluta e imutável.

Exemplos:

- Gilberto Freyre: mesmo criticado por alguns, é considerado um dos pioneiros dessa nova história após publicar Casa-Grande & Senzala (1933), uma obra que aborda a contribuição dos indígenas e dos negros para a formação cultural do Brasil, utilizando-se de farta pesquisa sobre usos, costumes, sexualidade, crenças, etc.  Freyre deslocou o foco dos palácios, das decisões políticas e dos campos de batalha para a intimidade. Ele foi um dos pioneiros no uso de fontes "não convencionais", como anúncios de jornais antigos, receitas culinárias, diários e histórias de família. Ele queria entender como o português, o índio e o africano interagiam no dia a dia, na cozinha e no quarto.

- Escola dos Annales: os historiadores Marc Bloch e Lucien Febvre foram pioneiros na ideia da História total: em vez pesquisar apenas os documentos oficiais públicos ou privados, eles passaram a olhar para o que as pessoas comuns comiam, como moravam e como pensavam. Tudo passa a ser fonte histórica: música, alimentação, moradia, vestuário, propaganda, cinema, teatro, etc.


quinta-feira, 16 de novembro de 2023

QUESTÕES SOBRE OS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL

 1 - INFANTICÍDIO INDÍGENA:

O infanticídio indígena consiste na prática do homicídio de crianças recém-nascidas nas tribos. Algumas vezes, as crianças mortas chegam a completar um ano ou mais. São abandonadas no mato, enterradas vivas ou têm seu corpinho queimado. Isso acontece quando nascem gêmeos, filhos de mães solteiras ou crianças indígenas com deficiência.

A prática do infanticídio indígena ainda é identificada em cerca de 18 etnias brasileiras, dentre as 305 que são reconhecidas. Por ser uma tradição milenar, é difícil traçar-lhe as origens.
As causas mais comuns do infanticídio são:
    Adultério ou filho de mãe solteira;
    Incesto;
    Deficiência física (invalidez)
ou mental, incluindo até lábio leporino, o nascituro pode estar sujeito a ser abandonado na floresta, a ser queimado ou enterrado vivo. Os motivos, como apontam os indígenas que já se abriram sobre o tema, é que as crianças "defeituosas" podem prejudicar a preservação da cultura ou oferecer riscos à tribo. A invalidez é vista como um sinal de que o índio é incapaz de contribuir para a proteção e o sustento da comunidade, ou seja, sua "doença" é vista como um potencial risco para os demais membros.
    Filhos gêmeos: um deles seria portador do bem; o outro seria portador do mal; o pajé decidiria qual deles seria morto
    Falta de condições da família para criá-lo;
    Sexo indesejado do bebê;
    Controle populacional: Um exemplo é a comunidade dos Tapirapé. Os nativos acreditavam que era necessário manter a população em cerca de mil habitantes para não prejudicar o ecossistema. Nessa comunidade,  sempre que uma família recebia o quarto filho, ele era sacrificado para evitar o excessivo crescimento populacional.

Em muitos casos as mães desejam o filho, mas sofrem com a pressão dos outros membros da comunidade para “se livrar do problema”. Veja o depoimento do índio Paltu Kamayurá que relata o caso vivido por uma mãe: “Poxa, o pessoal enterrou nosso filho, agora nós só estamos com um. É muito triste, a gente não consegue esquecer”

Todas essas questões excluem o índio da comunidade.
No entanto, há casos em que a família deseja manter a criança, mas é a tribo que pressiona pelo abandono. Muitos têm de fugir para manter os filhos vivos.

A LEI MUWAJI (PROJETO DE LEI)
Em 2007, a indígena Muwaji Suruwaha matou sua filha por ter nascido com paralisia cerebral. O sacrifício foi feito segundo o costume do seu povo. O deputado Henrique Afonso do Partido Verde do Acre protocolou o Projeto de Lei 1.057 que criminaliza quem acoberta tal prática.
No entanto, os responsabilizados não seriam as mães ou as famílias, e sim os enfermeiros, missionários, membros da FUNAI que acompanham as tribos e não denunciam o ato. Como era esperado, a Lei Muwaji gerou muita discussão. Além disso, muitas das tribos que mantêm o costume de matar as crianças indesejadas estão nas regiões mais afastadas e de difícil acesso.
O projeto de lei foi importante para colocar o problema em debate, mas foi pouco eficaz em pensar soluções. Em 2010, a indígena jornalista Sandra Terena publicou seu documentário “Quebrando o Silêncio” que aumentou a consciência sobre a questão. Tendo entrevistado mais de 350 mães indígenas e documentado em diversas tribos a prática do homicídio infantil.
A jornalista, que é do povo Terena, reuniu relatos de parentes de vítimas, de missionários, de agressores e sobreviventes e expôs, de maneira extensa, o problema cultural do sacrifício das crianças. O filme foi lançado em Brasília, no dia 31/03, dia do Memorial dos Povos Indígenas. Sandra Terena também o exibiu em muitas tribos, suscitando o debate entre seus membros.
Em sete de dezembro de 2014, a Rede Globo no programa Fantástico exibiu uma reportagem completa sobre o tema. A Constituição, embora cite o respeito à cultura dos diversos povos indígenas, é clara quanto ao direito à vida, pois trata-se de seres humanos.
- o que deve prevalecer: a cultura ou a vida? a cultura está acima da vida humana?

O QUE DIZ A CONSTITUIÇÃO
Qual o posicionamento dos Tribunais acerca do infanticídio indígena?
O artigo 227 da Constituição afirma: “ é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, a saúde, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e a convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligencia, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

O QUE DIZ O ECA
Tal direito, é reforçado ainda pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, que dispõe no artigo 7º da Lei 8.069/90 o seguinte: “A criança e o adolescente têm direito à proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência”.

Os artigos presentes na lei não fazem distinção da origem da criança ou do adolescente, confere a todos o direito à vida e ao crescimento saudável e digno.

Mas é aqui que mora o problema:
Em 2004, o Brasil, por meio do Decreto 5.051, ratificou a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, que reconhece e legitima aos indígenas seus direitos permanentes.
Com isso, podem viver conforme seus usos e costumes, amparados pelo respeito à cultura e ao direito consuetudinário dos povos.
Segundo a convenção, seria legítimo o assassinato de crianças por fazer parte do direito tradicional desse povo.

Porém, o parágrafo 2º do 8º artigo prevê: 
    “2. Esses povos deverão ter o direito de conservar seus costumes e instituições próprias, desde que eles não sejam incompatíveis com os direitos fundamentais definidos pelo sistema jurídico nacional nem com os direitos humanos internacionalmente reconhecidos. Sempre que for necessário, deverão ser estabelecidos procedimentos para solucionar os conflitos que possam surgir na aplicação desse princípio”.

A prática do infanticídio indígena, portanto, fere os direitos previstos na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente e nos diversos acordos internacionais que se referem ao direito à vida, dos quais o Brasil é signatário
.

A discussão, portanto, encontra seu conflito na seguinte questão:

    O que prevalece é o direito individual à vida ou o direito comunitário dos indígenas de manterem seus costumes?

RELATIVISMO CULTURAL  OU MULTICULTURALISMO

Alguns grupos tentam defender que as práticas milenares das comunidades indígenas devem ser respeitadas. Termos como infanticídio são, inclusive, vistos como preconceituosos e discriminatórios. Defendem aliás que o multiculturalismo deve ser preservado como forma de respeito ao direito das minorias. Portanto, o relativismo cultural é a chave para a defesa de práticas que não condizem com os direitos firmados na Constituição.

As comunidades que continuam praticando o assassinato de crianças recebem o amparo de ativistas da causa indígena, os quais alegam que a cultura é relativa. Logo, o que é visto como um crime e um atentado à vida para os brasileiros, pode ser aceito pelos índios.
Assim, o debate dessa questão estagnou completamente no Brasil. Não há uma decisão jurídica final quanto ao que prevalece: o direito individual ou o relativismo cultural. Mesmo com os tratados e convenções assinados que apontam que as expressões culturais devem respeitar os direitos fundamentais, o debate segue emperrado.

Já os grupos e associações contrários a essa prática apontam que é um problema similar ao que ocorre na África, onde, em algumas comunidades, as mulheres são vítimas de mutilação genital, parte da cultura local.

Enquanto isso, doenças simples que já são gratuitamente tratadas pelo Estado brasileiro, via SUS, continuam sendo a causa de morte de várias crianças.

Segundo dados da FUNAI, 305 etnias indígenas habitam o território brasileiro nas cinco regiões do país. De todas elas, em pelo menos 18 pode ser identificada a prática do infanticídio indígena:

    Yanomami;
    Kamayurá;
    Uaiuai;
    Bororo;
    Tapirapé;
    Ticuna;
    Amondaua;
    Eru-eu-uau-uau;
    Suruwaha;
    Arawá;
    Mehinaco;
    Jarawara;
    Jeminawa;
    Waurá;
    Kuikuro;
    Parintintim;
    Paracanã;
    Kajabi.

De acordo com o último censo brasileiro em 2010, a população indígena é de 815 mil, espalhados por aldeias em todo o território, totalizando cerca de 0,4% da população.

Apesar de não serem números tão expressivos, a prática do sacrifício de crianças já foi responsável pela elevação do índice da violência em um estado brasileiro.

Em 2014, o Ministério da Justiça elaborou o chamado “Mapa da Violência” onde traçou as cidades mais perigosas e com os piores números de violência.

No estado de Roraima estava a cidade mais violenta do Brasil, segundo os dados coletados: uma cidadezinha de 19.000 habitantes chamada Caracaraí.

Em apenas um ano foram registrados 42 assassinatos.

A posição alta no mapa se refere a proporção do número de mortes por habitantes. Taxas médias de 10 homicídios para cem mil habitantes são consideradas epidêmicas. Além do fato de a cidade ter registrado apenas sete em 2011, ano anterior.

O Secretário de Segurança Pública de Roraima da época, Amadeu Soares, explicou o problema em uma entrevista ao Fantástico:

    “Foi o ano em que a Secretaria Especial começou a fazer o trabalho de registro desses infanticídios.”

Uma pesquisa, conduzida pela Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais, constatou que no ano de 2012 houve 42 assassinatos na cidade de Caracaraí. Destes, 37 foram infanticídios indígenas.

O Secretário ainda apontou um fator delicado. Expôs que antes disso tais dados eram maquiados e catalogados como mortes por outras doenças. Isso demonstra que o problema é conhecido há muito tempo e, igualmente, acobertado.
Apesar do silêncio, há grupos, associações e pessoas engajadas em combater o homicídio de crianças indígenas. Associações que combatem o sacrifício humano dos indígenas.
infanticidio-indigena-no-Brasil

Kakatsa Kamayurá foi um índio do povo Kamayurá que sobreviveu ao abandono de seus pais.
Após sua mãe ter dado à luz, seu pai não reconhecia a legitimidade do filho e forçou a mãe a abandoná-lo na floresta para que morresse. Ele chegou a ser enterrado vivo em um local distante da tribo, mas uma anciã o resgatou. A anciã alegava que por ser um homem saudável, poderia no futuro contribuir com as necessidades da tribo, na caça e na defesa do território.
Assim, Kakatsa Kamayurá foi salvo do infanticídio indígena. Quando cresceu resolveu sair de sua tribo e dedicar sua vida a combater a condenação de outras crianças.

Sua luta deu origem ao Projeto Tekonoe. Nas palavras do fundador:
    “A vida de nossas crianças é mais importante do que a cultura”.
Em entrevista, o fundador já relatou ter salvado muitas crianças, mas lamenta ter sido incapaz de salvar tantas outras que foram vítimas do sacrifício.
Outra importante associação que se mobiliza nesta luta é a Atini, que significa em português “a voz pela vida”. Sua ação se baseia, segundo seu site, em:
    Promover a conscientização e a sensibilização da sociedade sobre a questão do infanticídio de crianças indígenas, abordando o assunto nos mais diversos meios de comunicação, produzindo e distribuindo material informativo, promovendo ou participando de eventos culturais, seminários e palestras em universidades, igrejas, escolas, empresas etc.
    Prevenir o infanticídio junto às comunidades e profissionais atuantes em áreas indígenas, produzindo e distribuindo material informativo, promovendo a conscientização sobre os direitos humanos e direitos das crianças.
    Assistir crianças em risco de infanticídio ou sobreviventes, e seus familiares. Atualmente, a Atini apoia crianças de várias etnias.
É responsável também pela publicação, em 2006, da cartilha “O Direito de Viver”, e em 2007 a revista “Quebrando o silêncio — um debate sobre o infanticídio nas comunidades indígenas do Brasil”.

O trabalho dessas associações permite conhecer histórias como a da índia Kanhu Raká, do povo Kamayurá, do Parque Indígena Xingu.

Kanhu Raká foi a primeira filha de um casal da tribo, nasceu sem nenhum problema aparente e foi aceita. Ainda nova, apresentou dificuldades para caminhar, ficar em pé e até ficar incapaz de se locomover sozinha. Ela nasceu com distrofia muscular progressiva na região da cintura, uma doença que  aos poucos se manifestava e comprometia-lhe os movimentos lentamente. Por terem identificado tardiamente sua doença, apenas aos 4 anos, ela escaparia do sacrifício. No entanto, passaria a viver reclusa e excluída de toda a comunidade, uma espécie de morte social.

A família foi obrigada a conviver com o preconceito do restante da tribo, que via o abandono como a melhor saída para o problema. Foi quando os avós a levaram a uma equipe da Atini que visitava a região na época e a família se mudou com Kanhu buscando para ela uma melhor qualidade de vida. A Atini os levou para Brasília, onde pôde fazer o tratamento adequado. Depois, ela e a família se reintegraram à tribo.
Muitos dos motivos que condenam as crianças indígenas já possuem tratamento gratuito oferecido pelo Estado brasileiro.

O DIREITO À VIDA ESTÁ ACIMA DE QUALQUER COSTUME, TRADIÇÃO, ETC.
-O direito à vida é considerado um dos direitos humanos fundamentais. O infanticídio viola esse direito, negando às crianças o princípio básico de dignidade e respeito.
-
Combater o infanticídio significa promover alternativas humanitárias. Em vez de tirar a vida de uma criança, a sociedade pode buscar soluções que respeitem a vida e o bem-estar da criança, como programas de apoio, assistência médica e educação.
-
É possível respeitar e preservar a diversidade cultural sem comprometer direitos humanos fundamentais. Isso implica encontrar maneiras de conciliar práticas culturais específicas com o respeito à vida e ao desenvolvimento das crianças.
- Como conciliar a cultura com o direito à vida?
a) através da promoção da Igualdade de Gênero:
Em alguns casos, o infanticídio é praticado com base no gênero da criança (queriam um menino ou uma menina, mas o bebê era do sexo oposto). Combater essa prática exige a defesa da igualdade de gênero e a rejeição de práticas que discriminam o sexo da criança.
-Desenvolvimento Sustentável e Autonomia:
Culturas podem evoluir sem abandonar totalmente suas tradições. Promover o desenvolvimento sustentável e a autonomia dos grupos indígenas pode ajudar a encontrar soluções que respeitem os direitos das crianças sem necessariamente abolir completamente suas práticas culturais.
Diálogo Inter-Cultural: Ao abordar o infanticídio, é essencial adotar uma abordagem sensível à cultura, buscando entender as raízes e os contextos culturais, ao mesmo tempo em que se defende princípios éticos e direitos humanos básicos. A promoção de alternativas que respeitem a vida e a dignidade das crianças é fundamental nesse processo.



2 - ÍNDIOS, ONGS E ESTADO PARALELO NA AMAZÔNIA: DENÚNCIA DOS INTERESSES ESTRANGEIROS NA AMAZÔNIA.
De acordo com o ex-deputado e estudioso da região Amazônica, Aldo Rebelo, a maioria das ONGs na região atuam como se fossem um "Estado paralelo de comando na região". O deputado afirmou também que a própria Funai praticamente transferiu suas atribuições para essas organizações estrangeiras.
Segundo Rebelo, as ONGs, juntamente com o crime organizado são verdadeiros "Estados paralelos ao governo brasileiro e ameaçam a soberania e o desenvolvimento da Amazônia".

—As ONGs estão praticamente governando a Amazônia. É um estado paralelo, contando com a omissão das instituições públicas, contando inclusive com o recém criado Ministério dos Povos Indígenas.
- 14% do território nacional está imobilizado em áreas indígenas, as áreas mais produtivas, mais ricas em minérios do país, que isso é por acaso? Não! Isso é planejado, profundamente planejado.
Aldo Rebelo também mencionou a biopirataria com produtos da floresta, o interesse na riqueza mineral e hídrica da região e as questões diplomáticas envolvendo os bens da Amazônia.

— Essas ONGs são apenas o instrumento. Os interesses que elas representam estão lá fora. Se alguém perguntar se isso não é teoria da conspiração, a história da Amazônia é uma história de conspiração. A Amazônia era cobiçada antes de ser conhecida.

De acordo com Aldo Rebelo, o Fundo Amazônia foi criado pelo Estado brasileiro e hoje é comandado pelas ONGs.

— O que é que tem lá na agenda para a destinação do Fundo? É só essa agenda global do meio ambiente. Mas a Amazônia, senhoras e senhores, é a região onde há os piores indicadores sociais do Brasil. Os maiores índices de mortalidade infantil. As maiores taxas de analfabetismo, de doenças infecciosas, o menor índice de fornecimento de serviços essenciais, como água tratada, luz elétrica, saneamento básico. Você anda nas ruas das cidades da Amazônia, não há saneamento. Há um centavo sequer destinado para esta finalidade, para dar saneamento básico? Não há um centavo. Para saúde? Não há um centavo. Pra desenvolver e elevar o padrão de vida as pessoas? Não. É exclusivamente para essa agenda de interesses internacionais — afirmou.

Para Aldo Rebelo, a maior conquista da CPI seria limitar a destinação dos recursos do Fundo Amazônia exclusivamente para órgãos públicos, como prefeituras, secretarias de estado, governo estadual e governo federal, sem acesso das ONGs.

— Creio que seria a maior conquista desta comissão de inquérito conceber uma "super emenda" que reunisse aquilo que na Constituição precisa ser alterado para valorizar o papel do Estado e limitar o papel das ONGs, e as normas infraconstitucionais também, todas elas. Todas elas, que são muitas, que tornam a Amazônia uma espécie de protetorado informal dessas ONGs e dessas instituições. Acho que esse seria o grande legado da comissão, além de expor o funcionamento, as teias de funcionamento dessas instituições.


3 - ONGS RICAS E ÍNDIOS NA MISÉRIA
A deputada federal Sílvia Waiãpi (PL-AP) repassou à CPI das ONGs, documentos tratando do financiamento do Instituto Iepé, uma ONG que atua junto a comunidades indígenas na Amazônia. Os documentos tratam do financiamento de diversos órgãos estrangeiros a esta ONG, que foram listados pela deputada.

— O Iepé recebe dinheiro das embaixadas da França e Noruega, da Comissão Europeia, da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Fundação Ford, da Nature Conservancy, da Rainforest Foundation, da Fundação Gordon & Betty Moore, do Internews, Fundo Lira, do GLA (Green Livelihood Alliance), da Nature Conservancy, Talmapais Trust e outras organizações estrangeiras. A mesma ONG que impede os waiãpi de terem energia elétrica em sua comunidade — denunciou.

Durante sua intervenção, a deputada apresentou um depoimento gravado em vídeo de uma indígena waiãpi reclamando que o Iepé "não quer energia elétrica nem internet" na comunidade. Essa situação prejudica diretamente até mesmo o funcionamento regular de um posto de saúde situado na comunidade. A indígena do vídeo, que estava grávida, acabou perdendo a criança devido ao atendimento precário, segundo Sílvia Waiãpi.

No vídeo, a indígena anônima também reclama ter outros problemas de saúde, que acabam sem assistência adequada devido à falta de energia elétrica. Já Sílvia Waiãpi também relatou que recentemente uma sobrinha sua, que ainda mora na comunidade, teria morrido por falta de tratamento adequado. A deputada reclama que o Instituto Iepé, em conluio com agentes públicos, na prática impedem o desenvolvimento socioeconômico dos waiãpi, a pretexto de uma pretensa "preservação cultural".
Mais denúncias

Respondendo a perguntas do relator, senador Marcio Bittar (União-AC), Sílvia Waiãpi ainda disse que todos os funcionários do Iepé residem em cidades como São Paulo, "onde tem acesso aos confortos e aos planos de saúde" negados ao povo waiãpi. Ela criticou igualmente outras fundações estrangeiras, como a Fundação Ford, que segundo ela financiam viagens internacionais e, por conseguinte, a atuação política de lideranças indígenas para que critiquem o agro brasileiro e outras situações relacionadas ao Brasil em fóruns internacionais e nacionais.

Para o presidente da CPI, senador Plínio Valério (PSDB-AM), as ONGs só conseguem "tamanho poder" de influenciar diretamente as políticas públicas da região devido a um conluio com funcionários públicos. Uma aliança, segundo o senador, que estaria impedindo, por exemplo, a realização de obras de infraestrutura na região Norte, sob alegações preservacionistas. Plínio Valério também crê que o "conluio" visa reservar a exploração de riquezas minerais da Amazônia para o futuro, em detrimento do Brasil.

A LIGAÇÃO DAS ONGS COM O JUDICIÁRIO
— As ONGs só tem esse poder porque estão aliadas a partes do Judiciário. Tem sempre um desembargador, um ministro, um juiz pra conceder uma liminar pra qualquer ONG, se encontrar um caco de cerâmica, existente ou "plantado" na região, e paralisa (os trabalhos). Isso está ocorrendo por exemplo em regiões da Amazônia ricas em potássio — protestou.

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) é outro a acreditar que o discurso preservacionista esconde "interesses estrangeiros" na exploração das riquezas da Amazônia. Sílvia Waiãpi concorda com a visão de que o financiamento estrangeiro a ONGs que atuam na região se daria por razões geopolíticas.

A deputada ainda questionou porque o aparato estatal mobilizado na repressão aos crimes ambientais não é replicado no combate a outros crimes. Sílvia observou que enquanto atividades agrícolas são reprimidas, o narcotráfico atua "livremente" na Amazônia. Por outro lado, as condições de miséria têm feito crescer a prostituição entre mulheres indígenas, assim como a venda de crianças indígenas ao crime organizado. Segundo ela, "crianças vendidas" serviriam até mesmo para práticas de "abusos sexuais" na Amazônia.

Sílvia Waiãpi classificou como "extremamente precária" a condição dos serviços de educação ao povo waiãpi. Ela mostrou mensagens de um grupo de whatsapp de pessoas que se cotizaram para comprar uma impressora para uma escola na comunidade.

— O Instituto Iepé recebe financiamento de poderosas organizações estrangeiras, mas não pode comprar uma impressora para uma escola waiãpi — lamentou a deputada.
Bolsonarista

AS DIFICULDADES DOS KORIPAKO
Plínio Valério exibiu vídeos enviados por indígenas koripako à CPI. Esses vídeos mostram as dificuldades dos indígenas, que têm se deslocar por até seis dias em embarcações precárias para que possam receber o Bolsa-Família em São Gabriel da Cachoeira (AM). Plínio Valério reclama que a atuação da ONG Instituto Socioambiental (ISA) tem impedido a construção de uma estrada de 16 kms que atenderiam os koripako em seus deslocamentos.

— Eles estão reivindicando uma estrada que teria 16 kms. Essa estrada evitaria toda essa epopeia aí, mas o ISA com a Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro) não deixam, alegando que não fazem parte da cultura indígena as estradas, as rodovias. O que faz parte da cultura indígena, segundo essa gente, é sofrer, é passar por essas cachoeiras perigosas com o maior problema. Não teria nenhum impacto ambiental uma estrada de 16 kms no meio de tanta floresta... Não teria nenhum impacto ambiental, mas teria um impacto social muito grande, seria o resgate da dignidade — criticou.

Plínio ainda relatou que é comum que os indígenas durmam ao relento quando estão em São Gabriel da Cachoeira. Por isso ele destinou parte de suas emendas parlamentares à construção de um centro de acolhimento aos koripako na cidade, cujas obras já se iniciaram.



4 - O QUE É SER ÍNDIGENA? Por Silvia Waiapi

O que faz com que eu seja indígena?
Usar o urucum? Pintar o meu rosto?
O que faz com que eu seja indígena? O meu DNA?
O que faz com que eu não sinta dor? alguns dirão: "Ela não é indígena".
Eu só seria se eu estivesse pintada de urucum, nua e falando mal o português.
Mas é assim que eles nos querem, é dessa forma que eles querem nos impedir de ter acesso ao desenvolvimento.
Nos acusarão de etnocídio só porque uma pessoa como eu também quis conquistar o mundo. E até quando nós seremos subjugados? Se é só assim que eu posso ser eu, respondam, senhores: eu só posso ser eu se eu estiver pintada de urucum? Eu só posso ser eu se eu estiver nua e dependendo da ajuda de alguém.

    
E, por falar em depender da ajuda de alguém,
eu trago a voz dos esquecidos,
daqueles que foram proibidos de ter acesso ao desenvolvimento,
daqueles que foram proibidos de ter acesso à saúde, à educação de qualidade.
Eu trago a voz daqueles que foram esquecidos no passado, lá em 1500, pessoas que querem ser tão bons quanto vocês, mas que foram impedidos,
porque o ideal imaginário nos condenou a viver no passado.


Se vocês fecharem os olhos agora e pensarem em um indígena...
Fechem os olhos, e eu desafio cada um de vocês...
Ninguém verá um indígena com uma beca, ninguém verá um indígena com um estetoscópio na mão. Vocês só conseguirão reproduzir em suas mentes uma pessoa desnuda, de cocar, carregando talvez uma caça, um arco e uma flecha, mas nunca, nunca com um estetoscópio na mão, nunca com um salto alto, porque o ideal imaginário implantado na mente de vocês nos negou e nos condenou a viver no passado.

A atuação de organizações não governamentais no Norte do Brasil, e eu falo especialmente do Estado do Amapá... O IEP é uma organização não governamental, fundado por uma antropóloga belga e que, durante anos, há mais de 40 anos, vem mantendo povos waiapi no passado, impedindo, inclusive, as crianças de falarem português...Esta organização recebe e tem a atuação de 22 instituições, e essas 22 instituições, muitas delas internacionais, financiam essa organização, e a única coisa que eles sabem fazer é impedir o povo de ter acesso ao desenvolvimento, e, por mais que você o tente, você será impedido, você será silenciado.