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sexta-feira, 28 de maio de 2021

BRASIL HOLANDÊS E UNIÃO IBÉRICA

UNIÃO IBÉRICA E BRASIL HOLANDÊS

Este assunto explica um dos períodos mais conturbados da história de Portugal e do Brasil. Portugal esteve sob comando da Espanha e o Nordeste brasileiro esteve sob ocupação da Holanda.  

- A União Ibérica (1580-1640): foi o período de 60 anos em que a coroa portuguesa ficou sob o comando da coroa espanhola.

A principal causa foi a crise sucessória portuguesa após o desaparecimento do jovem rei D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir (1578)...o rei não deixou herdeiros diretos. Seu sucessor era seu idoso  tio-avô, o cardeal D. Henrique, que morreu em 1580...o trono lusitano estava vago e quem o ocupou, com o apoio de uma parte da nobreza e da burguesia portuguesa,foi o rei espanhol Filipe II, que era neto do rei português D. Manuel I.

As Consequências da União Ibérica para o Brasil:
- a linha de Tordesilhas deixava oficialmente de ter valor legal, pois tudo era espanhol e português. Sendo assim, os luso-brasileiros aproveitaram para adentrar o vasto território que hoje faz parte do Brasil, o qual estava "abandonado" pelos espanhóis, que na época só se interessaram pelas terras onde encontraram metais preciosos (México, Peru e Bolívia, principalmente). A expansão territorial é vista com mais detalhes em um assunto específico.
- As más consequências da União Ibérica para Portugal:
- Portugal passou a ter como inimigos os seus antigos parceiros comerciais: Holanda e Inglaterra.
-Portugal, ao longo do tempo foi perdendo parte de seu rico império colonial, principalmente territórios na África e Ásia:
Ceilão (atual Sri Lanka), Malaca (Malásia),   Ilhas Molucas (Indonésia), Costa do Malabar (Índia) e Formosa (Taiwan), São Jorge da Mina (atual Gana, principal entreposto de ouro e escravizados), Arguim (Mauritânia),   Luanda e Benguela (Angola, que depois foram recuperadas).
Na América, a Holanda, durante 24 anos ocupou a maior parte do Nordeste.
-Portugal perdeu também a maior parte de sua grande frota naval mercantil e militar, ao ser obrigado a participar de conflitos comandados pela Espanha. 

A HOLANDA

Tendo sido no passado um território doado à Espanha, a Holanda (ou Países Baixos), estava em guerra pela sua independência - a Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648) - Predominava no país o protestantismo, fato que irritava ainda mais o rei espanhol Filipe II,  o qual buscava centralizar ainda mais o seu poder através da imposição do catolicismo.
A economia holandesa era bastante dinâmica e inovadora; o país era o centro financeiro da Europa e sua economia tinha como base três pilares: comércio marítimo, manufatura e finanças. Os holandeses tinham muito negócios com Portugal, principalmente no segmento açucareiro:
- Na Europa, refinavam o açúcar comprado em Portugal e o distribuíam no mercado europeu.
- Em Pernambuco, tinham muito dinheiro investido no financiamento de engenhos.
- A Holanda era uma espécie de “banco + indústria + logística” do açúcar brasileiro. 
Para prejudicar a economia holandesa, o rei espanhol Filipe II proibiu todo e qualquer comércio entre Portugal e Holanda, fato que afetava diretamente o lucrativo negócio do açúcar.

A reação holandesa:
A proibição espanhola mudou a política comercial batava: eles deixaram de ser comerciantes dependentes e passaram a ser conquistadores tentando controlar a produção. Algumas de suas decisões mais importantes foram:
a) Romperam o bloqueio na marra, atacando e saqueando portos portugueses e espanhóis.
c) contrataram corsários (piratas autorizados) para atacar e roubar navios espanhóis carregados de prata, principalmente na região do Caribe.
C) Criaram uma Companhia encarregada de conquistar e administrar as conquistas: a WIC (Companhia das Índias Ocidentais): era uma “megaempresa de guerra e comércio”, uma mistura de banco, exército e empresa. Seus principais objetivos eram

-atacar os interesses da Espanha e de Portugal;

-controlar rotas comerciais no Atlântico;

-lucrar com açúcar, escravizados e outros produtos coloniais.

-Ela não era uma empresa comum. Recebeu do governo holandês muito poder:

-podia declarar guerra, firmar tratados,

conquistar e administrar territórios,

manter exército e marinha próprios. 

Era como se o Estado tivesse terceirizado a expansão imperial.
A WIC no Brasil: dentre seus objetivos,  pretendia expandir as conquistas territoriais,  atacar os engenhos, tomar o controle da produção açucareira e assumir também o  tráfico escravista português na África.

 

A PRIMEIRA INVASÃO: Salvador (capital da colônia): Na visão da WIC, atacar e tomar a sede do poder colonial significaria atingir o centro administrativo, fato que poderia desorganizar a defesa da colônia. O ataque ocorreu em 1624. O Exército da WIC ocupou a cidade, mas não conseguiu expandir-se. Os baianos fugiram e ocuparam posições nas matas, onde suas tropas  passaram a atuar através de emboscadas. Os holandeses ficaram limitados ao perímetro da cidade pois desconheciam o território. Quando tentavam sair, eram atacados de surpresa. Um ano depois, foram expulsos após a Espanha enviar uma tropa com cerca de 12 mil homens.

A SEGUNDA INVASÃO:

Em 1628, após o roubo de navios espanhóis carregados de prata na região do Caribe, a WIC passou a ter capital suficiente para financiar uma poderosa expedição militar contra Pernambuco, o maior produtor mundial de açúcar.

a) Em fevereiro de 1630, uma esquadra com 66 embarcações e 7.280 homens desembarcou em Pau Amarelo e conquistou Olinda e Recife. O governador Matias de Albuquerque, percebendo que não tinha condições de enfrentar os invasores em batalhas frontais, decidiu pela aplicação de estratégias:
1 - A Guerra de Emboscadas: consistia em ataques surpresa; era uma guerra “invisível”, onde os luso-brasileiros aproveitavam o fato de conhecerem bem o terreno para atacar e fugir, desaparecendo no meio do matagal. Matias aproveitou também para construir uma base fortificada, chamada de Arraial do Bom Jesus, o qual tornou-se o centro da resistência, funcionando como abrigo, quartel e ponto de organização das tropas. A partir do Arraial, suas tropas cercavam Olinda e Recife, impedindo que os holandeses avançassem para o interior e dificultando o acesso deles aos engenhos de açúcar.
2 - A política de Terra Arrasada: Consistiu na estratégia de incendiar canaviais, destruir engenhos, queimar estoques de açúcar e esconder ou queimar qualquer mantimento. A ideia era simples: não deixar nada útil para o inimigo. Sem açúcar, sem comida e sem recursos, os holandeses teriam dificuldade de se manter.
3- A Política de Alianças locais: Matias entendeu que se dependesse apenas de seu pequeno contingente militar, seria impossível vencer os batavos. Era preciso ter o apoio dos indígenas e dos escravos:
- Os indígenas tinham o conhecimento das matas.
- Os escravos já viviam em condições extremas de resistência física. Quando os engenhos foram destruídos, uma parte dos escravos fugiu e iniciou a formação do Quilombo dos Palmares. Outra parte foi convidada a aderir ao Exército de resistência.
Para conseguir a adesão de indígenas e escravos, Matias oferecia soldo e liberdade.  

 

Foi nesse cenário de guerra que surgiram personagens da resistência até hoje famosos:
a) Felipe Camarão: Foi nomeado Mestre-de-campo do Terço dos Índios (também chamado de Terço de Infantaria Nativa). Seus soldados recebiam soldo e tinham prerrogativas militares, o que elevava o status social do indígena.
b) Henrique Dias: Foi o comandante do "Terço de Homens Pretos. Ao oficializá-lo  como mestre-de-campo, Matias deu dignidade militar a ele e seus comandados, os quais também passaram a receber soldo.

-Para a Coroa, pagar o soldo era mais barato do que manter um exército mercenário europeu; para o soldado negro ou indígena, o soldo era a fronteira entre a escravidão e a cidadania. A promoção de Filipe Camarão e Henrique Dias passou a representar
- a participação mais ativa de negros e indígenas na história do Brasil;
- a luta por espaço, reconhecimento e, muitas vezes, liberdade;

- a complexidade de alianças num mundo ainda profundamente escravista.
É importante registrar que a WIC também usou essa estratégia de alianças, oferecendo promessas de liberdade e vantagens.

Períodos da ocupação holandesa em Pernambuco:

1 - Período da guerra e da resistência (1630 a 1637) - Os anos iniciais foram um desastre financeiro e militar para a WIC. Não conhecendo o território, ficaram isolados no Recife e em Olinda. Como o interior (onde estava o gado e as roças) era controlado pela resistência, os holandeses sofriam com a falta de víveres e o resultado foi a ocorrência de mortes por escorbuto, disenteria e febres.
O exército da WIC era composto majoritariamente por mercenários europeus, os quais não estavam acostumados a um cenário de guerra totalmente diferente, começando pelo clima tropical. Nas matas de Pernambuco, as táticas europeias de fileiras cerradas eram inúteis. Eles eram alvos fáceis para as emboscadas. Além disso, eram mercenários e lutavam por soldo: quando o pagamento atrasava ou a comida faltava, eram comuns as deserções.
Estando cercados, os holandeses decidiram incendiar Olinda e concentrar suas forças no Recife, junto ao porto. Olinda ficava longe do porto, foi construída sobre morros, suas ruas eram  estreitas e de difícil circulação de tropas e artilharia. Olinda foi arrasada em 1631 e o material dos escombros foi utilizado para erguer prédios no Recife.
Em Amsterdã, a WIC só contabilizava prejuízos, pois o investimento para montar a frota de 1630 foi colossal, e o retorno nos primeiros cinco anos foi negativo. Em vez de carregar navios com açúcar, a WIC precisava enviar navios da Holanda carregados de comida e munição apenas para manter os soldados vivos no Recife.
As ações da Companhia despencaram na Bolsa de Amsterdã.

A ajuda de Domingos Calabar
A partir de 1632, os holandeses contaram com a ajuda de Domingos Fernandes Calabar, um mameluco dono de engenho e comerciante. Ele não era militar, mas tinha grande conhecimento do território. Sabia quais rios eram navegáveis, onde ficavam os portos clandestinos e como desviar da fiscalização da Coroa Portuguesa, ou seja, ele operava no  mercado informal ou paralelo do contrabando de açúcar e fumo, os quais eram uma prática comum entre os colonos que queriam fugir dos impostos e do monopólio de Lisboa. Isso deu a ele um conhecimento geográfico da costa entre o Recife e Maceió que nenhum militar europeu possuía.
Ele ensinou aos holandeses como navegar pelos rios e onde atacar os pontos fracos da resistência de Matias de Albuquerque. Sem Calabar, é provável que a WIC tivesse abandonado Pernambuco antes mesmo da década de 1640. 
- Por que Calabar passou para o lado da WIC?

A tese mais aceita é a de que Calabar julgou que na WIC ele teria mais vantagens, pois os holandeses ofereciam melhores preços pelo açúcar, crédito mais fácil e uma frota mais segura. Para um comerciante como ele, a bandeira da Holanda significava "bons negócios", enquanto a de Portugal significava impostos e restrições. 
Além disso, ele julgou que, como informante de elite, teria provavelmente um status que jamais alcançaria na sociedade luso-brasileira (que o via como um "mestiço").

A Queda do Arraial do Bom Jesus: O Arraial dependia de uma linha de suprimentos que vinha do sul (Alagoas e Bahia). Calabar guiou os holandeses por caminhos de terra e canais fluviais para cortar os suprimentos que iam para o Arraial.
Sem alimentos e munição, Matias de Albuquerque ordenou o abandono e fugiu para a zona oeste, onde fundou o Arraial Novo do Bom Jesus, no atual bairro recifense dos Torrões, ficando ali até 1635, quando foi obrigado a fugir em direção a Porto Calvo (atual Alagoas), onde teve a sorte de encontrar, prender e executar  Calabar, que estava acompanhado de um pequeno destacamento holandês.
Após executar Calabar em Porto Calvo, Matias continuou a marcha para a Bahia com os sobreviventes do Arraial e as tropas de Henrique Dias e Camarão. Ao chegar a Salvador, em vez de ser recebido como um herói, foi acusado de incompetência. Em seguida, partiu para a Espanha, onde chegou a ser preso em Madrid. Em 1640, conseguiu fugir para Portugal, onde era considerado herói.  

2 - Fase de Nassau ou Período Nassoviano:
Após a vitória, a WIC decidiu nomear um governador com poderes extraordinários e perfil diplomático para administrar o Brasil holandês; sendo assim contrataram o nobre e militar alemão Johan Maurits Van Nassau (João Maurício de Nassau-Siegen), que governou entre 1637 e  1644.
Nassau administrou Pernambuco com uma visão de Estado, entendendo que, para a colônia lucrar, ela precisava de estabilidade e infraestrutura. Suas principais ações foram:
No campo econômico:
-Reestruturação e Crédito: reerguer os engenhos através da oferta de

empréstimos generosos aos senhores de engenho luso-brasileiros para que pudessem reconstruir as moendas, comprar escravizados e voltar a produzir açúcar. Isso criou uma "paz forçada", pois a elite local agora devia dinheiro aos holandeses. Os engenhos abandonados pelos donos que fugiram para a Bahia foram leiloados

- Abastecimento: Nassau incentivou o plantio de mandioca para evitar as crises de fome que assolavam o Recife, já que quase toda a terra era destinada ao açúcar.

- Modernização do Porto do Recife, o qual transformou-se no principal entreposto comercial do Atlântico Sul.

No campo religioso: mesmo sendo protestante, Nassau decidiu  pela tolerância religiosa, ou seja, em uma época em que ainda havia guerras religiosas na Europa, ele permitiu que os católicos pudessem continuar praticando o catolicismo (com algumas restrições a procissões externas).

- Proteção aos Judeus: Sob seu governo, os judeus sefarditas (muitos de origem portuguesa) puderam praticar sua fé abertamente. Foi nesse período que foi erguida no Recife a Kahal Zur Israel, a primeira sinagoga das Américas. 
Essa tolerância não era apenas "bondade", mas uma estratégia para evitar revoltas internas e manter os investidores judeus e os produtores católicos trabalhando em harmonia.
No campo administrativo:
Nassau mudou a face da colônia, iniciando com a decisão de tornar o Recife como a capital do Brasil holandês. Sendo assim, ele fundou a Mauritsstad (Cidade Maurícia), através da criação de uma cidade planejada, que contava com canais, ponte, jardim botânico, saneamento e limpeza urbana, algo raríssimo em cidades coloniais da época.

- Missão Artística e Científica: Nassau trouxe uma missão científica e artística, que contava com cerca de 46 intelectuais, entre pintores, médicos, astrônomos, cartógrafos e naturalistas. Nessa comitiva havia:
- dois excelentes pintores Albert Eckhout (especialista em retratar fauna, flora e os personagens da terra) e Frans Post (especialista em retratar as paisagens).
- o médico Willem Piso: considerado o fundador da medicina tropical...foi o primeiro a tratar a saúde no Brasil não apenas como uma extensão da medicina europeia, mas como algo que dependia do estudo direto do ambiente, das plantas e dos costumes locais. Ele produziu o primeiro registro científico sistemático do Brasil.
- A cartografia: através dos mapas e plantas baixas, os holandeses planejaram a drenagem, o traçado das ruas, a localização dos palácios (Friburgo e Boa Vista) e da primeira ponte do Recife. Esses mapas serviam também para atrair investidores europeus, mostrando que o Brasil Holandês era uma colônia organizada e civilizada.


- No campo militar: Sendo um militar experiente, Nassau empreendeu esforços para ampliar o território holandês ao norte e ao sul. No Norte, conquistando Paraíba, Rio Grande do Norte e o Ceará. No sul, ampliou os domínios até o limite do Rio São Francisco.

Em relação à África, Nassau enviou uma poderosa frota que tomou os principais entrepostos portugueses do tráfico de escravos. Efeito: Isso criou um sistema econômico transatlântico integrado sob controle holandês: o escravizado saía de Angola (controlada pelo Recife) para trabalhar nos engenhos de Pernambuco.

 

- A Pressão da WIC e a saída de Nassau: mesmo mantendo bom relacionamento com os luso-brasileiros, Nassau não conseguia agradar os acionistas e diretores resultados positivos imediatos. A WIC exigia inclusive que Nassau executasse as dívidas e tomasse os bens dos devedores. A demora de Nassau resultou em sua substituição.

A Restauração Portuguesa em 1640:  
Após 60 anos de domínio espanhol, período em que só acumulou prejuízos e guerras contra antigos parceiros, Portugal, aproveitando o momento em que a maior parte do Exército espanhol estava em envolvido em conflitos na Europa, declarou sua libertação, sob a liderança de D. João IV, da dinastia de Bragança. Esse evento foi chamado de Restauração Portuguesa.

Essa restauração teve o apoio da Inglaterra e da França, interessados em enfraquecer o poderio espanhol. A Espanha só viria a reconhecer a independência em 1668, através do Tratado de Lisboa. A Restauração marcou o o início da dinastia de Bragança.


O TRATADO DE HAIA
De imediato, Portugal decidiu fazer a paz com a Holanda, através do Tratado de Haia (1641), onde os lusitanos reconheciam temporariamente o controle holandês sobre o Nordeste brasileiro, desde que não houvesse mais expansões territoriais nem no Brasil nem sobre colônias portuguesas na África. A trégua permitiu que Portugal se reorganizasse internamente e fortalecesse sua posição na Europa. 

-A Restauração do Maranhão: A Holanda, mesmo assinando o Tratado, não o respeitou e decidiu ampliar seus domínios, conquistando Sergipe e o Maranhão, em 1641... No Maranhão, os batavos foram surpreendidos pela  forte resistência de portugueses, indígenas e jesuítas, que culminou na expulsão do invasor. A notícida da Restauração do Maranhão, uma região bem mais isolada do que Pernambuco, reforçou o ânimo das forças luso-brasileiras, que continuariam a lutar contra os holandeses em Pernambuco até sua expulsão definitiva em 1654. 

3 - Fase : A Insurreição Pernambucana (1645-1654).
Causas:
- Após a saída de Nassau, a WIC enviou  uma Junta administrativa com ordens expressas para executar dívidas e até tomar as propriedades dos devedores. Além disso, a nova administração proibiu o catolicismo.
- revoltados, os luso-brasileiros decidiram partir novamente para a guerra de resistência. Em 15 de maio de 1645, reunidos no Engenho de São João, dezoito líderes assinaram compromisso para lutar contra o domínio holandês, com ou sem a ajuda de Portugal, que estava em difícil situação econômica.  Naquele momento, em Portugal ainda havia o temor de uma invasão espanhola; a prioridade portuguesa era defender seu próprio território.

O Início da Luta em Pernambuco

Em 1645 começou a Insurreição Pernambucana, liderada por figuras como João Fernandes Vieira, Henrique Dias e Filipe Camarão. Nos bastidores, Portugal apoiava a insurreição.

A Batalha das Tabocas: ocorreu em 3 de agosto de 1645, no Monte das Tabocas, na cidade de Vitória de Santo Antão. Foi a primeira vitória militar da campanha da Restauração. Mesmo com um Os holandeses do Coronel Hendrick Van Haus eram mais de 1.700 homens, com armas de fogo, contra pouco mais de 1.000, com somente 230 armas. Parte dos brasileiros portava apenas lanças de madeira endurecida e/ou facões de trabalho. Mas os chefes João Fernandes Vieira e Antônio Dias Cardoso souberam utilizar com maestria o terreno irregular, a surpresa e as técnicas de emboscada e guerrilha.  Ao final do dia, Van Haus bateu em retirada, abandonou mortos, feridos e, principalmente, muito material de guerra.

 

A Batalha de Casa Forte e o Dezessete de Agosto: 

Após serem derrotados na Batalha das Tabocas no dia 3 de agosto de 1645, em Vitória de Santo Antão, os holandeses retornaram ao Recife e acamparam no engenho Casa Forte pertencente a Anna Paes, que estava casada com o oficial holandês Gilbert de With, alto representante da WIC. Os holandeses tinham capturado algumas mulheres parentes dos patriotas e as mantinham como prisioneiras no engenho. Ao saberem do que estava ocorrendo, os chefes João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão, arregimentaram seus homens, atacaram o engenho, venceram os batavos e libertaram as prisioneiras. A vitória em Casa Forte tornou famosa a data de Dezessete de Agosto, a qual dá nome à uma avenida no bairro de Casa Forte, no Recife.

 

A discreta ajuda portuguesa aos patriotas: Durante a Insurreição Pernambucana (1645–1654), Portugal ofereceu apoio discreto e indireto, para não romper oficialmente com a trégua que mantinha com a Holanda (Tratado de Haia, 1641). Portugal enviou navios com armas, munições e suprimentos para os rebeldes pernambucanos, de maneira discreta e clandestina., para não ser descoberto pelos holandeses. 

 

As dificuldades da Holanda: Entre 1652 e 1654, a Holanda também esteve em guerra contra a Inglaterra (Guerra Anglo-Holandesa). Este conflito dificultou sua capacidade de conter a Insurreição Pernambucana, pois lutava em duas frentes de guerra. A marinha inglesa frequentemente atacava navios da WIC em direção a Pernambuco, dificultando o envio de tropas, armas e alimentos para Pernambuco. Os custos dessa guerra para a WIC eram gigantescos e o resultado foi a sua falência,. Enquanto isso, os pernambucanos recebiam apoio luso-brasileiro, mesmo sendo pouco e discreto. 

 

As Batalhas dos Guararapes 

Foram episódios decisivos na Insurreição Pernambucana. Apesar de historicamente o Exército Brasileiro ter surgido muito tempo depois (só no século XIX),  vários autores defendem a existência de um elo simbólico entre ambos, já que brancos, negros, índios e mestiços juntaram forças pela libertação da sua terra. As Batalhas dos Guararapes quebraram o poder militar holandês, mas a rendição holandesa ainda levaria tempo para acontecer.

 

Guerra de Atrito e a Rendição Holandesa (1649–1654): também conhecida como guerra de exaustão, é uma estratégia  que visa enfraquecer o inimigo por meio de diversos ataques surpresas, curtos e repetidos. 

Mesmo derrotados, os holandeses resistiam no Recife enfrentando ataques constantes de guerrilhas luso-brasileiras. 

A resistência pernambucana criou um cerco prolongado, estrangulando Recife até a capitulação. A fome, as doenças, atraso dos salários, motins e deserções do exército holandês tornaram-se constantes. O processo foi lento, mas inevitável. Sem reforço de tropas, dinheiro ou apoio, o comandante holandês Sigismund von Schkoppe rendeu-se em 26 de janeiro de 1654, assinando a capitulação na Campina da Taborda. Por esta capitulação, os holandeses comprometeram-se a entregar não só o Recife e a Mauritzstad (Ilha de Antônio Vaz, hoje bairros de Santo Antônio e São José), mas também os fortes que ainda ocupavam na Ilha de Itamaracá, na Paraíba, no Rio Grande do Norte e no Ceará.

O segundo Tratado de Haia (1661)
Foi resultado de uma segunda rodada de negociações diplomáticas entre holandeses e portugueses. Os holandeses, ao serem expulsos do Nordeste, exigiram indenização. Portugal, em situação precária após a terrível aliança com a Espanha e com a constante ameaça de ter os portos bloqueados pelos batavos, aceitou pagar uma pesada indenização  (o equivalente a 2 milhões de cruzados) para ter reconhecida sua soberania plena sobre o Nordeste brasileiro. Ou seja:
- A maior parte do Nordeste foi tomada dos holandeses pelas forças luso-brasileiras e não por Portugal. Esse povo poderia ter criado um novo país, mas preferiu manter sua fidelidade à coroa portuguesa.
- Portugal pagou para ter paz com a Holanda e foi beneficiado pelo retorno do Nordeste brasileiro aos seus domínios. 

PERGUNTAS:
1) Explique as causas que levaram à formação da União Ibérica e suas consequências para Portugal.
2) Caracterize a economia holandesa no século XVII e explique por que ela era considerada uma das mais dinâmicas da Europa.
3) explique porque havia a guerra entre Holanda e Espanha e porque a Espanha impôs o embargo comercial?
4) Explique os papeis da WIC na invasão sobre o Brasil
5) explique as dificuldades da WIC durante a primeira fase da ocupação em Pernambuco
6) explique as estratégias de resistência de Matias de Albuquerque
7) explique porque a ajuda de Calabar facilitou a vitória da WIC
8) explique porque Nassau ficou e é famoso em Pernambuco até  os dias atuais
9) explique porque a WIC demitiu Nassau e porque após sua saída os luso-brasileiros decidiram pela Insurreição
10) Explique porque houve o Tratado de Haia e as causas que resultaram na vitória dos luso-brasileiros na Insurreição
             

 

 

 

 

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