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domingo, 1 de setembro de 2013

MUDANÇA SOCIAL

Conceito geral: é toda transformação que altera a estrutura ou o funcionamento da organização social de determinada sociedade, modificando o curso de sua história. 
De uma maneira geral, a ideia de mudança social está  associada ao progresso, embora isso nem sempre ocorra. As mudanças sociais podem ocorrer também para piorar a situação de uma sociedade. Exemplos: 
1-PIOROU:
- O poder paralelo do tráfico altera profundamente a dinâmica social, econômica e política de várias localidades pelo Brasil. O poder do tráfico restringiu a liberdade e a circulação do povo, controla territórios, dificulta o comércio e a geração de emprego e renda, faz justiça com as próprias mãos, etc. Sendo assim, o povo perde, além da liberdade de ir e vir, perde também a confiança nas instituições governamentais, pois nem a polícia nem as forças armadas garantem a paz nessas comunidades. O poder do tráfico criou um Estado dentro do Estado, ou seja, o país perdeu sua soberania. Não há nenhum clima de segurança e o que impera é a lei do medo e do silêncio. Os traficantes usam da coerção e ameaça para recrutar crianças e jovens, filhos dos moradores locais, os quais são obrigados a entrar no crime. 
-Na Venezuela: fome e miséria de milhões de pessoas após a implantação da ditadura de Hugo Chavez e Nicolas Maduro
-em Cuba: uma ditadura que já dura mais de 60 anos, onde há censura, presos políticos, 
-União Soviética: os milhões de mortos após a implantação da ditadura marxista (entre 1917 e 1991)
-China: os milhões de mortos após a implantação da ditadura socialista em 1949.

2-MELHOROU:
-as revoluções industriais ocorridas ao longo do tempo, as quais geraram os seguintes benefícios:
- Geração de emprego e renda para milhares de pessoas que não tinham nenhuma opção de sobrevivência. Muitos, inclusive, abandonaram seu pequeno lote de terra no campo e partiram em busca de melhores oportunidades de vida nas cidades onde se instalaram as fábricas.
-Emprego da mão de obra feminina: as mulheres foram inseridas no mercado de trabalho
-Aumento da Mobilidade Social: Com a disponibilidade de empregos em indústrias em crescimento, as pessoas tiveram mais oportunidades de melhorar suas condições de vida e status social.
-Desenvolvimento de Infraestrutura: As revoluções industriais impulsionaram o desenvolvimento de infraestrutura, incluindo estradas, ferrovias e portos, o que facilitou o transporte de mercadorias e pessoas.
- Criação de novas profissões e a transformação de muitas ocupações tradicionais:         Engenheiros e Técnicos: Com o rápido avanço da tecnologia, a demanda por engenheiros e técnicos qualificados aumentou substancialmente. Eles desempenharam um papel fundamental no projeto, construção e manutenção de máquinas e infraestrutura industrial.
- Operadores de Máquinas: Com a introdução de máquinas industriais, surgiram novas oportunidades de emprego para operadores de máquinas. Esses profissionais eram responsáveis por operar equipamentos complexos, como teares mecânicos e locomotivas a vapor.
- Diretores, Gerentes, supervisores e encarregados de setores: Com o crescimento das fábricas e a necessidade de melhorar a administração, vários cargos de chefia foram sendo criados. 
- Trabalhadores nas Indústrias Têxtil, Siderúrgica, automobilística, alimentícia, etc.: A indústria têxtil foi uma das primeiras a serem transformadas pela revolução industrial. Surgiram várias profissões relacionadas, como tecelões, tintureiros e costureiros de fábrica.
- Ferroviários: Com a expansão das ferrovias, houve uma demanda crescente por ferroviários, incluindo maquinistas, condutores, engenheiros de trilhos e pessoal de manutenção.
- Telegrafistas e Telefonistas: A invenção do telégrafo e do telefone criou novas profissões, como telegrafistas e telefonistas, que eram responsáveis por operar equipamentos de comunicação.
- Médicos e Enfermeiros: A urbanização e a industrialização levaram a um aumento na demanda por serviços de saúde. Como resultado, a medicina moderna avançou e as profissões médicas, como médicos e enfermeiros, tornaram-se mais especializadas.
- Professores diversos: tanto da educação tradicional quanto da educação profissional
- Economistas e Contadores: Com o crescimento das empresas e a necessidade de gerenciamento financeiro, surgiram as profissões de economistas e contadores, que desempenharam um papel importante na gestão das finanças empresariais.
- Arquitetos e Urbanistas: Com a urbanização acelerada e o desenvolvimento de cidades industriais, arquitetos e urbanistas desempenharam um papel fundamental no planejamento e na construção de edifícios e infraestrutura urbana.
- Fornecedores de diversos insumos necessários para que a indústria funcione (peças, máquinas, ferramentas, material de limpeza, higiene, água, energia, etc.)

AS MUDANÇAS NA SOCIEDADE
-A sociedade é uma realidade em constante mudança; algumas mudam mais rapidamente do que outras...mesmo assim, todas mudam; essas mudanças ocorrem devido a um conjunto de fatores morais, culturais, econômicos e institucionais que interagem entre si para produzir o processo de mudança.

As sociedades urbanas se transformam com maior velocidade do que as sociedades rurais ou tribais; mesmo assim, todas as sociedades mudam.

Tipos de Mudança Social
Mudança Lenta vs. Rápida:

Mudança lenta (ou evolucionária): Ocorre de forma gradual e progressiva. Um exemplo é a mudança de costumes e valores ao longo de gerações. 

Mudança rápida (ou revolucionária): Acontece de forma abrupta e intensa. A Revolução Francesa, a Soviética, a Chinesa ou a Revolução Industrial são exemplos de mudanças sociais rápidas que transformaram radicalmente as sociedades.

Mudança Planejada vs. Não Planejada:
Mudança planejada: É o resultado de ações intencionais de um grupo ou governo para atingir um objetivo específico. Por exemplo, a implementação de uma política pública de educação para combater o analfabetismo, ade reforma agrária, a de vacinação, as leis ambientais, etc.

Mudança não planejada: Surge de forma espontânea, sem a intenção de ninguém em particular. O surgimento de novas tecnologias, como a internet, gerou mudanças sociais não planejadas, como novas formas de comunicação e trabalho como os ubers, youtubers, influenciadores digitais, etc.


MUDANÇA SOCIAL E CULTURAL
Toda mudança social implica em mudança cultural e vice-versa, pois a cultura engloba todos os domínios da vida social e o nosso comportamento está ligado aos modos culturalmente estabelecidos de perceber a realidade.
As formas de organização da sociedade podem ser substancialmente alteradas por mudanças sociais. A partir dessas mudanças, a história das sociedades vai assumindo formas próprias, específicas de cada sociedade. Moderno versus arcaico, dinâmico versus conservador.  Uma das capacidades mais marcantes da sociedade moderna tem sido sua capacidade de produzir e absorver as mudanças sociais. Cada mudança social representa uma ruptura com a tradição.

CAUSAS DE MUDANÇA SOCIAL: 
- GEOGRÁFICOS: condições climáticas (ex: secas, enchentes), cataclismas (vulcões, furacões, etc),  disponibilidade ou fim de recursos naturais (petróleo, ouro, minérios, etc), têm sido causa de mudança social. A seca no Nordeste brasileiro é um exemplo, pois provoca a desarticulação de várias famílias de baixa renda, através da migração forçada, temporária ou permanente de famílias inteiras ou de seus membros isoladamente.

- LIDERANÇAS CARISMÁTICAS: São capazes de provocar mudanças pelas seguintes razões:
- Inovação e Inspiração: Essa liderança possui uma visão inovadora e inspiradora que cativa seguidores. Eles têm a capacidade de comunicar essa visão de maneira convincente, estimulando a paixão e o entusiasmo das pessoas para abraçar a mudança.
- Mobilização de Massas: Líderes carismáticos mobilizam grandes grupos de pessoas. Seu carisma atrai seguidores, o que pode ser essencial para impulsionar mudanças sociais significativas. Eles podem transformar um movimento ou uma causa em algo maior do que a soma de suas partes.
- Motivação e Dedicação: O carisma de um líder pode inspirar uma dedicação extraordinária por parte dos seguidores. As pessoas muitas vezes estão dispostas a fazer sacrifícios pessoais em prol da visão do líder carismático, o que é fundamental para impulsionar mudanças sociais.
- Quebra de Normas Estabelecidas: Líderes carismáticos muitas vezes desafiam normas e sistemas estabelecidos. Eles podem questionar o status quo, destacar injustiças e propor novas formas de organização social. Esse desafio pode ser o catalisador para mudanças significativas.
- Caráter Inspirador: A personalidade carismática de um líder pode ser inspiradora por si só. Sua presença, confiança e capacidade de comunicação podem incutir esperança e determinação nas pessoas, motivando-as a agir em prol de uma causa.
- Identificação com Valores Compartilhados: Líderes carismáticos frequentemente personificam os valores e aspirações compartilhados por seus seguidores. Isso cria uma identificação pessoal e emocional que impulsiona as pessoas a se envolverem em ações de mudança social.
- Resistência à Adversidade: Líderes carismáticos muitas vezes demonstram resiliência diante da adversidade. Eles podem enfrentar oposição, perseguição e riscos pessoais, o que pode inspirar outros a se juntarem à luta por mudanças.
- Legado Duradouro: A influência de líderes carismáticos muitas vezes transcende suas próprias vidas. Seu legado pode continuar a inspirar e orientar movimentos sociais mesmo após sua morte.
Exemplos de Líderes carismáticos: Jesus Cristo, Maomé, Moisés, Gandhi, etc.

-IDEOLÓGICOS: através da difusão cultural, a ideologia passa a ser divulgada, podendo provocar mudança social.
Exemplos:
- Movimento pelos Direitos Civis nos EUA: lutou pela igualdade racial, através de líderes como  Martin Luther King Jr.
- A Revolução Francesa: em parte, essa revolução defendeu bons ideais tais como fim dos privilégios, democracia, igualdade jurídica, liberdades individuais, etc.

- INVENÇÕES E DESCOBERTAS (inclui forças endógenas): descoberta é a anunciação ou revelação de princípio cientifico até então desconhecido, mas que já existia na ordem natural. Invenção é a criação de algo  até então inexistente, permitindo aplicação prática ao  princípio cientifico. As descobertas só se tornam causa de mudança social quando são transformadas em invenções. Ex: a máquina a vapor só existiu por causa dos conhecimentos da física, assim como a lâmpada só foi inventada após a descoberta da eletricidade.
As invenções podem ser materiais e sociais. Exemplos de invenções sociais: bancos, leis, religiões, sindicatos, voto secreto, democracia, o princípio da divisão dos poderes do Estado, etc. 
Algumas invenções são tão significativas que provocam mudanças profundas na sociedade, alterando a infraestrutura e a superestrutura da sociedade. Temos como exemplos a invenção do telefone, automóvel, televisão, internet, computador, celular, etc. Foram invenções que criaram profissões, geraram diversos tipos de ocupação e emprego, renda, criaram diversas empresas, negócios, mudaram a vida de muita gente, etc.
Obs: Nem toda invenção de normas legais implica em mudança social; A mudança depende da sua divulgação e de sua coercibilidade, seja pela sua aceitação, seja pela fiscalização do seu cumprimento. Na maioria dos casos, descobertas e invenções não são feitas por acaso, mas surgem como resposta a necessidades, por um lado, e por outro, quando existem condições socioculturais para o seu surgimento. Ex: a máquina a vapor e o tear mecânico só foram inventados porque havia a necessidade de se produzir mais em menos tempo com menos custo para vencer a concorrência, dando início à revolução industrial.

-DIFUSÃO (inclui forças exógenas ou externas, globalização): é considerada o mais importante fator de mudança social, pois é através do contato entre sociedades que as  descobertas e invenções são difundidas e incorporadas.  Exemplos:
a) a invenção do papel e da tipografia foram responsáveis  pela ampla difusão de ideias, muitas das quais eram tidas como perigosas para os governantes. No Brasil colônia era proibido ter imprensa, para evitar a propagação das ideias consideradas subversivas à Coroa.
b) a expansão marítima, fruto do avanço na tecnologia das naus, levou o europeu a invadir e colonizar as Américas, promovendo ampla mudança social na vida dos povos ameríndios.
c) As cidades e os portos abertos (no Brasil colônia, os portos  eram fechados) foram grandes promotores de novas ideias de mudança social.
d) na atualidade, os meios de comunicação de massa são os mais eficientes instrumentos de mudança social.

RITMO DE MUDANÇA E DEFASAGEM CULTURAL
Há segmentos sociais que mudam mais rapidamente do que outros. As instituições econômicas, por exemplo, mudam mais rapidamente do que os usos e os costumes da maioria do povo. Essa diferença no ritmo de mudanças recebe o nome de defasagem cultural. As áreas institucionais às quais pertencem os valores básicos e as normas consideradas sagradas da sociedade (ex: família e religião) são mais resistentes às mudanças.
Religião e mudança social: No mundo muçulmano, mais conservador, a mudança social é muito mais lenta do que no cristianismo ocidental. Isto também se deve à questão da inexistência de democracia no mundo islâmico, onde prevalecem ditaduras, sultanatos, teocracias  ou monarquias absolutistas.
Família e mudança social:
Ao longo das últimas décadas, vários países do ocidente, incluindo o Brasil (principalmente nas grandes cidades) passaram por mudanças nos padrões familiares, algo inimaginável para gerações anteriores. A grande diversidade de famílias e formas de agregados familiares tornou-se um traço distintivo da época atual. As pessoas têm menos probabilidades de se virem a casar como ocorria no passado, e quando casam, fazem-no numa idade mais tardia. O índice de divórcios subiu significativamente, contribuindo para o crescimento das famílias monoparentais (comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes)". São famílias recompostas a partir de  segundos casamentos, ou através de novas relações que envolvem filhos de relações anteriores. As pessoas optam cada vez mais por viver juntos antes do casamento, ou como alternativa ao casamento. O mundo familiar é hoje muito diferente do que era há cinquenta anos atrás. Apesar das instituições do casamento e da família ainda existirem e serem importantes nas nossas vidas, o seu caráter mudou radicalmente.
O maior número de divórcios alterou o comportamento e o modo de vida de muitos filhos de casamentos desfeitos. Os filhos podem então, perder o referencial sobre o que é casamento e família. 


MUDANÇA SOCIAL SEGUNDO AUGUSTE COMTE
: Para o filósofo Auguste Comte, a mudança social era contínua, ou seja, todas as sociedades passariam por ela, umas mais cedo, outras mais tarde. Para Comte, a mudança (sempre associada à ideia de progresso) só ocorreria através do avanço da ciência, mas para isso, era necessário que a situação vigente (ordem) não fosse alterada. Comte afirmava que a desarmonia social era resultado da incapacidade de os homens se adequarem a uma nova ordem representada pela sociedade industrial em expansão. Ele acreditava que através de valores como a ciência, a moral, a ordem e o progresso, a sociedade seria reformada. Seu ponto de partida era a reforma intelectual e moral do homem. 

MUDANÇA SOCIAL SEGUNDO DURKHEIM
Em sua análise sobre as mudanças sociais, Durkheim observou que na história das sociedades houve uma evolução da solidariedade mecânica para a orgânica por causa da crescente divisão do trabalho. Isso se deveu a fatores demográficos: o aumento da população ocasionou intensidade de interações, complexidade de relações sociais e aumento da qualidade desses vínculos.
Solidariedade Mecânica: é característica das sociedades ditas "primitivas" ou "arcaicas", ou seja, em agrupamentos humanos de tipo tribal formado por clãs. Nestas sociedades, os indivíduos que a integram compartilham das mesmas noções e valores sociais tanto no que se refere às crenças religiosas como em relação aos interesses materiais necessários a subsistência do grupo (coletivismo). É essa igualdade de ideias, funções, interesses e valores que asseguram a coesão social.
Solidariedade orgânica: predomina nas sociedades "modernas" ou "complexas", onde há maior diferenciação individual e social. Além de não compartilharem dos mesmos valores e crenças sociais, os interesses individuais são bastante distintos e a consciência de cada indivíduo é mais acentuada (individualismo). A divisão econômica do trabalho social é mais desenvolvida e complexa e se expressa nas diferentes profissões e variedade das atividades industriais. Durkheim concebe as sociedades complexas como grandes organismos vivos, onde os órgãos são diferentes entre si (que neste caso corresponde à divisão do trabalho), mas todos dependem um do outro para o bom funcionamento do ser vivo. A crescente divisão social do trabalho faz aumentar também o grau de interdependência entre os indivíduos.
Para garantir a coesão social, que não está baseada em igualdade de crenças, valores, usos e costumes, é obrigatório o uso da coerção e punição, através de códigos, regras, direitos, deveres, aparelhos repressores e punitivos, através do Direito e do Estado.
A MUDANÇA SOCIAL SEGUNDO MAX WEBER
Para Weber, o Protestantismo foi uma das principais causas para o avanço do capitalismo e para o surgimento da Revolução Industrial. Weber afirmava que os valores protestantes, como a frugalidade, o pensamento independente e a autossuficiência, foram necessários à criação e crescimento do pensamento capitalista e às ações conducentes à Revolução Industrial. Essas observação estão em sua grande obra "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo".

A MUDANÇA SOCIAL SEGUNDO KARL MARX
Para Marx e Engels, as sociedades mudavam a partir das transformações ocorridas na infraestrutura econômica e na superestrutura. Para Marx, "todas as sociedades estão baseadas nas forças econômicas (a infraestrutura) e as mudanças nesta tendem a comandar as alterações na superestrutura (instituições políticas, culturais, legais, etc.). Para Marx, o materialismo dialético e histórico era o motor da história humana, onde as transformações ocorriam através de processos de transformação social profundos (as revoluções).
 


EXERCÍCIOS:

1) Sobre mudança social, assinale V para verdadeiro ou F para falso:

  V      F
(   )   (   )  A mudança social na vida do ser humano geralmente está associada à melhoria de vida
(   )   (   )  A mudança social também pode ocorrer para piorar a vida. Um exemplo disso é a seca nordestina, que traz sofrimento e força muitas famílias a migrar para outras regiões
(   )   (   )  a ideia de mudança social também está associada ao progresso e desenvolvimento, embora isso nem sempre ocorra.


2) Em relação às mudanças sociais, podemos afirmar que elas podem ocorrer
a) apenas por motivos climáticos (a seca, por exemplo)
b) por motivos políticos (uma decisão do governador ou do congresso ou do presidente, por exemplo)
c) por motivos econômicos: a descoberta de ouro em uma determinada região pode provocar mudanças sociais, ou seja, muitas pessoas podem migrar em busca do desejo de enriquecer  


3) Em relação às mudanças sociais, podemos afirmar que elas ocorrem (assinale V ou F)
  V      F

(   )   (   )  de maneira diferente entre os países, pois dependem dos usos, costumes, religião, tradições, etc.
(   )   (   )   de maneira igual em todos os países, pois todos tem a mesma cultura, tradição, etc.

4) Nos dias atuais estamos presenciando algumas mudanças sociais. Indique-as abaixo, assinalando com V as verdadeiras e F as falsas
(   )   (   )  um exemplo de mudança social (para alguns casos) foi a de poder trabalhar em casa através da internet
(   )   (   )  outro exemplo de mudança social foi a das aulas e provas remotas durante a pandemia
(   )   (   )  outro exemplo é o de pilotos de drones militares, os quais pilotam como se estivessem em um vídeo game.
(   )   (   )  outro exemplo foi o surgimentos de novas profissões, tais como a do youtuber

5) Entre os tipos de mudança social existe aquela causada pelos líderes carismáticos. Carisma é um conjunto de habilidades para comunicar de forma clara uma mensagem inspiradora, que cativa e motiva o público, levando-os à mudança social. Jesus Cristo foi o maior exemplo de liderança carismática, mas há outros, tanto no sentido positivo, como Martin Luther King, Gandhi, Padre Cícero, etc, quanto no sentido negativo, como Stálin, Hitler, Mao Tsé Tung, etc. Sendo assim, em relação aos líderes carismáticos, assinale V na primeira coluna, caso a afirmação seja verdadeira, e F na segunda coluna, caso a afirmação seja falsa.

 V      F
(   )   (   ) têm um discurso que atrai as pessoas
(   )   (   ) alguns foram hipócritas e assassinos

(   )   (   ) alguns mentiram e enganaram o povo
(   )   (   ) foram grandes comunicadores
(   )   (   ) todos tiveram enorme poder de persuasão;

3ºs ANOS FILOSOFIA III UNIDADE: TEORIAS SOCIALISTAS

MARXISMO (OU SOCIALISMO CIENTÍFICO)- Duas definições:
a) Wikipédia: é o conjunto de ideias filosóficas, econômicas, políticas e sociais elaboradas primariamente por Karl Marx e Friedrich Engels e desenvolvidas mais tarde por outros seguidores.
b) Infoescola: é uma teoria social e política, sendo que, pela sua amplitude, pode ser considerado uma concepção de mundo. O marxismo  foi formulado a partir de Karl Marx (1818 – 1883) e Friedrich Engels (1820 – 1895), os quais sistematizam os diferentes aspectos, históricos, econômicos e sociais da então nova concepção de mundo, também conhecido como materialismo histórico.

PRINCIPAIS OBJETIVOS DO MARXISMO:
- Combater e aniquilar o capitalismo e o estado burguês

- Implantar uma nova sociedade, uma nova ordem social, política e econômica, através de duas fases:
  a) o socialismo: segundo o ideal marxista, o socialismo é a "fase transitória", onde o Estado assume o controle total sobre tudo e todos, ou seja, implanta uma DITADURA. No socialismo, a propriedade privada (empresas, bancos, indústrias, comércio, terras, fazendas, etc.), passam a pertencer ao Estado, o qual se encarrega de administrar tudo. O dinheiro ainda existe, assim como o mercado, bancos, sistema de créditos, cooperativas, etc., ou seja, o socialismo é um Capitalismo de Estado, é um capitalismo engessado pelo controle burocrático e dirigismo estatal, onde impera a economia planificada.

O lado "positivo" do socialismo:Todos tem direito à moradia e emprego, o qual nem sempre será onde a pessoa quiser, mas onde o Governo decidir (nas ditaduras socialistas, havia o coletivismo na agricultura, onde milhares eram obrigados a ir trabalhar na agricultura ou aonde o Estado necessitasse de mão de obra. Na questão da moradia, as casas passaram a ser divididas entre várias pessoas desconhecidas, pois o Estado, que tomou sua casa, é que decidia quantas pessoas iriam morar em cada casa. Geralmente, em uma casa de três quartos, havia um quarto para cada família ou grupos de pessoas.

O lado negativo do socialismo: A questão da moradia já foi dita. Na questão econômica, a produção socialista só foi eficiente nos segmentos de bens de produção (cimento, eletricidade, petróleo, ferrovias, etc.), os quais foram necessários para as grandes obras planificadas. Na produção de bens de consumo, havia pouco incentivo. Em geral, a produtividade do trabalhador no mundo socialista era baixa porque não havia mais o risco de demissão, pois todos eram funcionários públicos e todas as empresas eram públicas, ou seja, não havia mais demissão, concorrência ou falência. O resultado foi o desabastecimento dos supermercados e do comércio em geral, filas imensas esperando a chegada das mercadorias, chegando ao ponto de o Estado implantar o controle de mercadorias através do racionamento (em Cuba usa-se uma caderneta chamada de libreta, para controlar a quantidade de alimentos por família).
Outro lado negativo é o fim de praticamente todos os direitos civis e políticos: não há mais liberdade de expressão, de imprensa (só existe a imprensa oficial), de greves, passeatas, protestos, etc., nem liberdade de crença (religiões são proibidas e os governos são oficialmente ateus), nem de ter seu próprio negócio.
A democracia é extinta, não há liberdade partidária (são governos monopartidaristas).
A sociedade passa a ser vigiada através das polícias secretas. Na União Soviética, os que criticavam o  governo eram presos e mandados para campos de concentração (ou executados).
A propaganda do governo e o culto à personalidade do líder são fundamentais para alienar e manipular a consciência do povo. Nas escolas, a educação é voltada para a ampla divulgação do marxismo e do combate ao capitalismo.
No marxismo, o ser humano é tratado como se fosse gado, no sentido de suprir-lhe as necessidades tal qua os (pasto, abrigo, cuidados médicos), sendo proibido discordar, criticar, questionar, protestar, etc. 


b) O comunismo seria o objetivo final do marxismo, onde o Estado, juntamente com o dinheiro e todo e qualquer aparato administrativo desapareceriam (incluindo forças armadas, polícia, etc). A sociedade por si só, consciente de seu dever de trabalhar pelo próximo, seria capaz de conviver em plena harmonia, todos pensando primeiro no bem estar do próximo, suprindo as necessidades. Ou seja, O COMUNISMO É UMA UTOPIA.

Os ideais marxistas, voltados para o fim das desigualdades sociais, são dignos de elogios, em termos de direitos sociais. O problema é que entre a intenção e a realização existiu uma diferença enorme, conforme a própria história mostra os terríveis resultados das tentativas de alguns países em implantar esses ideais, através da criação de uma nova ordem social, política e econômica.

O SOCIALISMO NA TEORIA – Definição do Wikipédia, similar a outras: Socialismo refere-se a qualquer uma das várias teorias de organização econômica, advogando a administração, e a propriedade pública ou coletiva dos meios de produção, e distribuição de bens e de uma sociedade caracterizada pela igualdade de oportunidades/meios para todos os indivíduos, com um método igualitário de compensação.
O SOCIALISMO NA PRÁTICA - O QUE OCORREU NA REALIDADE: A Fase de Transição tornou-se Permanente. O Estado tornou-se onipresente, controlando, vigiando tudo e todos, manipulando, administrando, planejando, censurando, alienando, torturando, matando, etc. Esse modelo de socialismo também é chamado de socialismo autoritário ou socialismo real.

PRECURSORES DO SOCIALISMO: Antes de Marx e Engels já houve ideais e movimentos que defendiam o fim das desigualdades e injustiças sociais. Alguns deles foram:

1 - a obra A República, escrita por Platão (400 a.C.):  ”...Todos os homens e mulheres deveriam ter ocupações no mercado de trabalho. A propriedade privada deveria ser abolida, isto é, ninguém deveria ter casa própria nem propriedade... Platão queria que também as esposas fossem abolidas como “propriedade” privada do marido e que os filhos fossem abolidos como “propriedade” privada das famílias. As esposas estariam assim submetidas, como mulheres livres do casamento, a todas as vontades do Estado. E todas as crianças pertenceriam ao Estado...”

2 – Reforma Anabatista: os anabatistas, que eram camponeses protestantes alemães, denunciaram e partiram para a luta contra a injustiça social e a vida de luxo dos nobres.

3 – Thomas Morus: através de sua famosa obra “Utopia”, defendia a ideia de uma sociedade igualitária em um país imaginário.
4 - Conspiração dos Iguais: foi um movimento igualitário ocorrido durante a Revolução Francesa, liderado por Graco Babeuf, em 1796, o qual propunha a "comunidade dos bens e do trabalho" e a igualdade efetiva entre os homens. A revolta foi "esmagada" pelo Diretório que decretou pena de morte a todos os participantes da conspiração.

5- SOCIALISMO UTÓPICO: foi a primeira corrente do pensamento filosófico socialista, surgida no primeiro quartel do século XIX e que desenvolvia conceitos e ideias definidas como utópicas para os pensadores socialistas que surgiriam posteriormente. Este modelo denunciava a sociedade injusta e a exploração capitalista, desejava um ideal de igualdade, mas não chegou a propor medidas eficazes para a mudança nem indicar quais seriam os caminhos pelos quais a sociedade seria transformada e as injustiças seriam extintas.

Principais socialistas utópicos:
Saint-Simon (1760 - 1825): afirmava que  o capitalismo é efêmero; imaginava uma sociedade igualitária, em que cada um trabalhava segundo a sua capacidade e consumia segundo o seu trabalho. A nova sociedade livre da exploração teria forças inesgotáveis, desenvolvendo sem limites as ciências e as técnicas numa associação econômica mundial., onde também transformaria o Estado em aparelho de gestão de todos os trabalhos da sociedade ao invés de ser aparelho de repressão e poder sobre os homens.

Charles Fourier(1772-1837): Crítico do capitalismo, da industrialização, da civilização urbana, do liberalismo e da família baseada no matrimônio e na monogamia. Sua principal ideia era a criação de unidades de produção e consumo, chamados de FALANSTÉRIOS, baseados em uma forma de cooperativismo integral e autossuficiente.

Robert Owen: criticava o regime burguês e  a propriedade privada por considerá-la causa dos crimes, dos males e das guerras. Defendia o fim da propriedade privada e transferir os meios de produção para os trabalhadores. Foi sócio e gerente de uma fábrica, onde reduziu a jornada de trabalho para 10,5 horas diárias (na época, a jornada era de 14 a 16 horas diárias), além de melhorar as condições de trabalho e aumentar os salários; fundou uma escola-modelo e uma caixa de assistência médica. Organizou à própria custa uma colônia socialista nos EUA, que resultou em fracasso.


ALTERNATIVAS AO SOCIALISMO:
1 - ANARQUISMO: Surgiu a partir da crítica ao socialismo. Os anarquistas não aceitavam a ideia de uma feroz ditadura, tão opressora que chegava a ser pior do que o modelo capitalista. Passaram a defender uma organização social baseada no consenso e na cooperação de pessoas livres e autônomas, onde não existe nenhuma forma de poder. A Anarquia seria assim uma sociedade sem autoridade, onde as pessoas se organizariam de tal forma que garantiriam a todos a mesma capacidade de decisão.  As origens do anarquismo remontam aos conceitos dos direitos naturais defendida por John Locke. A sociedade para este filósofo inglês era o resultado de um contrato voluntário acordado entre indivíduos iguais em direito e em deveres. No entanto foi só  a partir do final do século XVIII que o anarquismo se veio a estruturar como uma corrente política autónoma, com seguidores em toda a parte do mundo. Entre os seus teóricos contam-se pensadores tão diversos como Thoreau, William Godwin, Proudhon, Bakunin, Kropotkin, Malatesta, Silva Mendes, etc.
O anarquismo jamais foi implantado e é considerado por muitos como utópico.
Um dos mais famosos pensamentos anarquistas é o de Proudhon: “Ser governado significa ser observado, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, cercado, doutrinado, admoestado, controlado, avaliado, censurado, comandado; e por criaturas que para isso não tem o direito, nem a sabedoria, nem a virtude…Ser governado significa que todo movimento, operação ou transação que realizamos é anotada, registrada, catalogado em censos, taxada, selada, avaliada monetariamente, patenteada, licenciada, autorizada, recomendada ou desaconselhada, frustrada, reformada, endireitada, corrigida. Submeter-se ao governo significa consentir em ser tributado, treinado, redimido, explorado, monopolizado, extorquido, pressionado, mistificado, roubado; tudo isso em nome da utilidade pública e do bem comum. Então, ao primeiro sinal de resistência, à primeira palavra de protesto, somos reprimidos, multados, desprezados, humilhados, perseguidos, empurrados, espancados, garroteados, aprisionados, fuzilados, metralhados, julgados, sentenciados, deportados, sacrificados, vendidos, traídos e, para completar, ridicularizados, escarnecidos, ultrajados e desonrados. Isso é o governo, essa é a sua justiça e sua moralidade! … Oh personalidade humana! Como pudeste te curvar à tamanha sujeição durante sessenta séculos? Pierre-Joseph Proudhon.

2 - SOCIAL DEMOCRACIA: é uma alternativa de base marxista surgida no fim do século XIX que defende a transição pacífica e progressista para uma sociedade socialista diferente do modelo marxista, através de uma gradual reforma legislativa do sistema capitalista a fim de torná-lo mais igualitário. O conceito de social democracia tem mudado com o passar das décadas desde sua introdução. A social democracia propõe uma sociedade em que os ideais da igualdade e da justiça social convivam com a preservação das liberdades democráticas e individuais, no contexto de uma economia de mercado. Os social democratas rejeitam a economia estatizada do socialismo, assim como rejeitam a soberania do mercado. Afirmam ser imperativo o controle social do mercado e a submissão da propriedade privada à sua função social. Não aceitam a tese neoliberal de "quanto menos governo melhor", pois as leis do mercado, deixadas sem controle, podem ocasionar danos ao conjunto da sociedade. Especialmente em países onde as desigualdades são enormes, cabe ao Estado garantir os direitos sociais básicos. Nem mínimo nem máximo: defendem o Estado necessário, eficiente e operativo. O grande avanço da social democracia na Europa ocorreu após a 2ª Guerra Mundial, quando os Partidos Socialistas aplicaram princípios socialistas em seus programas reformistas, em especial na Grã-Bretanha, Alemanha e nos países na Escandinavos, através do modelo chamado de Estado do bem-estar social, sem no entanto, transforma-los em países socialistas.

ASPECTOS GERAIS DO MARXISMO
A - INFRAESTRUTURA E SUPERESTRUTURA: o marxismo gira em torno de dois conceitos: a infraestrutura, composta pelos meios materiais de produção (meios de produção e força-de-trabalho), e a superestrutura, que compreende as esferas política, jurídica e religiosa, ou seja, as instituições responsáveis pela produção ideológica (formação das ideias e conceitos) da sociedade. Segundo o marxismo, a superestrutura é determinada pela infraestrutura, ou seja, a maneira na qual a economia de uma sociedade é organizada irá influenciar nas ideologias presentes na sociedade. 

B - MATERIALISMO DIALÉTICO: doutrina marxista que afirma dois princípios (o material e o dialético):
a) materialismo: afirma que só existe o mundo material, e que a história humana sempre foi a história da transformação do mundo através dos modos de produção (primitivo, asiático, escravista, feudal, capitalista e socialista). Marx analisou a história dos seres humanos em sociedade a partir das condições materiais nas quais eles vivem, afirmando que o modo pelo qual os seres humanos trabalham e produzem os meios necessários para a sustentação material das sociedades é que definem as relações sociais. “o modo de produção da vida material condiciona o processo geral de vida social, política e espiritual”.
b) dialético: o marxismo usa o princípio da dialética hegeliana (tese, antítese e síntese), ou seja, a tese de que não existe nada eterno, fixo, pois tudo está em perpétua transformação, tudo está sujeito ao contexto histórico do dinâmico e da transformação; da mesma maneira, as questões sociais também estão incluídas, pois a própria história mostra as mudanças através dos modos de produção e da luta dos explorados, escravizados e injustiçados contra seus algozes.
C-MATERIALISMO HISTÓRICO: é a aplicação dos princípios do materialismo dialético ao estudo da vida social, aos fenômenos da vida da sociedade, ao estudo desta e de sua história.

D- MAIS-VALIA: De maneira resumida, significa a exploração do trabalhador pelo patrão. Através de um contrato, o operário vende sua força de trabalho ao capitalista, em troca do salário. O empregador paga uma parte do valor dos bens produzidos pelo operário, apropriando-se da outra parte. A mais valia é esse trabalho não pago, que vira lucro para os empregadores. 

E-RELAÇÕES DE PRODUÇÃO: revelam a maneira pela qual, a partir das condições naturais, os seres humanos usam as técnicas e se organizam por meio da divisão do trabalho social. Essas relações correspondem a certo estágio das forças produtivas.

F – FORÇAS PRODUTIVAS: consistem no conjunto formado por clima, agua, solo, matérias primas, máquinas, mão de obra e instrumentos de trabalho.

G – MODO DE PRODUÇÃO: a maneira pela qual as forças produtivas se organizam em determinadas relações de produção num dado momento histórico.

Ou seja:

RELAÇÕES DE PRODUÇÃO + FORÇAS PRODUTIVAS = MODO DE PRODUÇÃO.

Exemplo: as maquinas do sistema fabril (forças produtivas) determinam as relações de produção (dono do capital e operário assalariado).

obs: ao longo da história, as forças produtivas se desenvolveram até ao ponto onde entraram em conflito com as relações de produção, provocando o surgimento das divergências e da luta de classes. O maior exemplo disto é a luta de classes entre operários e donos do capital.

H - MARXISMO GRAMSCIANO OU GRAMSCISMO – ANTONIO GRAMSCI:

Antonio Gramsci (Itália, 1891-1937) foi um dos mais importantes teóricos marxistas (sua principal obra foi Cadernos do Cárcere, chamado também de catecismo das esquerdas). Criticando o modelo marxista tradicional baseado na violência, Gramsci defendia uma maneira lenta e  pacífica de expandi-lo, através do conceito de hegemonia e ocupação de espaços.

- Hegemonia (comando, domínio, controle) cultural. Uma classe social é hegemônica quando é capaz de impor sua visão de mundo, através de um modelo convincente de ideias pelas quais conquista a adesão da sociedade.

Para Gramsci, o marxismo venceria o capitalismo através da hegemonia intelectual, a qual seria alcançada lentamente, através da contínua disseminação do marxismo através das escolas, universidades, sindicatos, igrejas, imprensa, partidos políticos, governo, etc. Essa disseminação seria implantada através de seus seguidores, os quais são profissionais formados em universidades (a maioria pública) cuja base ideológica é o marxismo de Gramsci. Estes profissionais, espalhados nos meios jornalísticos, na mídia, na religião, nos sindicatos, nos partidos, na política e principalmente nos meios educacionais (reescrevendo a História, a geografia, a sociologia, a filosofia, etc., de acordo com sua visão de mundo marxista), são os meios pelos quais o marxismo vai conquistando a sociedade.

- Ocupação de espaços: consiste em ter marxistas ocupando espaços em todos os segmentos econômicos possíveis, para facilitar a hegemonia. Um dos principais campos de ocupação é o Estado, através do termo aparelhamento do Estado, o qual consiste na infiltração de um partido ou classe social em todos os órgãos do Estado, com o intuito de controle total a serviço de sua ideologia ou conveniências (inclusive corrupção). Um exemplo disso foram os dois governos de Lula, onde foram criados mais de 20.000 cargos de confiança para os companheiros do partido. Essa ocupação de espaços não objetiva apenas à implantação do marxismo, mas serve também para direcionar verbas públicas para o partido, comprar de votos e partidos aliados, corrupção, etc. ·.

A CRÍTICA AO MARXISMO:  DOGMA, A ÚNICA VERDADE, O PARAÍSO DA HUMANIDADE OU O ÓPIO DOS INTELECTUAIS?

O intelectual francês Raymond Aron em sua obra "O ópio dos intelectuais" afirma que nenhuma outra doutrina criou no homem, como o marxismo, uma "ilusão da onipotência". Aron considerava o comunismo "uma versão aviltada da mensagem cristã", onde os marxistas revolucionários se comportavam (e se comportam) como se participassem de uma igreja. Os congressos desses partidos são apropriadamente chamados por ele de "congressos-concílios", e o marxismo ,uma forma laicizada de religião e tal como o Papa, arroga-se o princípio da infalibilidade.

Segundo Aron, no século XVIII havia uma tríade mitológica que encantava as classes letradas e que substituiria, em seu imaginário, a Santíssima Trindade. Esta versão trinitária secular era composta pelas seguintes “entidades”: o progresso, a razão e o povo. A partir do século XIX, essa trinca profana transformou-se em algo mais vil: a esquerda, a revolução e o proletariado.

Para Aron, os marxistas substituíram fatos dramáticos e estruturantes da vida humana (desigualdade, exploração, miséria) por dogmas cientificistas devido a uma mistificação da ideia de ciência, onde se confunde a prática desta com o apego a ideais de transformação e de implantação de uma nova ordem social, política e econômica, dando a sensação de superioridade moral e intelectual a seus postulantes. Comparando o marxismo com o cristianismo, Marx, Engels e Gramsci seriam a santíssima trindade, o marxismo é a bíblia, Lênin, Stálin, Trotsky, Mao, Castro e outros seriam os grandes santos e líderes carismáticos, os "libertadores" do povo oprimido pelo diabo e seus demônios (Estados Unidos e os países capitalistas), livrando a humanidade do inferno (que é o capitalismo, a exploração do trabalhador, etc.).

Em resumo, o marxismo é uma doença do espírito, cujos principais sintomas são a crença de que só a esquerda pode anunciar o futuro, só a revolução pode eliminar o mal, somente o proletariado é capaz de salvar a humanidade. Enfim, eles condenam a realidade e proclamam-se os criadores da nova humanidade, os arautos de um novo evangelho, a boa nova do marxismo, o qual seria a implantação do paraíso terrestre, cujos maiores exemplos foram as ditaduras soviética, cubana, chinesa, cambojana, norte-coreana, etc.

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terça-feira, 20 de agosto de 2013

TRABALHO DE PRODUÇÃO DE VÍDEOS DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA (1º, 2º E 3º ANOS)

CRITÉRIOS DE PONTUAÇÃO PARA A PRODUÇÃO DE VÍDEOS DIDÁTICOS (N1)
FILOSOFIA E SOCIOLOGIA


1. A equipe deverá produzir vídeos separados por tema, ou seja, um vídeo para filosofia e um vídeo para sociologia;

2 – Criatividade:
- evitar o copiar/colar textos de outros vídeos, de sites ou de livros, ou seja, é melhor retrabalhar os textos copiados do que apenas copiar e colar.
- se usar textos, que os mesmos sejam curtos; evite textos enormes com letras minúsculas; os textos devem ser de fácil visualização, com tempo adequado para a leitura (ou seja, nem muito curto nem muito longo)
- o vídeo deve seguir uma linha de raciocínio que facilite a apreensão do assunto.
-se a equipe usar partes de outros vídeos/filmes, o mesmo não deverá ocupar mais de um terço do tempo total de vídeo produzido pela equipe.

3– Qualidade técnica:
- a qualidade do vídeo deve ser boa em termos de imagem e som;  Se houver diálogos ou apresentações, o áudio deve ser compreensível, caso contrário, a equipe deverá inserir legenda referente ao que está sendo apresentado.

4 – Conteúdo e tempo mínimo/máximo de vídeo:
- o assunto deverá ser apresentado de maneira que nem seja resumido (onde há o risco de suprimir detalhes importantes) nem longo demais (onde há o risco de ser repetitivo);
- O tempo mínimo de duração do vídeo é de 5 minutos e o máximo é de 10 minutos.

5 – Detalhes adicionais:
A equipe deverá ter o cuidado de evitar erros de ortografia e concordância nos vídeos;
- o vídeo deverá conter:
- Turma e nome dos componentes da equipe
- Data da produção.

6 - Prazo de entrega:
Vídeos entregues após o prazo final, terão 5 (cinco) pontos descontados do total da nota. 



quinta-feira, 30 de maio de 2013

ÉTICA E MORAL

MORAL E ÉTICA 

O que é moral?
É o conjunto de normas, costumes, usos, regras, valores, tradições, etc., praticados em cada sociedade (tudo o que é considerado certo ou errado, bem ou mal, bom ou ruim, permitido ou proibido, justo, injusto, etc.). O ser humano é um ser moral ao mesmo tempo em que é um ser cultural e social. A moral é variável, pois está sujeita à cultura de cada povo e ao tempo, ou seja, às mudanças culturais provocadas pelas sociedades ao longo do tempo. A moral é um processo de internalização das regras e normas da sociedade.

Surgimento da moral:
Ela surge a partir do nosso aparelho psíquico: ID, EGO E SUPEREGO.
Id:  é a parte mais primitiva e instintiva da nossa mente. Ele opera pelo princípio do prazer, buscando a satisfação imediata de todos os desejos e necessidades, sem se preocupar com a realidade, a lógica ou as consequências. O Id não tem moral. Ele é a fonte de toda a energia psíquica e dos impulsos biológicos, como a fome, o sexo e a agressão. Quando nascemos, só temos o Id. O bebê é a manifestação mais clara do Id em sua forma mais pura, sem as camadasvde racionalidade e moralidade que se desenvolverão mais tarde.

Superego e Ego: Com o passar do tempo, a criança aprende que não pode fazer tudo o que quer, pois há regras, proibições, impedimentos...ela percebe que nem todos os seus desejos podem ser satisfeitos, que é preciso também esperar, negociar e lidar com a realidade externa. É nessa fase que se formam o Ego e o Superego: O Ego opera sob o princípio da realidade, buscando maneiras de satisfazer ou impedir os desejos do Id. O Superego opera as regras de proibição, impedimento, espera, negociação, etc. O Superego é uma espécie de voz da consciência, um alarme que gera sentimentos de culpa ou vergonha quando as regras são quebradas. Quem vai decidir como agiremos é o Ego, que assume a função de juiz. Sendo assim, a moral é o produto do conflito entre Id, ego e superego. 
A obediência ao Superego é a base da moralidade e do comportamento civilizado. O Id, com seus impulsos primitivos e sua busca incessante pelo prazer, é essencial para a nossa sobrevivência (ex: fome, ira ou vingança), mas se não for controlado, leva ao caos. Se vivêssemos guiados apenas pelo Id, a agressão e a satisfação sexual seriam descontroladas, e não haveria respeito pelas regras ou pelos outros. O Superego, ao internalizar as normas sociais e os valores familiares, atua como um freio. É ele que nos faz pensar nas consequências de nossas ações, que gera a culpa quando quebramos uma regra e que nos guia em direção ao que é socialmente aceitável. Sem o Superego, não haveria solidariedade, respeito, leis ou ordem. Mas, o Superego só age quando obedecemos ao nosso Ego, que é o juiz que decide a quem obedecer. 

SER HUMANO, SER MORAL: Somos seres morais, pois criamos e vivemos sob normas, regras, usos, costumes, etc. Se não for assim, a humanidade se autodestrói no caos total. Não existe povo sem moral. Os índios, por exemplo, tem sua própria moral, a qual, por ser diferente da nossa civilização, é tratada como caso especial, ou seja, é tida como amoral para a legislação brasileira (um exemplo disso é o infanticídio praticado em algumas tribos, o qual não é tido como crime por tratar-se de cultura própria dos grupos indígenas). O termo amoral refere-se aos portadores de problemas mentais que os impedem de ter senso moral (ex: os loucos), assim como os animais. 

MORAL: Quando determinada pessoa vai de encontro a essa moral, ela pratica uma ação IMORAL, ou uma IMORALIDADE, que pode ou não ser considerada um crime, dependendo do caso, já que nem todo costume ou tradição pertence ao campo jurídico. Ex: é costume usar a roupa adequada ao ambiente aonde se vai. As pessoas não vão com trajes de banho para uma formatura ou a um júri (onde será proibida a entrada, embora não seja crime).
 
A moral é relativa e mutante: muda conforme os costumes de cada povo, muda conforme a religiosidade, muda conforme a influência da economia, da ideologia, etc. Até o século XIX, por exemplo, a escravidão negra no mundo estava incluída na moral vigente. Hoje, é crime. No Ceilão e no Tibet, há comunidades que praticam a poliandria, comportamento que é proibido por lei aqui no Brasil. O adultério deixou de ser crime no Brasil em 2005, mas continua gerando polêmicas. Vítimas de adultério têm acionado a justiça com o objetivo de receber indenização por danos morais dos adúlteros.
 
A moral no mundo islâmico sofre forte influência religiosa e é bastante diferente da moral cristã em geral. No cristianismo brasileiro, a moral de alguns grupos religiosos mais conservadores, é diferente de outros mais liberais. A moral muda também conforme as mudanças econômicas (ex: no passado, o comércio fechava na hora do almoço, ou não abria aos domingos, seguindo o costume; hoje, isso não acontece mais devido à forte concorrência, assim como antigamente em nenhuma empresa, seja comércio ou indústria, havia expediente no domingo).
A moral também sofre influência da ideologia (ex: a ideologia racista dos nazistas, do apartheid, a ideologia ditatorial stalinista, maoísta, etc.). A moral também sofre influência das mudanças tecnológicas. Ex: o uso de anticoncepcionais, DIU, preservativos, células tronco, etc., onde muita gente é a favor e outros são contrários por ir de encontro aos seus princípios morais e éticos.
ÉTICA: A ética difere da moral por estar voltada para as questões do dever, da obrigação moral (devo fazer ou não), da conduta correta, ou seja, a ética é a reflexão que fazemos sobre nossa conduta moral.
1 - IMORAL E ÉTICO: índios que não aceitam o infanticídio e salvam seus filhos ou filhos de outros; o movimento abolicionista do Brasil escravagista, etc.
2 - IMORAL E ANTIÉTICO: alunos que se “escoram” nos colegas em trabalhos de equipe, pessoas que jogam lixo pela janela ou fora da lixeira, falar mal da vida alheia ou dar ouvidos, etc.
3 - ÉTICO E MORAL: respeitar os sinais de trânsito (ético e moral), descartar lixo corretamente, preservar o meio ambiente, etc.
4 - ANTIÉTICO E MORAL: Alguns grupos indígenas tem o costume de praticar o infanticídio, moral que não é aceita por todos os índios; muitos deles fogem com as crianças ou as entregam para adoção. Outro exemplo é o da mutilação da genitália feminina, em alguns países de forte tradição islâmica, embora esta prática não possua nenhuma base no alcorão; ou seja, está ligada muito mais ao machismo.
5 - ANTIÉTICO E IMORAL: os que praticam crimes de todo tipo são os maiores exemplos, mas há situações chamadas de DILEMAS ÉTICOS OU MORAIS: exemplos: um médico de hospital público que diante da precariedade das condições de trabalho e do número de pacientes, precisa decidir entre quem vai ser atendido de imediato e quem não vai, ou seja, alguns pacientes irão morrer. Outro caso da medicina seria o de um médico divulgar a doença de algum paciente sem a devida autorização.
Há casos terríveis, como o dos sobreviventes de um acidente aéreo, os quais,  para não morrerem, tiveram que comer cadáveres congelados na cordilheira dos Andes, enquanto esperavam socorro. Outro exemplo é o de pessoas em situação de miséria total que alimentam-se dos restos que apanham em lixeiras ou nos lixões. Nestes dois casos, a existência precede a essência, como diz Sartre, ou seja, deixa-se de lado qualquer princípio, pois a vida passa a ser mais importante.

RELATIVISMO MORAL E ÉTICO: é o que ocorre no caso 4 (antiético e moral), onde a ideia é respeitar a cultura de determinado povo, mesmo com práticas de mortes, mutilações e desrespeito aos direitos básicos do ser humano. No Brasil, a FUNAI tem impedido qualquer implantação de lei que impeça ou acabe com o infanticídio indígena. Há um projeto de lei (PL 1057/2007), conhecido como "Lei Muwaji", em homenagem a uma mãe da tribo dos suruwahas, que se rebelou contra a tradição de sua tribo e salvou a vida da filha, que seria morta por ter nascido deficiente.  deficiente.  


MORAL E ÉTICA UTILITARISTA: Segundo o filósofo Jeremy Bentham, a natureza colocou o gênero humano sob o domínio de dois senhores soberanos: a dor e o prazer. Somente a eles compete apontar o que na realidade faremos. Obedecendo a esses dois senhores está vinculada a norma que distingue o que é certo do que é errado, e por outra, a cadeia das causas e dos efeitos. Para Bentham, todo sistema moral, em qualquer lugar do mundo, precisa levar em conta a questão desses nossos senhores, DOR E PRAZER. Como devemos leva-los em conta:


MAXIMIZAR O PRINCÍPIO DO PRAZER PARA A MAIORIA e MINIMIZAR A DOR, (se for necessário, será preciso matar uma minoria para que a maioria sobreviva); É a escolha entre o ruim e o pior. Um exemplo disso ocorre em guerras, onde os comandantes precisam sacrificar parte de suas tropas na linha de frente do combate,
através de estratégias militares.  


terça-feira, 5 de março de 2013

FORMAS, SISTEMAS E TIPOS DE GOVERNO



Política é, em linhas gerais, a arte de governar ou administrar o lar, a empresa, o clube, a cidade, o estado ou o país”. Onde há grupos humanos, aí há política, mesmo entre os que a detestam (isso também é uma decisão política). Para Maquiavel, em seu livro O Príncipe, política é “a arte de conquistar, manter e exercer o poder...” A política tem como base a questão do poder (alguém manda e alguém obedece). Há vários tipos de poder, porém, dentre estes, destacam-se o poder econômico e o ideológico.
Poder econômico: Segundo Karl Marx, para estudar qualquer sociedade, devemos partir da forma como a mesma produz os bens necessários à sua vida, pois daí é que descobriremos como ela produz e divulga suas ideias. A  economia está na base estrutural de qualquer país, ou seja, faz parte da infraestrutura (estrutura material da sociedade). A economia determina o modo de vida, de moral e de ideias de uma sociedade. Ex: na idade média, a atividade bancária e a cobrança de juros eram tidas como ilegais e imorais, porém, com o nascimento da burguesia,  houve a necessidade de legalizar os juros e os bancos, fato que exigiu a revisão das restrições morais aos empréstimos. Até os reis passaram a necessitar dos banqueiros.
O poder econômico está baseado na posse de bens, os quais são usados para obter lucros e vantagens, empregar pessoas, movimentar a economia, expandir o crescimento econômico, etc. Em um Estado, o governante necessita manter a estabilidade econômica, aumentar a oferta de empregos, promover o desenvolvimento, manter a inflação baixa, etc., para que o país cresça e sua reputação aumente. Para alcançar esses objetivos, o governante precisa do poder econômico ao seu lado, ou seja, precisa da iniciativa privada, a qual é muito mais eficiente em termos de produção de mercadorias e serviços do que as empresas estatais (há exceções, claro). Claro que há pontos negativos, tais como os exemplos a seguir: financiamento privado da campanha (infelizmente, quem financia almeja retornos vantajosos), corrupção, clientelismo, peculato, suborno, concussão, compra de votos, etc. No capitalismo, as grandes corporações acabam sempre sendo beneficiadas pelo poder político (ex: bancos, grandes construtoras, montadoras, etc.). 
Poder ideológico: Na visão marxista, a ideologia faz parte da superestrutura, juntamente com a estrutura jurídico-política (estruturas que sujeitam a classe dominada, cuja cultura e modo de vida refletem as ideias e os valores da classe dominante). Para o governante, é mais fácil e barato governar através das ideias do que somente através da violência. Através das ideias, o governante pode dominar manipular, convencer, doutrinar, alienar, etc.
Comparando a ideologia entre democracias e ditaduras: em uma democracia, não há restrições à livre circulação de ideias. Já em uma ditadura, toda ideia e manifestação contrária à do governo deve ser reprimida e perseguida, assim como seus seguidores.
A política surgiu a partir da necessidade de administrar os interesses e os conflitos da vida em sociedade. Esse poder foi chamado de Estado, o qual, em uma definição simples, significa a instituição constituída de território, povo (e/ou nações), leis, governo (Estado é diferente de Governo), etc. O termo nação difere de Estado, pois significa o povo que possui o mesmo idioma, usos, costumes, religião, etc., ou seja, um Estado pode conter várias nações, como é o caso do Brasil, que abriga diversas nações indígenas. Em relação ao Governo, significa o grupo de pessoas que administra e governa um país, estado ou província, tanto os políticos eleitos como os funcionários diversos tais como policiais, professores, médicos, etc. Ou seja, Estado é permanente, governo é provisório. Na maioria dos países democráticos, o Estado divide-se em três “esferas” (federal, estadual e municipal), no sentido de facilitar a administração.
Na maioria dos Estados democráticos, o poder está dividido em três: executivo, legislativo e judiciário. Esta divisão visa manter o equilíbrio do poder.
Poder Legislativo: exerce a função de criar normas jurídicas para regular a vida em sociedade, embora o poder Executivo também tenha o direito de enviar projeto de lei ou medida provisória ao parlamento. Esse poder também pode derrubar um veto do Executivo a alguma norma já aprovada. No Brasil, esse poder é representado pelo Congresso Nacional (Deputados e Senadores), Assembleia Legislativa (esfera estadual) e Câmara municipal (esfera municipal).
Poder Executivo: executa as leis e administrar os negócios públicos, envia ao Legislativo seus projetos de lei, veta toda ou parte de uma norma aprovada pelo Legislativo, cumprir o que manda o Poder Judiciário, etc. No Brasil, esse poder é representado pelo Presidente da república (esfera federal), governadores (esfera estadual) e prefeitos (esfera municipal).
Poder Judiciário: administra a justiça mediante aplicação das leis aos  conflitos de interesses. Pode também declarar a inconstitucionalidade das leis que foram aprovadas pelo legislativo e/ou executivo. No Brasil, na esfera federal, esse poder é representado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal Superior do Trabalho
 (TST), Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Superior Tribunal Militar (STM). Na esfera estadual, há os diversos Tribunais de Justiça.
Formas de Governo: são em geral duas: Monarquia e República.
1 - Monarquia: é um sistema dinástico e hereditário tradicional de governo; divide-se em dois tipos:
1a- Monarquia absolutista: o monarca governa com seus conselheiros, sem constituição nem parlamento, tendo poderes quase ilimitados. Países como França e Reino Unido já foram absolutistas. Ainda existem países assim (Arábia Saudita, Suazilândia, Qatar, Omã, Vaticano).
1b- Monarquia constitucional ou parlamentarista: os monarcas apenas representam ou simbolizam o Estado (protegendo a Constituição e defendendo o povo de projetos de leis prejudiciais, por exemplo). Dependendo do país, podem ter o poder de indicar ou demitir o premiê e tentar resolver impasses políticos. Nesta monarquia, quem governa é o premiê, o qual, dependendo do país, é indicado pelo monarca ou eleito pelo parlamento (congresso). O premiê governa juntamente com seu ministério (chamado de gabinete). Em caso de um mau governo, o premiê e seu gabinete podem ser destituídos pelo parlamento, através de uma moção de censura, sendo imediatamente substituídos. A maioria das atuais monarquias são parlamentares. Ex: Inglaterra, Japão, Holanda, Suécia, Espanha, Bélgica, Canadá, etc.
2 - República: O governante é escolhido ou indicado para governar durante determinado período (dependendo do país, pode ser vitalício). Atenção: não confunda república com democracia. Uma república pode ser democrática ou ditatorial. Ao longo de sua história, a república serviu aos interesses, tanto dos que queriam democracia como dos que não a queriam, ou seja, foi usada tanto por democratas como por ditadores. Um exemplo disso foi a implantação da república no Brasil, oriunda de uma ação antidemocrática (um golpe de Estado). Além disso, uma das primeiras medidas adotadas pelo governo de Deodoro da Fonseca foi censurar os jornais da época e punir todo e qualquer manifestante contrário ao novo regime implantado no Brasil.
A república se divide em dois sistemas:
2a) República presidencialista: O presidente acumula as funções de chefe de Estado e de governo. Foi criado pelos EUA e é usado por diversos países, sejam democráticos ou ditatoriais. Ex: EUA, Brasil, Cuba, Coreia do Norte, Egito, Líbia, Argentina, etc. 
2b) República parlamentarista: O presidente é apenas o chefe de Estado. Quem governa é o primeiro ministro, juntamente com seu gabinete. Principais países que usam este modelo: Alemanha, Itália, Portugal, Grécia, etc.  presidente no lugar do monarca, como chefe de Estado, com funções muito parecidas. Quem governa de fato é o premiê.
Qual é o melhor: presidencialismo ou parlamentarismo?
- Vantagens do parlamentarismo: É mais flexível à opinião pública, pois prevê a rápida troca do premiê e seu gabinete em caso de governo incompetente, corrupto, crise, etc. o medidor de seu desempenho é a opinião pública e a liberdade de imprensa. Até mesmo o próprio parlamento pode ser desfeito, seguindo-se novas eleições legislativas, sem ruptura política; Atualmente, as mais estáveis democracias do mundo são parlamentaristas, seja ela monarquia ou república. Ex: Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha, Suécia, Japão, Canadá, etc.
Desvantagem: para os que gostam de votar diretamente no governante, não há essa opção, pois o premiê é eleito pelo Congresso. O parlamentarismo requer mais consciência política do povo; no caso do Brasil, seria preciso uma ampla reforma política que mudasse completamente o modelo vigente no Brasil, com ampla transparência para o povo e a imprensa. Além disso, o povo deveria passar a escolher muito bem os parlamentares (deputados e senadores), pois deles é que sairiam os governantes.
Vantagem do presidencialismo: A população elege diretamente o seu governante, onde nele deposita suas esperanças nas mãos de apenas um candidato).
Desvantagem: O modelo concentra muito poder nas mãos do presidente ( é chefe de Estado e chefe de Governo), onde o mesmo, aqui no Brasil, edita  medidas provisórias, as quais tem preferência para ser discutidas e votadas pelo Congresso. Outra desvantagem é a tentação do cargo, onde a maioria do povo, alienada, o vê como o herói, o messias, pai dos pobres, etc. o cargo é convidativo à implantação de ditaduras, algo bastante comum na América Latina; o mais recente exemplo é o da Venezuela


TIPOS DE GOVERNO:
Democracia: O poder reside na vontade da maioria do povo e no princípio dos direitos humanos (vida, liberdade, julgamento justo), civis (liberdade de pensamento e expressão, direito a propriedade, privacidade, protesto pacífico, investigação e julgamento justos, direito ao voto, direito de ir e vir, habeas corpus, direito de permanecer em silêncio, ter acesso às contas públicas, etc.), políticos (direito de votar e ser votado, direito de iniciativa popular, de organizar e participar de partidos políticos, etc.). e sociais (saúde, educação, segurança, emprego, moradia, salário digno, etc.). Numa democracia, os direitos devem ser garantidos em uma constituição. Mesmo respeitando a vontade da maioria, a democracia deve respeitar, ouvir e garantir os direitos das minorias. A democracia surgiu na Grécia Antiga (era uma democracia direta, onde todos os eleitores votavam, discutiam, aprovavam ou reprovavam as propostas de leis). Esse modelo exigia muito tempo para se conseguir votar um único projeto de lei, por isso, ele evoluiu para a democracia indireta (representativa), ou seja, elegemos os representantes que legislarão ou governarão por nós (para alguns críticos, isso deixa de ser a verdadeira democracia, já que apenas um pequeno grupo decide pela maioria). Outro problema da democracia é a questão da eleição de pessoas não qualificadas para os quadros do legislativo e do executivo, ou seja, pessoas com outros interesses que não são os do povo.  
Aristocracia: No sentido original, significava o governo dos sábios, os quais seriam os mais qualificados para governar. Para Platão e Aristóteles, seria o governo ideal, embora não haja garantia de que os sábios não se deixariam corromper ou sucumbir às tentações do poder. Hoje, o significado desse termo mudou: virou sinônimo de nobreza e elite cultural e econômica.
Oligarquia: É o governo onde o poder é exercido por um pequeno grupo de pessoas, pertencentes ao mesmo partido, classe ou família. O Brasil tem forte tradição oligárquica, desde os primórdios de sua história. Exemplos: oligarquias econômicas (cafeeira, açucareira, banqueira, etc.), familiar (ex: a maranhense Sarney, as alagoanas Collor e Calheiros, a potiguar Alves, a mineira Neves, a paranaense Richa, a pernambucana Arraes, etc.), militar (Brasil da ditadura militar), política (ex: um partido que ocupa diversos cargos no governo). A oligarquia trabalha em causa própria para tentar manter-se no poder indefinidamente. A oligarquia não atenta para os problemas da maioria, pois seus interesses são particulares, mesquinhos, voltados para seu próprio grupo ou família, ou seja, o nepotismo é outro efeito devastador da oligarquia.
Plutocracia: Governo dos ricos, os quais podem governar nos bastidores, através de seus representantes políticos. Para alguns críticos, o Brasil seria uma plutocracia bancária (Não seria o Estado que controla o Capital, mas o  Capital que controlaria o Estado).
Teocracia: governo baseado ou orientado em princípios e valores teológicos ou religiosos. Algumas teocracias não possuem constituição e seu governo é baseado em textos considerados sagrados ou na interpretação que o governante faz a respeito dos mesmos. Em outras, a constituição é baseada em textos considerados sagrados. Os maiores exemplos atuais estão em alguns países árabes, onde as leis são baseadas (com ou sem constituição) na sharia (código de leis do islamismo). Em vários países árabes não há separação entre a religião e o direito, todas as leis são baseadas em princípios islâmicos ou na opinião de seus líderes. Na visão democrática ocidental, esses países são antidemocráticos, intolerantes e reacionários. Ex: o Irã, Sudão, Arábia Saudita, etc.
Ditadura e Tirania- No sentido original grego, significava o modelo de governo usado em situações excepcionais (ex: guerras ou catástrofes), onde era necessário entregar o poder a apenas um governante, como forma de agilizar as ações emergenciais. Na atualidade, os termos referem-se aos regimes antidemocráticos, onde todos ou grande parte dos direitos são anulados. As ditaduras podem ser teocráticas, ou repúblicas monopartidaristas (ex: China, Cuba, a extinta URSS, etc), ou até bipartidarista (o Brasil da ditadura militar). Ela também pode também não ter partido, como era a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas. O maior problema das ditaduras, sejam elas capitalistas ou socialistas, é a perseguição aos que pensam diferente. Numa ditadura, não há liberdade de expressão nem de pensamento; greves e passeatas contra o regime, nem pensar. Não há garantias constitucionais em relação aos direitos individuais(as pessoas podem ser presas sem qualquer acusação formal), os direitos humanos, civis e políticos são eliminados em sua maioria. Além disso, jornais, filmes, revistas, livros e programas de rádio, tv e a internet são censurados. Em ditaduras socialistas (geralmente ateístas), só existem jornais, tv e rádio oficiais (empresas de comunicação privadas são proibidas), ou seja, pratica-se o monopólio oficial da informação. Até a liberdade religiosa é restringida.
A tortura faz parte da rotina dos cárceres dos países ditatoriais, além da execução sumária e sumiço do corpo (como ocorreu na ditadura brasileira, argentina e chilena).
Autocracia: É Forma de governo na qual um único homem detém o poder supremo. Ele tem controle absoluto em todos os níveis de governo, sem o consentimento dos governados. Na realidade, é quase impossível. O termo acaba sendo englobado pelas ditaduras.
Anarquismo:
No sentido literal, o termo significa "sem governante ou sem governo". Para o anarquismo, o Estado é um mal, assim como a propriedade privada e o capitalismo. A proposta anarquista está muito mais no campo da utopia, devido aos seus ideais baseados na autodisciplina e cooperação voluntária da comunidade e não na autoridade hierárquica do Estado. Para os principais pensadores anarquistas (Godwin, Thoreau, Proudhon, Bakunin, Stirner, Kropotkin, etc.) o homem é um ser bom, que por natureza gosta de cooperar, respeitar e viver em paz com seus semelhantes, mas o Estado acaba inibindo ou impedindo esta tendência humana de cooperar com o resto da sociedade. No anarquismo, a sociedade não seria uma estrutura e sim um organismo vivo que cresce em função da natureza. Os anarquistas defendem a extinção da pirâmide hierárquica de poder, o que levaria a formar uma sociedade descentralizada que procura estabelecer um relação de forma mais direta possível. A responsabilidade começa nos núcleos vitais de civilização, onde também são tomadas as decisões, local de trabalho, bairros, etc. Na realidade, o anarquismo não deixa de ser semelhante ao ideal comunista referente ao fim do Estado e do capitalismo. O anarquismo confia na convivência pacífica dos seres humanos, numa estrutura autogestionária, isto é, sem regras, autoridades e hierarquias. Valorizando apenas e, sobretudo a liberdade natural de cada indivíduo.


1 – O ser humano é um ser político? Comente.
2 – Explique a relação entre economia e infraestrutura.
3 – Comente se há relação entre poder econômico e a política (mín. 5 linhas)
4 – Explique a relação entre poder ideológico e superestrutura.
5 – Comente se há relação entre poder ideológico e a política (mín. 5 linhas).
6 –
Qual a diferença fundamental entre uma democracia e uma ditadura, na questão da ideologia? Comente.
7 – Comente a respeito da diferença entre Estado, Governo e Nação.
8 – Comente a respeito das diferenças entre os três poderes do Estado.

9 –Em relação à diferença entre monarquia absolutista e constitucional, qual das duas seria mais democrática? Comente.
10 – Por que nem toda república é democrática?
11 -  Analise as diferenças entre as repúblicas presidencialista e parlamentarista e comente sobre qual você considera melhor para o Brasil.
12 – Em relação à democracia, comente sobre suas virtudes e defeitos.
13 – A aristocracia, no sentido do governo do sábio preparado para governar, seria o melhor tipo de governo? Analise e comente.
14 – A oligarquia ainda é um problema no Brasil? Comente.
15 – É possível uma teocracia ser democrática? Comente.
16 – No sentido original, a ditadura era necessária? Comente.
17 – Por que, nas ditaduras, só o governo pode deter o monopólio da informação?
18 – Por que, nas ditaduras, é preciso eliminar a maioria (ou todos) os direitos humanos, civis e políticos?
19 – Por que o anarquismo é considerado um modelo utópico?