GRÉCIA
ANTIGA
Uma
das
mais brilhantes civilizações
da antiguidade, a
civilização grega foi co-fundadora da cultura
e da civilização ocidental, juntamente com a judaica e a
romana/cristã. Localizada no sul da Península Balcânica, sua
história é dividida em algumas fases ou períodos que, de maneira
geral foram os seguintes:
PERÍODO
PRÉ-HOMÉRICO
As
origens da Grécia (2000-1100 a.C.): Os mais antigos antecessores
foram
a) os Cretenses (ou Minóicos)
b) as ondas
migratórias de quatro povos: aqueus, jônios, eólios e dórios
1
- A civilização Cretense ou Minóica: localizada
em uma ilha, Creta possuía intenso
comércio marítimo, ao ponto de ser considerada uma Talassocracia
(poder oriundo do comércio marítimo). Em Creta havia o gigantesco
Palácio de Cnossos, o qual tinha diversas funções semelhantes aos
dos templos egípcios e mesopotâmicos (religiosa, administrativa,
comercial, residência real, etc.).
2 – A
invasão dos Aqueus: a
riqueza de Creta atraiu a cobiça dos Aqueus (ou micênicos),
um povo que já havia fundado cidades na Grécia Continental (Pilos,
Tirinto e Argos). Os
aqueus invadiram e criaram a
Civilização Micênica ou Creto-Micênica. A lenda do Minotauro
sendo morto no labirinto pelo herói Teseu representa a invasão dos
Aqueus:
- o minotauro simboliza o cretense, assim como o
Labirinto representa a grandiosidade do Palácio de Cnossos
-
Teseu simboliza o aqueu que mata o Minotauro dentro do Labirinto.3 -
Migrações dos Eólios, Jônios e Dórios: Logo após os Aqueus
chegaram os Eólios e os Jônios e em seguida vieram os Dórios, (os
mais violentos). A violência das invasões dórias resultou em
destruição de muitos centros palacianos. A complexa rede
administrativa e econômica ruiu e a escrita praticamente
desapareceu.
A Primeira Diáspora Grega: foi causada pela
violência da chegada dos Dórios: quem não fugiu foi escravizado ou
morto.
PERÍODO
HOMÉRICO
Foi
um período conhecido também como "Idade das trevas grega",
devido à intensidade da destruição causada pelas invasões
externas. Nesta fase temos duas narrativas:
a)a
narrativa histórica:
a Sociedade Gentílica
b)a
narrativa lendária:
as Lendas de Ilíada e Odisseia.
A
Narrativa Histórica
Características
-
sociedade dividida através de laços de parentesco (conhecida como
Genos), cujas principais características eram:
- ruralização:
a base econômica e social era a atividade agro-pastoril de
subsistência; só com o passar do tempo é que houve a retomada
do comércio.
-
propriedade coletiva da terra e dos rebanhos.
- Liderança
política, religiosa e militar do patriarca, conhecido como Basileu,
o qual seria descendente de um antigo herói mítico.
O
Colapso dos Genos
Causas:
a-
O aumento da população
b- A disputa por terras: o território
grego era pequeno, não havia terra para tanta gente. A demanda por
terras levou o Basileu a reservar para si e seus parentes mais
próximos as melhores terras (tornaram-se os Eupátridas). Para os
parentes mais distantes, sobraram os piores e menores terrenos.
O
colapso do Genos resultou em
-
desigualdade social
- ampliação do comércio e
enriquecimento de vários comerciantes
- ampliação da
escravidão
- criação de Classes sociais, principalmente em
Atenas:
- os Eupátridas:
além dos latifundiários, os quais transformaram-se na elite
econômica e política, conhecida como os Eupátridas. Mais adiante,
eles tornaram-se donos do poder político e dos cargos públicos.
-
os Georgóis:
era formados pelos minifundiários.
- os Thetas:
eram trabalhadores sem terras
- os Demiurgos:
eram artesãos, comerciantes e profissionais.
- os
Metecos:
eram estrangeiros que, embora não tivessem direito à terra, tinham
importante papel econômico no artesanato e no comércio em geral.
-
os Escravos:
com o passar do tempo, tornaram-se maioria no trabalho rural e
urbano, fato que resultou em desemprego dos Thetas.
c- A
Segunda Diáspora: diferente da primeira, ela foi pacífica;
multidões sem terra optaram por partir para outras regiões,
contribuindo para ampliar a presença grega na Ásia Menor, sul da
Península Itálica e na Gália.
- o renascimento do
comércio marítimo e o enriquecimento de alguns artesãos
(demiurgos) e mercadores.
- o surgimento da estratificação
de classes sociais, substituindo os estamentos.
A
Narrativa Lendária
Ilíada
e Odisseia: são duas grandes obras literárias, consideradas
fundadoras da literatura ocidental. Homero teria sido seu autor,
embora não haja comprovação de sua existência. É provável que
os autores foram vários Aedos (poetas).
Ilíada:
Narra o cerco e a guerra de Troia, na costa do Mar Egeu (atual
território da Turquia). O foco central são as façanhas do herói
aqueu Aquiles e seu combate contra Heitor, príncipe de
Troia.
Odisseia:
Narra as aventuras enfrentadas pelo rei aqueu Odisseu (ou Ulisses
para os romanos), no retorno ao seu reino após a guerra de
Troia.
PERÍODO
ARCAICO
Suas
principais características foram
- a transição para uma
sociedade de Classes
- a consolidação das Pólis
(cidade-estado) como a unidade política e social fundamental: na
Grécia não houve um reino ou império; cada cidade era como se
fosse um país...uma das explicações para isso seria o relevo
montanhoso que dificultava um maior contato entre as cidades. Essas
cidades só se uniam em tempos dos jogos olímpicos ou em épocas de
guerra.
-Significativas mudanças sociais e econômicas:
um intenso comércio marítimo, o intenso uso de moedas, a expansão
da classe mercantil e da escravização em massa.
- ATENAS E
ESPARTA consolidaram-se como as duas principais cidades do mundo
grego.
ESPARTA era oligárquica e militarizada. Era uma
cidade quartel. Seus escravos eram os Hilotas, os quais pertenciam ao
Estado.
ATENAS
Caracterizou-se
pela evolução política até ao ponto de criar o primeiro modelo
democrático da história. Era uma cidade aberta, com um intenso
comércio, através do qual chegavam, além das mercadorias, novas
ideias. Seus mais antigos registros estão baseados nas ondas
migratórias dos Jônios. As narrativas populares acreditam que o
nome da cidade foi uma homenagem à Atena, deusa da sabedoria,
inteligência, do senso de justiça e das artes
Ironicamente,
ao mesmo tempo em que evoluía até criar a democracia, Atenas
ampliava a escravização. De
maneira geral, a Grécia como um todo foi uma civilização
escravista. A liberdade e a igualdade política dos cidadãos de
Atenas foram estruturadas e sustentadas pela total privação de
liberdade de uma vasta população escrava. Era a mão de obra
escrava que sustentava as oficinas, o comércio e a agricultura.
Os
Eupátridas tornaram-se donos do poder econômico e político. A
concentração de seu poder e o uso intenso de escravos contrastava
com a exclusão social, principalmente dos Tetas, fato que resultou
em diversas rebeliões populares.
AS
REFORMAS DE DRÁCON
As
revoltas populares forçaram a elite Eupátrida a tomar medidas. A
primeira delas foi a do Legislador Drácon, criador do primeiro
código de leis escritas de Atenas. Suas medidas incluíam:
-
Leis severas contra crimes (daí o termo "draconiano"):
Roubo, assassinato e outros delitos passaram a ter penas fixas
(muitas vezes a morte). Isso ajudou a controlar a violência social,
mas não resolveu a questão da miséria.
- Limitação do
poder dos aristocratas: As leis escritas reduziram a arbitrariedade
dos juízes, dando mais transparência à justiça. No entanto, as
penas eram duras para todos, incluindo os pobres, o que não aliviou
sua situação.
- Sem reformas eficientes: Drácon não
tocou nas questões principais que eram a escravização maciça e a
crise social dos thetas. Por isso, sua reforma não resolveu a
miséria e o descontentamento popular.
AS
REFORMAS DE SÓLON
As
leis de Drácon foram muito rígidas...tempos depois, o legislador
Sólon tomou importantes medidas:
-anistiou as dívidas dos
camponeses e proibiu a escravidão por dívida
- impôs limites
à extensão das propriedades agrárias, diminuindo os poderes e
arbitrariedades dos eupátridas
- aumentou a participação
do povo na Assembleia a partir da criação do critério de renda.
Essa decisão foi o primeiro passo no caminho da futura democracia,
ou seja, além dos Eupátridas, uma pequena parte do povo passou a
ser cidadão.
- criou a Eclésia, a assembleia popular
(antes era uma Assembleia Eupátrida).
- criou a Bulé, um
conselho formado por 400 cidadãos encarregados de propor as leis que
deveriam ser debatidas na Eclésia.
- criou o tribunal popular
-
Mesmo sendo um bom legislador, Sólon manteve a elite eupátrida no
poder e não eliminou os conflitos fundiários nem redistribuiu a
terra. De qualquer maneira, Sólon é considerado como aquele que
preparou o caminho para a democracia, que seria implantada mais
adiante por Clístenes.
A
TIRANIA DE PSÍSTRATO
As
reformas de Sólon foram boas, mas não eliminaram os conflitos
fundiários e a pouca participação política do povo, ou seja, o
poder continuava nas mãos da Elite Eupátrida.
Sendo
assim, a insatisfação das camadas populares resultou na chegada de
Psístrato ao poder, através de um golpe. Suas políticas incluíram
a divisão de terras, empréstimos para agricultores, isenção de
impostos, grandes obras públicas, a facilitação do acesso à
justiça, à cultura (acesso aos espetáculos teatrais) e à
Panateneia (festas religiosas em homenagem à deus Atena). A tirania
ateniense chegou ao fim após a intervenção militar de
Esparta.
AS
REFORMAS DE CLÍSTENES
Clístenes
foi o legislador que criou o primeiro modelo de democracia da
história: Ele substituiu o critério de renda pelo geográfico:
Atenas foi dividida em dez grandes distritos eleitorais, onde ocorria
o alistamento do povo. Desta forma, todos os distritos da cidade
estariam sendo representados na Assembleia. Essa medida rompeu com o
poder de influência da oligarquia Eupátrida.
Tinha
direito à cidadania ateniense o jovem (mínimo de 18 anos) nascido
em Atenas, filho de pai e mãe ateniense, que tivesse cumprido pelo
menos dois anos de serviço militar. Após esse serviço, tendo por
volta de 20 anos, ele tornava-se cidadão com os seguintes
direitos:
- de participar, falar e votar as propostas da Bulé
na Eclésia (Assembleia popular), que ocorria na Ágora (praça
pública destinada aos debates)
- à isegoria (tempo igual de
fala na Eclésia)
Características da primitiva democracia
ateniense:
Era uma democracia precária e bastante limitada:
-
estavam excluídos: estrangeiros, mulheres, escravos e atenienses que
não comprovassem ser filhos de pai e mãe ateniense.
-
Clístenes introduziu o princípio da isonomia,
que garantia direitos políticos iguais a todos os cidadãos,
independentemente de sua origem social.
-
Clístenes criou também o ostracismo,
um mecanismo pelo qual os cidadãos podiam votar para exilar
temporariamente um líder político considerado uma ameaça à
democracia (por exemplo, um corrupto)- ampliou o conselho da Bulé
para 500 participantes.
- A
Democracia Ateniense era direta:
todos os cidadãos participavam e votavam, sendo assim, era bastante
cansativa e demorada. Os que cansavam e desistiam de participar das
Assembleias, passaram a ser chamados de idiotas
(Quem se recusava a debater os rumos da comunidade era visto com maus
olhos por ignorar o bem coletivo e só pensar em seu próprio bem
estar e não no bem coletivo)
- A
atual democracia é indireta,
pois é baseada na representatividade, onde o povo elege
representantes (vereadores, deputados e senadores), os quais decidem
em lugar do povo... é chamada
de Democracia Representativa ou Democracia Indireta.
Para os mais críticos, não é democracia... é uma espécie de
Oligarquia de partidos ou de representantes ou de eleitos pelo povo,
ou uma "Representocracia", pois não é mais o povo
decidindo, mas seus "representantes".
ESPARTA:
Tinha
uma estrutura militar comandada por uma Diarquia (dois
reis: um era responsável pelo exército e o outro pela religião) e
pela Gerúsia (conselho de anciãos que exercia funções
legislativas e judiciais).
A sociedade espartana era
rigidamente estratificada e militarizada. Ela funcionava como uma
pirâmide social fechada, onde a mobilidade era praticamente
inexistente e o foco total estava no fortalecimento do Estado.
Esparta se fechou em uma estrutura estamental (baseada no nascimento
e de onde era quase impossível mudar), enquanto Atenas evoluiu para
uma sociedade de classes.
Os escravos espartanos pertenciam ao
Estado enquanto os atenienses pertenciam aos seus donos
Em
termos de inclusão do povo nas questões políticas, Esparta
limitava-se a uma Assembleia, chamada de Ápela, da qual participavam
apenas os esparciatas ( cidadãos da elite dominante, descendentes
dos dórios que detinham plenos direitos políticos e dedicavam suas
vidas às atividades militares e públicas).
MILITARISMO E
LACONISMO
Esparta destacou-se pelo militarismo e pelo
laconismo. Sendo uma cidade-quartel, seu povo tinha um estilo de vida
austero. O militarismo gerou no espartano o laconismo (uma
característica de quem fala pouco, apenas o mínimo necessário). O
que explica o laconismo é justamente o militarismo, pois o soldado é
treinado para obedecer e jamais questionar as ordens.
PERÍODO
CLÁSSICO
Foi
marcado principalmente por dois grandes conflitos: As Guerras Médicas
e a Guerra do Peloponeso.
As
Guerras Médicas ou Greco-Pérsicas:
Causas:
-
A expansão do império persa, sob o reinado de Dario I, conquistando
vários territórios e povos.
- A resistência de várias
colônias gregas ao longo do Mar Egeu. As cidades gregas em gera
vieram em socorro. Nas duas tentativas de invasão, os persas foram
derrotados.
Consequências:
- Atenas atingiu o
esplendor de sua grandiosidade, com seu modelo democrático sob o
governo de Péricles, o qual ampliou a participação dos
cidadãos e instituiu a Mistoforia (bonificação para que atenienses
mais pobres pudessem participar da Assembleia ou da Bulé...foi a
fase áurea também da filosofia, com Sócrates, Platão e
Aristóteles.
- Atenas destacou-se também como a
principal liderança durante a guerra, ao criar e comandar uma
Confederação ou Liga de cidades (A Liga de Delos), que era uma
espécie de aliança militar, onde coordenava as ações e os
recursos para manter o esforço de guerra.
-
A Guerra do Peloponeso
Causas:
-
O Esplendor e o imperialismo de Atenas: após a vitória contra os
persas, Atenas não desfez a Liga de Delos. O principal motivo era a
cobrança de impostos e o poder que já possuía, ao ponto de impedir
que qualquer cidade deixasse a Liga...sendo assim, muitas cidades não
tinham autonomia e tornaram-se submissas aos atenienses. Na prática,
Atenas havia criado um Império sob seu comando, ao ponto de
confiscar terras de cidades rebeldes e instalar guarnições
militares atenienses para vigiar e sufocar qualquer tentativa de nova
revolta. Atenas obrigou todas as cidades da Liga a adotarem a sua
moeda de prata, seus pesos e suas medidas, destruindo a soberania
econômica local.
- O imperialismo de Atenas foi
visto por Esparta como uma ameaça. Era preciso parar esse
imperialismo ateniense. Esparta usou a propaganda política de se
autoproclamar a "libertadora da Grécia" para atrair
aliados e criar uma força de oposição. A solução foi criar
uma Confederação rival, chamada de Liga (ou Confederação) do
Peloponeso. Diferente de Atenas, que exigia pesados tributos, Esparta
exigia de seus aliados principalmente apoio militar.
As
denúncias de opressão ateniense sobre algumas cidades chegaram ao
ponto em que Esparta decidiu que a guerra era a única solução.
Consequências:
- a destruição:
A guerra durou cerca de 27 anos e resultou em destruição, fome e
milhares de mortos. A Liga do Peloponeso saiu-se vencedora, embora
bastante enfraquecida...com o mundo grego debilitado, os Macedônios
aproveitaram o momento para invadir toda a Grécia e criar o Império
Macedônico.
PERÍODO
HELENÍSTICO (IMPÉRIO MACEDÔNICO)
Embora
fossem desprezados pelos gregos, que os consideravam bárbaros e
selvagens, os macedônios tinham ancestrais gregos...as
relações entre gregos e macedônios foram marcadas por altos e
baixos...no período das guerras médicas, os macedônios apoiaram os
persas. Após a conquista da Grécia, o rei Filipe II viveu pouco
tempo, pois foi assassinado em 336 a.C. Seu filho, Alexandre,
assumiu o trono e expandiu consideravelmente o império, com destaque
para a conquista do Egito, Pérsia e uma parte das Índias.
Essas conquistas ajudaram a criar o Helenismo, um termo que na
prática significou a difusão
da cultura grega e a absorção de parte da cultura oriental (uma
espécie de fusão cultural).
-
generais macedônios casaram-se com mulheres persas. Alexandre,
inclusive, desposou a filha do rei Dário III, Roxana.
- a
língua grega foi assimilada por muitos povos. A escrita grega
substituiu a escrita cuneiforme e demótica. - A indumentária grega,
a arquitetura e o mobiliário foram adotados pelos vencidos, bem como
cerimônias, danças e canções.
- Houve a difusão do modelo
econômico grego: as cidades tornaram-se grandes centros mercantis.
Os portos foram restaurados, mais estradas foram abertas...foram
criadas fortificações para proteger as caravanas de mercadores.
O
LEGADO GREGO -
A difusão da cultura e do comércio promoveram a língua grega como
uma das mais importantes, ao ponto de ter sido usada pelos cristãos
para escrever o Novo Testamento (se tivesse sido escrito em hebraico
ou aramaico, seu alcance seria bem menor). Além do idioma, os gregos
deixaram um riquíssimo legado em diversas áreas do saber:
Democracia, cidadania, teatro (drama e comédia), Filosofia,
Medicina, Arquitetura, Estética, Olimpíadas, Oratória, literatura,
etc.
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