Pesquisar este blog

sexta-feira, 28 de maio de 2021

BRASIL HOLANDÊS E UNIÃO IBÉRICA

UNIÃO IBÉRICA E BRASIL HOLANDÊS
Durante 60 anos, Portugal pertenceu à Holanda e durante 24 anos, a Holanda ocupou o Nordeste brasileiro. Este estudo explica esse conturbado período para a história de Portugal e do Brasil.

- A União Ibérica (1580-1640): foi o período em que a coroa portuguesa estava sob domínio espanhol. 
A principal causa foi a crise sucessória portuguesa após o desaparecimento do jovem rei D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir (1578)...o rei não deixou herdeiros diretos. Seu sucessor era seu tio-avô bastante idoso, o cardeal D. Henrique, que morreu em 1580. Com o apoio de uma parte da nobreza e da burguesia portuguesa, o trono lusitano foi ocupado pelo rei espanhol Filipe II, que era neto do rei português D. Manuel I.

As Consequências da União Ibérica para Portugal
Na prática, Portugal passou a ter como inimigos os seus antigos parceiros comerciais: Holanda e Inglaterra.

A HOLANDA
Na época das guerras contra a Espanha, os Países Baixos (ou popularmente chamada de  Holanda) eram uma república conhecida como República das Províncias Unidas, estabelecida em 1581. No entanto, essa república tinha características únicas e uma estrutura política complexa. Ela era uma confederação de sete províncias, cada uma com autonomia política e administrativa, unidas pelos Estados Gerais, que funcionavam como um governo central para assuntos comuns, como defesa e política externa. A Holanda pertencia à Espanha devido a uma série de heranças dinásticas e uniões políticas que ocorreram no final da Idade Média e no início da Era Moderna.
A economia holandesa era notavelmente dinâmica e inovadora, a mais avançadas da Europa e tinha como base três pilares: comércio marítimo, manufatura e finanças. Os holandeses criaram um sistema financeiro avançado, com a fundação da Bolsa de Valores de Amsterdã e do Banco de Amsterdã, que facilitavam empréstimos, investimentos e o comércio internacional. Os holandeses tinham inclusive, capital investido na produção açucareira pernambucana. 
À época, a Holanda estava em guerra contra a Espanha, buscando a sua libertação. Foi uma longa guerra, conhecida como a Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648). As causas da guerra foram basicamente o protestantismo e a grande autonomia econômica que a Holanda possuía. O rei espanhol Filipe II buscava centralizar ainda mais o seu poder sobre a Holanda e impor o catolicismo. 
A Holanda era uma grande parceira comercial de Portugal, tinha uma economia fortalecida e comprava muito açúcar brasileiro. Os holandeses tinham até dinheiro investido na produção açucareira, ou seja, eram financiadores de uma parte desta produção.
para prejudicar a economia holandesa, o rei espanhol Filipe II proibiu todo o comércio entre Portugal e Holanda, fato que afetava o lucrativo negócio do açúcar. 
A Holanda decidiu conquistar partes do território brasileiro e para isso criou uma empresa: a "Companhia das Índias Ocidentais (West-Indische Compagnie, em holandês). A WIC (sigla da companhia no holandês) tinha como objetivo tomar o controle dos locais produtores de açúcar de Portugal, bem como dos postos de comércios de escravos na África.

A PRIMEIRA INVASÃO
Em 1624, os holandeses atacaram Salvador, a capital do Brasil. Seu domínio foi bastante limitado: não conseguiram expandir-se territorialmente e ficaram limitados ao perímetro da cidade. Os baianos fugiram e passaram a resistir através das emboscadas. Em 1625, os holandeses foram expulsos graças à chegada de 12 mil homens enviados pela Espanha.

A SEGUNDA INVASÃO
A Holanda não desistiu: em 1628, após atacar e conquistar navios espanhóis carregados de prata em 1628, a WIC passou a ter capital suficiente para continuar sua tentativa de conquistar a produção açucareira brasileira. O alvo passou a ser Pernambuco, o maior produtor mundial de açúcar.
Em fevereiro de 1630, uma esquadra com 66 embarcações e 7.280 homens desembarcou na praia de Pau Amarelo e conquistaram Olinda. O governador de Pernambuco, Matias Albuquerque, retirou-se para o interior a fim de organizar a resistência, fundando o Arraial do Bom Jesus e utilizando a tática das emboscadas e da guerrilha.

Fases da ocupação holandesa em Pernambuco:
1 - Fase da guerra: 1630 a 1637 - os holandeses não conheciam o terreno, o que dificultava sua expansão e consolidação de sua  conquista: ficavam limitados aos arredores de Olinda;
Matias de Albuquerque, que na época era governador geral, ordenou a destruição de plantações, engenhos e estoques de alimentos para impedir que os holandeses se abastecessem, dificultando sua permanência no território. Os escravos aproveitaram para fugir e dar início à resistência que seria conhecida pelo nome de Quilombo dos Palmares.
 os luso-brasileiros resistiam; entretanto, o comerciante e provavelmente contrabandista Domingos Fernandes Calabar, grande conhecedor do terreno, juntou-se aos invasores, denunciando a localização do núcleo de resistência, que foi atacado e arrasado. Com isso, os holandeses estenderam suas conquistas, tomando o Rio Grande do Norte e a Paraíba.  Os luso-brasileiros fogem e refugiam-se durante algum tempo no Arraial Novo do Bom Jesus.
2 - Fase de Nassau ou Período Nassoviano: 1637 a 1644 - o nobre e militar alemão Johan Maurits Van Nassau (João Maurício de Nassau-Siegen) foi contratado pela WIC como Governador-Geral da colônia. Ele optou pelo Recife para ser a capital do Brasil holandês. Fundou a  Mauritsstad, "cidade maurícia", permitiu a liberdade de crença, financiou a reconstrução dos engenhos e a produção açucareira, construiu casas, canais, diques e a primeira ponte das Américas. Atraídos pela liberdade de religião, um grande número de judeus de Amsterdã resolveram imigrar para a nova colônia. No Recife, fundaram a primeira sinagoga das Américas, Kahal Zur Israel.
Nassau trouxe a primeira missão artística e científica para registrar o Novo Mundo. Nassau era bem quisto pelos luso-brasileiros, entretanto, a WIC estava interessada mais nos negócios; sendo assim, passou a pressionar Nassau para apresentar resultados positivos, os quais incluíam a cobrança de dívidas e a tomada dos bens dos devedores. A demora de Nassau em apresentar bons resultados resultou em sua substituição. 

3 - Fase : A Insurreição Pernambucana (1645-1654)
“Os Patriotas venceram em toda a linha. Era este para Portugal um sério aviso, o fato de haver a colônia feito mais que a metrópole num ponto crucial como este, e haverem conseguido, praticamente abandonados pela mãe pátria, vencer a guerra que esta não pudera sustentar. Impavam de orgulho os colonos. Eram eles os vencedores e haviam provado serem iguais aos portugueses da Europa. No Brasil, nasceu e iniciou seu desenvolvimento um sentimento nacional...” (Pandiá Calógeras, Historiador e ex Ministro da Guerra do Brasil). 

A restauração portuguesa em 1640:  A União Ibérica significou para Portugal apenas perdas,  prejuízos e guerras. Portugal perdeu sua independência política, sendo governado por reis espanhóis, que ignoravam os interesses portugueses. Essas perdas contribuíram para o descontentamento generalizado que culminou na Restauração Portuguesa, sob a liderança da dinastia de D. João IV, da dinastia de Bragança.
Aproveitando-se do envolvimento espanhol em conflitos guerras na Europa (Guerra dos Trinta anos, Guerra dos Oitenta anos e conflitos contra a França), um grupo de nobres portugueses, apoiados pela população, depôs a governanta espanhola Duquesa de Mântua e proclamou D. João IV, duque de Bragança, como rei de Portugal. Além disso, a restauração teve o apoio da Inglaterra e da França, interessados em enfraquecer o poderio espanhol. A Espanha só viria a reconhecer a independência em 1668, através do Tratado de Lisboa. A Restauração marcou o o início da dinastia de Bragança.

Pernambuco lutou sozinho contra os holandeses: Apesar de ter recuperado sua independência, Portugal não tinha condições militares e financeiras para ajudar Pernambuco a lutar contra os holandeses. Naquele momento, ainda era grande o risco de uma invasão espanhola e a prioridade portuguesa era defender-se de ataques espanhóis. 
Além disso, Portugal conseguiu uma trégua de dez anos com a Holanda, através do Tratado de Haia (1641). Esse acordo reconhecia temporariamente o controle holandês sobre o Nordeste brasileiro, em troca de paz e da suspensão dos ataques holandeses a outras colônias portuguesas, como Angola e São Tomé. A trégua permitiu que Portugal se reorganizasse internamente e fortalecesse sua posição na Europa.

A Restauração do Maranhão: A Holanda não respeitou a trégua; ao contrário, ampliou seus domínios, conquistando inclusive Sergipe e o Maranhão, em 1641. Entretanto, a presença holandesa no Maranhão foi breve e marcada por forte resistência organizada de colonos portugueses, indígenas e jesuítas. A resistência foi liderada por figuras como Antônio Teixeira de Melo e Bento Maciel Parente, que mobilizaram tropas locais e contaram com o apoio de indígenas aliados. Em novembro de 1641, os holandeses foram expulsos de São Luís após um confronto decisivo. A Restauração do Maranhão demonstrou a capacidade de organização e resistência dos colonos, mesmo em uma região bem mais isolada do que Pernambuco. Esse evento também reforçou o moral das forças patriotasluso-brasileiras, que continuariam a lutar contra os holandeses em Pernambuco até sua expulsão definitiva em 1654.

O Início da Luta em Pernambuco
Em 1645 começou a Insurreição Pernambucana, liderada por figuras como João Fernandes Vieira, Henrique Dias e Filipe Camarão. Nos bastidores, Portugal apoiava a insurreição. A vitória da Insurreição Pernambucana foi resultado do esforço e da união dos próprios colonos, indígenas, negros e mestiços.

A Batalha das Tabocas: ocorreu em 3 de agosto de 1645, no Monte das Tabocas, na cidade de Vitória de Santo Antão. Foi a primeira vitória militar da campanha da Restauração e um marco inicial da expulsão dos holandeses do Nordeste do Brasil. Os holandeses do Coronel Hendrick Van Haus eram mais de 1.700 homens, com armas de fogo, contra pouco mais de 1.000, com somente 230 armas. Parte dos brasileiros portava apenas lanças de madeira endurecida e/ou facões de trabalho. Mas os chefes João Fernandes Vieira e Antônio Dias Cardoso souberam utilizar com maestria o terreno irregular, a surpresa e as técnicas de emboscada e guerrilha.  Ao final do dia, Van Haus bateu em retirada, abandonou mortos, feridos e, principalmente, muito material de guerra.

A Batalha de Casa Forte e o Dezessete de Agosto: 
Após serem derrotados na Batalha das Tabocas no dia 3 de agosto de 1645, em Vitória de Santo Antão, os holandeses retornaram ao Recife e acamparam no engenho Casa Forte pertencente a Anna Paes, que estava casada com o oficial holandês Gilbert de With, alto representante da WIC. Os holandeses tinham capturado algumas mulheres parentes dos patriotas e as mantinham como prisioneiras no engenho. Ao saberem do que estava ocorrendo, os chefes João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão, arregimentaram seus homens, atacaram o engenho, venceram os batavos e libertaram as prisioneiras. A vitória em Casa Forte tornou famosa a data de Dezessete de Agosto, a qual dá nome à uma avenida no bairro de Casa Forte, no Recife.

A discreta ajuda portuguesa aos patriotas: Durante a Insurreição Pernambucana (1645–1654), Portugal ofereceu apoio discreto e indireto, para não romper oficialmente com a trégua que mantinha com a Holanda (Tratado de Haia, 1641). Portugal enviou navios com armas, munições e suprimentos para os rebeldes pernambucanos, de maneira discreta e clandestina., para não ser descoberto pelos holandeses. 

As dificuldades da Holanda: Entre 1652 e 1654, a Holanda também esteve em guerra contra a Inglaterra (Guerra Anglo-Holandesa). Este conflito dificultou sua capacidade de conter a Insurreição Pernambucana, pois lutava em duas frentes de guerra. A marinha inglesa frequentemente atacava navios da WIC em direção a Pernambuco, dificultando o envio de tropas, armas e alimentos para Pernambuco. Os custos dessa guerra para a WIC eram gigantescos e o resultado foi a sua falência,. Enquanto isso, os pernambucanos recebiam apoio luso-brasileiro, mesmo sendo pouco e discreto. 



As Batalhas dos Guararapes (1649)
Foram episódios decisivos na Insurreição Pernambucana. Apesar de historicamente o Exército Brasileiro ter surgido muito tempo depois (só no século XIX),  vários autores defendem a existência de um elo simbólico entre ambos, já que brancos, negros, índios e mestiços juntaram forças pela libertação da sua terra. As Batalhas dos Guararapes quebraram o poder militar holandês, mas a rendição holandesa ainda levaria tempo para acontecer.

Guerra de Atrito (1649–1654): também conhecida como guerra de exaustão, é uma estratégia  que visa enfraquecer o inimigo por meio de diversos ataques surpresas, curtos e repetidos. 
Mesmo derrotados, os holandeses resistiam no Recife enfrentando ataques constantes de guerrilhas luso-brasileiras. 
A resistência pernambucana criou um cerco prolongado, estrangulando Recife até a capitulação. A fome, as doenças, atraso dos salários, motins e deserções do exército holandês tornaram-se constantes. O processo foi lento, mas inevitável. Sem reforço de tropas, dinheiro ou apoio, o comandante holandês Sigismund von Schkoppe rendeu-se em 26 de janeiro de 1654, assinando a capitulação na Campina da Taborda. Por esta capitulação, os holandeses comprometeram-se a entregar não só o Recife e a Mauritzstad (Ilha de Antônio Vaz, hoje bairros de Santo Antônio e São José), mas também os fortes que ainda ocupavam na Ilha de Itamaracá, na Paraíba, no Rio Grande do Norte e no Ceará.


Principais personagens da Insurreição Pernambucana: 
João Fernandes Vieira: (1610-1681) chegou à Capitania de Pernambuco, no Brasil, em 1620,  trabalhou no comércio em Olinda e lutou nas tropas de Matias de Albuquerque, tendo sido preso. Durante o governo de Nassau, foi solto e trabalhou para comerciante e senhor de engenho judeu neerlandês, Jacob Stachhouwer,, ligado à WIC. Foi nesta época que enriqueceu, tornando-se senhor de engenho. 
Em 1643, casou-se com Maria César, filha do madeirense Francisco Berenguer de Andrada e de Joana de Albuquerque, descendente de Jerônimo de Albuquerque. Com o casamento, ingressou definitivamente na aristocracia rural pernambucana. Após a saída de Nassau, passou a se opôr aos invasores, assumindo a liderança da insurreição. Na função de mestre de campo, comandou o mais poderoso terço do Exército Patriota nas duas batalhas dos Guararapes (1648 e 1649). Por seus feitos, foi aclamado Chefe Supremo da Revolução e Governador da Guerra da Liberdade e da Restauração de Pernambuco.

André Vidal de Negreiros (1606 – 1680) 

 


             

 


INCONFIDÊNCIA MINEIRA (1789)


Foi um movimento ocorrido em Vila Rica, atual Ouro Preto, onde os revoltosos queriam separar a capitania de Minas Gerais, implantar uma república, criar uma universidade e abolir dívidas dos envolvidos junto à Fazenda Real. Eles queriam separar apenas Minas Gerais e não o Brasil (ainda não havia a ideia de ser brasileiro). O movimento, porém, foi descoberto antes do dia marcado para a eclosão por conta de uma delação e seus líderes foram presos e condenados. Um dos envolvidos mais famosos foi Tiradentes, o qual foi condenado à morte através do enforcamento e posterior esquartejamento.
Causas:
a) queda na produção aurífera: A partir de 1760, a produção de ouro começa a cair anualmente. Mesmo assim, a cobrança dos impostos continuava a mesma. Portugal sempre achava que a queda na produção era causada pelo desvio de ouro.
b) A Ameaça da Derrama: Quando o ouro entregue não alcançava 100 arrobas (cerca de 1500 kg) anuais, Portugal ameaçava decretar a “derrama”. Esta consistia em cobrar da população, a quantidade que faltava, através da tomada dos bens (móveis, cavalos, roupas, joias, terrenos e até mesmo a casa).
c) o “Alvará de 1785”, agravou a situação. Esta lei determinava o fechamento de manufaturas locais, proibindo a existência do fabrico de tecidos de qualquer natureza. Isto obrigava a população a consumir apenas produtos importados e de alto preço.
d) as ideias do movimento europeu chamado de Iluminismo, onde se defendia ideias de democracia, liberdade para as colônias, estímulo à educação, etc. Estas ideias foram trazidas por estudantes brasileiros que tinham realizado cursos superiores na Europa e através de livros.
e) o exemplo da recente Independência dos Estados Unidos, ocorrida em 1776. Ali, os colonos, revoltados contra o sistema fiscal de sua metrópole, tinham conseguido a independência da Inglaterra. Isto animou a elite mineradora a conspirar contra a metrópole.
f) a maioria dos envolvidos na inconfidência estava devendo muito ao fisco português.