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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

I REINADO: TEXTO E EXERCÍCIOS



I REINADO (1822-1831)
Foi o período onde o Brasil, governado por D. Pedro I e recém-liberto de Portugal, organizou-se como um novo país. É dividido nas seguintes etapas:
- as guerras de independência
-o reconhecimento da independência
-a primeira Constituição
-a Confederação do Equador
-a guerra da Cisplatina
-a crise e a abdicação de D. Pedro I.
-As guerras de independência: ocorreram em algumas províncias (Bahia, Pará, Piauí e Maranhão), onde havia resistência por parte de tropas portuguesas, contrariando a visão tradicional de que a independência brasileira foi pacífica. Por não possuir ainda um exército nacional organizado, houve apoio de milícias civis - com forte participação popular- e auxílio de mercenários ingleses e franceses, destacando-se Lord Cochrane, John Grenfell, John Taylor e Pierre Labatut.
Outra província que se opôs foi a Cisplatina. A guerra da Cisplatina, iniciada em 1825, só terminou em 1828 com a proclamação de sua independência (é o atual Uruguai).
-O reconhecimento da independência: Estados Unidos e México foram os primeiros países a reconhecerem, em 1824. Portugal só reconheceu nossa independência após o Brasil pagar uma indenização de dois milhões de libras, dinheiro obtido através de empréstimo aos ingleses. A Inglaterra reconheceu nossa independência mediante a continuidade dos acordos comerciais favoráveis desde o Tratado de 1810, os quais garantiam tarifas alfandegárias preferenciais aos produtos ingleses, o que prejudicou o desenvolvimento econômico brasileiro. O novo acordo estabelecia também a extinção do tráfico negreiro, cláusula esta que ficou apenas no papel.
Assim nascia o Brasil, com sua economia arcaica, baseada no modelo exportador de produtos primários, importador de produtos manufaturados e dependente financeira e tecnologicamente da Inglaterra.
-A Primeira Constituição: Politicamente, o Brasil estava dividido em dois grupos: os conservadores, que defendiam uma monarquia fortemente centralizada; e os liberais, que queriam monarquia com poderes limitados.
Em 1823, uma Assembleia Constituinte apresentou um projeto constitucional que mantinha a escravidão, restringia os poderes do imperador e instituía o voto censitário (baseado na renda do eleitor). A renda seria avaliada pela quantidade anual de alqueires de mandioca produzidos. Dado a isto, este projeto constitucional ficou conhecido como a "Constituição da Mandioca".
Insatisfeito com o risco de ter seus poderes limitados, D. Pedro I desfez a Assembleia Constituinte e convocou um grupo de dez pessoas, as quais elaboraram um novo projeto constitucional, o qual foi aprovado em 25 de março de 1824, ou seja, foi uma Constituição Outorgada (imposta).
-Principais aspectos da primeira Constituição:
a- estabelecimento de uma monarquia hereditária;
b- instituição de quatro poderes: Executivo, Legislativo, Judiciário e o poder Moderador, exclusivo do imperador e assessorado por um Conselho de Estado. Pelo poder Moderador, a monarquia brasileira era quase absolutista, ou seja, tinha um parlamentarismo às avessas, comparando com a monarquia parlamentarista britânica. 
c- o país foi dividido em províncias, dirigidas por governadores nomeados pelo imperador;
d- o voto era censitário e as eleições eram indiretas; só os homens maiores de 25 anos podiam votar
e- a religião oficial era a Católica, através da subordinação da Igreja ao controle do Estado (regime do Padroado).
f- foi concedida a liberdade religiosa, com restrição à fachada dos templos, que não deveriam aparentar ser templos.
Politicamente, a nossa primeira Constituição impediu a participação política da maioria da população, além de concentrar muito poder nas mãos do imperador, através do poder Moderador. Para os conservadores, era a única maneira de evitar a fragmentação política do Brasil, algo que aconteceu na América espanhola.
A CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR: foi uma revolta separatista ocorrida no Nordeste, liderada por Pernambuco, cujo grande líder foi Frei Caneca. Causas:
a - O autoritarismo do imperador, fechando a Assembleia  Constituinte e outorgando uma Constituição centralizadora e excludente.  
B - O nordeste, no início do século XIX, encontrava-se em grave crise econômica (queda no preço do açúcar, secas, impostos, miséria).
c – Ideais da Revolução Pernambucana de 1817, baseados no iluminismo e na independência das colônias espanholas da América latina.
Principais líderes do movimento: Frei Caneca, Manuel de Carvalho Pais de Andrade, Cipriano Barata e padre Gonçalves Mororó. Outras províncias também participaram: Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba.
Os rebeldes proclamaram a independência e fundaram uma república, denominada Confederação do Equador; adotaram, de forma provisória, a Constituição da Colômbia.
A repressão ao movimento, determinada pelo imperador, foi violenta e seus principais líderes condenados à morte.
-A Abdicação de D. Pedro: causas:
A - Difícil situação financeira em decorrência da balança comercial desfavorável, contribuindo para as altas taxas inflacionárias.
B – Péssimo governo do imperador devido ao seu autoritarismo, resultando no fechamento da Assembleia Constituinte, a imposição da Constituição de 1824 e a forte repressão à Confederação do Equador.
C – A desastrosa Guerra da Cisplatina e a participação do imperador na sucessão do trono português.
D – As constantes críticas da imprensa brasileira, resultando no assassinato do jornalista Líbero Badaró, grande opositor de D. Pedro I.
E – Em 1831, a baixa popularidade de D. Pedro I resultou no confronto entre seus partidários (em sua maioria, portugueses) e os demais opositores. O desfecho do confronto foi o episódio violento conhecido como "Noite das Garrafadas".
F - Após sucessivas mudanças ministeriais, procurando conter as manifestações, D. Pedro I abdicou, na madrugada de 7 de abril de 1831, em favor de seu filho D. Pedro de Alcântara, que tinha apenas cinco anos de idade.

EXERCÍCIOS:
1 – Explique porque a independência do Brasil não ocorreu de maneira pacífica
2 – Podemos afirmar que o reconhecimento da nossa independência foi também resultado de uma negociação? comente.
3 – Por que o imperador desfez a Assembleia Constituinte?
4 – Por que a nossa primeira Constituição foi outorgada?
5 – Por que, segundo o texto, a monarquia brasileira era quase absolutista?
6 – Analisando o processo eleitoral do primeiro reinado, podemos afirmar que era democrático? Comente.
7 – Por que houve a Confederação do Equador?
8 – Por que D. Pedro I abdicou em favor de seu filho?

RENASCIMENTO: TEXTO E EXERCÍCIOS



O Renascimento foi um movimento histórico ocorrido inicialmente na Itália e depois pela Europa, entre os séculos XV e XVI. Caracterizou-se pela crítica aos valores medievais e pela revalorização da Antiguidade Clássica (greco-romana).
Surgido durante a baixa idade média, onde a cultura medieval estava em declínio; foi um movimento resultante das mudanças que ocorriam a partir da expansão comercial e urbana da Europa. O berço do Renascimento foi a Itália por três motivos:
a) o intenso  comércio com o Oriente, através do mar Mediterrâneo, o qual levou ao enriquecimento e a ascensão de uma nova classe social -a burguesia comercial. Essa burguesia passou a ter novos hábitos de consumo e a partir daí a praticar o que viria a ser chamado de Mecenato: o patrocínio de artistas (pintores, escultores e arquitetos) e até de cientistas, procurando mostrar o poderio da cidade e ampliar o prestígio pessoal;
b) A vinda de sábios bizantinos para a Itália após a conquista de Constantinopla pelos turcos Otomanos;
c) A presença, em solo italiano, da antiguidade clássica.

Aspectos da Renascença: O renascimento não foi um movimento popular; foi um movimento da elite enriquecida pelo comércio. Essa elite tinha uma nova mentalidade, não estando presa ao teocentrismo, ou seja, possuía uma nova visão da vida e de valores. Não eram antirreligiosos nem ateus, mas também não eram tão carolas. Podemos apontar as seguintes causas do renascimento: a retomada do comércio, o enfraquecimento da nobreza feudal durante as cruzadas, o surgimento e ascensão da burguesia, o contato com o comércio do Oriente, a vinda dos sábios bizantinos e o passado clássico da península italiana.

As principais características do Renascimento foram:
a) o antropocentrismo: o homem é o centro de tudo; antes,  predominava o teocentrismo.
b) o mercantilismo (capitalismo comercial): a riqueza estava nos lucros e nos negócios; antes, a riqueza estava na posse da terra, obtida através da guerra.
c) o naturalismo, acentuando o papel da natureza; antes, predominava a espiritualidade;
d) o individualismo, valorizando o talento e o trabalho, meios pelos quais se pode enriquecer; antes, isso era quase impossível devido ao modelo estamental medieval.
e) o humanismo, defendendo o resgate da cultura clássica, aliada a uma nova visão do mundo, valorizando o progresso, buscando revolucionar o mundo através da educação, ciência, pesquisa, etc.
Outra  contribuição importante foi a invenção da imprensa de tipos móveis, criada por Gutemberg, tornando mais fácil a reprodução de livros. No Renascimento desenvolveram-se as artes plásticas, a literatura e os fundamentos da ciência moderna.
Artes Plásticas:
Diferente da idade média, onde só havia temas religiosos, as  obras renascentistas caracterizavam-se pelos temas da época (naturalismo), temas clássicos (greco-romano) e também pelos temas religiosos. Os estilos desenvolvidos levaram a uma divisão da Renascença em três períodos: o Trecento (século XIV) , o Quatrocento (século XV) e o Cinquecento (século XVI). TRECENTO - destaque para a pintura de Giotto ( 1276/1336 ) que muito influenciou os demais pintores; QUATROCENTO - período de atuação dos Médicis, que financiaram os artistas. Lourenço de Médici foi o grande mecenas da época. Destaques para Botticelli ( 1444/1510 ) e Leonardo da Vinci (1452/1519). 
CINQUECENTO - O grande mecenas do período foi o papa Júlio II, responsável pelo início das da nova basílica de São Pedro. O autor do projeto foi Bramante e a decoração à cargo do pintor Rafael Sânzio e do escultor Michelangelo.
Literatura: deixou de ser direcionada apenas para temas religiosos, passando a tratar de diversos assuntos, até mesmo aqueles que criticavam a Igreja. Graças à imprensa, os livros ficaram mais acessíveis, facilitando a divulgação de novas ideias. Três grandes autores do século XIV: Dante Alighieri (1265/1321), autor de A Divina Comédia, uma crítica à concepção religiosa; Francesco Petrarca, com a obra África e Giovanni Boccaccio que escreveu Decamerão.
PRINCIPAIS NOMES: ITÁLIA - Maquiavel, fundador da ciência política com sua obra O Príncipe, cuja tese central considera que os fins justificam os meios. Contribuiu para o fortalecimento do poder real e lançou os fundamentos do Estado Moderno. Campanella, que relatou a miséria italiana no livro A Cidade do Sol. FRANÇA - Rabelais, que escreveu Gargântua e Pantagruel; Montaigne, que foi o autor de Ensaios. HOLANDA - Erasmo de Roterdã, considerado o "príncipe dos humanistas" que satirizou e criticou a sociedade da época. Sua obra-prima é O Elogio da Loucura. INGLATERRA - Thomas Morus, que escreveu Utopia e Shakespeare, autor de magníficos textos teatrais (Romeu e Julieta, Hamlet, Otelo, etc.). ESPANHA - Miguel de Cervantes, com o clássico Dom Quixote de la Mancha. PORTUGAL - Camões, que exaltou as viagens portuguesas na sua obra Os Lusíadas.
Ciência Moderna: O renascimento contribuiu para o avanço da ciência moderna, da pesquisa e da experimentação, permitindo novos inventos e aperfeiçoamentos tecnológicos. Umas das grandes contribuições foi o da expansão marítima, através do avanço da tecnologia naval. Principais nomes do renascimento: Nicolau Copérnico: demonstrou que o Sol era o centro do universo (heliocentrismo) em oposição ao geocentrismo (a Terra era o  centro). Kepler -confirmou as teorias de Copérnico e elaborou uma série de enunciados referentes à mecânica celeste. Galileu Galilei - inaugurador da ciência moderna e aprofundou as ideias de Copérnico, pressionado pela Igreja negou as suas ideias.

EXERCÍCIOS:
1 – Explique porque a Itália é considerada o Berço do Renascimento.
2 – Quais foram as principais causas do Renascimento?
3 –O Renascimento surgiu depois ou durante a idade média? Comente.
4 - Quais foram as principais características do Renascimento?
5 – O renascimento foi um tipo de revolução cultural? Comente.
6 – O renascimento foi um movimento elitizado? Comente.
7-  No contexto do Renascimento, é correto afirmar que o humanismo:
a) apoiava-se em concepções nascidas na Antiguidade Clássica. b) influenciou concepções que desencadearam a Reforma religiosa.
c) inspirou uma verdadeira revolução cultural, iniciada na Itália.
d) contribuiu para o desenvolvimento dos estudos científicos.
e) Todas as respostas acima estão corretas.
 
8) Comente a respeito da importância do legado renascentista

segunda-feira, 25 de maio de 2015

REVOLUÇÃO RUSSA

REVOLUÇÃO RUSSA

Foi o processo histórico que implantou o primeiro regime ditatorial de base marxista, através do governo de Lênin, o criador do Leninismo, o qual consistiu em uma adaptação da  ideologia de Karl Marx à realidade da Rússia. Lênin governou até 1924 e após sua morte, o poder foi disputado entre Stálin e Trótski. Stálin venceu a disputa e implantou a segunda ditadura, conhecida como Stalinismo (1928 e 1953), comandando o regime até então mais autoritário da história: estima-se que matou entre 9 a 20 milhões de pessoas. Stálin foi o segundo maior assassino da história, só perdendo o posto para o colega marxista chinês Mao Tsé Tung.

Para entender esta revolução, é preciso entender sua base ideológica, chamada de Marxismo.


Marxismo: o criador do Socialismo

É uma ideologia criada principalmente pelo alemão Karl Marx, cujo verdadeiro nome era Moses Mordecai Levy, filho de um judeu que se converteu ao luteranismo. Com a ajuda de  Friedrich Engels (ironicamente era filho de um rico industrial alemão), Marx criou uma ideologia que defende uma reforma radical da sociedade, através da tomada do poder pela classe operária (proletariado).

Marx afirmava que essa reforma radical aconteceria primeiramente nos  países que passassem pelas seguintes fases:

a) fosse industrializado

b) a classe operária se uniria e sob a doutrinação marxista iria à luta e tomaria o poder político e o poder econômico.

c) A classe operária implantaria a Ditadura do proletariado (operariado), a qual faria uma reforma radical e violenta na sociedade. Essa reforma é chamada de Socialismo, onde ainda há uma certa desigualdade devido à presença do Estado gigantesco e autoritário, considerado necessário para impor as mudanças radicais e eliminar toda a oposição.

d) Após reformar a sociedade e implantar a igualdade plena, a Ditadura e o próprio Estado desapareceriam. Esta seria a fase final, chamada de Comunismo.

obs: é muito comum lermos diversas publicações chamando alguns países de comunistas (ex:  Cuba, China, Coreia do Norte, etc.). Na realidade, estes países são ditaduras socialistas. O comunismo marxista nunca foi implantado e só existe na teoria.


A Reforma Radical promovida na fase intermediária (conhecida como Socialismo ou Ditadura do Proletariado)

Como ocorreria essa reforma radical?

1) A Ditadura do proletariado tomaria à força todos os meios de produção (a propriedade privada), ou seja, expropriaria todos os empresários, fosse ele grande, médio ou pequeno.

2)Todos os bens passariam a pertencer ao Estado. Sendo assim, o Estado passaria a ser o único detentor de todos os poderes, pois agora concentraria tanto o poder político quanto o poder econômico. É uma concentração de poder jamais vista na história humana. Nem os reis absolutistas tiveram tanto poder.

3) Ao mesmo tempo, ocorreria o empobrecimento total de toda a sociedade, a qual passaria a depender unicamente das decisões do Estado.

4) Toda a oposição seria perseguida: todos os partidos políticos, com exceção do partido comunista, seriam fechados. Qualquer pessoa que criticasse seria vista como uma ameaça e deve ser perseguida, presa e eliminada. Todos os meios de comunicação passaram a ser do Estado. Não existiria mais nenhuma liberdade de expressão, opinião, crença, etc.

5) Todos os que se opusessem à Ditadura seriam presos, podendo ou não ser remetidos para os campos de "reeducação" (que na verdade eram campos de trabalho forçado onde havia tortura e eliminação). Muita gente foi morta logo após a prisão, onde eram submetidos a uma sessão de tortura, julgamento sumário e execução.

6) Na visão marxista, esse regime brutal e desumano seria a única maneira através da qual a reforma radical seria implantada.  

7) Na economia, a primeira consequência foi o empobrecimento de toda a população: foram expropriados de tudo a reforma consiste na estatização geral da economia, onde não existiria mais a empresa privada (indústrias, comércio, fazendas, etc.). Toda a economia passaria a depender de empresas estatais administradas pela ditadura do Partido Comunista. Todas as fábricas, todo o comércio, todas as fazendas seriam estatais e os trabalhadores seriam funcionários públicos. Até pequenos negócios e serviços, incluindo atividades autônomas como as de taxistas, serralheiros e eletricistas também foram estatizados. Esses trabalhadores foram forçados a se integrar ao sistema estatal, tornando-se funcionários de órgãos públicos ou cooperativas controladas pelo governo. O trabalho passou a ser rigidamente planejado, e os profissionais muitas vezes eram designados para funções específicas, conforme as necessidades do Estado. Todas as moradias foram expropriadas e cabia a um Comitê de burocratas do Partido Comunista decidir quantas e quais famílias ocupariam determinado imóvel. Entretanto, as moradias de alto luxo foram ocupadas apenas pela elite do partido, a qual passou a viver com muita regalia e privilégios...quem não conseguiu fazer parte dessa elite foi submetido às decisões do Comitê, que em geral, por exemplo, designava três famílias para ocupar uma casa que tivesse três quartos, por exemplo. Sendo assim, a igualdade só existia no papel e no discurso da Ditadura. O povo espoliado e emprobrecido não podia sequer reclamar. 


Comunismo: o objetivo final

O comunismo marxista só existiu na teoria...na prática jamais foi implantado pelas Ditaduras pois isso significava abandonar todo o poder político e econômico. No mundo da ficção de Marx, o comunismo ocorreria quando a Ditadura, após fazer as reformas e implantar a igualdade, deixaria de existir. No mundo encantado comunista, as pessoas não seriam donas de nada porque os bens seriam de todos e todos deles partilhariam...ninguém trabalharia mais do que o outro, ao mesmo tempo em que ninguém trabalharia menos (não haveria preguiçoso nem mal intencionado)...não existiria justiça nem policiais nem cadeias, pois ninguém faria mal ao próximo...os profissionais de áreas que requerem muito estudo e responsabilidade, tais como médicos e engenheiros, ganhariam o mesmo que os demais e ninguém teria privilégio algum por ter estudado ou se dedicado mais do que os outros. Seria um mundo habitado apenas por pessoas abnegadas (pessoas que renunciam aos seus próprios interesses em prol de uma causa ou de um ideal), perfeitas, onde não haveria mais lugar para a mentira, a inveja, a avareza, vícios, preguiça, etc.


O erro de Karl Marx: 

a revolução não ocorreu em nenhum país industrializado... por outro lado, ela ocorreu apenas em alguns países que iniciavam sua industrialização e a Rússia foi o primeiro deles. Qual a explicação? nos países desenvolvidos, a industrialização andou juntamente com políticas públicas favoráveis à liberdade  democrática e econômica, à políticas públicas de bem estar social e a uma justiça eficiente, fatos que resultaram na melhoria das condições de vida da classe trabalhadora e o consequente desinteresse pela ideologia marxista.


Leninismo:

Vladimir Ilyich Ulianov, mais conhecido pelo pseudônimo Lênin ou Lenine, reinterpretou o marxismo, adaptando-o à realidade russa. Para Lênin, o marxismo errava ao prever uma revolução espontânea liderada pelos trabalhadores. Na sua visão era preciso uma forte liderança comandada por um partido centralizado e disciplinado para conduzir a revolução.

Principais diferenças e inovações do Leninismo:

-  Ditadura sobre o proletariado através de um partido: Lênin defendia a ideia de uma forte liderança que guiaria a classe operária para fazer as reformas necessárias.

- Aliança operário-camponesa: Como a Rússia não tinha um proletariado numeroso, Lênin incluiu os camponeses, soldados e todos os que quisessem fazer a revolução. Foi assim que surgiu o símbolo comunista da foice e do martelo.

- Uso da violência revolucionária: Lênin justificava o uso da repressão e da ditadura do partido único para garantir a sobrevivência da revolução contra seus opositores.


REVOLUÇÃO RUSSA: Antecedentes / Causas da Revolução

ECONOMIA

No início do século XX, a base econômica russa ainda era de maioria agrária, embora o país já tivesse iniciado sua industrialização, onde havia inclusive a presença de capital estrangeiro (inglês, francês e alemão). No campo, prevalecia o latifúndio sob o comando de fazendeiros chamados de Kulaks (grandes, médios e pequenos produtores), os quais foram o principal alvo dos marxistas, acusados de toda a sorte de maldades contra os camponeses. Os dois grandes centros industriais da Rússia eram Moscou e São Petersburgo, entretanto, as condições de vida dos operários eram precárias (em todo país onde houve industrialização foi assim no início) e isso facilitava o discurso do movimento marxista.


POLÍTICA:

A Rússia era um regime absolutista em pleno início do século XX, chamado de Czarismo, comandado pelo Czar (ou Tsar). Não havia parlamento nem Constituição. O império abrangia diversos povos e territórios, incluindo poloneses, ucranianos, georgianos, armênios, bálticos, tártaros, finlandeses e asiáticos da Sibéria. Todas essas regiões eram subordinadas ao governo central em São Petersburgo. O império era dividido em governadorias controladas por governadores nomeados pelo czar. O império tinha uma religião oficial, a católica ortodoxa, embora outros credos fossem pemitidos. necessidade de ultrajar a família real e criar junto ao povo o gérmen anti-Romanov. Infelizmente foi esse o método usado pelas forças revolucionárias; a imagem de Nicolau II passou a ser objeto de zombaria e escárnio, não só com factóides e histórias milimetricamente inventadas, mas também alvo de um complexo jogo de intriga.


AS AÇÕES DO MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO

- Contra o Czar e a religião: sendo materialistas, uma das estratégias dos marxistas era solapar a imagem do Czar e a religião, tentando convencer o povo de que eram os principais sustentáculos do sistema opressor. A luta contra ambos fazia parte da estratégia para mobilizar as massas e criar uma nova sociedade que substituiria o Czar e a religião pela crença no deus Estado e no deus líder. Lênin afirmou que o Estado, sob a ditadura do proletariado, assumiria um papel semelhante ao de um "Deus" na vida das pessoas. Essa ideia estava ligada à visão marxista de que o Estado deveria ser um instrumento de controle total para transformar a sociedade.

- Atentados e Terrorismo: O Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR), fundado na clandestinidade em 1898, tinha na Organização de Combate SR o era o ramo terrorista dentro do Partido, a qual foi responsável pelo assassinato do ministro do Interior Vyacheslav Plehve (1904)

- em 1901 foi criado o Partido Social-Revolucionário (PSR), o qual usava terrorismo político (assassinato de autoridades czaristas). PSR e POSDR estiveram juntos até a criação da Duma, quando houve sérias divergências sobre o andamento da revolução.

- Propaganda e Conscientização Revolucionária: Lênin criou o jornal "Iskra" (A Centelha), que era distribuído clandestinamente para difundir ideias marxistas entre trabalhadores e intelectuais.

- Greves e Movimentos Insurgentes: Os marxistas incentivavam greves gerais e protestos operários, mesmo antes da formação dos sovietes (comitês de trabalhadores). O objetivo era enfraquecer a economia e o Estado russo, tornando-o incapaz de reprimir uma revolta maior.

- Lênin foi preso em 1895 por promover greves e tumultos e distribuir propaganda marxista entre os trabalhadores. Em 1897, foi condenado a três anos de exílio na Sibéria, onde ficou até 1900. Depois de cumprir a pena, Lênin fugiu da Rússia e viveu os anos seguintes na Suíça, Alemanha, França e Reino Unido, organizando o movimento bolchevique e publicando o jornal Iskra (A Centelha).


- A "Revolução em 1905" : foi um período marcado por intensos  protestos, greves, tumultos e levantes armados, especialmente em São Petersburgo e Moscou. Foi causado pelo evento conhecido como Domingo Sangrento, cuja narrativa possui controvérsias, mas que na prática arruinou a imagem do Czar. Foi nessa revolta que surgiram os primeiros sovietes, mas Lênin ainda não os controlava.


O INÍCIO DA FRÁGIL DEMOCRACIA

O período parlamentar: em 1905, após um trágico evento em que  reprimiu com violência uma manifestação pacífica do povo em frente ao seu palácio (conhecido como Domingo Sangrento), provocando milhares de protestos pelo país, o Czar Nicolau II, percebendo o desgaste de sua imagem, permitiu o início de uma frágil abertura política, através da criação de uma constituição e de um Parlamento (a Duma). Os marxistas agruparam-se no Partido Operário Social Democrata Russo, um nome de fantasia para o Partido Comunista. Entretanto, na Duma, os marxistas se dividiram em duas facções:

a) Mencheviques: eram a minoria do partido e defendiam reformas sociais lentas e graduais, sem violência, respeitando as leis e a democracia.

b) Bolcheviques: eram a maioria do partido e defendiam a tomada imediata do poder através da violência, independentemente de participação na política. Para os bolcheviques, a política partidária estava em segundo plano pois não havia nenhum vislumbre de se reformar a sociedade no curto prazo. Sendo assim, o mais importante objetivo era a tomada do poder por meios violentos.


 A PRIMEIRA GUERRA ACELEROU A REVOLUÇÃO

A decisão do Czar de jogar a Rússia na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) facilitou o trabalho dos bolcheviques e sovietes, pois jogou o país no caos: derrotas humilhantes, grandes perdas humanas e materiais, desabastecimento, fome e inflação, exacerbando as tensões sociais que já existiam antes do conflito.

A Primeira Revolução: Fevereiro de 1917: O Czar é obrigado a renunciar. Os mencheviques, mais articulados na Duma, criam um governo provisório sob o comando de Alexsander Kerensky; entretanto, para decepção da maioria do povo, não retiram o país da guerra. Esta decisão serve aos interesses dos bolcheviques e sovietes, os quais são incentivados pelos discursos inflamados de Lênin (Paz, Pão e Terra) a se unirem e lutarem para derrubar o governo menchevique.


A Segunda Revolução: o golpe de Outubro de 1917: Foi resultado da aliança entre Bolcheviques e Sovietes. Ela ocorreu em 25 de outubro de 1917. Os bolcheviques prepararam o golpe com poucos dias de antecedência, aproveitando a decepção do povo com o governo menchevique.

- Lenin criou o Comitê Militar Revolucionário (CMR) para coordenar ações militares.

- Bolcheviques espalharam propaganda anti-governo e mobilizaram o apoio popular através dos sovietes.

- Os Bolcheviques contaram com apoio dos marinheiros da Frota Naval Militar da cidade portuária de Kronstadt

- O CMR ocupou pontos estratégicos em Petrogrado (atual São Petersburgo).

- Bolcheviques e marinheiros ocuparam o Palácio de Inverno, sede do governo provisório.

- Kerensky foge: O governo provisório se dissolveu, e Kerensky fugiu.

- Lênin assume o poder.


Lênin e o primeiro governo marxista da história (1918-1924):

As principais decisões:

- Negociação de paz com a Alemanha e saída da guerra

- fechamento da Assembleia Constituinte.

- Extinção dos partidos políticos e criação do Partido Comunista, o qual exercia controle total sobre toda a sociedade. Lênin exercia sua função de governate sob o título de Secretário Geral do Partido Comunista.

- Criação da Cheka (Comissão Extraordinária de Toda a Rússia para a Combate à Contrarrevolução e Sabotagem): foi a primeira polícia secreta russa. Reprimia qualquer um que criticasse o governo; todos os os opositores políticos e contrarrevolucionários foram reprimidos,  perseguidos, presos, torturados, mortos, etc.

- Criação do Exército Vermelho: Força militar para defender a revolução.

- Nacionalização das empresas estrangeiras

- Estatização da Economia: todas as empresas privadas (grandes, médias e pequenas) passaram a pertencer ao Estado.

- Confisco de bens/fim da propriedade privada: Apropriação de todos os bens da população, incluindo terrenos, casas e apartamentos.

- Implementação da economia planificada: Planejamento centralizado da economia.

- Propaganda e Censura: A propaganda e a doutrinação foram maciçamente usadas para promover a ideologia e justificar suas ações. Além disso, a censura foi implementada para suprimir a oposição e controlar a informação disponível ao público. Tudo passou a ser censurado: jornais, livros, peças teatrais, etc. Todas as editoras e imprensas foram fechadas. Só a imprensa e a rádio oficial foram permitidas. Da mesma maneira, os filmes foram censurados. O cinema passou a ser um dos principais meios de propaganda oficial.


A Guerra Civil (1918-1921)

- Logo após as negociações de paz com a Alemanha, o povo russo imaginou que teriam um período de paz e prosperidade. Entretanto, as decisões de Lênin foram tão autoritárias que provocaram a Guerra civil, uma guerra que devastou toda a Rússia e matou milhões por fome e por bala. 

As decisões do novo governo, principalmente no campo econômico, com a tomada da propriedade privada, provocaram a revolta de uma considerável parte dos russos, que não aceitavam perder tudo para o Estado. O país mergulhou numa guerra civil onde se destacaram dois exércitos:

a) Exército Vermelho:

Formado pelos bolcheviques e sovietes, sob o comando de Trótsky.

b) Exército Branco: Formado por czaristas, mencheviques e todos os opositores.

O Comunismo de Guerra durante a Guerra Civil:

foi uma política ainda mais radical implantada por Lênin, a qual tinha como objetivo central a manutenção do Exército Vermelho. As principais ações do Comunismo de Guerra foram:

- Recrutamento obrigatório

- Requisição forçada dos grãos de todas as fazendas. Quem fosse descoberto ocultando alimentos era executado.

- Troca direta/extinção da moeda: Produtos eram trocados por outros produtos ou serviços.

- Racionamento: Alimentos e produtos essenciais eram distribuídos mediante cartões de racionamento.

Consequências:

- Desabastecimento, Fome e escassez: A economia de guerra agravou a crise alimentar.

- Canibalismo: a fome e os mortos por ela era tão grandes que muitos russos recorreram ao canibalismo.

Coletivização e Controle Econômico: A economia foi centralmente planejada e controlada pelo estado. Através do Comunismo de Guerra,  o governo tomou o controle direto da produção e distribuição de bens,  forçando a coletivização do povo no campo.


O GOVERNO LÊNIN APÓS A GUERRA CIVIL E A NOVA POLÍTICA ECONÔMICA (NEP)

Com o país destruído, o governo de Lênin teve que tomar medidas contraditórias em relação ao seu discurso marxista: em 1921, Lênin  anunciou a Nova Política Econômica, cujas principais características eram:

- diminuição das ações centralizadoras do comunismo de guerra

- permissão para algumas práticas capitalistas, ou seja, foi autorizada a existência de pequenas e médias empresas privadas

- A igualdade salarial foi proibida: os trabalhadores poderiam receber salários que variavam de acordo com sua capacidade produtiva. Lênin sabia que a produção no capitalismo é maior pois envolve o desejo de ganhar mais, enquanto no socialismo o trabalhador, produzindo muito ou pouco, recebia a mesma remuneração.

- Com o passar do tempo os efeitos da NEP indicavam que a situação econômica da Rússia estava melhorando, entretanto, com a morte precoce de Lênin, em 1924, a NEP foi descartada por Josef Stálin, o qual implantou o sistema de Planos Quinquenais e Economia Planificada.


STALINISMO: A DITADURA E O TERROR SOB O GOVERNO DE STÁLIN

1928 - 1953)

O governo de Stálin foi marcado por:

Repressão Política

1. Purgas: Execuções em massa de opositores políticos, intelectuais e militares.

2. Expurgos: Remoção de membros do Partido Comunista considerados desleais.

3. Repressão aos dissidentes: Perseguição a artistas, escritores e intelectuais que criticavam o regime.

4. Privilégios para um pequeno grupo da elite do Partido Comunista, que ficou conhecido como Nomenklatura, o qual desfrutava de regalias inimagináveis até para uma boa parte da burguesia.

5. Fim do direito de ir e vir: a implantação da Propiska, uma espécie de passaporte interno. Na prática, o povo estava proibido de se mudar de sua região para outra sem a autorização concedida pela autoridade local através da Propiska. 


Violência e Repressão

1. Execuções: Estima-se 600.000 a 1.200.000 execuções entre 1936 e 1953.

2. Gulags: Campos de "reeducação", trabalhos forçados, escravidão, tortura e execuçõ: milhares de russos morreram de fome, tortura, doenças e trabalho forçado.

3. Tortura: Uso sistemático de tortura para obter confissões.


Controle Social

1. Censura: Controle rigoroso da imprensa e mídia.

2. Vigilância: Espionagem e informantes para monitorar a população.

3. Propaganda: Uso de propaganda para promover o culto à personalidade de Stálin.


Impacto Social e Econômico

1. Deslocamento de populações: Transferência forçada de grupos étnicos e minorias.

2. Fome e Genocídio na Ucrânia (Holodomor): cerca de 6 milhões de mortos

3. Economia planificada: Controle estatal da economia, levando a escassez e ineficiência.


Consequências

1. Morte de milhões: Estima-se 20-30 milhões de mortos.

2. Trauma social: Efeitos duradouros na sociedade soviética.

3. Deslegitimação do comunismo: Crise de confiança no sistema comunista.


RESUMO DA REVOLUÇÃO MARXISTA RUSSA:

ANTES: Autocracia Czarista, que caminhava lentamente para a democratização através da Duna e da constituição.

DEPOIS: Ditadura monopartidária comunista


ANTES: após 1905, monarquia constitucional

DEPOIS: Regime Opressor a partir de outubro de 1917


ANTES: democracia em fase de construção com pluripartidarismo e parlamento

DEPOIS: Não havia democracia: era um parlamento de um só partido.


ANTES: pouca liberdade de expressão (após 1905, na fase de constitucionalização do país)

DEPOIS: Não havia liberdade de expressão


ANTES: Muita corrupção e privilégios da nobreza

DEPOIS: Muita corrupção e privilégios da Nomenklatura.