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segunda-feira, 25 de maio de 2015

REVOLUÇÃO RUSSA: O PRIMEIRO TOTALITARISMO DA HISTÓRIA

REVOLUÇÃO RUSSA
TEXTO 1
Foi o processo histórico que implantou o primeiro regime ditatorial baseado no marxismo, sob o comando de Lênin (o criador do Leninismo), que foi ditador entre 1918 e 1924. Após sua morte, Stálin venceu a disputa com Trótski e implantou a segunda ditadura, conhecida como Stalinismo (1928 e 1953), comandando o regime até então mais autoritário da história: estima-se que entre 9 a 20 milhões de pessoas foram mortas sob sua ditadura, uma boa parte de fome através do terrível evento conhecido como Holodomor. Com o passar do tempo, Stálin perdeu o seu posto para aquele que é considerado o maior assassino da história: o ditador socialista chinês Mao Tsé Tung.

Para entender esta revolução, é preciso entender sua base ideológica, chamada de Marxismo.

INTRODUÇÃO AO MARXISMO
É uma ideologia que de maneira geral defende a reforma violenta na sociedade, sob o comando de uma ditadura do proletariado. Essa reforma resultaria na implantação da igualdade material, onde todos os bens seriam de todos. Após a implantação da igualdade, a própria ditadura deixaria de existir e a humanidade viveria em perfeita harmonia.  Essa ideologia foi desenvolvida a partir das ideias de Moses Mordecai Levy, conhecido popularmente como Karl Marx. 
Marx inspirou-se em um antigo ideal humano de criar uma sociedade igualitária. Vamos ver alguns exemplos desse ideal no passado:
- Sociedade Comunal Pré-histórica e indígena: esses grupos de caçadores e coletores partilhavam entre si os poucos bens obtidos através da caça e da coleta e não tinham propriedade privada. Algumas nações indígenas ainda vivem dessa forma.
-Platão: Em seu famoso livro “A República”,  Platão já defendia a ideia da abolição da propriedade privada, visando o bem comum de todos.



TEXTO 2
-Aristóteles: Em seu famoso livro “Política”,
 Aristóteles afirma que a ideia platônica de uma comunidade em que tudo é de todos geraria negligência, pois aquilo que pertence a todos na prática, acaba sendo cuidado por ninguém. Ele argumentar que o ser humano se responsabiliza mais pelo que é seu do que pelo que não é. A igualdade absoluta de bens, longe de eliminar conflitos, poderia multiplicá-los, pois  provocaria disputas sobre uso, acesso, trabalho e responsabilidade. Os virtuosos trabalhariam por todos, enquanto os "espertos" (hipócritas e aproveitadores da boa vontade dos outros) usufruiriam sem a mesma quantidade de trabalho. A partilha de bens só daria certo se não fosse uma imposição estatal, mas um hábito moral, ou seja, compartilhar bens só teria valor ético se fosse fruto da escolha e não da coerção. 
Cristianismo Primitivo: Entre os capítulos 2 e 4 do livro de Atos dos Apóstolos há diversas passagens referentes a uma prática da Igreja primitiva de repartir os bens conforme a necessidade de cada um. Muitos cristãos vendiam bens e traziam o valor arrecadado aos pés dos apóstolos, que os distribuíam entre os necessitados. Diferente do marxismo, não havia a tomada à força dos bens, ou seja, não havia a abolição forçada da propriedade, mas sim uma resposta prática à necessidade: "e repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha". A entrega dos bens era voluntária e movida pelo Espírito Santo, e não imposta pela ditadura do partido. 
Escavadores (Diggers): surgiram entre 1649 e 1651, dentro do contexto radical aberto pela Revolução Inglesa. Seu principal líder foi do puritano, filósofo e político Gerrard Winstanley, e seus seguidores defendiam o ideal de que a terra deveria pertencer a toda a comunidade, que nela trabalharia e dividiria entre si a colheita.
Graco Babeuf: durante a fase do Diretório na revolução francesa, Babeuf (1707-1797) liderou a Conspiração dos Iguais (1796), um movimento defensor da igualdade econômica através de ações violentas para tomar o poder político e o econômico. A revolução deveria ser conduzida por um grupo que agisse em nome do povo.
TEXTO 3: Voltando ao Marxismo
Com o apoio de Friedrich Engels (ironicamente era filho de um rico burguês alemão), Marx afirmava ser possível uma revolução proletária em um país, desde que alguns requisitos fossem cumpridos:
a) fosse industrializado: Ser industrializado era o mais básico requisito, pois sem indústria não haveria classe operária. 
b) a classe operária tomaria consciência de que era explorada, se uniria, iria à luta e tomaria o poder político e o poder econômico.
c) O Socialismo (fase intermediária): A Ditadura do proletariado tomaria todos os bens materiais e implantaria a igualdade. Nessa fase ditatorial ainda existiria a desigualdade devido à presença do Estado autoritário, considerado necessário para eliminar toda a oposição e impor as reformas. 
d) O Comunismo (fase final) Após a implantação da igualdade, o próprio Estado desapareceria e a sociedade viveria em plena harmonia social. 
obs: é muito comum lermos diversas publicações chamando alguns países de comunistas (ex:  Cuba, China, Coreia do Norte, etc.). Na realidade, estes países são ditaduras socialistas. O comunismo só existe na teoria.
Algumas previsões erradas de Marx: 
a) A revolução só ocorreria em países industrializados: na prática, só ocorreu em países agrários como a Rússia, China, Coreia, Camboja, etc. A explicação está na melhoria de vida dos trabalhadores em geral. 
b) A exploração da classe operária a levaria à sua miséria total: Quando ele publicou o primeiro volume de O Capital em 1867, muitas das condições precárias dos operários já haviam sido extintas pelas Factory Acts (Leis Fabris). Marx ignorou os dados atualizados dos Blue Books (livros contendo relatórios de investigações do Parlamento britânico sobre as condições de vida dos trabalhadores), os quais mostravam o aumento dos salários e a  melhoria das condições de vida. Marx repassou informações defasadas sobre as condições dos operários, que não refletiam a realidade. Na segunda metade do século XIX, o operário britânico tinha as melhores condições de vida da Europa. 

TEXTO 4
c) O capitalismo seria extinto: Marx argumentava que a miséria dos operários provocaria uma queda brutal nas vendas, resultando em uma crise gigantesca na economia, falindo o modelo capitalista. O que ocorreu foi o oposto: O enorme aumento da produção fabril reduziu o preço das mercadorias; mesmo com salários que Marx considerava "miseráveis", os operários puderam comprar itens que antes eram luxo (roupas, tecidos, utensílios, etc.).
d) O fim da Classe Média: Marx afirmava que a sociedade se polarizaria em "dois grandes grupos hostis": burguesia X proletariado. Sua visão sobre a classe média era deturpada: para ele, era um "dinossauro na sala, destinado à extinção". Na prática, o capitalismo expandiu a classe média a partir do surgimento de novas tecnologias, profissões e setores de serviços, os quais não se encaixavam na rígida dicotomia rígida marxista
e) O fim do Estado: Marx afirmava que o Estado só existia para gerir os negócios da burguesia. Com o fim das classes, não haveria ninguém para explorar e, portanto, o Estado se tornaria desnecessário e "definharia". Na prática, em todos os países onde houve a revolução socialista, o Estado não definhou. Pelo contrário, ele se tornou imensamente mais poderoso, autoritário e invasivo.
f) A natureza humana: Marx acreditava que, removidas as amarras da propriedade privada, o ser humano naturalmente se tornaria produtivo e socialmente cooperativo. Na prática, a natureza humana mostra-se simultaneamente social e antissocial, produtiva e antiprodutiva, onde há pessoas virtuosas e pessoas enganadoras, pessoas trabalhadoras e pessoas preguiçosas, honestos e desonestos, etc. 
g) A classe operária faria a revolução: O operariado por si só jamais se uniria sem uma forte liderança de intelectuais que os conduzisse (o operariado só se preocuparia em obedecer comandos e operar máquinas). O proletariado era um corpo, mas um corpo precisa de um cérebro. Na prática, a revolução só ocorreu onde existiu uma forte liderança de intelectuais. 

TEXTO 5
Leninismo: Vladimir Ilyich Ulianov (Lênin): discordando de alguns pontos do Marxismo Lênin reinterpretou-o à realidade russa. Segundo Lênin:
a) Lênin afirmava que a revolução poderia ocorrer em países agrários: na Rússia atrasada e agrária, seria possível a partir de uma forte liderança decidida comandando o povo.  revolucionários. Os  russos não poderiam esperar que em futuro hipotético ocorresse a  industrialização para então se fazer a revolução.
b) Lênin discordava de uma revolução espontânea liderada pelo proletariado. Ela só ocorreria sob o comando de um partido centralizado e disciplinado, hierarquizado, centralizado, disciplinado e composto por revolucionários profissionais.
c) Aliança operário-camponesa: Como a Rússia era muito mais agrária do que industrializada, a revolução só ocorreria através da união entre operários e camponeses. Foi assim que surgiu o símbolo comunista da foice e do martelo.
d) Uso da violência revolucionária: Lênin justificava o uso da repressão e da ditadura do partido único para garantir a sobrevivência da revolução contra seus opositores. A revolução não seria a de uma ditadura do proletariado mas da ditadura sobre o proletariado.

REVOLUÇÃO RUSSA: Antecedentes / Causas da Revolução:
ECONOMIA: No início do século XX, a base econômica russa ainda era de maioria agrária, embora o país já tivesse iniciado uma industrialização com forte presença de capital estrangeiro (inglês, francês e alemão). No campo, prevalecia o latifúndio sob o comando de fazendeiros chamados de Kulaks (grandes, médios e pequenos produtores), os quais foram o principal alvo dos marxistas, acusados de toda a sorte de maldades contra os camponeses. Os dois grandes centros industriais da Rússia eram Moscou e São Petersburgo, entretanto, as condições de vida dos operários eram precárias (em todo país onde houve industrialização foi assim no início) e isso facilitava o discurso do movimento revolucionário.

TEXTO 6
POLÍTICA INTERNA: Antes de 1905, o regime político era o da monarquia absolutista conhecido como Czarismo, sob o comando do Czar ou Tzar. Até 1905 não havia parlamento nem Constituição.
POLÍTICA EXTERNA: A Rússia oprimia diversos povos e territórios (Polônia, Ucrânia, Cazaquistão, Geórgia, Bielo-Rússia, Finlândia, etc.). O império era dividido em governadorias controladas por governadores nomeados pelo czar. O império tinha uma religião oficial, a católica ortodoxa, embora outros credos fossem pemitidos. 
AS AÇÕES DO MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO: 
- Contra o Czar e a religião: sendo materialistas, uma das estratégias era solapar a imagem do Czar e a religião, tentando convencer o povo de que eram os principais sustentáculos do sistema opressor. A luta contra ambos era uma estratégia para mobilizar as massas e criar uma nova sociedade que substituiria o Czar e a religião pela crença no Estado e líder. Lênin afirmou que o Estado, sob a ditadura do proletariado, assumiria um papel semelhante ao de um "Deus" na vida das pessoas. Essa ideia estava ligada à visão marxista de que o Estado deveria ser um instrumento de controle total para transformar a sociedade.
- Atentados e Terrorismo: O Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR), fundado na clandestinidade em 1898, tinha na Organização de Combate SR o era o ramo terrorista dentro do Partido, a qual foi responsável pelo assassinato do ministro do Interior Vyacheslav Plehve (1904)
- em 1901 foi criado o Partido Social-Revolucionário (PSR), o qual usava terrorismo político (assassinato de autoridades czaristas). PSR e POSDR estiveram juntos até a criação da Duma, quando houve sérias divergências sobre o andamento da revolução.
- Propaganda e Conscientização Revolucionária: Lênin criou o jornal "Iskra" (A Centelha), que era distribuído clandestinamente para difundir ideias marxistas entre trabalhadores e intelectuais.


TEXTO 7
- Greves e Movimentos Insurgentes: Os revolucionários incentivavam greves e protestos mesmo antes da formação dos sovietes (comitês de trabalhadores). O objetivo era enfraquecer a economia e o Estado, tornando-o incapaz de reprimir uma revolta maior. 
- Lênin foi preso em 1895 por promover greves e tumultos. Em 1897, foi condenado ao exílio na Sibéria, onde ficou até 1900. Depois de cumprir a pena, Lênin fugiu viveu em alguns países europeus organizando o movimento bolchevique e publicando o jornal Iskra (A Centelha). 
- A "Revolução em 1905" : foi um período marcado por intensos protestos, greves, tumultos e levantes armados, especialmente em São Petersburgo e Moscou. Foi causado pelo evento conhecido como Domingo Sangrento, cuja narrativa possui controvérsias, mas que na prática arruinou a imagem do Czar. Foi nessa revolta que surgiram os primeiros sovietes, mas Lênin ainda não os controlava. 
O INÍCIO DA FRÁGIL DEMOCRACIA
O período parlamentar: em 1905, após um trágico evento em que  reprimiu com violência uma manifestação pacífica do povo em frente ao seu palácio (conhecido como Domingo Sangrento), provocando milhares de protestos pelo país, o Czar Nicolau II, percebendo o desgaste de sua imagem, permitiu o início de uma frágil abertura política, através da criação de uma constituição e de um Parlamento (a Duma). Os marxistas agruparam-se no Partido Operário Social Democrata Russo, um nome de fantasia para o Partido Comunista. Entretanto, na Duma, os marxistas se dividiram em duas facções: 
a) Mencheviques: eram minoria e defendiam reformas sociais graduais, negociadas na Duma, sem uso da violência. 
b) Bolcheviques: eram maioria: defendiam a tomada imediata do poder através da violência, Não negociavam com a oposição na Duma. Em sua visão, política partidária era perda de tempo. O mais importante objetivo era a tomada do poder por meios violentos.



TEXTO 8:
A RÚSSIA NA I GUERRA MUNDIAL
Mesmo com a Duma, a política externa e o comando do exército eram competências exclusivas do Czar. Sendo assim, Nicolau II decidiu jogar o país na I guerra em 1914. Essa decisão facilitou o avanço da revolução, pois o país colecionava derrotas e a economia entrou em colapso: desabastecimento, inflação galopante e fome
A Primeira Revolução: Em fevereiro de 1917, o Czar perde todo o apoio e é obrigado pelo Exército a renunciar. Os mencheviques, mais articulados na Duma, formam um governo provisório sob o comando de Alexsander Kerensky; entretanto, para decepção da maioria do povo, não retiraram o país da guerra. Esta decisão serviu aos interesses de bolcheviques e sovietes, os quais, inflamados pelos discursos de Lênin (que prometia Paz, Pão e Terra) uniram esforços para derrubar o governo menchevique. 
A Segunda Revolução: o golpe de 25 de Outubro de 1917 só foi possível devido aos seguintes fatos:
a) dinheiro: não há revolução nem golpe de Estado sem armas e soldados. E tudo isso custa dinheiro. O dinheiro da revolução veio de  doações e assaltos a bancos. Stálin, o futuro ditador, comandou o assalto ao Banco de Tiflis (1907), de onde roubaram cerca de 250 mil rublos (um valor que atualmente corresponde a cerca de $0,8 milhão a $1,1 milhão de dólares hoje).
b) a ajuda alemã: alemães e russos queriam encerrar a guerra entre si. Os alemães  facilitaram o retorno de Lênin à Rússia, sabendo da sua forte liderança sobre os revolucionários.
c) Lenin criou o Comitê Militar Revolucionário (CMR) para coordenar as ações.
d) Bolcheviques espalharam propaganda anti-governo e mobilizaram o apoio popular através dos sovietes.
e) Foi fundamental o apoio dos marinheiros da Frota Naval da cidade portuária de Kronstadt, que apontaram os canhões dos navios contra a sede de Governo.



TEXTO 9
- O CMR ocupou pontos estratégicos em Petrogrado (atual São Petersburgo).
- Em 25 de outubro, os revolucionários tomam o Palácio de Inverno, sede do governo provisório. Kerensky foge;  Lênin assume o poder.
A Ditadura de Lênin, o primeiro governo Totalitário da História:
Suas principais decisões iniciais:
- Negociam a paz com a Alemanha e saem da guerra através do Tratado de Brest-Litovsk: A Rússia cedeu aproximadamente 2,6 milhões de quilômetros quadrados. Para se ter uma ideia, isso é quase o tamanho da Argentina.
- fechamento da Assembleia Constituinte.
- Extinção dos partidos políticos e criação do Partido Comunista, o qual exercia controle total sobre toda a sociedade.
- Criação da Cheka (Comissão Extraordinária de Toda a Rússia para a Combate à Contrarrevolução e Sabotagem): foi a primeira polícia secreta russa. Reprimia qualquer um que criticasse o governo; todos os os opositores políticos e contrarrevolucionários foram reprimidos,  perseguidos, presos, torturados, mortos, etc.
- Criação do Exército Vermelho: Força militar para defender a revolução
- Nacionalização das empresas estrangeiras
- Estatização da Economia: todas as empresas privadas (grandes, médias e pequenas) passaram a pertencer ao Estado.
- Confisco de bens/fim da propriedade privada: A ditadura socialista tomou todos os bens do povo (terrenos, casas, apartamentos, etc.). O povo foi reduzido à completa miséria.
- Implementação da economia planificada: Planejamento centralizado da economia.
- Propaganda e Censura: A propaganda e a doutrinação foram maciçamente usadas para promover a ideologia e justificar suas ações. Além disso, a censura foi implementada para suprimir a oposição e controlar a informação disponível ao público. Tudo passou a ser censurado: jornais, livros, peças teatrais, etc. Todas as editoras e imprensas foram fechadas. Só a imprensa e a rádio oficial foram permitidas. Da mesma maneira, os filmes foram censurados. O cinema passou a ser um dos principais meios de propaganda oficial.

TEXTO 10
A Guerra Civil (1918-1921)- Causas:
-Movimentos nacionalistas: O fim do Czarismo despertou em vários povos o desejo de separar-se do jugo russo (Ucrânia, Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia, Cazaquistão, Geórgia, etc.).
Para os novos Estados, a independência era a única forma de trocar um opressor por outro. Para Lênin, a fragmentação territorial significava perder ricos recursos tais como as terras férteis e o carvão da Ucrânia, o petróleo do Cáucaso, o acesso ao Mar Negro, etc. Era preciso manter o imperialismo. Ironicamente, o discurso marxista-leninista sempre foi o do combate contra o imperialismo ocidental, rotulando-o como a "fase superior do capitalismo". No entanto, ao assumir o poder, Lênin mantém a opressão e o colonialismo que condenava no discurso. Na prática, manteve a mesma postura daqueles que criticava: a velha retórica da missão civilizadora: era preciso levar o "progresso socialista" (industrialização, alfabetização, ateísmo e modernidade) a povos considerados “atrasados”.
- As decisões ditatoriais de Lênin provocaram a oposição de antigos oficiais czaristas, políticos liberais, mencheviques e todos os opositores.
- A dissolução da Assembleia Constituinte por Lênin em 1918 aprofundou a ruptura política. Muitos viram ali a confirmação tardia de que os bolcheviques não aceitariam nenhuma democracia.
-A nacionalização de empresas estrangeiras levou alguns países a enviarem tropas para tentar acabar com a ditadura (EUA, Japão, França e Inglaterra).
- A Guerra civil nasceu de uma combinação de fatores:
- Fim do Czarismo e vácuo do poder
- Radicalização ideológica
- Nacionalismo emergente
- Expropriação e empobrecimento geral do povo.
Os Envolvidos nessa guerra: Exército Vermelho sob o comando de Trótsky,  Exército Branco (principal opositor), Exército Negro (anarquistas), Exército Verde (Camponeses opositores), Exércitos Nacionalistas de diversas regiões, Tropas das potências estrangeiras, A Legião Tchecoslovaca, etc.

TEXTO 11
O Terror Vermelho: copiando a ideia dos Jacobinos, Lênin implantou um programa oficial de repressão, prisões e execuções em massa, através do qual eliminou inimigos políticos e "limpou" a sociedade de todos os opositores. Lênin justificava o Terror como o único meio “necessário” para aniquilar a velha sociedade e acelerar a construção da nova ordem socialista, encurtando as "dores de parto" da revolução. As principais ações do Terro foram:
-Criação da Cheka (Polícia Secreta): prendia, interrogava e executava sumariamente suspeitos, sem julgamentos formais.  
- Eliminação de "Inimigos de Classe": A repressão era também contra grupos sociais inteiros considerados burgueses, tais como os fazendeiros (kulaks), oficiais czaristas, membros do clero, intelectuais contrários, etc.
- Uso de Reféns e Punição Coletiva: A Cheka prendia reféns e aplicava punições coletivas para intimidar a população e forçar a lealdade ao regime.
- Gulag (Campos de Concentração): eram locais de "reeducação" onde ocorriam torturas, trabalhos forçados e execuções em massa.

- O Comunismo de Guerra: Foi uma política econômica radical que tinha como objetivo primordial a manutenção e a vitória do Exército Vermelho na guerra. As principais ações do Comunismo de Guerra foram:
- Recrutamento obrigatório
- Requisição forçada dos grãos de todas as fazendas. Quem fosse descoberto ocultando alimentos era executado.
- Coletivização do povo no campo (significou a volta do antigo trabalho compulsório, muito utilizado na Mesopotâmia e no Egito).
- Troca direta/extinção da moeda: Produtos eram trocados por outros produtos ou serviços.
- Racionamento: Alimentos e produtos essenciais eram distribuídos mediante cartões de racionamento.
Consequências:
- Desabastecimento, Fome e escassez: A economia de guerra agravou a crise alimentar, provocando milhões de mortos por fome. Muitos russos recorreram ao canibalismo.

TEXTO 12:
As estimativas de mortos na Guerra Civil são astronômicas: A maioria dos historiadores concorda com algo em torno 7 a 12 milhões de pessoas, principalmente por fome e epidemias.
 O governo de Lênin após a guerra civil - A Nova Política Econômica (NEP):
Em 1921, logo após a guerra civil, com o país devastadao, Lênin tomou medidas contraditórias em relação ao seu discurso anticapitalista:
- ironicamente teve que pedir socorro aos EUA para que enviasse alimentos, devido à gravíssima crise alimentar na região do Volga, onde morreram de fome cerca de 5 milhões.
- anunciou medidas capitalistas através da NEP (Nova Política Econômica), que consistiam basicamente na autorização para a existência de uma pequena e média burguesia.  
- Permitiu a diferenciação salarial, (ou seja a tão combatida desigualdade): os trabalhadores poderiam receber salários variáveis, de acordo com a sua capacidade produtiva. Lênin sabia que a produção no capitalismo é maior pois envolve o desejo de ganhar mais, enquanto no socialismo o trabalhador, produzindo muito ou pouco, recebia a mesma remuneração.
- Com o passar do tempo os efeitos da NEP indicavam uma melhoria da economia, entretanto, em 1924, Lênin morre, deixando um testamento que de forma indireta indicava Trotsky como sucessor e ao mesmo tempo alertava para o perigo que Stálin representava. Logo após sua morte, o poder ficou temporariamente na mão de um colegiado (um triunvirato), que passou a disputar entre si quem seria o sucessor, ao mesmo tempo em que tentava impedir a ascensão de Trótsky, que naquele momento vivia o auge de sua fama: era o comandante do vitorioso Exército Vermelho e o intelectual mais próximo de Lênin. Entretanto, Stálin era um operador político infinitamente superior a Trótsky dentro da burocracia do Partido, e isso foi decisivo para sua ascensão. Stalin era articulado, dominava os arquivos, as nomeações e os carimbos. Trotsky era um estrategista de batalha que não percebeu que a verdadeira guerra estava acontecendo nos corredores do Kremlin. Quando ele finalmente tentou reagir, em 1927, descobriu que o Partido  pertencia totalmente a Stalin.
TEXTO 13
STALINISMO: DITADURA E TERROR (1928 - 1953). A Pátria como Ferramenta de Controle: Para vencer a disputa com Trotsky, Stalin apelou ao sentimento patriótico, conseguindo transformar transformar qualquer crítica contrária em um ato de traição à nação. Ao defender a internacionalização da revolução pelo mundo, Trótsky passou a ser acusado de traidor do povo, da revolução e da pátria russa.   Stálin posou de nacionalista e patriota, ao mesmo tempo que acusava Trotsky de trair o povo e ser um agente infiltrado das potências estrangeiras" que queria destruir a pátria russa. Trotsky foi transformado em um "aventureiro" que não se importava com o povo russo e estava disposto a sacrificar o país em uma guerra mundial interminável. Ironicamente, enquanto o discurso marxista dizia que "o operário não tem pátria" e que ser patriota é ser capacho da burguesia para dividir os trabalhadores, Stálin transformou o patriotismo em uma arma política central.
A POLÍTICA INTERNA DE STÁLIN
Stalin transformou a Rússia e levou o país a se transformar em superpotência industrial e nuclear em menos de três décadas. No entanto, o custo humano dessa transformação foi um dos mais altos da história moderna.
O Deslocamento forçado de populações:
O Estado soviético era imenso e diversificado. Regiões como o Cáucaso, Crimeia e Ásia Central tinham histórico de resistência. Diante dessa situação, Stálin impôs forte centralização e vigilância sobre as diversas identidades étnicas, que passaram a ser vistas como possível foco de deslealdade. A solução escolhida não foi integração, mas o deslocamento em massa e a transferência forçada, principalmente durante os anos trinta e sobretudo durante a Segunda Guerra mundial. Deslocar populações significava enfraquecer as identidades nacionais. Era engenharia demográfica como instrumento político. Muitos deportados foram enviados para regiões da Sibéria e Ásia Central, onde serviram na agricultura, indústria e diversos projetos estatais.



TEXTO 14
As deportações foram feitas em condições extremamente duras, geralmente em vagões de carga, em condições desumanas, onde não havia nem alimentação nem abrigo, resultando em alta mortalidade.
Na prática, o povo estava proibido de se mudar de sua região para outra sem a autorização concedida pela autoridade local através da Propiska.  
O MODELO ECONÔMICO
Stálin substituiu a NEP pela economia planificada, através dos Planos Quinquenais, onde investiu-se pesadamente nos bens de produção. A produção dos bens de consumo ficaram em segundo plano e nunca receberam a devida atenção. O órgão responsável pelo planejamento era o Gosplan, que definia quanto produzir, onde produzir e o que produzir. O Estado assumiu o papel de maestro absoluto da orquestra econômica.
Planos Quinquenais: estabeleceram metas para cinco anos, com foco principalmente em: siderurgia, mineração, energia e indústria pesada.
Na agricultura, foram reativadas as fazendas coletivas, resultando em resistência camponesa, desorganização da produção, desabastecimento e fome em larga escala. Os camponeses resistiam ao trabalho forçado nas fazendas coletivas (Kolkhoz). Os camponeses (ou Kulaks) mais prósperos dos tempos da NEP (ou qualquer um que resistisse à coletivização) foram rotulados como "inimigos do povo", executados ou enviados para o Gulag.
Na Ucrânia, a resistência camponesa à coletivização e ao confisco de grãos resultou no terrível genocídio conhecido como Holodomor, onde cerca de 5 a 7 milhões foram mortos. Stálin impôs cotas de produção irreais e confiscava a produção de grãos para alimentar as cidades e financiar a industrialização, deixando os camponeses sem alimentos para sua própria subsistência, mesmo em anos de boas colheitas. Stalin temia que o nacionalismo dos ucranianos pudesse se tornar uma ameaça ao poder soviético. A crueldade foi tanta que os ucranianos foram cercados por tropas e impedidos de colher simples espigas caídas no solo e de sair de sua região em busca de comida.

TEXTO 15
A produção agrícola, de maneira geral sempre abaixo da expectativa. Para piorar, a maior parte desssa produção foi usada por Stálin para trocar por máquinas e equipamentos das potências capitalistas. Esse comércio de grãos por tecnologia fazia parte do plano de Stálin de transformar a Rússia numa potência industrial capaz de competir com o Ocidente.
O Primeiro Plano Quinquenal (1928-1932)
foi o instrumento para isso, e a agricultura foi a principal vítima. Ironicamente, o regime socialista de Stálin priorizou a acumulação de capital (através da exportação de grãos) para a industrialização em detrimento da vida da população rural. No auge do Holodomor, entre  1932-33, enquanto milhões de pessoas morriam de fome, trens carregados de grãos cruzavam a fronteira com destino aos portos do Mar Negro para serem exportados. O grão que teria alimentado os camponeses foi transformado em moeda estrangeira, que por sua vez foi transformada em máquinas e equipamentos. A produção agrícola soviética continuava insatisfatória, mesmo com investimentos maciços em mecanização. Havia uma explicação bem simples para isso: Era o trabalho forçado nas fazendas coletivas (kolkhozes) e estatais (sovkhozes). Na prática, era um retorno à Idade média, onde o servo estava submetido à Corveia e à Talha. Embora o discurso socialista falasse em "libertação do campesinato", a realidade das fazendas coletivas havia ressuscitado o modelo de exploração feudal. Stálin era o Senhor do Feudo. A corveia era o trabalho compulsório nas terras senhoriais (as Fazendas Soviéticas ou sovkhozes). A Talha era o trabalho compulsório nas terras coletivas (kolkhozes). ,  epetia o terrível modelo de exploração medieval. Só os idiotas doutrinados demais não entendiam a terrível situação em que o povo se encontrava.  O salário era irrisório e muitas vezes pago em espécie (com parte da colheita) ou simplesmente não pago. Se você trabalhasse muito ou pouco, seu salário (quando existia) era praticamente o mesmo. Não havia incentivo para produzir mais ou melhor. A ditadura percebeu que era preciso dar alguma compensação para o camponês.  


TEXTO 16
O servo feudal era preso à terra. No socialismo soviético também. Os camponeses eram proibidos de sair de sua fazenda. A única forma legal de sair era através da autorização do chefe da fazenda coletiva (que raramente a dava, pois precisava de mão de obra) ou se fosse convocado para o Exército, ou se fugisse.
A Pequena Propriedade rural:  Ironicamnente, contrariando a doutrina, a partir de 1930, Stálin foi forçado a reativar uma velha prática czarista de permitir a existência de pequenos lotes de terra privados. Os camponeses tinham o direito de cultivar o lote para subsistência e vender o excedente nos mercados. Essa decisão resultou em uma melhoria considerável da produção de alimentos.
A POUCA PRODUÇÃO DE BENS DE CONSUMO - O ASCETISMO FORÇADO: No governo de Stálin, a prioridade era construir uma grande infraestrutura, indústrias de base e um gigantesco complexo industrial militar tanto para se defender quanto para competir com o Ocidente. Essa escolha deliberada criou uma economia onde havia todo o tipo de armamentos e equipamentos caros (tanques, navios, aviões, submarinos, etc)., mas faltavam mercadorias nos supermercados, onde os russos enfrentavam filas intermináveis, desabastecimento, péssimo atendimento e produtos de baixa qualidade.
Satisfazer os desejos dos cidadãos comuns nunca foi prioridade. O soviético deveria ser um produtor e não um consumidor. Os bens de consumo, o conforto material individual e a busca por uma vida "fácil" eram associados à decadência burguesa e ao capitalismo. O povo era educado para levar uma vida de exaltação ao trabalho duro, à produção industrial pesada e ao sacrifício pessoal em nome do futuro coletivo. O desejo por roupas da moda, eletrodomésticos ou uma casa confortável era visto como um resquício da mentalidade pequeno-burguesa. O cidadão soviético  deveria se preocupar com a construção do socialismo e a defesa da pátria, não com seu bem-estar pessoal imediato. O Sistema de Cartões de Racionamento (Kartochki): Na ditadura socialista, O Estado via o consumo não como um direito de escolha do cidadão, mas como um serviço administrado pela burocracia.
TEXTO 17
Essa burocracia estatal implantou o sistema de  cadernetas de racionamento, que eram obrigatoriamente apresentadas nas lojas estatais para garantir que você não ultrapassasse sua cota mensal. A burocracia estatal dividiu a sociedade em categorias de consumidores:
a) Trabalhadores de setores estratégicos (indústria pesada, mineração, alto escalão do Partido) tinham acesso a lojas melhores e maiores cotas de alimentos.
b) Camponeses e cidadãos de categorias inferiores tinham cotas mínimas ou praticamente nulas. Como a produção era pouca, o preço era baixo, os produtos acabavam rapidamente. Se você chegasse cedo na fila, conseguia comprar. Se chegasse tarde, a prateleira estaria vazia. Com o tempo, a corrupção estatal criou um Mercado Paralelo, onde muitos soviéticos recorriam para ter acesso tanto a mercadorias russas.
Outro problema era o da moradia, chamado de (Kommunalka): como todos os imóveis eram do Estado, este decidia quem neles moraria, partindo do princípio de que moradia não era uma mercadoria, mas um serviço fornecido pelo Estado. Na prática, em vez de conceder um apartamento para cada família, o Estado instalava uma família por quarto, o qual se tornava o seu único lugar privado. Lá eles dormiam e comiam e guardavam seus pertences. O Espaço comum era a cozinha, o banheiro e o corredor, os quais eram compartilhados por várias famílias (às vezes 5 ou 7 famílias no mesmo apartamento). Escovar os dentes ou tomar banho exigia escalas de horários, o que gerava conflitos constantes e uma perda total de privacidade. Na teoria comunista, a cozinha compartilhada deveria ser o espaço da convivência fraterna. Na prática, era o lugar onde os conflitos explodiam, devido aos constantes furtos de alimentos. Outro problema era a sujeira: quem sujou e não limpou? As brigas eram rotineiras. Muitas famílias preferiam manter suas geladeiras dentro de seus minúsculos quartos para evitar o furto de alimentos. Isso comprometia ainda mais o espaço dos quartos.


TEXTO 18
O Estado decidia o espaço de cada pessoa numa casa (só na teoria, pois a realidade era outra: a regra era cerca de 9 m2 por pessoa. Se uma família de três pessoas vivesse em um quarto de 30 m2, o Estado considerava que eles tinham "espaço sobrando" e instalava uma  quarta pessoa (um estranho) no mesmo quarto, o qual passava a ser dividido com uma cortina. Para conseguir um quarto, o cidadão não ia a uma imobiliária; ele ia ao comitê do Partido ou ao sindicato da sua fábrica responsável pela serviço. Quem era solteiro, compartilhava um espaço em um quarto. Quem casava entrava em uma lista de espera por um quarto maior e esta espera poderia durar muitos anos. Havia exceções: se você fosse amigo dos burocratas poderia passar na frente; da mesma forma, se o burocrata fosse corrupto, poderia aceitar propina para facilitar a mudança. Viver em um sistema onde o Estado decidia o tamanho da sala e a quantidade de moradores por casa, resultou na criação da mentalidade de "o que é público é de ninguém". Por isso, os corredores dos prédios eram escuros, sujos e mal conservados: os moradores cuidavam apenas do seu quarto; o que estava fora da porta era do Estado. A situação só melhorou um pouco a partir da ditadura de Krushev, que investiu na  na criação de vários apartamentos (mesmo minúsculo, era melhor do que um quarto). Como não se podia vendê-lo, se uma família crescesse e precisasse de mais espaço, ou se quisesse mudar de cidade, ela precisava encontrar outra família disposta a trocar de lugar, mas tudo isso dependia da autorização de um Comitê.
- A Elite que vivia no luxo: Embora defendesse uma sociedade sem classes, Stálin criou uma elite poderosa e privilegiada, comparável à  antiga nobreza czarista, com a diferença de que o poder não vinha da terra, mas do carimbo do Partido. Chamada de Nomenklatura, era a elite burocrática composta por altos funcionários do Partido Comunista, administradores e gestores indicados para cargos chave. Eles gozavam de enormes privilégios, os quais contrastavam com a sofrida vida do povo: mansões, casas de campo e de praia, carros e bens de luxo, alimentos importados, supermercados e lojas abarrotados de mercadorias importadas, serviço de saúde da melhor qualidade, etc.
TEXTO 19
Stálin criou a Nomenklatura como forma de substituir o idealismo pela dependência: se você fosse leal ao líder, você teria uma vida de luxo. Entretanto, ao menor sinal de deslealdade, perderia tudo, inclusive a vida. Isso resultou em um nível de total submissão aos desejos de Stalin, que preferia um administrador medíocre mas fiel do que um gênio que tivesse ideias próprias. Stalin foi o mestre em usar o privilégio como coleira.
O TERROR STALINISTA:  
O Grande Terror não foi apenas paranoia, foi uma estratégia de sobrevivência e transferência de culpa. A industrialização acelerada, a coletivização no campo, a fome e os milhões de mortos  geraram caos e miséria, contrariando a promessa de Paz, Pão e Terra.  Se a promessa do "Paraíso Socialista" estava resultando em fome, máquinas quebradas e mortes, havia apenas duas conclusões possíveis: O sistema de Stalin estava errado (o que seria o fim de Stalin). O sistema era perfeito, mas estava sendo sabotado por opositores e traidores do povo e da pátria.
Em vez de admitir que o sistema era desumano, Stalin precisava criar culpados antes de que alguém o culpasse. O terror servia para desviar a raiva do povo: A culpa não era do governo, mas de inimigos infiltrados em cada fábrica e fazenda. Stalin aplicou a tática de "Dividir para Governar": Ele incentivava o operário a denunciar o gerente da fábrica e o camponês a denunciar o burocrata local. Ao dar ao povo o "poder" de destruir seus chefes imediatos através de denúncias, Stalin canalizava o ódio popular para longe do topo da pirâmide, onde ele estava.
Os Processos de Moscou: Para enganar o povo e convencê-lo de que os problemas eram causados por traidores, Stalin criou julgamentos públicos teatrais, onde  revolucionários históricos eram forçados, sob tortura ou ameaças contra suas famílias, a confessar crimes bizarros que não cometeram. O povo, exausto e faminto, assistia a essas confissões e pensava: "Ah, então é por isso que não temos carne! Esses traidores estavam vendendo nossa comida para os inimigos!"


TEXTO 20
O Mecanismo de Medo Permanente: Para Stalin, o medo era a única forma de manter um país tão vasto sob controle. Ele justificativa o terror e o uso intenso da polícia secreta, afirmando que quanto mais o socialismo avançava, mais desesperado. Era o argumento perfeito para um estado de emergência perpétuo. O povo acreditava que Stalin era um gênio trabalhando continuamente pela pátria, e que todos os problemas eram culpa de oficiais corruptos e espiões que escondiam a verdade dele.
Os Processos de Moscou eram o "teatro" público, enquanto os Expurgos (ou o Grande Terror) eram a "carnificina" nos bastidores. Stalin usava os Processos de Moscou para dar uma justificativa ideológica aos Expurgos
Os Expurgos: diferente dos processos teatrais, as vítimas dos expurgos eram presas geralmente à noite, interrogadas sob tortura e julgadas sumariamente por um comitê de três pessoas que davam a sentença em minutos. Quando não eram executados, eram levados para os Campos de trabalho forçado dos Gulag.
O ponto alto do terror foi a Ordem 00447 da NKVD, emitida em 1937, que estabeleceu cotas para cada região da URSS. Essas cotas eram divididas em categorias, onde um grupo seria fuzilado imediatamente e outro ficaria preso no Gulag por 10 anos. Os chefes da NKVD, almejando promoções, frequentemente pediam a Moscou para aumentar suas cotas, fato que resultou em uma competição para ver quem matava mais para provar lealdade a Stalin.
Expurgos Militares: Stalin executou grande parte dos generais e coroneis do Exército Vermelho por suspeita de traição. Ele preferia um exército temporariamente prejudicado, mas leal, a um exército eficiente que pudesse tentar um golpe contra ele.
A Diminuição do Terror: o terror nunca foi extinto na ditadura soviética. Entretanto, próximo ao final dos anos trinta, a quantidade de burocratas executados foi tão grande que já provocava um início de colapso administrativo, ao mesmo tempo em que o Exército estava enfraquecido. Stálin percebeu que era preciso agir e acusou o chefe da NKVB,  Nikolai Yezhov, de ter "exagerado" nas repressões e cometido "abusos" contra cidadãos soviéticos inocentes. Yezhov foi condenado e executado.

TEXTO 21
A POLÍTICA EXTERNA DE STÁLIN: A ALIANÇA COM O FASCISMO E O NAZISMO: Para Stalin, a expansão de sua imagem e a do poder da União Soviética  estavam acima de  qualquer princípio ideológico. Stálin era capaz de mudar a "verdade" ideológica da noite para o dia se fosse conveniente, ou seja ela servia muito bem para iludir o povo, mantendo-o dominado e submisso; era excelente para formar uma gigantesca massa de idiotas úteis. Stálin acreditava que era o único capaz de levar a humanidade a um "futuro radiante". Ele se via e fez o povo acreditar que era o "grande timoneiro". Para ele, se milhões de "idiotas úteis" precisassem morrer para que o sistema sobrevivesse, era um preço matemático aceitável. O povo não era o fim para Stalin, mas o combustível. Sendo assim, ele não via nenhum problema em fazer alianças com quaisquer regimes.
A Aliança com Mussolini: A Itália fascista foi um dos primeiros países a reconhecer a Rússia socialista, ainda em 1924. Em 1933, os dois países estavam em posições geopolíticas delicadas: A URSS precisava de tecnologias avançadas e equipamentos industriais para seus Planos Quinquenais. A Itália queria se afirmar como uma grande potência europeia independente. A URSS precisava da tecnologia italiana para melhorar suas comunicações, sua marinha de guerra e sua força aérea. Em troca, fornecia petróleo e carvão, essenciais para a indústria de guerra de Mussolini. Tendo como base esses interesses, os dois países assinaram o Pacto Ítalo-Soviético, ou Pacto de Amizade, Não Agressão e Neutralidade. Uma boa parte dos grãos confiscados dos ucranianos vítimas do Holodomor foi usado como parte do pagamento soviético pelas máquinas e equipamentos italianos. Enquanto o Ocidente  recebia relatórios distorcidos sobre o "sucesso" da agricultura soviética, o trigo que saía da Ucrânia ajudava a manter a economia fascista, ao mesmo tempo em que ajudava sua indústria a vender tecnologia de guerra para Stalin.




TEXTO 22
O PACTO GERMANO-SOVIÉTICO:
Assinado em 23 de agosto de 1939, foi um gigantesco Pacto Imperialista entre Socialistas e Nazistas. Ele incluia um protocolo secreto que permitia a invasão e divisão da Polônia entre os dois países. Sendo assim, não apenas Hitler, mas Stálin também foi culpado pelo início da II Guerra. Antes desse pacto a Alemanha não se arriscaria a invadir a Polônia, pois sabia que os soviéticos iriam reagir. Ao mesmo tempo, o pacto era uma forma da Alemanha não lutar em duas frentes como havia ocorrido na I guerra mundial. Além disso, o pacto permitia a expansão imperialista dos soviéticos, que ficaram livres para anecar Finlândia, Estônia, Letônia e Lituânia. O Acordo também se estendia ao campo da cooperação econômica e tecnológica: A Alemanha fornecia máquinas, equipamentos e tecnologia. A União Soviética em troca, fornecia petróleo, aço e diversas matérias primas fundamentais.
OS ACORDOS COM OS EUA: Já em 1929, Stálin fez um acordo com a Ford para a instalação de uma fábrica de automóveis. Em troca, a URSS garantia a compra de cerca de 72.000 veículos desmontados e todas as peças de reposição por nove anos. Para os soviéticos essa fábrica representava um salto de tecnologia na fabricação de veículos. Na década de trinta, após o reconhecimento diplomático, Os EUA estenderam à URSS as tarifas reduzidas negociadas com outros países. Em contrapartida, a União Soviética comprometeu-se a aumentar o montante de compras nos Estados Unidos, num valor não inferior a US$ 30 milhões durante o ano de 1935 . Este mecanismo de compromisso de compra foi a espinha dorsal das relações comerciais entre os dois países.
O ACORDO COM OS EUA DURANTE A II GUERRA MUNDIAL: Chamado de Lend-Lease foi um acordo jurídico e financeiro ocorrido logo após a Alemanha invadir a URSS. Através dele, os EUA enviaram todo o tipo de material necessário para a luta soviética: aviões, locomotivas, matéria prima e combustíveis, alimentos, armamentos em geral, material de comunicações, etc. O próprio Stálin, durante a Conferência de Teerã (1943), declarou publicamente: "Sem a produção americana,

TEXTO 23
A PERSEGUIÇÃO AOS RELIGIOSOS
A perseguição contra qualquer credo religioso foi um dos pilares do marxismo-leninismo.  Na visão socialista, a religião não era apenas uma crença "errada", mas uma estrutura de poder concorrente que precisava ser erradicada para que o "Homem Novo" pudesse nascer.
Na Rússia, a Igreja Ortodoxa era o braço ideológico do Czarismo; derrubar o Czar sem derrubar a Igreja seria deixar a semente da contra-revolução viva. Estado Soviético exigia lealdade total. Um cidadão que teme a Deus mais do que ao Partido é um cidadão "não confiável". A religião era vista como uma superstição medieval que impedia o progresso científico e a industrialização. No marxismo, o Estado e seu líder deveriam tomar o lugar de Deus ou de qualquer outra divindade.
A perseguição começou na ditadura de Lênin, onde houve o confisco de todos o patrimônio da Igreja e de seus objetos de valor.  Milhares de padres, bispos e freiras foram executados ou enviados para campos de concentração.  Muitos foram torturados com requintes de crueldade para servirem de exemplo. Stálin continuou a tarefa: Durante o Grande Terror (1937–1938), milhares de religiosos foram executados. A fé passou a ser tratada como suspeita política. Em muitos casos, pertencer ao clero era quase sinônimo de “inimigo do povo”.
A reviravolta estratégica: Curiosamente, em 1941, quando a Alemanha a URSS, Stalin suavizou a perseguição porque precisava do sentimento de patriotismo russo. Stalin percebeu que o povo não morreria por "Marx", mas morreria pela "Mãe Rússia" e por sua fé. Sendo assim, ele permitiu a reabertura de Igrejas e a libertação de clérigos. Ele precisava da Igreja para mobilizar o nacionalismo e o apoio das massas para a guerra. A Igreja tornou-se, temporariamente, uma ferramenta de propaganda estatal. Assim que a guerra acabou, a perseguição voltou de forma mais sofisticada, através do controle do Estado:  Nenhum padre ou bispo subia na hierarquia sem aprovação do Partido.



TEXTO 24
A religião era tolerada apenas se servisse para dizer ao mundo que havia "liberdade" na URSS, enquanto internamente o Estado continuava a punir quem batizasse filhos ou frequentasse cultos secretamente. Mesmo após décadas de perseguição, torturas e execução, o Estado ateu não conseguiu apagar a fé genuína, que tornou-se subterrânea. Para tentar extinguir a religião da vida do povo, o Estado ateu criou novos rituais, chamados de "Ritos de Passagem Socialistas" (cerimônias semelhantes ao batismo só que voltadas para a fidelidade ao partido comunista).
A QUESTÃO DA FAMÍLIA: o marxismo soviético tentou desmantelar a família tradicional nas primeiras décadas, sob o argumento de que era uma tradição burguesa opressora que privatizava o afeto e prendia a mulher em um papel de servidão, impedindo-a de se tornar uma operária produtiva para o Estado. A proposta era que o Estado assumisse as funções da família: cozinhas públicas, creches estatais e lavanderias coletivas. Se o Estado cuidasse de tudo, a dependência entre marido e mulher desapareceria e ambos seriam leais apenas ao Partido. Sendo assim, facilitaram o divórcio e o aborto sem restrições. O casamento poderia ser dissolvido com uma simples notificação postal, sem que o outro sequer soubesse. O Estado também seria o pai de todas as crianças, as quais deveriam ser criadas em creches.
A Reviravolta de Stalin: nos anos trinta, Stalin percebeu que destruir a família tradicional prejudicava seus planos: orfandade em massa, queda na taxa de natalidade e instabilidade social (além disso, era preciso repor os milhões de mortos pela guerra civil e pela fome). A solução foi o retorno do conservadorismo familiar. O divórcio tornou-se um processo burocratizado e caro e o aborto foi proibido. A propaganda de Stalin mudou: de  "mulher operária" para a "mãe heroica".  Stalin era pragmático, como sempre: ele percebeu que  o Estado não tinha recursos para cuidar de cada cidadão como a família cuidava. O Estado usava a família como um "amortecedor" para as falhas de suprimentos e serviços públicos.

CONCLUSÃO:
Lênin e Stálin criaram os dois primeiros regimes totalitários da história. Nunca antes um governante teve tanto poder concentrado como eles tiveram. Pela primeira vez na história, o governante era o único dono de tudo.
Ele detinha o monopólio da comida, da moradia, da informação e da violência. Lênin e Stalin foram elevados ao status de divindades seculares através do culto à personalidade. Embora Lênin tenha lançado as bases ideológicas e estruturais, Stalin escalou essas ferramentas para um nível de controle e extermínio inimaginável. A contagem de mortos sob os dois regimes é objeto de debate, mas as estimativas variam de 20 a 30 milhões de pessoas. A transição do Czarismo para o Socialismo significou a troca de um regime que iniciava o caminho rumo à democracia pelo mais terrível regime político que o ser humano criou, onde o Estado passou a controlar esferas da vida humana que antes eram relativamente privadas, além do fato de que todas as liberdades fundamentais foram extintas (opinião, crença, imprensa, ir e vir, propriedade, justiça, etc.). Até o direito de privacidade foi retirado. O povo só servia como um instrumento para ser usado e descartado. Era apenas um recurso do Estado, era o material de construção ou o combustível da máquina. O ser humano foi transformado em um elemento insignificante, uma cobaia em um laboratório de engenharia social. Foi até então o maior e mais radical projeto de engenharia social da história (só foi ultrapassado pelo socialismo chinês). Lênin e Stalin não queriam apenas governar a Rússia, mas "reformar" a natureza humana conforme seus caprichos. O Estado funcionou como um laboratório gigante, usando o terror para "reprogramar" a mente e o comportamento do povo. O projeto de engenharia social soviético foi uma tentativa de aplicar a lógica das máquinas aos seres humanos. O indivíduo era visto como uma engrenagem que poderia ser lixada, ajustada ou descartada para que a "Grande Máquina" funcionasse. Definir o Socialismo soviético como uma lavagem cerebral gigantesca não é apenas uma metáfora, mas uma descrição precisa dos métodos de controle mental e conformidade social que foram aplicados a uma escala nacional durante décadas. 

 

Fontes:

- Hannah Arendt: Origens do Totalitarismo - Companhia das Letras (Edições variadas, ex: 1989, 2013)

- Robert Conquest: O Grande Terror: Os Expurgos de Stalin na Década de 1930 (The Great Terror: Stalin's Purge of the Thirties - 1968).

- Robert Conquest:O Grande Terror: Uma Reavaliação (The Great Terror: A Reassessment - 1990).


- Orlando Figes: A TRAGÉDIA DE UM POVO: A REVOLUÇÃO RUSSA (1891-1924) - Editora: RECORD. Edição: 1 - 2026

- Anne Applebaum: Gulag: Uma história dos campos de prisioneiros soviéticos
Editora Record - 2025

-  "O Arquipélago Gulag" – Aleksandr Solzhenitsyn

- Stalin" (Volumes I, II e III) – Stephen Kotkin

- O livro negro do Comunismo - diversos autores

- Fome Vermelha: A Guerra de Stalin na Ucrânia" – Anne Applebaum

- Lênin: Uma Biografia Definitiva" – Robert Service

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quarta-feira, 15 de abril de 2015

PAULO FREIRE, SEU MÉTODO E A IDEOLOGIA

Interessante texto criticando o patrono da educação brasileira. Concordo com o autor Paulo Roberto de Almeida, pois é importante que se tenha uma visão crítica a respeito de tudo, não se aceitando  pacificamente o que tentam repassar como verdade.

Paulo Roberto de AlmeidaP
Paulo Roberto de Almeida



TEXTO COPIADO DO SITE:

 
Embora muito se fale sobre o dito "Método Paulo Freire" de ensino, a opinião pública sabe bem pouco sobre no que isso consiste. Em grande parte, tal situação se dá pelo fato de que Paulo Freire e os propagandistas desse método não se preocuparam muito em explicá-lo, restringindo-se quase o tempo todo à denúncia da dita "educação bancária" e à repetição do mantra "educar é um ato político".

Nesse contexto, não deixa de ser proveitoso ler o livrinho O que é método Paulo Freire, de Carlos Rodrigues Brandão. O autor é um discípulo de Freire que participou das primeiras experiências de aplicação desse método, em 1961, no interior do Nordeste. A proposta do livro é explicar tais experiências passo a passo, tendo em vista que "[...] em alguns livros de Paulo Freire e de outros educadores, são poucas as páginas sobre o método e, não raro, elas estão escondidas em algum 'anexo'" (Brandão, 1984, p. 14). Na seção final do livro, o autor explicita que, em realidade, as reflexões metodológicas ocupam um lugar pequeno na obra freiriana: "quem voltar aos livros que Paulo Freire escreveu vai notar que, de propósito, falei muito do que ele fala pouco e pouco do que ele fala muito" (Idem, p. 111).

Ora, essas citações já evidenciam que, como dizem os críticos de Freire, esse autor e seus seguidores não se preocupam muito com a educação em si mesma, e sim em fazer da educação um instrumento de luta política contra o capitalismo. E o livro de Brandão, precisamente por se concentrar na descrição do método, acaba por fornecer elementos que corroboram as críticas lançadas contra as propostas freirianas. Neste texto, vou destacar apenas a crítica relativa à falta de originalidade do tal método.



Como era e como ficou

O historiador David Vieira sugere, com base numa boa revisão bibliográfica, que os procedimentos que compõem o dito "Método Paulo Freire" eram empregados na alfabetização de adultos, já em 1915, pelo missionário Frank Charles Laubach (1884-1970). Ao ser enviado numa missão religiosa para as Filipinas, Laubach precisava elaborar uma escrita para a língua maranao e, ao mesmo tempo, alfabetizar as pessoas nessa língua para que pudessem estudar a bíblia. Assim, ele "[...] adaptou um antigo método de ensino norte-americano, de reconhecimento das palavras escritas por meio de retratos de objetos familiares do dia-a-dia da vida do aluno, para ensinar a leitura da nova língua escrita. A letra inicial do nome do objeto recebia uma ênfase especial, de modo que o aluno passava a reconhecê-la em outras situações, passando então a juntar as letras e a formar palavras".



Ora, o trabalho de alfabetização realizado por Freire e seus seguidores consistia basicamente nos seguintes passos - embora Brandão repita várias vezes que o método era modificado a cada vez que o empregavam:

•    eles faziam uma pesquisa sobre o cotidiano dos alunos para selecionar os "temas geradores" e as "palavras geradoras"

•    usavam desenhos e fotos para estimular discussões em grupo sobre esses temas (por exemplo, os problemas de habitação, alimentação e outros na favela onde os alunos moravam)

•    apresentavam uma palavra geradora, como "favela", "tijolo" ou "salário", por meio de um slide

•    em seguida, eram apresentados slides com as "famílias fonêmicas" de cada sílaba (no caso de "favela", começava-se mostrando "fa - fe - fi - fo - fu", depois "va - ve - vi - vo - vu", etc.)

•    posteriormente, os alunos eram estimulados a criar palavras combinando todas as sílabas dispostas numa "Ficha de Descoberta", isto é, num quadro com todas as famílias fonêmicas relacionadas à palavra geradora (Brandão, 1984, p. 70-72).

Qual é a originalidade disso em relação ao que Laubach e outros já faziam desde muitas décadas? Brandão não se detém em discutir o que haveria de original no trabalho realizado com Freire, mas, ao tratar dos critérios empregados para a seleção das palavras geradoras, explica o seguinte:

Ora, no Método Paulo Freire entra um critério que, se não é novo, apareceu repensado. [...] aqui, as palavras não são só um instrumento de leitura da língua; são também instrumentos de releitura coletiva da realidade social onde a língua existe, e existem os homens que a falam e as relações entre os homens. Portanto, as palavras precisam servir para as duas leituras e os seus critérios de escolha são três, dois deles usuais em outros métodos, o outro, novo e renovador:

1º) a riqueza fonêmica da palavra geradora;

2º) as dificuldades fonéticas da língua;

3º) a densidade pragmática do sentido (Idem, p. 30-31).

A novidade do tal método estaria na forma de aplicar o terceiro critério, portanto, já que os dois primeiros, referentes à sintaxe e à semântica, foram importados de outros métodos e aplicados basicamente do mesmo modo. E no que consiste a inovadora maneira freiriana de aplicar o critério pragmático? Brandão esclarece que este diz respeito ao "[...] maior ou menor teor de conscientização que a palavra traz em potencial, ou conjunto de reações socioculturais que a palavra gera na pessoa ou grupo que a utiliza" (Idem, p. 31).



Nesse sentido, Brandão acaba reconhecendo que os elementos propriamente técnicos do tal "Método Paulo Freire" foram herdados de outros que já existiam, e que a grande novidade estava em selecionar as palavras que fossem mais úteis para direcionar as discussões em grupo de modo tal a "conscientizar" os alunos, sendo que "conscientização" deve ser entendida como sinônimo de "compreensão de mundo" (Idem, p. 39 – itálicos no original).



Falando com franqueza, não parece lícito atribuir a Paulo Freire a invenção de um método de ensino que leva seu nome se ele se serviu de métodos já existentes e apenas mudou a forma de aplicar um dos critérios de seleção de palavras geradoras de maneira a combinar o trabalho de alfabetização de adultos com doutrinação ideológica de esquerda! E isso considerando especialmente que o critério pragmático, ao contrário dos dois primeiros (que são totalmente importados), não tem nenhuma relação direta com as operações cognitivas que constituem o ato de ler. Não admira que Freire falasse tão pouco de método em seus livros...



Diálogo enviesado

É claro que alguém poderia objetar que, embora Brandão admita que as palavras geradoras são selecionadas propositalmente pelo seu potencial de uso como instrumentos de "conscientização", não há como predeterminar o resultado das discussões feitas com os alunos, o que invalidaria ou ao menos relativizaria a crítica de que se estaria fazendo doutrinação ideológica disfarçada de diálogo. Contudo, eu expliquei no texto Paulo Freire e a "educação bancária" ideologizada como funcionam de fato essas discussões em grupo: o professor freiriano apresenta uma única via para explicar as situações relatadas pelos alunos, que é a ideologia em que ele acredita. Assim, o aluno é deixado na ignorância sobre a existência de pesquisas que explicam as situações de pobreza, desigualdade, problemas urbanos e ambientais, entre outros, fora do universo teórico e ideológico do professor!



Em suma, é muito forçado dizer que existe um "Método Paulo Freire" de ensino, pois o que esse autor fez foi apenas transformar métodos de alfabetização bastante antigos num processo de doutrinação ideológica que se dá por meio de diálogos nos quais o aluno, deixado na ignorância de explicações alternativas e mais sofisticadas, não tem poder nem espaço para contestar os "novos saberes" que lhe são apresentados.



Paulo Freire: pobreza intelectual, dogmatismo e amor assassino

Quando o jornalista José Maria e Silva publicou uma crítica contundente ao mal chamado "Método Paulo Freire", na Gazeta do Povo, esse jornal publicou também textos de freirianos para apresentar o famoso "outro lado da questão" - muito embora os freirianos não proponham apresentar visões de mundo diferentes aos seus alunos, conforme se vê pela leitura de Pedagogia do oprimido (Freire, 1987).



Mas o que chama a atenção nessas respostas é que os seguidores de Freire, na verdade, não respondem! Primeiro, eles usam o argumento de autoridade, dizendo que Freire é o patrono da educação brasileira e que trabalhou nesta e naquela instituição de prestígio. Depois, repetem a velha cantilena de que o método de ensino que leva o nome dele teria tido resultados impressionantes, ignorando o fato de os críticos desse método, como Silva, alegarem que os resultados efetivos ficaram muito aquém da propaganda. Por fim, citam uma ou duas passagens da obra de Freire sobre a educação ser um "ato político" e sobre a importância de tornar o estudante "sujeito de si mesmo". E param por aí! Em nenhum momento eles procuram formular uma resposta específica para as críticas elaboradas contra o, vá lá, "pensamento" de Paulo Freire. Repetem a velha fórmula de propaganda do tal método como se esta já contivesse resposta para qualquer crítica, e está feito.

 

Por que fogem do debate? Em parte, é claro, para tirar proveito do fato de que a imagem de Paulo Freire como grande educador e suposto inventor de um revolucionário método de alfabetização de adultos já está fortemente entranhada entre os professores e na opinião pública. Mas a razão oculta está no fato de que qualquer tentativa séria de defender as ideias freirianas implica ter de admitir que estas não têm nenhuma base científica e nem mesmo racional!



Em vez de ciência, fé ideológica

A melhor maneira de constatar isso é ler a obra freiriana, como os livros Pedagogia do oprimido e Pedagogia da autonomia, ambos já citados neste blog, que se caracterizam por um simplismo de ideias constrangedor. Mas quem quiser ganhar tempo e ir direto a um trabalho freiriano que deixa essa falta de fundamentação bem explícita pode recorrer ao livrinho O que é método Paulo Freire, comentado no post anterior. Após descrever os procedimentos que compõem o método de alfabetização de adultos aplicado por Freire e seus seguidores já em 1961, o autor, Carlos Rodrigues Brandão, escreve o seguinte: 



Às vezes é muito difícil falar sobre as ideias que deram origem ao Método Paulo Freire, porque elas são muito simples e algumas pessoas precisam complicá-las.

Na verdade Paulo Freire não tem sequer uma teoria pedagógica definitiva. Ele tem um afeto e a sua prática. Por isso fica difícil teorizar a seu respeito, sem viver a prática que é o sentido desse afeto. Por isso é fácil compreender o que ele tem falado e escrito, quando se parte da vivência da prática do compromisso que tem sido, mais do que sua teoria, a sua crença (Brandão, 1984, p. 102).



O que se vê nessa passagem da conclusão do livrinho é o reconhecimento de que Paulo Freire e seus seguidores não têm como justificar a suposta eficácia do tal método, já que os seus escritos consistem apenas em ideias simples embaladas por palavras atraentes, como "afeto". Nesse sentido, Brandão fornece a melhor comprovação da pertinência das críticas lançadas contra a pobreza intelectual de Paulo Freire.



De fato, José Maria e Silva, no artigo citado, afirma que Pedagogia do oprimido não passa de um panfleto político e de um "manual de autoajuda marxista" exatamente por causa da pobreza das ideias ali expostas. De modo similar, Sol Stern afirma que essa obra nem ao menos pode ser considerada um trabalho sobre educação, já que ignora todos os temas importantes nessa área do conhecimento ao longo do século XX, tais como avaliações, padrão de ensino, currículo escolar, o papel dos pais na educação, entre outros, e se perde em "platitudes marxistas". E Brandão, ao reconhecer que não há mesmo nenhuma teoria ou argumento racional que fundamente esse ou qualquer outro trabalho de Freire, vê-se forçado a desqualificar críticas como essas da seguinte forma:



Como discutir com os termos complicados da ciência um educador cuja ideia-chave é o amor?



Procure, leitor, folhear de alma limpa os escritos dele. Aos olhos ferozes dos tecnocratas do poder e da educação, pode ser que tudo aquilo não passe de uma espécie de poesia pedagógica, tão edificante quanto inviável. E aos seus olhos? (Brandão, 1984, p. 103).



Trata-se aí de uma óbvia desqualificação intelectual daqueles que acusam o simplismo dos escritos freirianos mediante a estratégia de associar os críticos ao rótulo odioso de "tecnocratas do poder e da educação". E, pior ainda, Brandão procura manipular as emoções de seus leitores ao enfeitar sua exposição com palavras bonitas, como "amor", e pedir-lhes que folheiem a obra de Freire com "alma limpa", pois assim dá a entender que uma obra edificada sobre o "amor" só pode ser compreendida por quem deixar a razão de lado e se entregar a uma apreciação igualmente emocional do que está lendo!



As ideias de Paulo Freire são simplistas e dogmáticas, já que não têm justificativa racional, e só podem ser admiradas por quem não leu seus escritos ou por aqueles que leram esse material imbuídos das mesmas ideologias superficiais do autor e do seu mesmo ideal de fazer da educação um instrumento de doutrinação a serviço do socialismo. A quem duvidar disso, proponho que aprecie, de "alma limpa", a seguinte passagem de Pedagogia do oprimido, também citada por Silva, na qual o amoroso Paulo Freire elogia os fuzilamentos praticados pela revolução cubana.

A revolução é biófila, é criadora de vida, ainda que, para criá-la, seja obrigada a deter vidas que proíbem a vida (Freire, 1987, localização 99).



BRANDÃO, C. R. O que é método Paulo Freire. 7. ed., São Paulo: Brasiliense (Coleção Primeiros Passos, v. 38), 1984.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 17. ed., Rio de Janeiro: Paz & Terra, (Coleção O Mundo, Hoje, v. 21), 1987.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

3º ANOS EXERCÍCIO DE HISTÓRIA- GOVERNOS DUTRA, VARGAS II, JK, JÂNIO QUADROS, JOÃO GOULART

1)   O governo Dutra adotou medidas que visavam à modernização das instituições político-administrativas. Entre essas mudanças, pode ser destacada:
A - a nova Constituição que, mesmo sendo democrática, manteve a proibição ao direito de voto das mulheres.
B - a aproximação com a União Soviética, em função do enorme prestígio dos parlamentares ligados ao PCB.
C - a extinção do corporativismo, com a regulamentação de centrais sindicais livres da tutela do Estado.
D - a implantação do Plano SALTE que visava atender às necessidades da industrialização e do abastecimento doméstico.
E - a recusa de participação na OEA, por considerá-la um instrumento de consolidação da hegemonia americana na América Latina.

2)  No segundo governo de Getúlio Vargas (1951 -1954), setores da sociedade brasileira se mobilizaram numa campanha:
a) pela política externa independente, onde presidente criou, sem a ajuda estrangeira, a Companhia Siderúrgica Nacional.
b) pela nacionalização da pesquisa, exploração e refino do petróleo, que culminou com a criação da Petrobrás.
c) pelas reformas de base, forçando o Congresso a votar leis a favor da reforma agrária e da nacionalização das refinarias de petróleo.
d) pela entrada sem restrições do capital estrangeiro no país, que culminou com a formulação, por setores governamentais, do Plano de Metas.
e) pela modernização tecnológica do país, que resultou no investimento estatal em novas fontes de energia e na criação de usinas nucleares.

3) Entre as iniciativas que marcaram o nacionalismo varguista, destaca-se a criação da Petrobras (Lei n. 2.004, aprovada pelo Congresso em 3 de outubro de 1953.) É CORRETO afirmar que essa Lei
a) deu origem à campanha "O petróleo é nosso",  reforçando o sentimento nacionalista entre os brasileiros e fazendo crescer o apoio a Vargas.
b) foi o estopim da crise que levou ao suicídio de Vargas, pois a Lei deixou a distribuição do petróleo nas mãos de empresas estrangeiras.
c) motivou a crítica, por parte do escritor paulista Monteiro Lobato, à criação da empresa estatal de petróleo.
d) teve como eixo a imposição do monopólio estatal sobre a produção de petróleo, considerado condição necessária para a soberania nacional.
e) NDR

4) Um motivo para a hostilidade de muitos órgãos de imprensa durante o 2.o Governo Vargas foi:
A – a ideologia nacionalista de boa parte da imprensa contra a política do Governo Vargas.
B - a crítica que Vargas fazia aos ataques diários do Jornal Última Hora contra seu governo.
C – a ideologia de boa parte da imprensa contra o nacionalismo econômico e o trabalhismo do Governo Vargas.
D – A luta de Vargas contra os casos de corrupção acobertados pela imprensa.
E - NDR

5) O governo Juscelino Kubitschek foi responsável:
a) pela eliminação  das disparidades regionais;
b) pela queda da inflação e da dívida externa;
c) por uma política nacionalista e de rejeição ao capital estrangeiro;      
d) pela entrada maciça de capitais estrangeiros e aceleração da industrialização;
e) por práticas antidemocráticas como a violenta repressão às rebeliões de Jacareacanga e Aragarças;

6) A crise gerada pela renúncia do presidente Jânio Quadros foi temporariamente controlada em 1961 através:
a) das reformas de base com vistas à modernização do País;
b) do Ato Institucional número 5 e o fechamento total do regime;
c) da emenda parlamentarista, que possibilitou a posse de  João Goulart, conciliando setores em confronto;
d) do Golpe Militar, provocando a queda do governo Goulart;
e) da convocação de novas eleições, desfazendo o clima de acirramento da oposição entre esquerda e direita.

7)   Em 06 de janeiro de 1963, realizou-se um plebiscito em que votaram mais de 12 milhões de cidadãos. Após o resultado do plebiscito, Goulart assumiu plenamente o poder presidencial. Que questão foi discutida no plebiscito  acima citado?
a) A validade da eleição de João Goulart.
b) A implementação das reformas de base por Jango.
c) O sistema de governo (presidencialismo X parlamentarismo).
d) A renúncia do presidente Jânio Quadros.
e) A Lei de Remessa de Lucros, reforma urbana e tributária.

08) Em sua política econômica, o governo Jânio Quadros gerou inquietações nos meios empresariais, entre outros motivos por:
a) revogar medidas que favoreciam a acumulação de capitais estrangeiros.
b) valorizar constantemente o cruzeiro, graças a artifícios contábeis.
c) conceder subsídios federais para vários produtos importados, destacando-se o trigo.
d) Descongelar os salários.
e) Implantar medidas que geraram uma grande restrição ao crédito.

09) " ...Os temores dos Estados Unidos até poderiam ser um pouco exagerados, mas tinham algum fundamento. Julião e sua mulher, Alexina, mantinham de fato contato com Fidel. Mais radical que o marido, Alexina dizia inclusive que a reforma agrária só se faria "na marra". Além disso, a ala mais à esquerda das Ligas Camponesas havia mesmo aderido à luta armada. O movimento foi o primeiro a adotar a guerrilha no Brasil, entre 1961 e 1962. Alexina chegou a ir à China para pedir armas a Mao Tsé-tung e fez treinamento militar em Cuba, acompanhada por outros esquerdistas brasileiros. Os cubanos também teriam ajudado financeiramente a organização. "A ideia era trazer o comunismo para o Brasil", conta sua filha Anatailde."
CARLA ARANHA: Texto retirado da publicação "O defensor dos camponeses: A saga de Francisco Julião, escritor, político e paladino da reforma agrária", postada em 03/09/2008
https://www.sescsp.org.br/online/artigo/compartilhar/5154_O+DEFENSOR+DOS+CAMPONESES

A atuação das Ligas Camponesas durante o governo João Goulart, está relacionada a/ao
a) Apoio dos sindicatos rurais às empresas agropecuárias,   fundamental para o crescimento da economia.   
b) Alinhamento político entre os grandes produtores rurais do Nordeste e lideranças vinculadas ao campesinato.   
c) Compromisso dos trabalhadores rurais na defesa de uma reforma agrária mantenedora da estrutura latifundiária.   
d) infiltração da ideologia marxista no meio rural  
e) Modelo fundiário brasileiro, caracterizado por mecanismos includentes  do campesinato, a partir da implantação do Estatuto do Trabalhador rural, em 1963.

10) A queda de João Goulart, em 1964, representou a culminância de uma crise iniciada no final da década anterior. Assinale a opção que NÃO apresenta um elemento dessa crise.
a) O apoio da maioria do Congresso Nacional ao programa de Reformas de Base.
b) As resistências à posse de João Goulart, quando da renúncia de Jânio Quadros.
c) O agravamento do quadro econômico com a ascensão da inflação.
d) A politização crescente de vários movimentos sociais, como as Ligas Camponesas.
e) Os movimentos de indisciplina militar de marinheiros e sargentos.





GABARITO:
1 - D
2 - B
3 - D
4 - C
5 - D
6 - C
7 - C
8 - E
9 - D
10 - A







segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Movimentos Sociais

Movimentos sociais: podem ser definidos como um grupo que age continuamente com  objetivo de promover ou resistir a algum tipo de mudança na sociedade. A História esta cheia de exemplos de movimentos sociais, tais como o da reforma protestante, luta operária, luta dos negros americanos pela igualdade civil, etc.
É importante enfatizar que um movimento social não é a mesma coisa que uma instituição, uma vez que as instituições são estáveis e duráveis e os movimentos sociais são instáveis e com o tempo de duração incerto, como foi o caso do movimento pelas "Diretas Já", que pedia eleição direta para presidente do Brasil pouco antes do fim do regime militar.
Características dos movimentos sociais 
Todo movimento social apresenta, no mínimo, três características básicas:
a.       Objetivo
b.       Programa que estabeleça como atingir objetivos
c.        Ideologia 

sábado, 16 de agosto de 2014

EXERCÍCIO DE HISTÓRIA 3º ANOS III UNIDADE

1)    “Esta guerra é uma continuação da anterior."  (Winston Churchill, em discurso feito no Parlamento em 21 de agosto de 1941). A afirmativa confirma a continuidade de problemas não solucionados na 1ª Guerra, que contribuíram para alimentar antagonismos e levaram à eclosão da 2ª Guerra Mundial.
Entre esses problemas, identificamos:
a) a rivalidade entre a Alemanha nazista e a Itália fascista, fruto do intenso nacionalismo e do aumento da disputa por mercados consumidores e por áreas de investimentos;
b) o crescente nacionalismo econômico e o aumento da disputa por mercados consumidores e por áreas de
investimentos;
c) os antagonismos anglo-germânicos em torno da questão da Alsácia-Lorena;  
d) a oposição ideológica que fragilizou os vínculos entre os países, enfraquecendo todo tipo de nacionalismo;
e) a divisão da Alemanha, que a levou a uma política agressiva de expansão militar.

2)  Em torno de fatos relacionados com a Segunda Guerra Mundial, estabeleça a correspondência correta:
1.Blitzkrieg            (  ) Cidade arrasada pela    bomba atômica
2. Kamikaze          (  ) Porto atacado pelo Japão
3. Os Aliados        (  ) Piloto suicida japonês
4. O Eixo                (  ) Inglaterra, URSS,EUA
5. Nagasaki            (  ) Japão, Itália e Alemanha.
6. Pearl Harbor    (  ) Invasão da Normandia pelos aliados        
7. Dia D                  (  ) Guerra relâmpago.

A alternativa correta em relação às afirmações acima é:
A) 6523471             B)1653274              C)5623471          D)2564317          E) 4371526

3) Iniciado em 1848, o conflito palestino-israelense constituiu, no Oriente Médio, o que se convencionou chamar de Questão Palestina, que está longe de ser resolvida, ainda hoje, e pode ser relacionada à:
a) exigência árabe do cumprimento do Plano da ONU de Partição da Palestina, que criava o Estado Palestino no final da Segunda Guerra Mundial.
b) recusa israelense ao reconhecimento da existência de um Estado Palestino.
c) construção de um padrão de instabilidade nas relações internacionais pelo recém-criado Estado de Israel, que contava com o apoio dos Estados Unidos, da União Soviética e da ONU.
d) recusa árabe à partilha da Palestina e ao reconhecimento da existência do Estado de Israel.
e) extinção oficial do mandato britânico sobre a Palestina, no final da Segunda Guerra, com reconhecimento imediato pelos países vencedores da independência de todos os países do Oriente Médio.

4) Uma das mais importantes mudanças provocadas pela Segunda guerra foi o deslocamento do poder mundial das maiores potências europeias (Reino Unido, França e Alemanha)para os Estados Unidos e a União Soviética. Esse deslocamento foi resultado do enfraquecimento político e econômico desses países, duramente atingidos pelo conflito. A partir das informações contidas no texto e dos conhecimentos sobre a reorganização geopolítica mundial após a citada guerra, assinale V para verdadeiro e F para Falso, nas afirmações abaixo:
(  ) O atual tamanho do território brasileiro foi resultante também das mudanças geopolíticas ocorridas após a Segunda guerra mundial..
(  ) A Segunda Guerra Mundial deixou marcas profundas nas pirâmides etárias dos principais países da Europa e colocou frente a frente os países aliados — França, Reino Unido, Estados Unidos e URSS — contra os países do Eixo— Alemanha, Itália e Japão.
(   ) A América Latina, a Ásia e a África, nas últimas décadas, passaram por grandes transformações político-econômicas, induzidas por impulsos internos, geradores de grande equilíbrio social.
(   ) Os países da Europa que se encontram em reestruturação, tanto espacial quanto político-ideológica,  vêm se integrando, comercialmente, face aos mercados comuns e à globalização, mas reagem à perda de suas respectivas identidades nacionais.
(   ) Após a Segunda guerra, o preço do petróleo passou a ser determinado a partir do volume de produção e à consequente oferta do produto no mercado mundial.
(  ) A guerra entre o Irã e o Iraque, na década de 90 do século XX, além da disputa territorial, visou impedir a expansão da religião muçulmana nos demais países do Oriente Médio.
(   ) As sucessivas invasões sofridas pela península balcânica contribuiu para a diversidade étnico-religiosa que ocasiona os inúmeros conflitos aí existentes.

A alternativa correta em relação às afirmações acima é:
A) FFVVFFV            B)FVFVFFV             C)VVFFVVF            D) VFFVFVV           E) VFVVFFV

5) Não pode ser considerado como um dos fatores que contribuíram para a Segunda Guerra Mundial:
a) A ascensão de regimes totalitários na Itália e na Alemanha nos anos 20 e 30.
b) Os efeitos da crise de 29 na economia europeia.
c) A implantação do Franquismo após a guerra civil espanhola. d) A união entre a Áustria e a Alemanha empreendida por Hitler.
e) As cláusulas punitivas do Tratado de Versalhes sobre a Alemanha.


6)
Em relação ao Pacto de Não agressão assinado entre a Alemanha e a União Soviética, é correto afirmar que:
A) O pacto consistia em uma aliança militar, onde os dois países passariam a lutar contra as potências capitalistas, em caso de guerra.
B) O pacto consistia em um enorme plano de ajuda econômica alemã à União Soviética. Em contrapartida, os alemães receberiam substancial fornecimento de gás e petróleo soviéticos.
C) o pacto consistia na manutenção da paz entre os dois países, além de um protocolo amplamente divulgado, onde ficou combinada a divisão da Polônia entre ambos; além disso, a União Soviética ficava com o direito de invadir e ocupar a Finlândia e os Estados bálticos. Esse pacto foi o estopim para o início da Segunda Guerra.
D) o pacto não consistia só na parte oficial divulgada, em que os dois ditadores se comprometiam em manter a paz,  mas também num protocolo adicional secreto, onde ficou combinada uma divisão da Polônia entre ambos; além disso, a União Soviética ficava com o direito de invadir e ocupar a Finlândia e os Estados bálticos.
E) O pacto consistia na transferência de tecnologia militar alemã aos soviéticos, os quais, em contrapartida, forneceriam gás e petróleo aos alemães.

7) “A primeira coisa, portanto, é dizer-vos a vós mesmos: Não aceitarei mais o papel de escravo. Não obedecerei às ordens como tais, mas desobedecerei quando estiverem em conflito com a minha consciência. O assim chamado patrão poderá sussurrar-vos e tentar forçar-vos a servi-lo. Direis: Não, não vos servirei por vosso dinheiro ou sob ameaça. Isso poderá implicar sofrimentos. Vossa prontidão em sofrer acenderá a tocha da liberdade que não pode jamais ser apagada.”  
O texto acima foram palavras de Mahatma Gandhi (1869-1948) que, no contexto da Guerra Fria, inspiraram movimentos como:
a) o acirramento da disputa por armamentos nucleares entre os EUA e a URSS, objetivando a utilização do arsenal nuclear como instrumento de dissuasão e amenização das disputas.
b) o não alinhamento político, econômico e militar da Índia em relação aos Estados Unidos.  
c) as concessões unilaterais de independência às colônias que concordassem em formar alianças econômicas, políticas e estratégicas com suas antigas metrópoles, como a Comunidade Britânica de Nações e a União Francófona.
d) o reforço do regime de “apartheid” na África do Sul que, após prender o líder Nelson Mandela e condená-lo à prisão perpétua, procurou expandir a segregação racial para os países vizinhos, como a Rodésia e a Namíbia.
e) o não alinhamento político, econômico e militar aos EUA ou à URSS, decisão tomada pelos países do Terceiro Mundo reunidos na Conferência de Bandung, na Indonésia.

8) “Morre um homem por minuto em Ruanda. Um homem morre por minuto numa nação do continente africano...para o ano 2000 só faltam seis, mas a Humanidade não ingressará no terceiro milênio, enquanto a África for o túmulo da paz.”
(Augusto Nunes, in: jornal O GLOBO, 6.8.94). A situação de instabilidade no continente africano é o resultado de diversos fatores históricos, dentre os quais destacamos o(a):

a) acirramento das guerras intertribais no processo de descolonização que não respeitou as características culturais do continente.
b) declínio dos nacionalismos africanos causado pelo final da Guerra Fria.
c) fortalecimento político dos antigos impérios coloniais na região, apoiado pela Conferência de Bandung.
d) fim da dependência econômica ocorrida com as independências políticas dos países africanos, após a década de 50.
e) acirramento das rivalidades intertribais após a descolonização, fruto do modelo colonial europeu que as criou e incentivou.

9)  Em 25 de janeiro de 2006, o Hamas, grupo político palestino de posições e ações mais extremas, venceu as eleições para o parlamento Palestino derrotando o Fatah (considerado mais moderado), ligado à OLP e a Yasser Arafat, líder que faleceu em 2004. Essa vitória levou, entre outras coisas, à interrupção da ajuda financeira à região por parte de alguns países e organizações, entre os quais a União Europeia. Essa reação se deve, sobretudo, ao fato de que o Hamas
A) ascendeu como um movimento que tem práticas terroristas, cujo principal objetivo é a eliminação do Estado de Israel.
B) firmou tratados de paz e de cooperação econômica com Israel, dispensando, portanto, ajuda humanitária do ocidente.
C) tem íntimas relações com o Irã e a Arábia Saudita, os quais passaram a fornecer vultosos empréstimos financeiros e apoio militar e energético para a Palestina.
D) recusa qualquer ajuda financeira que tenha origem no ocidente cristão, por ser um partido de esquerda islâmico.
E) organizou vários atentados terroristas na Europa e nos EUA, segundo a União Europeia

10) Assolada pela miséria, superpopulação e pelos flagelos mortíferos da fome e das guerras civis, a situação de grande parte do continente africano é, neste momento de sua história, catastrófica. Este quadro trágico decorre:
a) de fatores conjunturais que nada têm a ver com a herança do neocolonialismo, uma vez que a dominação colonial europeia se encerrou logo após a segunda guerra mundial.
b) exclusivamente de um fator estrutural, posterior ao colonialismo europeu, mas interno ao continente, que é o tribalismo, que impede sua modernização.
c) da herança combinada de rivalidades tribais, corrupção e herança colonial, que redundou na formação de micronacionalismos incapazes de reconstruir antigas formas de associação bem como de construir novas.
d) da extinta União Soviética, que poderia ter enviado ajuda humanitária durante o processo de descolonização, mas preferiu estimular os conflitos armados, com o objetivo de implantar ditaduras socialistas e vender armas, dentre elas, o famoso fuzil AK-47.
e) dos Estados Unidos e países capitalistas em geral, que não enviam ajuda humanitária para estes países, mas preferiram lucrar com a venda de armas.