O TEMA ESTÁ DIVIDIDO EM TEXTOS PARA FACILITAR A APRESENTAÇÃO DOS SEMINÁRIOS
TEXTO 1
INTRODUÇÃO À HISTÓRIA
Origem da palavra: sua origem é grega e significa "conhecimento que se adquire através da pesquisa". Para os historiadores, o grego Heródoto é considerado o Pai da história: foi provavelmente, o primeiro a escrever sobre eventos de maneira metódica, buscando evidências que comprovassem a veracidade.
Dois dos vários conceitos de História:
1 - É a ciência que estuda o ser humano e suas ações ao longo do tempo, analisando mudanças e permanências.
2 - É a ciência que estuda os acontecimentos do passado da humanidade utilizando-se de seus vestígios.
A IMPORTÂNCIA DA HISTÓRIA
Sua importância é medida pelo poder que tem e pelo medo que o poder tem dela. Se o passado fosse inofensivo, não haveria esforço algum em reescrevê-lo. Quando governantes se preocupam em manipular e deturpar a História, eles admitem, mesmo sem dizer, que o passado legitima ou deslegitima o presente. Uma narrativa histórica bem controlada pode transformar dominação em “ordem”, violência em “necessidade” e privilégios em “tradição”. O que foi conflito vira consenso; o que foi imposição vira destino.
TEXTO 2
História: Instrumento de poder X Conhecimento crítico
Controlar o passado não é nostalgia, é estratégia política.
A História não é apenas um relato do que passou, mas um campo de disputa no presente. Quem define o que é lembrado e o que é esquecido impõe ao povo uma ditadura do pensamento único. Não por acaso, regimes autoritários costumam atacar historiadores, arquivos, livros didáticos e professores que tem uma visão diferenciada. Se a História fosse irrelevante, os maus governantes não se preocupariam em manipulá-la. O esforço em ocultar, distorcer ou selecionar o passado é um reconhecimento silencioso de seu poder.
Para os governantes autoritários: a história deve ser aquela que eles definiram como verdade, a qual deve ser a única permitida, sendo obrigatoriamente ensinada nas escolas e divulgada pelos veículos de propaganda oficiais e privados. É uma espécie de monumento feito para veneração.
Para uma sociedade livre: a história deve ser usada com total liberdade, onde o povo tenha acesso a todos os tipos de fontes fidedignas e informações suficientes. Além disso, deve existir plena liberdade de pesquisa, investigação, debates e confronto de fontes.
A História é um campo de luta onde um lado quer esconder, distorcer ou eliminar e o outro quer pesquisar e divulgar a verdade. O passado não é um território neutro e silencioso; ele é disputado porque legitima poderes, identidades e projetos políticos no presente. Por isso, a História frequentemente se transforma em um campo de luta simbólica, onde memórias são exaltadas, silêncios são impostos e versões convenientes tentam ocupar o lugar dos fatos.
TEXTO 3
O domínio da memória como forma de governo: “Quem controla o presente controla o passado, quem controla o passado controla o presente” (frase do livro 1984): significa que o poder político tem meios para reorganizar a narrativa histórica: reescrever livros, selecionar documentos, apagar nomes, criar heróis convenientes e transformar crimes em “necessidades históricas”. O passado deixa de ser aquilo que aconteceu e passa a ser aquilo que se diz que aconteceu. Ao definir o passado, o poder molda o modo como as pessoas compreendem o agora. Se um regime consegue convencer a sociedade de que sempre foi assim, de que não há alternativa, de que mudanças anteriores levaram ao caos, então a obediência parece natural, quase inevitável.
Além da mentira imposta ao povo, o poder avança destruindo ou ocultando documentos e todo o tipo de fontes contrárias aos seus interesses.
Quando não há documentos, testemunhos ou versões concorrentes, o presente vira uma sala sem janelas: tudo o que se vê é o que o poder permite enxergar. Daí a importância do trabalho histórico, dos arquivos, da imprensa livre e da educação crítica. Eles quebram o ciclo da frase. Onde a memória é plural e debatida, o poder não consegue fechar o tempo em um círculo perfeito.
Onde a História é vigiada, o presente também está. Defender a liberdade de estudar, ensinar e discutir o passado não é apego acadêmico, é defesa da autonomia social. Um povo que pode interrogar sua própria história tem mais chances de escolher seu caminho, em vez de apenas repetir o roteiro que lhe foi entregue.
TEXTO 4
O USO DA HISTÓRIA
Não são apenas os historiadores ou os curiosos que a usam. Todos nós a usamos diariamente, quando estamos conhecendo e repassando os acontecimentos da nossa casa, da escola, da vizinhança, do trabalho, da cidade, do estado, do país e do exterior, desde os mais simples até os mais complexos.
-Há outras áreas do conhecimento que a usam, mesmo que seus profissionais não tenham a formação nesta área. Exemplos:
-o investigador e o perito criminal a usam como base de seu trabalho, através de várias técnicas de investigação.
-Advogados de defesa e promotores a utilizam em seus trabalhos para fortalecer seus argumentos e melhor representar seus clientes ou o estado.
-O jornalista sério usa a história através da verificação da veracidade das informações, não se deixando levar por suas preferências políticas, ideológicas, etc. Da mesma maneira devem proceder o escritor, o cineasta, o professor, etc.
Todas as áreas do conhecimento possuem sua própria história: história da física, da química, da matemática, da medicina, da engenharia, etc. A história deve produzir conhecimento científico através de métodos rigorosos baseados em análise de fontes e crítica documental. A história não apenas interpreta fatos, ela os reconstrói criticamente a partir de fontes. O material básico da ciência histórica são as fontes; elas nos dão acesso aos fatos.
TEXTO 5
FATOS, EVENTOS E PROCESSOS HISTÓRICOS
Fato Histórico: É uma afirmação, evento ou ocorrência que deve ser verdadeira. Já diz o provérbio popular: "Contra fatos não há argumentos", ou seja, as evidências, dados e provas tornariam inútil a argumentação contrária. Entretanto, os fatos podem ser mal interpretados ou distorcidos, e a interpretação depende de quem os relata.
. Os fatos são ocorrências verificáveis através de:
relatos ou depoimentos (história oral)
registros (história escrita)
imagens (pinturas, gravuras, esculturas, fotografias, vídeos, etc)
números, dados
reportagens, etc.
Os fatos existem e para quem é culpado, só resta tentar impedir o acesso, omitir parte dele, distorcê-lo ou destrui-lo.
O que é Fato Concreto? todo fato é concreto, mas o termo significa um evento histórico já estudado, analisado e comprovado, sendo possível sua verificação e veracidade. Exemplos: a queda do muro de Berlim, o colapso da economia estatal da União Soviética
Evento histórico é um fato que ganha relevância devido ao seu impacto, repercussão social e consequências no desenrolar da história.
TEXTO 6
Processo Histórico: é a sucessão contínua e interligada de fatos ao longo do tempo. Não se trata de fatos isolados, mas de uma cadeia de causa e efeito (um evento leva ao outro) que molda a sociedade e a trajetória da humanidade.
Exemplo: A chegada dos portugueses ao Brasil foi um evento histórico resultante de um processo. os fatos desse evento foram vários: (as embarcações, as rotas, o local da chegada, o contato pacífico com os indígenas, a primeira missa, a primeira carta, etc.). Sendo assim, podemos resumir da seguinte maneira:
Processo Histórico: As Grandes Navegações e a expansão marítima portuguesa
Evento Histórico: A chegada dos portugueses no Brasil
Fatos históricos: as rotas marítimas, as embarcações, o local da chegada no Brasil, os contatos iniciais com os indígenas, a primeira missa, etc.
Narrativas: São formas de interpretar e contar os fatos, podendo incluir lendas.
Narrar não é apenas relatar fatos, mas também dar-lhes sentido, escolher começo, meio e fim, destacar personagens, causas e consequências. Toda narrativa é uma interpretação organizada do real. Elas podem ser verídicas ou lendárias (ficcionais/folclóricas), variando conforme o objetivo, a intenção de quem conta e a veracidade dos fatos narrados.
TEXTO 7
Diferentes narrativas podem surgir a partir dos mesmos fatos. Os acontecimentos não falam sozinhos; são as sociedades que lhes atribuem significado. Nesse processo entram valores, memórias, interesses, etc. A narrativa é o fio que costura os fatos, não o tecido em si.
As narrativas envolvem:
- ênfase, seleção, organização e linguagem
- envolve também interesses, intenções, valores, etc. A narrativa é um juízo de valor (bom x ruim, certo x errado, moral x imoral, etc)
Um livro, um texto jornalístico, uma apostila ou uma tese de doutorado são narrativas, mas não no mesmo sentido que um romance, um mito ou uma lenda. Eles são narrativas históricas porque organizam acontecimentos no tempo, selecionam fatos, constroem encadeamentos causais e apresentam argumentos. Ou seja, contam uma história explicativa, não uma história inventada.
Lendas, mitos e tradições orais não são fatos históricos, mas fazem parte da maneira como grupos explicam sua origem, seus heróis e seus traumas. Para o historiador, elas não servem para provar o que aconteceu, mas para entender como as pessoas pensavam, acreditavam e se representavam. A lenda revela mentalidades, identidades e conflitos simbólicos. O risco surge quando a narrativa passa a ser confundida com o próprio fato. A narrativa pode conter o modo de pensar ou de ver o mundo do historiador, suas opiniões, etc. A narrativa envolve uma avaliação subjetiva, podendo conter crenças, valores e experiências individuais.
TEXTO 8:
A RELAÇÃO ENTRE HISTÓRIA E VERDADE
Sem a busca da verdade não há ciência. Se a História não buscasse a verdade, não haveria critério para distinguir o que é pesquisa e o que é propaganda, discurso ou opinião; os documentos perderiam valor; qualquer narrativa teria o mesmo peso. A História deixaria de ser ciência e viraria discurso, opinião e mera narrativa.
Verdade histórica é a explicação mais bem fundamentada possível, construída a partir de fontes, método crítico e debate racional. Ela deve estar ancorada em fatos comprováveis; sustentada por fontes analisadas criticamente e aberta à revisão.
A verdade histórica é sempre provisória, pois novas fontes podem surgir para revisar e mudar ou não aquilo que era considerado como verdadeiro.
O que o historiador ou qualquer pessoa minimamente honesta deve evitar quando procura a verdade: o dogmatismo e o subjetivismo
a) Dogmatismo: é uma postura que defende a ideia de que há verdades inquestionáveis e universais, sem necessidade de comprovação rigorosa. Sua origem está na palavra Dogma (uma crença ou doutrina aceita como verdade absoluta e inquestionável).
O dogmático acha que apenas sua interpretação é definitiva; não admite nunca que está errado. Rejeita qualquer nova informação que altera aquilo que considerado como verdade. Mesmo quando confrontado com a verdade, não admite estar errado, ou seja, é uma estupidez.
Narrativas dogmáticas servem aos ditadores, pois oferecem explicações simples, morais e mobilizadoras. Eles se tornam os “Guias infalíveis da nação”, os “pais e protetores do povo”, etc. O dogmatismo ocorre quando um grupo ou indivíduo aceita uma doutrina como uma verdade absoluta e inquestionável.
TEXTO 9
Dogmatismo significa ignorar dados, fatos, provas, ou qualquer coisa contrária ao que consideramos como verdade.
B) Subjetivismo: O que é? doutrina filosófica segundo a qual a realidade do mundo depende das características, formas e explicações que lhe são atribuídas pela subjetividade. Isso significa que cada sujeito teria a sua verdade, o que vale é o ponto de vista individual, o qual seria o centro da experiência humana. Ou seja, a verdade é a mentira individual. A verdade é criada pelo sujeito. Isso é uma visão que resulta na negação da realidade objetiva.
No subjetivismo, todos os fatos, eventos, processos, opiniões e narrativas passam a valer o mesmo, independentemente de evidências. Nesse cenário, a História perde seu critério de verdade. Se tudo é interpretação, é “achologia”, nada pode ser refutado. Teorias conspiratórias e propagandas políticas encontram terreno fértil, pois basta rotulá-los como “outra narrativa”. O fato deixa de ser o árbitro; o debate vira disputa de versões, não de argumentos. Essa visão incoerente favorece o poder já que nega critérios objetivos e deixa livre o espaço para a versão oficial, mas não a verdadeira. Quem controla os meios de difusão passa a impor sua narrativa sem precisar provar nada. A História, sem método, torna-se vulnerável à manipulação. Além disso, esse relativismo, assim como o dogmatismo, favorece a barbárie, pois relativiza crimes hediondos, os quais são relativizados em nome do “contexto histórico”, (ex: Holodomor, Holocausto, revolução cultural maoísta, genocídio cambojano, etc.) dissolvendo responsabilidades. A História precisa explicar, não absolver nem apagar. A História não é nem dogma nem opinião livre. Ela se apoia em evidências, crítica de fontes, debate racional e revisão constante. Entre a rigidez que cala e o relativismo que tudo permite, o historiador caminha por uma trilha estreita, mas necessária.
TEXTO 10
O CETICISMO MODERADO NA HISTÓRIA
Ceticismo significa basicamente uma postura de questionamento em vez de uma aceitação ou negação imediata. O ceticismo moderado (também chamado de ceticismo metodológico ou crítico) na história é o equilíbrio entre acreditar cegamente em tudo o que está escrito e duvidar de tudo a ponto de dizer que "nada pode ser conhecido".
O historiador parte do princípio de que nenhum documento é neutro: Todo texto, mapa ou objeto foi produzido por alguém com uma intenção ou uma visão de mundo específica. A convergência de fontes, a coerência contextual e a crítica metodológica permitem estabelecer fatos razoavelmente seguros. Os fatos não foram inventados, mas surgiram dentro de um contexto. O cético reconhece que um fato pode ser bem comprovado sem ser definitivo, sólido sem ser imutável. Novos documentos podem ajustar interpretações, não apagar a realidade do acontecimento. Esta deve ser a atitude correta do historiador ou de qualquer indivíduo.
Sem o ceticismo moderado, a história vira dogmatismo (aceitar a versão oficial como verdade absoluta). Com ele, a história se torna uma ciência humana, que aceita que não possui a "Verdade Única", mas sim uma interpretação rigorosa e honesta dos fatos. Um grande exemplo de ceticismo moderado foi o da comemoração do Dia internacional da Mulher (08 de março): havia ou ainda há uma falsa narrativa sobre um incêndio em 1857 nos EUA. A verdade dos fatos conclui que a data surgiu a partir de greves femininas na Rússia em 1817.
TEXTO 11
O QUE A HISTÓRIA ESTUDA?
-As realizações humanas, independente de serem consideradas boas ou ruins.
-As mudanças tecnológicas e comportamentais.
As permanências (aquilo que ao longo do tempo foi preservado, sendo praticado e respeitado por determinada civilização).
-A produção cultural, imaterial e material.
- As Mudanças e Permanências: O que muda de maneira mais rápida: a tecnologia ou os comportamentos?
As mudanças tecnológicas ocorrem de maneira mais rápida do que as comportamentais...isso é explicado pelo desejo humano de ter menos esforço, de procurar mais conforto, mais benefícios, etc.
As mudanças comportamentais ocorrem de maneira mais lenta porque dependem dos usos, costumes, tradições, crenças, etc.
Algumas civilizações mudam de comportamento de maneira mais rápida do que outras...o maior exemplo é quando comparamos a civilização ocidental com a islâmica: a ocidental muda de maneira bem mais rápida na questão dos usos e costumes.
Alguns povos praticamente não mudaram ao longo do tempo devido ao isolamento em que vivem. Temos o exemplo de algumas nações indígenas isoladas na Amazônia brasileira.
- A produção cultural:
Todo ser humano é um ser cultural; nós produzimos e reproduzimos cultura; exemplo: somos os únicos seres que criamos, utilizamos e aperfeiçoamos objetos para nossa alimentação, transporte, vestuário, diversão, habitação, etc.
Toda a produção cultural humana é imaterial e material
Imaterial: antes de materializar-se, ela foi imaginada, pensada, projetada, etc.
Material: ocorre quando a ideia se materializa. Exemplos:
-os objetos que inventamos; primeiramente foram imaginados, depois foram fabricados.
-a casa que alguém sonhou em ter: primeiro ela foi imaginada, depois ela foi construída segundo o que foi projetado.
-a música que alguém compôs: ela existiu primeiro na mente e se materializou quando foram usados instrumentos musicais, partitura, etc.
-samba e frevo fazem parte do patrimônio imaterial do Brasil porque existem primeiramente na mente, traduzem saberes, relações de pertencimento, para sambar ou frevar é preciso primeiro conhecer os passos, ensaiar, etc...e tudo isso ocorre na mente.
TEXTO 12
-Patrimônio Cultural:
Um Povo sem História é um Povo sem Memória...preservar paisagens, obras de arte, festas populares, arquitetura, gastronomia ou qualquer outro elemento cultural de um povo, é manter a identidade desse povo.
A produção cultural ao longo do tempo produz um patrimônio imaterial e material, o qual, deve ser preservado. Essa preservação vai depender do grau de importância que cada povo concede ao seu passado. Esse patrimônio faz parte da identidade cultural de um povo, do seu legado, de sua história. Infelizmente, o Brasil não valoriza seu rico patrimônio histórico (museus, parques históricos e naturais, etc), fato que resulta em descaso e depredação. Alguns dos motivos para esse descaso são:
- Falta de investimentos públicos na manutenção e valorização do patrimônio: O Estado, seja ele federal, estadual ou municipal pouco investe na valorização e preservação do patrimônio histórico. O Estado também não investe na educação do povo para ser ensinado a preservar e não destruir. É preciso investir em programas educativos que despertem o interesse das crianças e jovens pela história e pela cultura, que ensinem a importância de preservar os bens materiais e imateriais, e que incentivem a participação da comunidade na proteção do patrimônio.
- A maioria da população desconhece e não tem interesse em preservar, justamente por não ter a devida educação patrimonial e por isso picha e destrói. O maior exemplo já começa na escola, onde muitos estudantes não reconhecem nem a valorizam como parte do patrimônio: picham as paredes e mesas, quebram ou empenam cadeiras e bancas, destroem os banheiros, etc. A educação patrimonial é uma ferramenta para valorizar a cultura e os aspectos que caracterizam a sociedade e o local de vida da comunidade.
TEXTO 13
A Memória Coletiva
É um conjunto de fatos e lembranças que compõem a identidade de um povo. Ela é construída a partir das interações entre os indivíduos e grupos, e é transmitida através das gerações por meio da oralidade, da escrita, da música, da arte e de outras formas de expressão cultural.
A preservação da memória coletiva de um povo em relação ao seu passado é de importância vital para a construção e manutenção da identidade cultural, social e histórica de uma nação. Essa memória coletiva, que abrange tradições, histórias, costumes, conhecimentos e experiências compartilhadas, desempenha um papel fundamental em diversos aspectos da vida de uma sociedade. São componentes da memória coletiva:
1. Identidade Cultural: Ao preservar e transmitir histórias e tradições de geração em geração, uma sociedade mantém vivas suas raízes e características únicas. Essa identidade cultural cria um senso de pertencimento e continuidade, reforçando os laços entre os membros da comunidade e promovendo um entendimento profundo do que significa fazer parte daquele grupo. Exemplos de identidade cultural de algumas regiões do Brasil:
Nordeste: festas juninas, frevo, forró, axé, maracatu, bumba-meu-boi
Sudeste: Festas do divino, peão de boiadeiro, samba, caiapó, folia de reis e jongo
Região Sul: Oktoberfest, Festa da Uva, fandango, milonga, chimarrão, Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, etc.
Região Norte: Boi-Bumbá (Festival de Parintins), Carimbó, Círio de Nazaré, etc.
TEXTO 14
2. Coesão Social: A preservação da memória coletiva promove a coesão social ao criar uma narrativa compartilhada que une os indivíduos em torno de uma história comum. Celebrações, rituais e eventos históricos fortalecem os laços sociais e incentivam a solidariedade e o apoio mútuo.
3. Patrimônio e Herança: A memória coletiva é um componente essencial do patrimônio e da herança de uma nação. Monumentos, documentos históricos, arte, literatura e outras formas de expressão cultural preservam a rica cultura de um povo.
As diferentes identidades culturais: O Brasil, com dimensões continentais, abriga uma multiplicidade de identidades culturais que se manifestam de maneira distinta em cada região do país. Essa diversidade é resultado de uma rica tapeçaria de influências indígenas, africanas, europeias e asiáticas. Mesmo sendo diferentes, há alguns elementos que são comuns e servem para identificar aquilo que seria a identidade cultural brasileira: a língua portuguesa, o carnaval e o futebol (os três elementos são comuns em todo o território brasileiro).
TEXTO 15
Para que serve a História? por que estudar história?
-O estudo da história não tem o poder de salvar a humanidade dos erros do passado, nem pode impedir que suas repetições. Se assim fosse, não teríamos, por exemplo, o erro que milhares de pessoas cometem ao enveredar pelo caminho das drogas ou do alcoolismo, mesmo sabendo que são caminhos de desgraça. O estudo da história também não pode evitar que as pessoas elejam e reelejam governantes corruptos e enganadores.
- A história, quando não manipulada, serve como um alerta sobre os perigos de se repetir erros. O sábio aprende com os erros alheios, o inteligente aprende com os próprios erros, o insensato não aprende e geralmente não reconhece que está errado.
A história nos auxilia a compreender o que a humanidade construiu ao longo de sua existência e o que os diversos povos contribuíram em termos intelectuais, culturais e materiais.
-Compreensão do Passado: Estudar história nos permite entender como as sociedades evoluíram ao longo do tempo, compreendendo os eventos e processos que moldaram o mundo moderno.
-Valorização das Conquistas: Conhecer as grandes conquistas e inovações do passado nos ajuda a valorizar e apreciar os avanços tecnológicos, científicos e culturais.
-Construção da Identidade: A história é fundamental para a construção da identidade individual e coletiva, proporcionando um senso de pertencimento e continuidade.
- Desenvolvimento do Pensamento Crítico: Estudar história estimula o pensamento crítico, pois exige a análise e interpretação de fontes e eventos complexos.
TEXTO 16
-História e as Diferenças Culturais: A história nos permite tentar entender a diversidades das culturas e tradições ao redor do mundo. É normal a comparação com a nossa cultura. Temos também a liberdade de não concordar, pois os povos não são blocos homogêneos nem moralmente intocáveis; são atravessados por disputas, contradições e transformações. Ninguém é obrigado a suspender o juízo crítico, mas temos a liberdade de afirmar que determinadas práticas resultaram em restrição de direitos, escravidão, humilhação, desigualdade estrutural, etc, (assim como ocorreu na própria civilização ocidental no passado). Compreender por que essas práticas existiram ou existem não significa aceitá-las, mas explicar seus fundamentos históricos: sistemas tribais e autoritários, estruturas estatais frágeis e corruptas, etc. Como exemplo, ainda temos regiões na África onde persiste a escravidão tradicional (sob a forma de servidão por dívida, trabalho compulsório e casamentos forçados) baseada em hereditariedade e relações de posse): em vários países do cinturão do Sahel — como Níger, Mali, Chade e Sudão. Na Mauritânia ainda persistem relações sociais e econômicas profundamente enraizadas que reproduzem práticas equivalentes à escravidão tradicional. Devemos também combater a visão anacrônica, ou seja, julgar sociedades passadas apenas com valores atuais; isso empobrece a compreensão histórica e transforma o estudo do passado em tribunal moral permanente. Assim, o historiador não apaga diferenças nem as sacraliza. Ele as compreende, contextualiza e problematiza, oferecendo à sociedade não respostas fáceis, mas uma visão mais ampla e responsável da experiência humana no tempo.
TEXTO 17
A História também serve como um corretivo da Memória coletiva, no sentido de evitar a ocultação do que é considerado ruim. Devemos evitar que a memória seja transformada em um conto de fadas. Os povos que esquecem suas tragédias estão condenados a virar figurantes de um remake de terror. Governantes enganadores tentam impor uma História que só mostra seu lado positivo ou só aquilo que lhe convém. O que é ruim é omitido ou impedido o acesso à documentação. Constroem e impõem uma biografia pública virtuosa, marcada por feitos heroicos, sacrifícios pelo povo e decisões sempre necessárias. Erros viram silêncios, fracassos viram conspirações alheias, e escolhas controversas são rebatizadas como gestos visionários. A vida do governante passa a ser narrada como destino, não como trajetória política sujeita a críticas.
O papel da história deve ser o de mostrar o lado bom e ruim de qualquer governante, seus erros e acertos. A história está repleta de personagens inspiradores de coragem coragem, resiliência e inovação que podem motivar e encorajar as pessoas a superar desafios e buscar seus objetivos. nenhum grupo humano é moralmente puro, nem moralmente condenado por essência, ou seja, na história brasileira, portugueses, indígenas e africanos tinham virtudes e defeitos. O papel do historiador não é distribuir certificados de virtude nem selos de culpa coletiva. Ele analisa ações, contextos e relações de poder, reconhecendo que todos os grupos históricos agiram dentro de circunstâncias concretas, com escolhas limitadas, interesses próprios e contradições internas. Portugueses não foram apenas exploradores, assim como indígenas e africanos não foram apenas vítimas passivas.
TEXTO 18
Todos participaram, de maneiras diferentes e desiguais, da construção histórica do Brasil. O Papel do historiador é elogiar e criticar quando se faz necessário a partir das evidências. A colonização portuguesa envolveu brutalidade e exploração, mas também instituições, práticas culturais e formas de organização que marcaram a sociedade brasileira. Os indígenas sofreram violência extrema, mas também travaram guerras entre si e estabeleceram alianças com portugueses e franceses. Os africanos foram vítimas de um sistema desumano, mas também atuaram como agentes históricos através da luta e resistência, muitos ex-escravos tiveram escravos, outros criaram culturas, resistiram e, em alguns casos, participaram de estruturas hierárquicas internas herdadas da África. Sendo assim, todo mundo está sujeito a ser criticado ou elogiado. A História não é um tribunal moral simplificado, nem um palco de personagens divididos em anjos e demônios. Quando o passado é reduzido a categorias morais absolutas, perde-se justamente aquilo que o historiador mais busca: complexidade, contexto e humanidade.
O historiador crítico rejeita essa visão maniqueísta que tenta impor uma visão de que todos os portugueses foram opressores malvados, ao mesmo tempo em que todos os indígenas e africanos eram bons e foram oprimidos
Substituir antigos heróis por novos santos ou antigos vilões por vítimas absolutas não aprofunda o conhecimento, apenas troca o sinal ideológico.
A História do Brasil, como qualquer história humana, é feita de contradições, choques, escolhas e consequências. A colonização foi um fator decisivo de origem, o qual nos trouxe coisas boas e ruins. Mas origem não é destino, e a História não se encerra no ponto de partida. Já se passaram mais de duzentos anos desde a Independência, tempo suficiente para que responsabilidades se acumulem, escolhas sejam feitas e caminhos distintos pudessem ter sido seguidos.
Reduzir os problemas atuais a uma culpa colonial única produz um efeito confortável, mas enganoso: retira a responsabilidade das gerações posteriores. Se tudo é herança do passado remoto, nada precisa ser enfrentado no presente. A História, porém, mostra que desigualdades foram mantidas, aprofundadas ou negligenciadas ao longo do tempo por decisões concretas de governos, elites e instituições brasileiras.
TEXTO 19
AS FONTES HISTÓRICAS
A fonte é a base de toda e qualquer pesquisa histórica. São documentos, objetos, textos, fotografias, vídeos, filmes, sons, etc., os quais possuem informações fundamentais e indispensáveis para a pesquisa histórica. Sem elas, é impossível a pesquisa.
Tipos de Fontes históricas
a) escritas: textos, discursos, leis, decretos, etc., os quais foram escritos em argila, papiro, pergaminho, pedra, papel, digital, etc.
B) orais: depoimentos, entrevistas, gravações, relatos e histórias contadas por pessoas...incluem-se também as lendas e as tradições que uma geração passa para a outra.
c) Fontes Diretas ou Primárias: são documentos, objetos ou testemunhos originais. Elas fornecem evidências diretas e contemporâneas sobre os acontecimentos, as pessoas e os lugares estudados. Alguns exemplos:
Documentos Escritos: Diários, cartas, contratos, registros oficiais, leis, tratados, manuscritos e jornais contemporâneos aos eventos.
Artefatos: Objetos como ferramentas, roupas, moedas, móveis e armas que foram usados na época.
Registros Visuais e Sonoros: Fotografias, filmes, gravações de áudio e vídeos que capturam eventos em tempo real.
Depoimentos Orais: são relatos e testemunhos de pessoas que vivenciaram e testemunharam os fatos. As fontes diretas são valiosas porque permitem aos pesquisadores obter uma visão mais precisa e detalhada dos eventos e contextos históricos.
TEXTO 18
Fontes Indiretas ou Secundárias: São análises, interpretações e sínteses de informações baseadas em fontes diretas. Elas são produzidas após os eventos e geralmente por pessoas que não foram testemunhas diretas dos acontecimentos. Alguns exemplos:
Livros e Artigos Acadêmicos: Obras escritas por historiadores, pesquisadores e acadêmicos que analisam e interpretam eventos históricos com base em fontes primárias.
Ensaios e Resenhas: Textos críticos que discutem e avaliam trabalhos acadêmicos e outras obras relacionadas aos eventos estudados.
Documentários, filmes e produções audiovisuais que reconstroem e interpretam eventos históricos com base em pesquisas e entrevistas.
Enciclopédias e Dicionários: Obras de referência que compõem informações de diversas fontes para fornecer uma visão geral sobre determinados temas.
Exemplo do uso das fontes diretas e indiretas: em um acidente automobilístico com dois veículos, são fontes diretas os que estavam nos veículos, as testemunhas que o presenciaram e a gravação das câmeras (no caso de sua existência). Se, porventura, em uma casa próxima ao local da colisão, alguém ouviu o barulho do ocorrido, ela é considerada uma fonte direta do barulho, e uma fonte indireta visual, porque seu cérebro "montou" a cena baseada apenas no som da freada e da batida. Já o noticiário da imprensa ou das redes sociais sobre a ocorrência é uma fonte indireta, assim como o boletim de ocorrência policial.
TEXTO 19
d) Fontes Imagéticas: referem-se às imagens, gravuras, desenhos, pinturas, esculturas, filmagens, mosaicos, vídeos, grafitagens, etc. Na pré-história o ser humano já desenhava nas paredes das cavernas as gravuras rupestres.
E) Fontes materiais: um documento escrito é ao mesmo tempo uma fonte escrita e uma fonte material. Um filme também. As fontes materiais
são os vestígios físicos das atividades humanas. Por exemplo: roupas, móveis, utensílios, ferramentas, armamentos, filmes, documentos, etc... incluem-se também os objetos, sítios arqueológicos, fósseis, esculturas, pinturas, etc.
O TEMPO E A HISTÓRIA
1 - Anacronismo: significa a interpretação do passado realizada a partir de um contexto social, político e cultural diferente e distante daquele em que ocorreram os eventos. É um erro de temporalidade onde eventos, objetos ou interpretações de uma determinada época são aplicados incorretamente a outra. Isto ocorre quando alguém interpreta o passado a partir de valores, conhecimentos, contextos sociais, políticos e culturais contemporâneos, que são diferentes daqueles que estavam presentes no período em questão. Esse tipo de análise pode distorcer a compreensão histórica, criando uma imagem imprecisa ou tendenciosa dos eventos passados. Hoje, todos nós criticamos com razão o colonialismo e a escravidão sem considerar que, durante milênios a escravidão, a exploração, a invasão, a guerra e a conquista de novas terras eram consideradas legítimas por diversos povos. Essas práticas consideradas absurdas nos dias atuais eram considerados normais pelos povos do passado, pois os mesmos viviam em um contexto totalmente diferente do nosso.
Interpretar eventos históricos fora de seu contexto original pode levar a mal-entendidos significativos. Julgar práticas sociais de civilizações antigas com base nos padrões éticos e morais de hoje pode resultar em uma visão distorcida sobre a complexidade de outras culturas e épocas. Para evitar anacronismos, é essencial que historiadores e estudiosos mantenham uma perspectiva crítica e contextual ao analisar documentos, artefatos e eventos históricos. Isso não significa que estamos defendendo aquilo que é considerado injusto, desumano ou cruel, mas estamos entendendo o seu contexto cultural, político e histórico...ou seja, não se está defendendo nem a escravidão nem a colonização...significa que, tendo como base diversos contextos (religioso, cultural, político, etc.), entendemos porque aquilo que se praticava.
TEXTO 21
Tempo Cronológico: refere-se à contagem do tempo a partir de eventos marcantes para algumas civilizações. Esses eventos resultaram na criação de CALENDÁRIOS. Abaixo, temos dois dos mais famosos calendários são:
a) Gregoriano: também conhecido como cristão ou ocidental, é o calendário usado atualmente pela maioria dos países, incluindo o Brasil. Tem como base o nascimento de Jesus Cristo...sendo assim, a contagem do tempo é dividida em antes e depois de Cristo.
b) Judaico ou Hebraico: tem como base a criação do mundo de acordo com a tradição religiosa. Em 2024, o calendário hebraico corresponde aos anos 5784 e 5785; o ano 5784 começou no dia 15 de setembro de 2023 e termina no dia 2 de outubro de 2024.
3 - Tempo Histórico: tem como base os eventos considerados mais importantes para a história de cada povo, os quais são adotados como datas comemorativas. Exemplos:
a) Independência do Brasil: 07 de setembro
b) Revolução Francesa: 14 de Julho
c) Independência dos EUA: 04 de Julho
4 - Tempo de Natureza: é o tempo que alguns povos usam para orientar suas atividades produtivas e suas celebrações, através da observação do clima e das estações do ano... geralmente são povos isolados, nações indígenas.
5 - Tempo de Fábrica: é o tempo mais utilizado no mundo, pois tem como base a hora, a carga horária para a realização de diversos tipos de atividades: aulas, treinamentos, trabalho, diversão, etc.
TEXTO 22
- Tempo de Informática: é a modalidade mais recente de uso do tempo, o qual inovou a partir da dispensa da presença física dos envolvidos. O maior exemplo são as aulas, treinamentos e atividades realizadas à distância, sem a necessidade da presença física dos envolvidos. Pilotar drones militares, participar de conferências e realizar cirurgias à distância já é uma realidade.
- Tempo de curta duração: refere-se a um evento que tem data para iniciar e terminar. Exemplos: As Olimpíadas e a Copa do mundo de futebol.
- Tempo de Média duração: são eventos que dependem de um contexto histórico tanto para iniciar quanto para terminar. Sua duração é variável. Exemplo:
- o processo da independência do Brasil, que levou 14 anos, tendo iniciado com a transferência da Corte em 1808 e terminado com o evento do "grito" de independência de Dom Pedro às margens do riacho do Ipiranga, em 1822.
- Tempo de Longa Duração: são eventos históricos tão comuns que já se incorporaram ao cotidiano da vida de um povo. Exemplos:
- a república, nos países que são republicanos
- o cristianismo, nos países que são cristãos
- a monarquia, nos países que são monárquicos
- o islamismo, nos países que são islâmicos.
Observação importante: para não haver confusão, é preciso distinguir os eventos de longa e média duração:
exemplos:
- a república brasileira é um evento de longa duração (1889 até os dias atuais), entretanto, o processo do golpe que implantou a república é um evento de média duração (meados do século XIX até 15/11/1889).
- o Brasil independente é um evento de longa duração, entretanto, o processo da independência é um evento de média duração.
TEXTO 23
10 - Tempo cíclico: é o tempo que se repete, de maneira rápida ou lenta. Na vida pessoal, ocorre diariamente: acordar, tomar café, sair para estudar ou trabalhar, voltar para casa, etc. Na história econômica dos povos, há ciclos de crescimento econômico e ciclos de recessão e desemprego. Alguns países pobres da África e do Oriente Médio experimentam ciclos de conflito e paz, caracterizados por períodos de instabilidade seguidos por fases de relativa calma. No entanto, é crucial notar que a "paz" nesses contextos muitas vezes não significa estabilidade plena, mas sim uma ausência de conflitos em larga escala.
11 - Tempo Linear: é o tempo caracterizado por uma sucessão de eventos que não se repetem. De maneira geral, a historiografia moderna se baseia na concepção linear do tempo histórico. É importante ressaltar que essa não é uma visão unânime e que a ideia de tempo cíclico também aparece em diferentes contextos e interpretações da história, como já citamos.
Exemplos:
a) nosso tempo de vida biológico: nascimento, crescimento, envelhecimento, morte
b) nossa evolução do conhecimento: ensino fundamental, médio, superior, pós graduação, etc.
c) nossa evolução profissional: o tempo em que a pessoa passou em cada empresa, as promoções, as mudanças de emprego, etc.
d) a história dos povos: Cada país, ao analisar seu passado, o faz linearmente, buscando entender como eventos, personagens e processos históricos o levaram ao presente.
e) O cristianismo ensina que a história humana tem um começo e um fim, de acordo com as narrativas que começam no Gênesis e terminam no Apocalipse
f) a história da evolução tecnológica: da pedra lascada aos grandes avanços da ciência nos dias atuais.
TEXTO 24:
Multiperspectividade histórica: é a abordagem que analisa eventos do passado a partir de múltiplos pontos de vista, fontes e grupos sociais, em vez de focar apenas na narrativa dominante. Ela é essencial para uma compreensão complexa e crítica, pois valoriza a diversidade, incluindo perspectivas de outros grupos. Na história do Brasil, ela é aplicada a partir da pesquisa histórica sob o ponto de vista dos inúmeros grupos indígenas (tanto dos que se aliaram quanto dos que resistiram aos portugueses), dos diversos grupos de escravos africanos de diversas nacionalidades, das mulheres, dos judeus, dos ciganos, de imigrantes europeus, japoneses, prostitutas, tropeiros, homossexuais, japoneses, dos militares, etc.
Principais Aspectos e Benefícios:
Superação da Narrativa Única: Evita a simplificação dos fatos, reconhecendo que diferentes grupos experienciam e interpretam o mesmo evento de maneiras distintas.
Uso de Fontes Diversas: Baseia-se na análise de múltiplas fontes primárias e secundárias para corroborar ou contestar informações, fomentando o pensamento histórico.
Empatia e Pensamento Crítico: Estimula os estudantes a se colocarem no lugar do outro, promovendo empatia e uma compreensão mais profunda do contexto humano.
Consciência Histórica: Ajuda a entender que a história é uma construção contínua, influenciada por perspectivas e interpretações, e não uma verdade absoluta e imutável.
Exemplos:
Gilberto Freyre: mesmo criticado por alguns, é considerado um dos pioneiros da nova visão histórica devido a sua principal obra: Casa-Grande & Senzala (1933), uma obra que vai além do olhar do colonizador. Ou seja, Freyre aborda a contribuição dos indígenas e dos negros para a formação cultural do Brasil, utilizando-se de farta pesquisa sobre usos, costumes, sexualidade, crenças, etc. Freyre deslocou o foco dos palácios e dos campos de batalha para a intimidade. Ele foi um dos pioneiros no uso de fontes "não convencionais", como anúncios de jornais antigos, receitas culinárias, diários e histórias de família. Ele queria entender como o português, o índio e o africano interagiam no dia a dia, na cozinha e no quarto.
Escola dos Annales: os historiadores Marc Bloch e Lucien Febvre foram pioneiros na ideia da História total: em vez pesquisar apenas os documentos oficiais públicos ou privados, eles passaram a olhar para o que as pessoas comuns comiam, como moravam e como pensavam. Tudo passa a ser fonte histórica: música, alimentação, moradia, vestuário, propaganda, cinema, teatro, etc.
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