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terça-feira, 20 de junho de 2023

DETALHES SOBRE O FILME 1984

O filme de George Orwell foi inspirado na ditadura socialista de Stálin, um sanguinário ditador que governou com mão de ferro a União Soviética entre 1928 e 1953
- Na ditadura socialista de Stálin era comum vizinhos denunciarem outros vizinhos como subversivos: a família inteira era levada pela KGB e dependendo da situação, poderia nunca mais voltar.
- Rasgar um poster do ditador ou colocar um copo sobre uma foto dele em um jornal podia resultar em cadeia...
- O culto à personalidade do ditador e do partido implantou uma nova era de inquisição, onde o líder e o partido eram deuses os hereges eram os que criticavam ou não demonstravam o devido fervor e devoção...havia controle sobre o que se fazia, o que se dizia e o que se pensava.

O FILME
- Depois de uma guerra nuclear, o mundo está dividido em três grandes nações, que só interagem entre si por meio de guerras. A Oceania, antiga Europa, é dominada pelo partido socialista, onde só existe um partido e só fala obrigatoriamente o idioma chamado de novilíngua. O objetivo desse novo idioma era eliminar ou ressignificar as palavras. O partido tinha um líder idolatrado, o Grande Irmão (o Big Brother), o qual vigiava todas as casas através de câmeras...O governo do Ingsoc se dividia em quatro ministérios:
-o da Paz (que se ocupa das guerras),
-o do Amor (que mantém a lei e a ordem)
-o da Fartura (que cuida da economia falida)
-o da Verdade (que produz, elimina e altera notícias conforme seja conveniente)

O CONTROLE DA LINGUAGEM
Controlar a linguagem é o primeiro passo para controlar o pensamento. Manipular a linguagem é aprisionar o intelecto dentro de um limite de palavras permitidas, as quais também passaram a ter outro significado...sendo assim, praticamente elimina-se o senso crítico das pessoas, sem que elas mesmas percebam.
- O Dicionário da Novilíngua:
- No filme existe a imposição de uma nova linguagem, a "Novilíngua", algo fundamental para controlar as pessoas a partir daquilo que é mais básico: a linguagem. As ditaduras, não só a do filme, como na vida real, se preocupam com a linguagem pois isso facilita o trabalho de identificar quem pensa de maneira diferente...é preciso, além de calar, prender e eliminar a oposição, que as palavras se submetam a todo o tipo de distorções e mudança de significado que a ditadura quiser impor.
- Era fundamental impor um dicionário onde as palavras passaram a significar tudo aquilo que a ditadura alterasse, ou seja, a realidade foi alterada pela ilusão, pelo engano...essa é a base da Ressignificação das palavras e da imposição do "Duplipensar (técnica de incorporar duas ideias ou crenças contraditórias, incompatíveis uma com a outra, e levar a pessoa a acreditar em ambas).
- O objetivo era restringir/dificultar a liberdade de pensamento, opinião e expressão. Assim, por meio do controle sobre a linguagem, o governo controlava o pensamento das pessoas, dificultando a circulação de ideias indesejáveis. Quem desobedecia cometia o idéia-crime.
Exemplo: guerra é paz: sem guerra não há como haver paz, pois a paz tem origem no combate à violência, sendo o resultado de um conflito, portanto, sem guerra não há paz. A indústria da guerra é necessária para que haja o discurso da paz, portanto, é requerido um estado permanente de guerra.
- Da mesma maneira, democracia passou a significar o governo de um único partido, o qual seria a expressão da vontade do povo...liberdade passou a significar escravidão, pois na liberdade o indivíduo não sabe escolher o melhor e geralmente faz escolhas ruins...na escravidão, o Estado sabe o que é melhor para o indivíduo.

O CONTROLE TOTAL SOBRE  OS INDIVÍDUOS
- o partido utilizava diversas estratégias para manter a população submissa e controlada através da:
- Vigilância constante (o Big Brother): monitores e câmeras instaladas em todos os lugares,  até dentro das casas...isso criava um ambiente de constante vigilância e medo... as pessoas temiam serem punidas por qualquer comportamento considerado "subversivo".
-  Manipulação da informação e da História: O partido controlava e distorcia a informação disponibilizada à população. Eles reescreviam a história, eliminando fatos indesejáveis e substituindo-os por versões falsas para moldar a percepção coletiva. A novilíngua também era usada para restringir o pensamento crítico e limitar a expressão de ideias consideradas ameaçadoras.
- Coletivismo em vez de individualidade: regimes autoritários substituem a individualidade pelo coletivismo...não respeitam a menor das minorias, que é o indivíduo...o ideal é criar um novo ser humano, doutrinado a tal ponto de não ter mais opinião própria, mas apenas aquela que a maioria iludida e enganada pelo partido acredita cegamente ser a verdade, e a verdade é obedecer ao partido.
Não havia mais liberdades individuais...os indivíduos eram desencorajados a ter qualquer forma de opiniões próprias ou sentimentos que não estivessem de acordo com a ideologia do partido. Qualquer desvio era um ato de traição ou subversão.
- Os seres humanos tornam-se uma espécie de robôs
- Manipulação emocional e medo: O partido utilizava o medo como uma ferramenta para controlar a população. Através da criação de um ambiente de constante ameaça e repressão, eles buscavam manter as pessoas em estado de submissão. O sentimento de vigilância constante e a punição brutal imposta aos transgressores serviam como mecanismos de controle.
 - Divisão e isolamento: O partido incentivava a desconfiança e a divisão entre as pessoas, tornando difícil a formação de laços sociais e a construção de uma resistência coletiva. Isso impedia que a população se unisse contra o partido, mantendo-os isolados e impotentes.


HIPOCRISIA DA IGUALDADE SOCIAL: Assim como ocorreu na União Soviética, China e em outras ditaduras socialistas, o discurso da igualdade era usado para enganar e iludir o povo.
Na prática, existia uma clara distinção entre a elite do Partido e o restante da população. A elite do Partido não usava fardamento, tinha melhores condições de vida, alimentos e recursos, enquanto a maioria dos cidadãos vive em condições precárias. Isso demonstra que a igualdade é apenas uma fachada para manter o controle sobre a população e perpetuar o poder da elite.

A igualdade imposta pelo Partido é uma igualdade forçada e opressiva. Os cidadãos são privados de sua individualidade, liberdade de expressão e pensamento independente. Todos são forçados a se conformar com os padrões e ideologias do Partido, resultando em uma sociedade uniforme, desprovida de diversidade e criatividade.

A hipocrisia da igualdade no filme 1984 ressalta a manipulação do poder e a imposição de uma visão distorcida da igualdade, que serve apenas aos interesses daqueles que detêm o controle. A verdadeira igualdade não deve ser uma mera uniformização, mas sim a garantia de oportunidades justas e a valorização da diversidade e singularidade de cada indivíduo.


1984 na vida real: exemplos na vida real: As ditaduras socialistas soviética e chinesa:
Esses regimes impuseram a padronização e controle da linguagem através de medidas tais como
- controle da imprensa, da educação e dos meios de comunicação, impondo uma linguagem oficial e restringindo a liberdade de expressão
- Palavras, expressões ou conceitos que fossem considerados contrários à ideologia comunista eram censurados ou banidos...ao mesmo tempo, termos que promoviam a ideologia eram enfatizados e incentivados. Essa prática tinha como objetivo criar uma narrativa única e moldar a percepção da realidade de acordo com os interesses do Estado.
- Na China, o ditador Mao Tsé-Tung implantou a Revolução Cultural, um movimento que tinha dupla finalidade:
1- erradicar influências estrangeiras e consolidar uma linguagem e cultura "pura" chinesa: Durante esse período, muitos termos e expressões estrangeiras foram proibidos e substituídos por neologismos criados pelo governo. Além disso, foram estabelecidos padrões linguísticos rígidos, promovendo uma linguagem revolucionária e simplificada.
2-desviar o foco da grave crise alimentar, onde milhões de chineses haviam morrido de fome por culpa dos erros do programa chamado Grande Salto para a Frente. O programa tinha como objetivos desenvolver a economia, gerar muito emprego e acabar com a dificuldade de alimentar milhões de chineses. O resultado foi desastroso e em vez de matar a fome dos chineses, matou milhões de chineses por fome.

Questões:
1 - Em que o autor do livro (do qual serviu de base para o filme) se inspirou? comente
2 - Por que era importante controlar a linguagem?
3 - Sobre o controle da linguagem, porque era importante ressignificar as palavras?
4 - Sobre a história, porque era importante a sua manipulação?
5 - Por que a imposição do coletivismo em vez do individualismo?
6 - Havia de fato igualdade social ou o que havia era uma grande hipocrisia? comente
7 - Comente sobre a relação do filme com a realidade das ditaduras socialistas tais como a soviética de Stáline e a chinesa de Mao Tsé Tung




 

quinta-feira, 15 de junho de 2023

SER E TER / AUTOCONHECIMENTO

 

As questões envolvendo o ser e o ter são temas profundos e complexos que têm intrigado filósofos, pensadores e indivíduos ao longo dos séculos. Essas questões nos levam a refletir sobre o significado da existência humana e a forma como nos relacionamos com o mundo ao nosso redor.

Em uma sociedade que muitas vezes valoriza mais o ter do que o ser, somos constantemente bombardeados com mensagens que nos incentivam a buscar a posse de bens materiais, status social e poder econômico como medidas de sucesso e felicidade. No entanto, essa busca incessante pelo ter pode nos afastar de aspectos essenciais da vida, como a busca pela realização pessoal, a conexão com os outros e a busca por um propósito maior.

O ser, por sua vez, remete à nossa essência, aos valores, princípios e características que nos definem como indivíduos. Envolve a busca pelo autoconhecimento, o desenvolvimento pessoal e a busca por uma vida com significado e autenticidade. Ao nos voltarmos para o ser, podemos cultivar qualidades como empatia, compaixão, generosidade e amor, que são fundamentais para a construção de relacionamentos saudáveis e uma sociedade mais justa e equilibrada.

É importante equilibrar o ser e o ter em nossas vidas, reconhecendo a importância de cuidar de nossas necessidades materiais e ao mesmo tempo nutrir nossa dimensão interior. A busca pelo equilíbrio nos permite encontrar um senso de harmonia e plenitude, onde o ter é utilizado como um meio para facilitar nossa existência e promover o bem-estar, em vez de ser o objetivo principal de nossas vidas.

Devemos lembrar que somos seres humanos dotados de capacidades criativas, emocionais e espirituais, e que nossa realização verdadeira está ligada à nossa capacidade de nos conectarmos com nós mesmos, com os outros e com o mundo ao nosso redor. Ao nos concentrarmos no ser, podemos encontrar um sentido mais profundo de satisfação, propósito e felicidade duradoura.

Portanto, é importante que, como indivíduos e como sociedade, nos questionemos e reflitamos sobre nossas prioridades e valores. Devemos buscar uma abordagem mais ampla da vida, onde o equilíbrio entre o ser e o ter seja valorizado e cultivado. Somente assim poderemos construir um mundo mais harmonioso, onde as necessidades materiais e emocionais sejam atendidas, e onde o crescimento pessoal e o bem-estar coletivo possam florescer.

DESENVOLVIMENTO PESSOAL
Refere-se a um processo contínuo de crescimento, aprendizado e aprimoramento das habilidades, competências e características individuais. Envolve a busca pela autorreflexão, autoconhecimento e autotransformação visando ao crescimento pessoal e à realização de todo o nosso potencial.

POTENCIAL
Todos nós temos um potencial que ainda não conhecemos totalmente, ou seja, ele precisa ser despertado e desenvolvido. Temos essa capacidade e, sabendo trabalhar alguns quesitos, conseguimos evoluir ainda mais rumo ao que mais buscamos na vida pessoal e ou profissional.
Potencial humano é a capacidade de nós temos de melhorar e desenvolver aptidões e habilidades que desconhecíamos. Isso é possível através de estudo, treinamento e muita prática.

O desenvolvimento pessoal abrange diversas áreas: emocional, mental, espiritual, física, social e profissional. É um caminho que envolve disciplina, auto-descoberta e autotransformação, em que a pessoa busca entender quem ela é, quais são seus valores, crenças e objetivos, e como pode melhorar e evoluir em diferentes aspectos.

Desenvolver-se não se refere apenas a adquirir conhecimentos e habilidades técnicas, mas também de trabalhar o lado emocional, a inteligência emocional (de nada adianta ser uma pessoa extremamente inteligente se ao mesmo tempo é alguém que não trata com o devido respeito os demais, irrita-se facilmente, ou é mau-educado, grosseiro, vulgar, etc.). O lado emocional devidamente treinado nos leva a ser resilientes (capazes de suportar, se adaptar, de superar as adversidades da vida, as situações de estresse, de grandes desafios, etc.). Envolve também o cultivo de valores como empatia (se colocar no lugar do outro, sentir a dor do outro, compreender o momento difícil do outro, etc.), gratidão, generosidade, etc.

É importante ressaltar que o desenvolvimento pessoal é um processo individual e único para cada pessoa. Cada indivíduo define suas próprias metas e objetivos de crescimento, de acordo com suas necessidades, interesses e valores pessoais. É um caminho contínuo e evolutivo, em que a pessoa se compromete com seu próprio crescimento e transformação ao longo da vida.

Exemplo: dirigir um automóvel sendo habilidoso e competente

Dirigir bem o automóvel é habilidade, é a capacidade técnica de operar o veículo de forma segura e eficiente. Isso envolve ter conhecimento das regras de trânsito, habilidade para controlar o veículo, fazer manobras corretas, usar os dispositivos de segurança, entre outros aspectos técnicos relacionados à condução.

Competência: é a capacidade de se adaptar a diferentes condições de trânsito, tomar decisões rápidas e seguras, antecipar situações de risco, respeitar e considerar outros motoristas, demonstrar comportamento responsável ao volante, então podemos dizer que é uma competência. Essa competência vai além da simples habilidade técnica e envolve aspectos como consciência situacional, ética na direção, respeito às normas de trânsito e habilidades sociais.

Portanto, dirigi bem um automóvel pode ser considerado uma combinação de habilidade e competência, dependendo da perspectiva e dos critérios de avaliação utilizados.

 

 

 

 

 

 AUTOCONHECIMENTO
O autoconhecimento é um processo contínuo e individual, que envolve a exploração e compreensão de si mesmo em diferentes aspectos. Para chegar ao autoconhecimento, você pode seguir algumas práticas e reflexões:

  1. Autoanálise: Reserve um tempo para refletir sobre suas experiências de vida, valores, crenças, interesses e habilidades. Pergunte-se sobre seus pontos fortes, áreas que precisa melhorar e o que realmente te motiva.

  2. Autoobservação: Esteja atento aos seus pensamentos, emoções e comportamentos em diferentes situações. Observe como você reage a determinadas situações e como isso reflete em suas escolhas e decisões.

  3. Busca de feedback: Procure ouvir as opiniões e observações de pessoas próximas a você, como familiares, amigos e professores. Esses feedbacks podem fornecer insights valiosos sobre seus pontos fortes e áreas de melhoria.

  4. Autoavaliação: Faça uma análise honesta e crítica de si mesmo. Identifique suas principais realizações, desafios superados e as lições aprendidas ao longo do tempo.

  5. Práticas de autorreflexão: Dedique-se a atividades que estimulem a reflexão e o autoconhecimento, como a escrita de um diário, meditação, exercícios de mindfulness ou participação em grupos de apoio.

  6. Autoexploração: Busque experiências novas e diversificadas, seja através de hobbies, viagens, cursos ou outras formas de ampliar seus horizontes. Isso pode ajudar a descobrir novas paixões e interesses.

  7. Acompanhamento profissional: Caso sinta necessidade, considere buscar o apoio de um profissional especializado, como um psicólogo ou coach, que pode fornecer orientação e técnicas específicas para ajudar no processo de autoconhecimento.

Lembrando que o autoconhecimento é uma jornada pessoal e que pode levar tempo. É importante estar aberto às descobertas, aceitar-se como é e ter paciência consigo mesmo ao longo do processo. O autoconhecimento é uma base sólida para tomar decisões alinhadas com seus valores e objetivos, além de contribuir para o crescimento pessoal e a felicidade.

 

segunda-feira, 5 de junho de 2023

TOTALITARISMO

O que é Fascismo? muitos usam o termo sem saber o significado; atualmente, o termo  passou a ser adotado de forma pejorativa e genérica a qualquer um que discorde de quem não é comunista. A maioria xinga o outro de fascista, mesmo sem saber o seu significado...o xingamento começou a ser usado por volta de 1921, a partir da  Internacional Comunista, organização que agregava partidos comunistas ao redor do mundo. Essa indefinição é ideal para impulsionar seu uso indiscriminado, algo comum a outros termos políticos que muitos também não sabem o significado (ex: liberal, conservador, neoliberal, etc.). 

Definição de Totalitarismo:

É o mais autoritário modelo político e o mais elevado grau de controle da sociedade, onde todos os segmentos são controlados pelo Estado: economia, cultura, educação, propaganda, arte, literatura, etc. Não há espaço para oposição e críticas ao Estado. Não há liberdades individuais a não ser a favor do Estado. Não há democracia. Qualquer tipo de oposição é punida com prisão, condenação e até execução. São exemplos de regimes totalitários: União Soviética, China, Cuba, Coreia do Norte, Alemanha Nazista, Itália Fascista, etc.
O Primeiro governo totalitário da história foi o da ditadura de Lênin, na Rússia, surgido após o golpe bolchevique de outubro/1917. Vamos nos concentrar no totalitarismo do período logo após a Primeira Guerra, em particular o Fascismo e o Nazismo.

Benito Mussolini era membro do Partido Socialista Italiano, sendo inclusive redator do jornal do partido, o Avanti...era admirado por Lênin. O historiador Paul Johnson destaca seis pontos comuns entre Lênin e Mussolini:
1) Ambos eram totalmente opostos à "democracia burguesa" e a qualquer reformismo;
2) Encaravam o partido como uma agência ferozmente disciplinada, hierárquica e centralizada para atingir os objetivos socialistas;
3) Queriam a liderança de revolucionários profissionais;
4) Não confiavam na capacidade de organização dos trabalhadores;
5) Achavam que a consciência revolucionária poderia ser levada às massas por uma elite organizada do partido;
6) Acreditavam na violência como árbitro final na luta de classes.

Itália: Surgimento do Fascismo
Surgiu e expandiu-se logo após a Primeira Guerra Mundial, favorecido por causas econômicas e políticas:
Causas Econômicas:
1 - Crise Econômica: A economia estava devastada pela guerra, com alta inflação, desemprego em massa e uma grande dívida pública.
2 - Descontentamento dos Trabalhadores: Havia grandes movimentos de trabalhadores exigindo melhores condições, salários e reformas sociais, muitas vezes levando a greves e conflitos violentos.
3 - Desindustrialização e Pobreza Rural: A agricultura sofreu com a perda de mão-de-obra e recursos. Era necessário tempo e recursos financeiros para que a economia voltasse à normalidade após a guerra.

Causas Políticas:
1 - Descrença na democracia e no liberalismo: Uma boa parte do povo queria soluções rápidas para a crise e passou a descrer da democracia e do liberalismo econômico, pois não viam sinais imediatos de melhoria.
2 - Decepção com o Tratado de Versalhes: o povo sentia-se traído pelo Tratado de Versalhes, pois o país não recebeu nenhuma recompensa pela sua participação na guerra.
3 - Medo do Comunismo: O temor de uma revolução e uma guerra civil causadas pelo comunismo assombrava os italianos...tanto as elites quanto a maioria do povo passariam a apoiar qualquer movimento que os defendesse dessas terríveis ameaças. média e as elites, que viram no fascismo uma barreira contra o comunismo.
4 -Nacionalismo e Revanchismo: O ressentimento pela "vitória mutilada" fomentou um forte sentimento nacionalista e desejo de revanche, que foi explorado pelos fascistas.
5 - Apoio da maioria do povo: O Fascismo passou a ser visto como a única alternativa para evitar que a Itália se transformasse numa ditadura marxista.

ASPECTOS DA IDEOLOGIA FASCISTA
O fascismo, como ideologia, apresentava uma combinação de características antiliberais  e marxistas:
1) Rejeição da Democracia Liberal: O fascismo é antiliberal e antidemocrata: a democracia liberal é tida como burocrática, lenta, ineficaz e corrupta; em seu lugar, era preciso um Estado autoritário, o qual impusesse a ordem, acabasse com as rebeliões, greves e protestos (os quais são algumas das principais armas dos marxistas) e fomentasse rapidamente o desenvolvimento. pusesse impor ordem e unidade.

2) Coletivismo Estatal: O liberalismo defende a primazia dos direitos e das liberdades individuais, enquanto o fascismo priorizava o coletivo, a Nação e o Estado. O indivíduo era visto como subordinado ao bem-estar do Estado e da Nação, o que se opunha à ênfase liberal nos direitos individuais.

3) Corporativismo: O fascismo implementava um sistema corporativista no qual o estado mediava as relações entre trabalhadores e empresários, em vez de deixar essas relações serem determinadas pelo mercado livre, como propõe o liberalismo. Esse sistema buscava eliminar os conflitos de classe através da cooperação estatal e da regulação.

4) Crítica ao Capitalismo: o fascismo compartilhava a crítica ao capitalismo liberal. Os fascistas acusavam o capitalismo de criar desigualdades sociais e econômicas que enfraqueciam a nação.

5) Mobilização das Massas: O fascismo procurava mobilizar as massas em apoio ao Estado. Utilizava propaganda, rituais públicos e organizações de massa para engajar a população e promover sua ideologia, semelhante à forma como os partidos comunistas mobilizavam o proletariado.

6) Controle Estatal da Economia: O fascismo implementava um controle significativo do Estado sobre a economia, através de políticas intervencionistas e planejamento econômico, o que se aproxima dos métodos de gestão econômica marxistas, embora com o objetivo de fortalecer o estado e a nação, em vez de abolir a propriedade privada. Na prática, o Fascismo não tomou as empresas privadas, mas passou a controlá-las através do planejamento centralizado da economia. Era esse planejamento que definia tudo o que seria produzido, construído, investido, financiado, etc.


Essa “oração” aqui resume praticamente todo o mantra comunista sobre o fascismo e mostra a fonte de todos os mitos que vocês vão ver a partir desta coluna. Então agora que a gente entendeu onde começou a confusão no estudo do fascismo, e por que tanta gente fala tanta besteira por aí, vamos para outra referência no assunto, o professor Stanley Payne no seu clássico A história do fascismo para gente entender melhor ainda essa falácia primordial do fascismo como agente do capitalismo. Na p. 168, no capítulo “Nacional Socialismo Alemão”, o professor Payne explica uns detalhes bem interessantes sobre a “ajuda” que Hitler teve dos burgueses capitalistas para chegar ao poder: “Tal como Mussolini durante 1921-22, Hitler trabalhou durante 1931-32 para estabelecer laços com setores influentes da sociedade, cooperando parte do tempo com a direita e tentando tranquilizar os empresários de que eles não tinham motivos para estar apreensivos com o 'socialismo' nazista. No entanto, apesar da massiva propaganda esquerdista de que Hitler era o agente pago do capitalismo, Hitler obteve apenas recursos financeiros limitados de grandes empresas. Embora houvesse um apoio considerável a Hitler entre os pequenos industriais, a maioria dos setores das grandes empresas iam consistentemente contra permitir que ele formasse um governo. O Partido Nazista foi principalmente financiado pelos seus próprios membros.” Parece que os burgueses capitalistas não estavam querendo que Hitler salvasse eles não, hein?

Agora na p. 190 o professor Payne concorda com o professor Griffin sobre essa bagunça marxista em forçar a ideia de que o fascismo era o agente do capitalismo, olha com ele não deixa dúvidas aqui: “Muito foi feito por comentaristas marxistas, durante a década de 1930 e por quase meio século depois, sobre a alegada dominação capitalista da economia alemã sob o nacional-socialismo, quando a verdade da questão era mais praticamente o OPOSTO. É importante distinguir entre benefícios contingentes que os capitalistas desfrutaram por causa do domínio nazista e da verdadeira identidade de interesses entre a indústria e o regime nazista.”






Primeiramente foram os comunistas, que há muito tempo lutavam para tomar o poder, que conquistavam boa parte dos trabalhadores. No sentido contrário surgiram na Itália o Partido Fascista e na Alemanha o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazismo), os quais também tinham um discurso antiliberal e antidemocrático. Naquela época, a democracia estava em perigo e em descrédito. Temendo as consequências de um regime comunista, muita gente na Alemanha e na Itália preferiu um totalitarismo que na sua avaliação seria menos ruim, mesmo sendo tão desumano e cruel quanto o soviético.


1 - Fascismo italiano: causas da expansão e chegada ao poder:
a) O país não recebeu nenhum território após o fim da guerra; os enormes gastos do conflito se refletiam na crise econômica, gerando desemprego e miséria;
2) O temor do comunismo:
a maioria dos italianos temia que ocorresse na Itália algo semelhante ao que aconteceu na Rússia com a implantação do comunismo: expropriação, ditadura, guerra civil, milhões de mortos, perseguição aos opositores, campos de concentração, tortura, eliminação, etc.
3)  As divergências internas dos socialistas italianos sobre a participação na Primeira Guerra Mundial:
os marxistas italianos eram, de maneira geral, contra a entrada do país na guerra; sendo assim, foram acusados de covardes, traidores, antipatriotas e colaboradores dos inimigos da Itália. Por ter defendido a entrada da Itália na guerra, Benito Mussolini, que fazia parte da liderança socialista, foi expulso do partido.
4) Mussolini e outro intelectuais criaram o Partido Fascista Italiano, o qual tinha um discurso voltado para a união de todos os italianos...o símbolo do partido era o antigo feixe de varas do senado romano, o qual também é um dos símbolos da república...a ideia de união ia no sentido contrário ao dos comunistas, que pregavam a divisão através da luta de classes...Mussolini percebeu que poderia ganhar a simpatia do povo ao defender o ideal da união de todos em prol de uma Itália grande, onde o Estado se tornaria o árbitro das disputas entre os segmentos sociais.





Além disso, havia a questão religiosa: Não fazia sentido pregar o ateísmo marxista no país que é o centro do cristianismo... Para conquistar a simpatia dos anticomunistas e acalmar milhões de cristãos, Mussolini, mesmo sendo um ateu, sabia que era necessário agradar ao povo... se dizia anticomunista, afirmando que não tomaria a propriedade de ninguém e nem exterminaria com a religião no país que é o centro do cristianismo.
Para conquistar os simpatizantes do comunismo, Mussolini se dizia anticapitalista, antiliberal, defendendo a forte presença do Estado em todos os setores da vida dos italianos.
De maneira geral, os italianos perceberam que estavam em uma situação difícil pois a democracia estava com os dias contados e teriam que escolher entre duas opções totalitárias.
5) Mussolini no poder: após se tornar primeiro-ministro da Itália em 1922, por indicação do rei Vitório Emanuel, Mussolini ainda governou de maneira democrática até 1925, quando dissolveu o Parlamento e iniciou seu período ditatorial. Os de mais partidos foram extintos, a imprensa foi censurada e quem o critica foi preso ou eliminado.
 
A ECONOMIA FASCISTA: o modelo econômico fascista nunca foi liberal: era intervencionista e corporativista, em contraste com os princípios do liberalismo econômico. O Estado desempenhava um papel central na economia, controlando e direcionando os setores-chave. Para fortalecer o poder do Estado, foram criadas várias empresas estatais e o Estado assumiu o controle de setores estratégicos da economia, como transporte, energia, comunicações e indústria pesada. Um dos exemplos foi a fundação do Instituto para a Reconstrução Industrial (IRI) em 1933, com o objetivo de promover a industrialização e a modernização da economia. O IRI assumiu o controle de várias empresas privadas em dificuldades financeiras e se tornou um dos principais grupos econômicos do país, abrangendo setores como siderurgia, química, transporte e telecomunicações.
- A Indústria bélica: Sendo o militarismo uma das características do fascismo,
Mussolini implantou uma política de rearmamento e modernização das forças armadas, direcionando vastos recursos para produzir armamentos, equipamentos militares e infraestrutura militar. A construção de navios de guerra, aviões, tanques e outras armas se tornou uma prioridade do Estado italiano. O país deveria estar devidamente armado caso houvesse um novo conflito. Os investimentos na indústria bélica geraram bastante emprego inclusive em outros setores tais como o da metalurgia, indústria química, etc., impulsionando a economia e criando muitos empregos. O fascismo também obrigou todos os homens ao alistamento militar. É importante frisar que o investimento na indústria bélica tinha também ambições imperialistas, onde Mussolini planejava restaurar o antigo Império Romano e garantir a influência italiana em regiões como o Mediterrâneo e o norte da África, o que exigia um aparato militar poderoso.

2 - Nazismo: causas da expansão e chegada ao poder
1) O Nazismo cresceu na Alemanha em meio à forte crise econômica resultante das imposições humilhantes do Tratado de Versalhes: desemprego, miséria, inflação astronômica, diversas restrições, etc.
2) No campo político, aumentava o temor da chegada dos comunistas ao poder, pois o regime democrático mostrava-se incapaz de impedir o avanço comunista. Era uma questão de tempo.  Foi nesse contexto que surgiu o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, o qual tinha um discurso anticapitalista, antidemocrático e ao mesmo tempo anticomunista;
3) O Nazismo tinha também uma pauta racista: a falsa ideia de raça superior germânica que deveria expandir-se através de outro ideal, o Lebensraum (espaço vital)...o ideal era conquistar muita terra para que os germânicos pudessem ter acesso a todos os recurso necessários...essas terras ficavam no leste europeu, principalmente na Ucrânia e Rússia.
4) Os nazistas acrescentaram também o ódio aos judeus, os quais eram acusados de serem os culpados pela derrota alemã na I guerra...o Exército alemão não havia sido derrotado militarmente, mas tinha sido traído especialmente por judeus, socialistas, marxistas e outros grupos considerados inimigos do Estado. Para os nazistas, os judeus e outros elementos "indesejáveis" da sociedade alemã conspiraram para minar o esforço de guerra alemão e enfraqueceram moralmente o país, favorecendo o espírito de covardia. Essa teoria antissemita e revisionista tinha como objetivo justificar o ódio contra os judeus, criando um bode expiatório para os problemas enfrentados pela Alemanha no período pós-guerra. Era preciso culpar alguém e a culpa caiu sobre os judeus...muitos judeus eram donos de indústrias, empresas comerciais e bancos...com a implementação das políticas antissemitas, eles foram os judeus foram alvo de discriminação, perseguição e restrições cada vez mais severas. Suas propriedades e negócios foram confiscados e expropriados, e muitos empresários judeus foram forçados a abandonar suas empresas e deixar o país. Essa visão distorcida e falsa desempenhou um papel significativo na propagação do antissemitismo na sociedade alemã durante o regime nazista, culminando posteriormente no genocídio e na perseguição sistemática dos judeus durante o Holocausto.
5) O discurso Nazista agradou boa parte do eleitorado alemão...assim como foi no fascismo, o nazismo usou a democracia, mesmo sendo antidemocrático: Hitler foi eleito deputado em 1933; os nazistas só conseguiram ter maioria no Parlamento aliando-se a outros partidos...sendo assim, em 1933, Hitler foi indicado como chanceler (primeiro ministro) pelo presidente Paul Von Hindenburg. Ao assumir o poder, Hitler põe em marcha seus planos autoritários e passa a restringir toda a oposição através de manobras políticas que tiveram o apoio de alguns partidos. Em março de 1933, a aprovação da Lei de Concessão de Plenos Poderes deu a Hitler amplos poderes legislativos e o permitiu governar por decretos, contornando o parlamento. Logo em seguida, Hitler implanta a ditadura, fecha o parlamento, extingue os demais partidos políticos e  proclama a chegada do III Reich.

A ECONOMIA NAZISTA: o nazismo era antiliberal, ou seja, era contra o livre mercado; A economia passou a ser dirigida pelo Estado, o qual controlava e administrava a produção, distribuição e consumo, implementando políticas de planejamento central, nacionalização de empresas, controle de preços e restrições comerciais. De maneira geral, as ações nazistas para reerguer a economia foram as seguintes:
a) Rearmamento e expansão militar: pesados investimentos na indústria bélica, aumentando a produção de armamentos e expandindo as forças armadas. Isso impulsionou o setor industrial e gerou empregos.
b) Autossuficiência: o objetivo era reduzir a dependência do comércio internacional através da  autossuficiência, sendo assim, criou-se políticas protecionistas que estimulavam a produção interna, especialmente em setores estratégicos como agricultura e recursos naturais.
c) Programas de trabalho e infraestrutura: implementou-se um amplo programa de obras públicas para gerar muito emprego e renda (estradas, pontes, moradias, etc.). Essas obras não apenas forneceram empregos para a população, mas também melhoraram a infraestrutura do país.
d) Intervencionismo: O Estado assumiu um papel central na economia, intervindo na gestão de empresas, regulando os preços e controlando as relações trabalhistas. Foram estabelecidos cartéis e sindicatos controlados pelo Estado, visando consolidar o poder econômico e político.
e) Expansão territorial: A anexação de territórios visava acessar os recursos naturais necessários para o crescimento da Alemanha.
f) No campo trabalhista, o Nazismo criou a sua versão do corporativismo fascista: a Frente Alemã do Trabalho, que era uma organização sindical controlada pelo Estado. Essa organização buscava unificar os trabalhadores e os empregadores em uma estrutura hierárquica, na qual o Estado tinha autoridade para regular e determinar as condições de trabalho, salários e direitos trabalhistas.




domingo, 4 de junho de 2023

GRÉCIA ANTIGA

A civilização grega foi uma das mais brilhantes da antiguidade e deixou um rico legado para a humanidade, além de ser uma das civilizações fundadoras da cultura e da civilização ocidental, (da qual o Brasil é participante), juntamente com a judaica e a romana/cristã. Sua história é dividida em algumas fases ou períodos que, de maneira geral foram os seguintes:

PERÍODO PRÉ-HOMÉRICO(2000-1100 a.C.): época do início da formação grega através dos mais antigos antecessores, que foram os cretenses (ou minóicos) e os micênicos.

Civilização Cretense ou Minoica:
Sendo uma ilha, Creta tinha
intenso comércio marítimo, ao ponto de ser considerada uma Talassocracia (povo que tem um poderoso comércio marítimo). Outro registro importante foi o dos grandes palácios, os quais tinham diversas funções semelhantes aos dos templos egípcios e mesopotâmicos. Destacam-se as ruínas do grande palácio de Cnossos.
Civilização Micênica ou Creto-Micênica: A riqueza de Creta atraiu a cobiça de outros povos. Por volta de 1500 a.C, os Aqueus (ou micênicos), um povo que já havia fundado cidades como  Pilos, Tirinto e Argos, invadiram Creta e deram início a civilização micênica ou creto-micênica.
A lenda do Minotauro sendo morto no labirinto por Teseu representa a invasão dos aqueus (o minotauro é o cretense, o labiritno representa a grandiosidade dos palácios e Teseu é o aqueu).
A primeira diáspora:
com o passar do tempo, outros povos invadiram e criaram núcleos de povoamento: Éolios, Jônios e Dórios...estes últimos foram antecessores dos Espartanos e conhecidos pela violência com que tratavam os povos vencidos: quem não fugiu, ou foi morto ou foi escravizado. Foi por causa dessa violência que muitos gregos preferiram fugir. A invasão dória provocou uma grande dispersão humana em direção às ilhas do mar Egeu, costa da Ásia Menor e regiões do sul da Europa.

PERÍODO HOMÉRICO(1100-800 a.C.): Foi uma fase de transição e instabilidade, onde ocorreram
-A Desintegração dos Genos: Os genos (ou Comunidades gentílicas) eram basicamente clãs que tinham unidade econômica, social, política e religiosa. Sua economia era coletivista, ou seja, a propriedade era coletiva. tinha uma estrutura social primitiva, com laços de parentesco), onde os bens eram compartilhados pelo grupo. Com o passar do tempo, os Genos foram desintegrando-se devido ao crescimento da população, aumento do consumo, limitação da produção agrária, etc.
-Formação das Fratrias: surgiram a partir da desintegração dos Genos...eram formadas por  diversas famílias que ocuparam as melhores terras e passaram a ter fun
ções políticas, religiosas e militares.
- Formação das Tribos e das Pólis: Com o tempo, as fratrias ampliaram-se, dando origem às Tribos. A união de várias Tribos deu origem às cidades gregas, conhecidas como Pólis, que tornaram-se Cidades-Estados.

ILÍADA E ODISSEIA: São duas grandes obras literárias, consideradas fundadoras da literatura ocidental. O poeta Homero teria sido o escritor, entretanto, é provável que Homero não tenha existido e que os autores tenham sido vários poetas gregos, chamados de Aedos.
Ilíada: é a narrativa sobre o cerco à cidade de Troia, na costa do Mar Egeu (atual território da Turquia). O foco central são as façanhas do herói aqueu Aquiles e seu combate contra Heitor, príncipe de Troia.
Odisseia:
  é a narrativa sobre as aventuras enfrentadas pelo rei aqueu Odisseu (ou Ulisses para os romanos), no retorno ao seu reino após a guerra de Troia.


A SEGUNDA DIÁSPORA GREGA
Foi provocada pelas seguintes causas:
- As primitivas comunidades, a partir das Fratrias, já haviam se apoderado das melhores terras, as quais pertenciam aos Eupátridas, a elite que possuía o poder político, econômico, militar e religioso.
- Não havia terra suficiente para acomodar as novas gerações.  crescimento da população
- A solução foi emigrar para outras ilhas e regiões mais distantes...muitas colônias gregas surgiram no sul da Itália.

PERÍODO ARCAICO(800-500 a.C.)
-A Grécia não se unificou na forma de um reino ou império; consolidaram-se como cidades-estados. ...uma das explicações para isso seria o relevo montanhoso que dificultava um maior contato entre as cidades. Essas cidades só se uniam em tempos dos jogos olímpicos ou em épocas de guerra.
-A economia passou por transformações significativas, com um intenso comércio marítimo e a expansão das atividades agrícolas, trabalhadas principalmente por escravos. O uso de moedas facilitou as transações comerciais e o surgimento de uma classe mercantil.

ATENAS E ESPARTA: Consolidam-se como as duas principais cidades do mundo grego.
ATENAS:
Seus mais antigos registros referem-se a ondas migratórias dos Jônios. As narrativas populares acreditam que o nome da cidade foi uma homenagem à Atena, deusa da sabedoria, inteligência, do senso de justiça e das artes.
Os Eupátridas: donos do poder=
a evolução política de Atenas começa com a oligarquia dos Eupátridas: eram famílias ricas e poderosas, donas das melhores terras, ao mesmo tempo em que controlavam o poder político, ou seja, só os seus membros ocupavam os cargos públicos. Com o tempo, surgiu uma monarquia a partir da própria oligarquia eupátrida...essa monarquia acabou sendo extinta após tentar se impor como uma tirania.

AS REFORMAS DE DRÁCON
Em Atenas, quem governava era a oligarquia dos eupátridas...entretanto, as revoltas populares resultaram na implantação de um governo de legisladores chamados de Arcontes, que na prática era uma ditadura. Entre os arcontes, destacou-se Drácon, criador de um severo código de leis, cujos crimes eram punidos com a morte.
Por que leis tão rígidas?
- As revoltas populares contra a difícil situação social: uma parte do povo sofria com a enorme presença de escravos, os quais eram usados como principal mão de obra nos campos e nas cidades, resultando em desemprego e miséria de boa parte do povo ateniense. Muitos atenienses endividados tornaram-se escravos por dívidas.

AS REFORMAS DE SÓLON
As leis de Drácon foram consideradas muito rígidas...tempos depois, um legislador chamado Sólon criou um amplo programa de reformas benéficas para a maioria dos atenienses:
- anistiou as dívidas dos camponeses
- proibiu a escravidão por dívida
- impôs limites à extensão das propriedades agrárias, diminuindo os poderes e arbitrariedades da nobreza
- estendeu o direito de votar nas assembleias para os atenienses que tivessem determinados níveis de renda.
- criou a Eclésia, a assembleia popular
- criou a Bulé, um conselho formado por 400 cidadãos encarregados de propor as leis que deveriam ser debatidas na Eclésia.
- criou um conselho de 400 membros destinado a preparar as leis para serem votadas
- criou o tribunal popular
- acabou com o monopólio dos eupátridas na alta magistratura.
Sólon foi um bom legislador e é considerado aquele que preparou o caminho para a implantação da democracia, embora a maioria dos atenienses ainda estivessem excluídos do direito de participar da Eclésia.

AS REFORMAS DE CLÍSTENES
Clístenes é considerado o criador da primeira democracia da história. Para isso, ele substituiu o critério de renda (criado por Sólon) pelo critério geográfico (seria cidadão ateniense aquele que tivesse nascido em qualquer um dos dez distritos (que foram chamados de tribos). Teria que ser também filho de pai e mãe ateniense. Desta forma, todos os distritos da cidade  estariam sendo representados na Assembleia. Essa medida tinha o objetivo de romper com o poder de influência da oligarquia Eupátrida e promover uma maior igualdade entre os cidadãos.
Era uma democracia primitiva e precária, onde estavam excluídos os estrangeiros, as mulheres, os escravos e os atenienses que não comprovassem ser filhos de pai e mãe ateniense.
- Clístenes introduziu o princípio da isonomia, que garantia direitos políticos iguais a todos os cidadãos, independentemente de sua origem social.
- criou também o ostracismo, um mecanismo pelo qual os cidadãos podiam votar para exilar temporariamente um líder político considerado uma ameaça à democracia (por exemplo, um corrupto)
- ampliou o conselho da Bulé para 500 participantes.

A Democracia Ateniense era direta: todos os cidadãos participavam e votavam, sendo assim, era bastante cansativa e demorada. Os que cansavam e desistiam de participar das Assembleias, passaram a ser chamados de idiotas.
A atual democracia é indireta, pois é baseada na representatividade, onde o povo elege representantes (vereadores, deputados e senadores), os quais reúnem-se nos devidos parlamentos e decidem os rumos da cidade, estado e país em lugar do povo... é chamada de Democracia Representativa ou Democracia Indireta. Para os mais críticos, não é democracia... é uma espécie de Oligarquia de partidos ou de representantes ou de eleitos pelo povo, ou uma "Representocracia", pois não é mais o povo decidindo, mas seus "representantes".

PERÍODO CLÁSSICO
Foi marcado principalmente por dois grandes conflitos: As Guerras Médicas e a Guerra do Peloponeso, conflito que resultou na conquista de toda a Grécia pelos Macedônicos.

As Guerras Médicas ou Greco-Pérsicas:

Causas:
- a expansão do império persa, sob o reinado de Dario I, conquistando vários territórios e povos. Entretanto, ao tentarem controlar o intenso comércio no mar Egeu, encontraram forte resistência das colônias gregas da Ásia Menor (atual Turquia).
- as cidades-estados gregas vieram em socorro...Dario I decidiu invadir a Grécia.  
- Houve dois períodos de guerra, onde os gregos saíram-se vencedores.

As Consequências
Atenas destacou-se como a principal cidade grega, com seu modelo democrático sob o governo de Péricles, o qual ampliou a participação dos cidadãos e instituiu a Mistoforia (bonificação para que atenienses mais pobres pudessem participar da Assembleia ou da  Bulé, uma espécie de Conselho encarregado de elaborar projetos de leis).
- Atenas destacou-se como a principal liderança durante a guerra, ao criar e comandar uma Confederação ou Liga de cidades (A Liga de Delos), que era uma espécie de aliança militar, onde Atenas coordenava as ações e os recursos para manter o esforço de guerra.

A Guerra do Peloponeso - causas
Ao findar a guerra, Atenas não desfez a Liga que comandava e não permitia que as cidades coligadas a deixassem, fato que foi considerado com uma espécie de Imperialismo e tirania ateniense. 
- O imperialismo de Atenas foi visto por Esparta como uma ameaça às cidades-estados, pois sinalizava a criação de um império ateniense.
- A reação de Esparta foi criar uma Liga ou Confederação de oposição, a Liga do Peloponeso, que passou a rivalizar com a liga ateniense. A rivalidade culminou na Guerra do Peloponeso.

Consequências: destruição e invasão macedônica
A Guerra do Peloponeso durou cerca de 27 anos e resultou em vasta destruição. A Liga do Peloponeso, sob comando de Esparta, saiu-se vencedora, embora bastante enfraquecida...com o mundo grego debilitado, os Macedônios aproveitaram o momento para invadir as cidades gregas e impor o Império Macedônico.

SOCIEDADE
GRÉCIA: CIVILIZAÇÃO ESCRAVISTA
É bom salientar que a escravidão grega foi diferente do modelo de escravidão criado pelos árabes sobre os povos africanos, modelo que foi copiado pelos europeus dentro do processo de colonização das Américas.
A principal força de trabalho na Grécia Antiga foi a escrava. 
Os escravos foram utilizados tanto nos campos quanto nas cidades, fato que provocava dificuldades de ofertas de trabalho para a maioria dos gregos pobres. O resultado foi a miséria e as constantes revoltas de desempregados.
Origem dos Escravos:
a - em sua maioria eram comprados nos mercados, sendo fruto de um grande comércio escravagista.
b - eram prisioneiros de povos vencidos em guerras (nesse caso eram minoria). A exceção era Esparta, onde os Hilotas eram escravos do Estado e tinham um contingente populacional maior do que o dos Espartiatas.
c- eram gregos escravizados por dívidas: essa situação só foi resolvida após muita revolta e luta: em Atenas, esse tipo de escravidão só acabou na época do legislador Sólon.


A Sociedade ateniense era Estamental, onde a posição do indivíduo ao longo da vida já estava praticamente definida pela sua origem, ou seja, quem nasceu theta geralmente morreria sendo theta. A
mobilidade social (ou sejam melhorar de vida), era difícil, mas não era impossível.
A sociedade estava dividida da seguinte forma:
a) Eupátridas: pertenciam às famílias mais antigas e influentes, eram latifundiários e durante muito tempo dominaram os poderes político e econômico.
b) Georgóis: eram donos de médias e pequenas propriedades rurais. Muitos foram submetidos à escravidão por dívidas, fato que resultou em revoltas populares.
c) Thetas: Eram cidadãos de baixa renda, geralmente artesãos, comerciantes ou funcionários públicos.
d) Demiurgos: Eram em geral os grandes comerciantes e artesãos.
e) Metecos: Eram estrangeiros que de maneira geral eram comerciantes, artesãos ou prestadores de serviços.
f) Escravos: não possuíam nenhum direito e eram considerados como um objeto. Dependendo do seu dono, poderia ser bem ou mal tratado, ser libertado ou não. Houve senhores bondosos que os libertavam, mas isso era exceção e não uma regra.
Os escravos eram considerados uma parte essencial da economia e da vida cotidiana, mas não tinham voz nem autonomia em questões legais, políticas ou sociais.

ESPARTA:

Esparta Esparta era governada pela Diarquia (dois reis: um era responsável pelo exército e o outro pela religião) e pela Gerúsia (conselho de anciãos que exercia funções legislativas e judiciais). 
Em termos de inclusão do povo nas questões políticas, Esparta limitava-se a uma Assembleia, chamada de Ápela, da qual participavam apenas os espartiatas. As decisões da Ápela eram limitadas, pois resumiam-se a analisar as propostas enviadas pela Gerúsia, aprovando-as ou não.
A sociedade espartana também era estamental e estava dividida da seguinte forma:
- No topo estavam os Espartiatas (cidadãos de plenos direitos)
- Em seguida havia os Periecos, habitantes livres, mas não-cidadãos, eram geralmente artesãos e comerciantes
-Na base estavam os Hilotas, que eram os escravos do Estado.

MILITARISMO E LACONISMO
Esparta destacou-se pelo militarismo e pelo laconismo. Esparta era uma cidade-quartel. Era uma cidade até certo ponto isolada, onde seu povo tinha um estilo de vida austero e sua ênfase residia na obediência e na lealdade ao Estado. O militarismo gerou no espartano o laconismo, que é a característica de quem é resumido em sua comunicação, quem usa poucas palavras para expressar as ideias, quem é bastante resumido e só fala o mínimo necessário. O que explica o laconismo é justamente o militarismo, pois o soldado é treinado para obedecer e jamais questionar as ordens.

AS GUERRAS MÉDICAS OU GRECO-PÉRSICAS:
Foi uma guerra que envolveu as cidades gregas contra a expansão do Império Persa.
- 1ª  Guerra Greco-Pérsica (492-490 a.C.):  os persas foram derrotados nas batalhas de Maratona, em 490 a.C., pelos gregos.
- 2ª Guerra Greco-Pérsica: novamente os persas são derrotados. Foi nessa segunda tentativa que ocorreu a heróica Batalha das Termópilas. Xerxes I, filho de Dario I, liderou uma invasão em grande escala à Grécia com um enorme exército persa. Os gregos uniram-se em uma aliança liderada por Esparta e Atenas para enfrentar os persas. Após a batalha de Plateia, os persas desistiram de tentar invadir as cidades gregas.

O FIM DA GUERRA E O IMPERIALISMO ATENIENSE

Após a guerra, Atenas viveu um período de grande esplendor, principalmente porque liderava um grupo de cidades através da Liga de Delos...essa liga tinha sido criada na época da guerra como objetivo de administrar os recursos para lutar contra os persas...Atenas cobrava impostos das cidades para construir navios de guerra, armamentos e tudo o que fosse preciso para a guerra...Entretanto, após o final do conflito, não havia mais sentido nessa Liga, mas Atenas não só a manteve como impedia que qualquer cidade participante se desligasse. Atenas se comportava como um Estado imperialista... Esparta enxergava essa influência e poder de Atenas como um sinal de que pretendia criar um império grego sob seu comando...sendo assim, era uma ameaça que precisava ser combatida.

A REAÇÃO ESPARTANA E A GUERRA DO PELOPONESO
Em resposta ao domínio de Atenas, Esparta criou a Liga do Peloponeso, uma aliança formada por diversas cidades sob o seu comando. Essa rivalidade resultou na Guerra do Peloponeso, um conflito fratricida onde a Liga sob comando de Esparta venceu, mas saiu bastante enfraquecida. Esse enfraquecimento serviu aos interesses dos Macedônios, os quais, sob o comando de Felipe II, invadiram toda a Grécia, iniciando a história do Império Macedônio.

PERÍODO HELENÍSTICO - IMPÉRIO MACEDÔNIO
Embora fossem desprezados pelos gregos, que os consideravam bárbaros e selvagens, os  macedônios tinham parentesco helênico, pois eram descendentes dos eólios e dórios e  falavam um dialeto grego...as relações entre gregos e macedônios foram marcadas por altos e baixos...no período das guerras médicas, os macedônios apoiaram os persas.

Após a conquista da Grécia, o rei Filipe II viveu pouco tempo, pois foi assassinado em 336 a.C.  Seu filho, Alexandre, assumiu o trono e
expandiu consideravelmente o império, conquistando parte do norte da África, o Egito, a Pérsia e até uma parte da Índia.Essas conquistas ajudaram a criar o Helenismo, um termo que na prática significou a fusão das culturas grega com elementos culturais egípcios e persas. O expansionismo militar de  Alexandre foi responsável pela difusão da cultura grega pelo Oriente, fundando cidades (algumas batizadas com o nome de Alexandria) que se tornaram verdadeiros centros de difusão da cultura grega.
Foram ainda ações promovidas por Alexandre, dentro da política helenística:
- Incentivar a fusão entre vencedores e vencidos: generais macedônios e gregos casaram-se com mulheres persas. Alexandre, inclusive, desposou a filha do rei Dário III, Roxana.
- Difundir a cultura: a língua grega foi assimilada por muitos povos. A escrita grega substituiu a escrita cuneiforme e demótica. A indumentária grega, a arquitetura e o mobiliário foram adotados pelos vencidos, bem como cerimônias, danças e canções.
- Difundir o modelo econômico grego: expandir o comércio e da agricultura, incluindo a seda e a porcelana orientais...as cidades tornaram-se grandes centros mercantis. Os portos foram restaurados, mais estradas foram abertas...foram criadas fortificações para proteger as caravanas de mercadores.


O LEGADO GREGO PARA A HUMANIDADE: Os gregos deixaram um riquíssimo legado em diversas áreas do saber: Democracia, Teatro, Filosofia, Medicina, Arquitetura, Estética, Olimpíadas, Oratória, etc.


A ERA VARGAS (1930-1945)

A ERA VARGAS (1930-1945)
Foi o período em que Getúlio Vargas governou o Brasil durante quinze anos, na maior parte do tempo de maneira autoritária.


A chegada ao poder:
Vargas chega ao poder após o evento conhecido como "Revolução de Trinta", que na prática foi um golpe dos militares, os quais derrubam a própria república que tinham criado. Por que um novo golpe militar?
Desde o início, a democracia na república brasileira era apenas letra morta da Constituição. Essa república teve como características o domínio das oligarquias, o coronelismo, o clientelismo político, currais eleitorais, troca de favores, etc. Além disso, as diversas revoltas e até duas guerras (Canudos e Contestado) formaram um histórico de permanente instabilidade, onde as elites políticas mostravam-se insensíveis a qualquer ideia de mudança. Os militares, que foram os parteiros da república, perceberam que ela estava longe dos ideais da ordem e progresso...a república perdeu-se pelos caminhos do engano, trapaça e mentira...o país não tinha nenhum projeto de modernização...só havia clientelismo político e privilégios...sendo assim, os militares decidiram agir após as eleições de 1930, aproveitando o uso político do assassinato de João Pessoa, que era o candidato a vice-presidente de Vargas. A Aliança Liberal ( era uma coalizão de elites dissidentes, partidos regionais e grupos militares ) tratou João Pessoa como um mártir, usando sua imagem para inflamar os ânimos contra o governo do presidente Washington Luís e seu sucessor eleito, Júlio Prestes. O corpo de João Pessoa foi levado em cortejo por várias capitais do Brasil, onde multidões foram mobilizadas em protestos. João Pessoa foi transformado em um "mártir da democracia", aquele que teria sido vítima do "terror oligárquico" e da perseguição política promovida pelos partidários de Washington Luís e Júlio Prestes. A imprensa aliada a Vargas (como o jornal "A Liberdade") difundiu a ideia de que o assassinato era "mais uma prova da barbárie do regime".
A comoção pública foi instrumentalizada para legitimar a insurreição armada...sendo assim, o Exército decide que é hora de intervir, derrubar a república velha para implantar uma nova república sem os erros do passado.
Resumos das ações do golpe militar:
- A insurreição começou em 3 de outubro de 1930, com levantes militares no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Nordeste.
- As tropas gaúchas e nordestinas, lideradas por comandantes como Goes Monteiro e Juarez Távora, estavam em marcha rumo ao Rio de Janeiro.
- Washington Luís ainda resistia, confiando nas forças legalistas.
- No dia 24 de outubro de 1930, Uma Junta militar, incluindo Augusto Tasso Fragoso (Exército), João de Deus Mena Barreto (Exército) e Isaías de Noronha (Marinha), invadiu o Palácio do Catete e depôs Washington Luís. 
- A Junta militar governou por 10 dias (24/10 a 3/11/1930), quando passou o poder formalmente a Getúlio Vargas. 

As três fases da Era Vargas:
a - Governo Provisório - 1930 a 1933
b - Governo Constitucional - 1934 a 1937
c - Estado Novo - 1937 a 1945

Autoritarismo e Contexto autoritário 
Em seus quinze anos no poder, Vargas moustrou-se muito mais autoritário do que democrata. Esse lado autoritário era consequência tanto da influência dos governadores gaúchos Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros quanto do contexto político dos anos trinta, marcados pela crise de credibilidade da democracia e do economia liberal, modelos que passaram a ser considerados como incapazes de impedir a expansão da influência  do comunismo, do fascismo e do nazismo. As ditaduras de Stálin, Mussolini e Hitler estavam em ascensão e serviram de inspiração para os simpatizantes e aspirantes a tiranos, onde Vargas estava inserido.
O Populismo:
Outra característica de Vargas foi o seu Populismo trabalhista: Para agradar os trabalhadores urbanos e afasta-los das tentações do discurso comunista, Vargas criou o Ministério do Trabalho e implantou as leis trabalhistas através da CLT e do Corporativismo.
Outra marca do populismo era a intensa Propaganda: Repetindo no Brasil práticas populistas voltadas para a exaltação de sua pessoa e de seu governo, Vargas usou largamente a propaganda para repassar a imagem de protetor, pai, defensor e guia, principalmente dos trabalhadores urbanos, os quais foram cooptados por Vargas (foi só o urbano,...o trabalhador rural continuou desprezado durante todo o seu governo) através da implantação das leis trabalhistas. Copiando o colega america Franklin Roosevelt, Vargas passou a usar o rádio para se comunicar diretamente com uma parcela do povo, através da "Hora do Brasil".

Governo Provisório (final de 1930 a 1933)
Vargas chegou ao poder convidado pelos militares e inicialmente, demonstrou uma  grande capacidade de negociação política ao ponto de conciliar os interesses daqueles que queriam a imediata redemocratização do país e daqueles que queriam um governo centralizado, extremamente nacionalista e autoritário. Suas ações iniciais foram no sentido de eliminar toda a oposição ao seu governo, fazendo uma espécie de faxina do poder político até então vigente: 
- Fechou os Parlamentos federal, estadual e municipal
- Extinguiu a  Constituição
- Extinguiu todos os partidos políticos
- Substituiu a maioria dos governadores por pessoas de sua confiança, boa parte deles tenentistas.

Importantes decisões de Vargas durante esse período:
- O Voto Feminino: Até 1927 as mulheres não votavam: o texto da Constituição republicana de 1891 era de interpretação dúbia e não as incluía no conjunto de brasileiros proibidos de votar (analfabetos, mendigos, soldados rasos e parte do clero), entretanto, não deixava claro se podiam. A legislação eleitoral da república velha era bastante descentralizada ao ponto de permitir que cada estado decidisse o que queria
...sendo assim, o Rio Grande do Norte, em 1927, autorizou o voto feminino, com destaque para a professora Celina Guimarães Viana, a primeira a votar no Brasil republicano. 
-Em 1932, Vargas, através do Decreto 21.076, autoriza o voto feminino, o qual foi incluído também na Constituição de 1934.

- A Reforma Eleitoral: O mesmo Decreto nº 21.076 reformou o modelo eleitoral através das seguintes inovações: 
Voto Secreto – Até então, as eleições eram abertas, o que facilitava a coerção e fraudes. O voto secreto buscava reduzir a pressão sobre os eleitores, especialmente dos coronéis e oligarquias locais.
Justiça Eleitoral Autônoma – responsável por organizar, fiscalizar e apurar as eleições, a qual não estaria sob a interferência dos governos estaduais e municipais no processo. 
Representação Proporcional – Introduziu o sistema de representação proporcional para cargos legislativos, buscando uma distribuição mais justa das cadeiras conforme a votação dos partidos. 
Alistamento Eleitoral Obrigatório – O voto era obrigatório para homens alfabetizados entre 21 e 60 anos e facultativo para mulheres alfabetizadas entre 18 e 21 anos.

-Início das Reformas trabalhistas:
Em 1931 Vargas criou o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio (MTIC), colocando o movimento operário sob vigilância estatal. 
Lei de Sindicalização (1931): Exigia que sindicatos fossem reconhecidos pelo Ministério para funcionarem, sob ameaça de intervenção. Na prática, isso significava o fim dos sindicatos livres e o início da vigilância e controle do Estado sobre o movimento sindical, o qual estava até então sob o controle dos comunistas. A intenção de Vargas era impedir o avanço do comunismo no meio do operariado.
Policiamento: Greves passaram a ser reprimidas, e líderes sindicais independentes eram perseguidos e presos.

A Guerra civil paulista (conhecida como Revolução Constitucionalista de 1932)
O tempo passava e Vargas demorava para convocar a Assembleia Constituinte...ele não era presidente de fato, mas um governante provisório com extremos poderes...sendo assim, foi perdendo o apoio das oligarquias que viam nele uma esperança de mudança e redemocratização. Sua demora resultou na revolta paulista de 1932, conhecida como Revolta Constitucionalista ou guerra civil paulista. Os paulistas queriam dentre outras exigências, a convocação imediata de uma Assembleia Constituinte e a nomeação de um interventor que fosse paulista e civil, pois quem estava comandando São Paulo era o militar pernambucano oriundo do tenentismo, João Alberto. Mesmo com a derrota dos paulistas, Vargas os atendeu, convocando a Assembleia Constituinte para 1933. Essa Assembleia elaborou e promulgou a Constituição de 1934.A mesma Assembleia elegeu indiretamente Vargas como presidente até 1937.

Governo Constitucional (1934-1937):
A Constituição de 1934: promulgada, era bastante democrática para uma época em que a democracia estava em baixa. Vargas, embora não gostasse, foi obrigado a conviver com a oposição política, tendo que formar uma base da apoio para ter governabilidade, conviver com a liberdade de imprensa, etc. Foi também nesse curto período que Vargas implantou algumas leis trabalhistas antes da CLT: salário mínimo, 8 horas diárias de trabalho, férias e liberdade sindical.

AIB E ANL 
Nessa época, surgiram dois movimentos políticos inspirados no Fascismo e no Stalinismo:
a)  Ação Integralista Brasileiro (AIB): 

tinha inspiração fascista, era antiliberal e anticomunista: defendia valores nacionalistas e era antissemita. Seu líder era Plínio Salgado. Por ser anticomunista, os integralistas são erroneamente associados a um regime liberal ou de direita; entretanto, isso é uma interpretação sem fundamento, pois um dos princípios do integralismo era ser antiliberal e um dos princípios básico da direita é a defesa do liberalismo. A AIB era corporativista e defendia a forte presença do Estado regulando relações trabalhistas, econômicas, etc., tudo que é contrário aos princípios da direita. 
Principais pautas da AIB:
Nacionalismo autoritário: Defesa de um Estado forte e centralizado, inspirado no fascismo italiano.
Anticomunismo radical: Combate à influência soviética no Brasil.
Corporativismo: Organização da sociedade em corporações (sindicatos patronais e operários controlados pelo Estado): O Estado passaria a ser o árbitro de todas as negociações entre patrões e empregados. As empresas deveriam estar registradas em sindicatos patronais devidamente autorizados, os quais os representariam em uma mesa de negociação com os sindicatos classistas...o Estado seria o árbitro dessa negociação.
Moralização política: Rejeição à democracia liberal e aos partidos tradicionais.
Expansionismo cultural: Valorização de símbolos nacionais e imposição de uma identidade brasileira homogênea.
Militarização: Os integralistas ("camisas-verdes") organizavam milícias paramilitares.
Base social: Classe média urbana, setores conservadores, militares, intelectuais e parte da elite católica. Por ser anticomunista, os integralistas ganharam o apoio de setores liberais e conservadores, os quais, na falta de um representante legítimo, preferiram aquele que consideravam com menos potencial de destruição dos valores, já que os aliancistas defendiam uma pauta considerada anti-cristã, marxista, materialista e pró-Stálin.  

b) Aliança Libertadora Nacional (ANL):
-Defendia a implantação de um Estado autoritário através da tomada do poder. Seu líder era o comunista Luís Carlos Prestes, que tinha voltado ao Brasil  usando o nome falso de Antonio Villar.
- A ANL seguia as diretrizes do Comintern (Internacional Comunista), que por sua vez obedecia aos comandos de Stálin. em 1934, o Comintern recomendava ações moderadas através da criação de uma política de Frentes Populares (alianças entre comunistas, socialistas e até burgueses) contra o nazifascismo. No Brasil, isso significava unir forças com tenentes, sindicalistas reformistas e até a burguesia que fosse nacionalista.
-Era preciso adaptar-se à realidade brasileira: o Brasil não era industrializado e a maioria dos trabalhadores eram camponeses analfabetos e desorganizados...o operariado era minoria. A tática seria avançar em reformas que, no futuro, criassem condições para implantar uma ditadura socialista. 

Principais Pautas da ANL:
-destruir os latifúndios, distribuir terras e dar direitos trabalhistas aos camponeses. 
-Nacionalizar empresas estrangeiras.
-Oposição ao imperialismo: Embora se afirmassem antiimperialistas (contra os EUA e Inglaterra), eram contraditórios, pois defendiam um novo tipo de imperialismo, no caso o da União Soviética. 
-Sindicatos livres da regulação do Estado.

O Manifesto radical da ANL:
- Na prática, essa pauta moderada ANL era comparada à estratégia dos mencheviques e criticada pelos aliancistas radicais que defendiam a derrubada imediata do governo Vargas e a instalação de uma ditadura socialista. 
- Em 1935, seguindo as ordens imperialistas de Stálin, a Comintern mudou sua estratégia, recomendando  fim de alianças com as frentes populares, ao mesmo tempo em que deveriam partir para a luta armada com o objetivo de tomar o poder.  
- Em julho de 1935, Luiz Carlos Prestes divulga um manifesto revolucionário (conhecido como "Manifesto de Julho" ou "Manifesto de Prestes") onde defendia a derrubada de Vargas e a instauração de um "governo popular revolucionário". Esse documento foi um dos estopins para a repressão do governo e a posterior Intentona Comunista.
Principais pontos do manifesto:
- Acusou Vargas de ser fascista e lacaio dos imperialistas.
- Chamou Vargas de "traidor da Revolução de 30", já que muitos tenentes (como o próprio Prestes) haviam apoiado sua chegada ao poder, mas depois se decepcionaram com a falta de reformas sociais conforme a agenda aliancista.
- Defendeu a "insurreição popular armada" como único caminho para libertar o Brasil do "latifúndio, imperialismo e fascismo".
-Incentivou soldados, marinheiros e operários a se rebelarem contra o governo.
-Prometeu uma reforma agrária radical e a nacionalização de empresas estrangeiras .

A Lei de Segurança Nacional e o Fechamento da ANL: 

- Em abril de 1935, antes mesmo do violento manifesto da ANL, já estava em vigor a Lei de Segurança Nacional, que foi apelidada de "Lei Monstro". O crescimento da ANL foi um dos motivos que levaram  Vargas e o Congresso a aprovarem essa lei, a qual, na prática acabava com as liberdades (opinião, pensamento, expressão, etc.), garantidas pela Constituição de 1934. A lei proibia a organização de associações ou partidos com o objetivo de subverter a ordem política ou social, assim como impedia a impressão e a circulação de livros, panfletos e quaisquer publicações consideradas subversivas. Da mesma forma, sindicatos e associações profissionais poderiam ser fechados, estrangeiros naturalizados poderiam ter a cidadania brasileira cassada e serem expulsos do país; professores poderiam perder a cátedra; e funcionários públicos, o emprego. A lei previa ainda a cassação de militares que tivessem comportamento considerado incompatível com a disciplina militar. Além disso, proibia a greve de funcionários públicos e criminalizava quem tentasse executar planos de desorganização dos serviços urbanos e dos sistemas de abastecimento, além de estabelecer sanções (incluindo fechamento) para jornais e emissoras de rádio que veiculassem matérias consideradas subversivas.
Após a divulgação do violento manifesto, a ANL foi fechada, tendo como base a Lei de Segurança Nacional. Revoltado, Prestes decidiu que era a hora de ir à luta armada.

A Intentona Comunista de 1935 - Causas
Luiz Carlos Prestes e o Partido Comunista Brasileiro (que na época estava na legalidade) acreditavam que existia um número considerável de comunistas entre os tenentistas...além disso, acreditavam que os quartéis estavam "maduros" para uma insurreição. Prestes veio do Tenentismo e, na sua opinião, assim como foi em 1922 (18 do Forte) e 1924 (Revolta Paulista), os militares de baixa patente apoiariam uma revolta. Além disso, o PCB tinha algumas células dentro de quartéis, especialmente entre sargentos, cabos e marinheiros. 
Havia também um discurso anti-Vargas por uma parte dos militares, o qual na realidade era muito mais de apoio ao integralismo do que ao comunismo. 
A Internacional Comunista pressionou o PCB a acreditar que o Brasil estava em uma "situação revolucionária", mesmo sem base real. Prestes era dogmático e não aceitava opiniões contrárias de aliancistas que o aconselhavam a não tentar tomar os quartéis, pois não havia apoio suficiente no meio militar para realizar essa façanha.  

O Fracasso da Intentona: 
Só houve levantes em três estados: RN, PE e RJ.
- Em Natal, no dia 23 de novembro de 1935, tropas de assalto tomaram o 21º Batalhão de Caçadores. Logo em seguida, tomaram também a sede do governo. Em seguida, proclamaram a instalação de um governo comunista sob uma nova bandeira, fato que gerou um clima de  anarquia, insegurança e violência, que se alastrou a outros municípios do Estado, como São José do Mipibu e Ceará-Mirim.
-Em Pernambuco:  No Recife, em 24 de novembro, no Quartel General da 7ª Região Militar, o Sargento Gregório Bezerra assassinou o Tenente José Sampaio e feriu o também Tenente Agnaldo de Almeida. Em Jaboatão dos Guararapes, no 29º Batalhão de Caçadores (atual 14º Batalhão de Infantaria Motorizado), após um violento combate, militares rebelados partiram para o Recife, recebendo apoio de alguns civis ao longo do caminho. O objetivo era  destituir o Governo local e fortalecer o movimento iniciado em Natal. No bairro recifense de Afogados, na praça do Largo da Paz, os revoltosos foram barrados pelas forças estaduais. Na madrugada do dia 25 de novembro, tropas do Exército vindas de Maceió e João Pessoa somaram-se aos legalistas na ação e derrotaram os rebeldes, deixando um saldo de mais de 100 mortos. 
Após a vitória em Recife, as tropas legalistas do Exército seguiram para Natal e conseguiram sufocar o movimento rebelde, que foi encerrado em 27 de novembro, deixando um rastro de destruição em prédios públicos, quartéis e bancos, e mais de 20 mortos, entre civis, rebeldes e legalistas.

- No Rio de Janeiro, o levante restringiu-se ao 3º RI da Praia Vermelha e à Escola de Aviação Militar do Campo dos Afonsos. No 3º RI, os aliancistas tinham em torno de 30 homens.  O comandante da 1ª Região Militar, general Eurico Gaspar Dutra, estava com sua tropa de prontidão e mobilizou-a contra os revoltosos, impedindo suas tentativas de sair do quartel, o qual foi bombardeado por canhões da marinha e da aviação.  Por volta do meio-dia de 27 de novembro, as tropas de Dutra invadiram o quartel, forçando a rendição dos revoltosos, resultando em um saldo de 20 mortes. A inferioridade numérica dos revoltosos e o fato de não contarem mais com o elemento surpresa — os levantes do Nordeste já tinham eclodido e a polícia de Vargas dispunha de informações inclusive sobre a data do levante no Rio — permitiram que o movimento fosse rapidamente controlado.

A Intentona ajudou Vargas a implantar a ditadura do Estado Novo 
Após o fracasso da Intentona, não havia praticamente nenhum movimento comunista disposto a tentar um novo golpe. O Congresso Nacional havia declarado um estado de guerra, fato que permitia a Vargas governar por decreto, isto é, sem passar pelo controle democrático do Poder Legislativo. Vargas ordenou a prisão dos envolvidos na Intentona. Luís Carlos Prestes era o principal alvo da repressão e o maior símbolo do comunismo no Brasil. Prestes foi preso em março de 1936 e ficou nove anos na prisão. 
O fracasso da intentona comunista deu a Vargas o pretexto para implantar a ditadura e acabar com o curto governo constitucional. A tentativa de tomada de quarteis era algo inaceitável para a maioria dos comandantes do Exército. Alguns oficiais passaram a defender a ideia de que só uma ditadura seria capaz de impor a ordem no Brasil . Sendo assim, alguém teve a ideia de se criar uma farsa sobre um novo plano dos comunistas para tomar o poder...o plano era ainda maior do que o anterior. Esse plano ficou conhecido como Plano Cohen.  Embora Vargas não tenha sido o autor, ele o aprovou e o usou para consolidar seu poder como ditador do Estado Novo.
Vargas divulgou através do rádio a descoberta do documento no dia 30 de setembro de 1937 e pediu ao Congresso Nacional a autorização para adotar medidas ainda mais drásticas de segurança. A divulgação do Plano provocou enorme apreensão entre a população. A imprensa, de maneira geral não questionou. Os candidatos à presidência da República na eleição que se aproximava, José Américo de Almeida e Armando de Sales Oliveira, também não questionaram e informaram que suas campanhas não incluíam comunistas. O Congresso aprovou o pedido da decretação do Estado de Guerra (ou de sítio) por mais noventa dias.  
O Estado de sítio permitia a suspensão de várias garantias constitucionais e o aumento do poder do Executivo, incluindo o controle sobre a imprensa, a repressão de qualquer movimento considerado subversivo e a possibilidade de prender opositores sem o devido processo legal.
Com tanto poderes em suas mãos, Vargas, no dia 10 de novembro de 1937, ordenou ao Exército o fechamento do Congresso Nacional, no Rio de Janeiro. No mesmo dia, à noite, em pronunciamento radiofônico, Vargas anunciou a outorga de uma nova Constituição, redigida por Francisco Campos, inspirada na Constituição polonesa, motivo pelo qual ela foi apelidada de "A Polaca".

A Ditadura do Estado Novo (1937-1945):
Com os parlamentos e partidos políticos fechados, Vargas governava sem oposição através de decretos-lei. 
Muitos governadores e prefeitos foram substituídos por interventores.Toda a imprensa estava sob censura. Muitos opositores e críticos da ditadura foram presos, sendo ou não comunistas, com destaque para Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, Caio Prado Júnior, Cândido Motta Filho, Monteiro Lobato, etc. As liberdades individuais foram bastante reduzidas e os opositores foram presos... ao mesmo tempo, Vargas fez uso de intensa propaganda política sua e aproximou-se das massas através do populismo e do trabalhismo. 

A Intentona Integralista:
Foi uma tentativa frustrada de golpe da Ação Integralista Brasileira (AIB) contra o governo de Getúlio Vargas em maio de 1938, cujas causas foram:
1. A traição de Vargas: Os integralistas apoiaram Vargas e o golpe, acreditando que seriam incorporados ao governo. No entanto, em dezembro de 1937, Vargas decretou o fim de todos os partidos políticos, incluindo a AIB, fato que levou os integralistas a sentirem-se traídos pelo ditador, o qual preferiu cooptar setores militares e burocráticos. 
2. A Ação: Revoltados, um grupo de cerca de 80 integralistas, no dia 11 de maio de 1938, decidiu  tomar o Palácio Guanabara (residência de Vargas no Rio de Janeiro), prender Vargas e declarar empossado um governo integralista.
3. A Reação do Governo: A segurança de Vargas resistiu, e os integralistas não conseguiram tomar o palácio. O levante foi rapidamente sufocado, com mortes de ambos os lados. Alguns integralistas foram presos, e outros fugiram.
Consequências: Vargas ordenou uma caça aos integralistas, prendendo centenas de militantes. Plínio Salgado foi exilado em Portugal e só retornou ao Brasil anos depois, sem influência política. O integralismo perdeu força como movimento político. 
O fracasso da Intentona reforçou o poder de Vargas, que usou o episódio para justificar maior repressão contra qualquer oposição. O regime se tornou ainda mais centralizador e autoritário, perseguindo todo e qualquer movimento contrário. não só integralistas, mas também comunistas e liberais.

A CRIAÇÃO DO DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda):
Com objetivos distintos, Vargas criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), responsável por
-espionar prováveis inimigos
-censurar livros, jornais, revistas, peças teatrais, filmes, etc.
-produzir e divulgar todo o tipo de propaganda que exaltasse o regime e o líder
-Utilizando o rádio como uma moderna ferramenta de comunicação, Vargas criou um jornal diário chamado “A Hora do Brasil”, uma imitação do programa americano implantado por Franklin Roosevelt.

A CRIAÇÃO DO DASP (Departamento de Administração do Setor Público):
Tendo como objetivo moralizar e modernizar o serviço público, Vargas criou este departamento que visava melhorar o atendimento ao público e diminuir o forte controle dos políticos sobre os cargos públicos. Naquela época, só era funcionário público quem tivesse bons contatos com os políticos. Além disso, o DASP foi também utilizado para espionar prováveis funcionários públicos críticos ou inimigos de Vargas.

O POPULISMO TRABALHISTA: VARGAS, O PAI DOS POBRES
A JUSTIÇA DO TRABALHO:
Através do Decreto-lei nº 1.237, de 2 de maio de 1939, Vargas implanou a Justiça do Trabalho.
A CLT
Através do Decreto-Lei n.º 5 452, de 1 de maio de 1943, Vargas implantou a Consolidação das Leis do Trabalho. Embora não haja um consenso, muitos especialistas enxergam uma certa semelhança entre a CLT e a legislação trabalhista fascista de 1927, criada por Mussolini, chamada de Carta del Lavoro. O próprio Vargas, é claro, negou copiar o modelo fascista, afirmando que a CLT era "uma criação original brasileira". Apesar das semelhanças formais, o contexto e os objetivos eram distintos.
De maneira geral, Vargas tinha alguns objetivos ao criar essa legislação:
a) Industrialização em andamento: naquela época, o Brasil era majoritariamente rural e o governo Vargas dava continuidade ao processo de industrialização do Brasil...sendo assim, era importante atrair o trabalhador rural para as cidades através da CLT, a qual só beneficiava o trabalhador urbano.
b) Vargas, o Defensor: antes da CLT, eram constantes as greves e sabotagens dos operários comandados pelos sindicalistas comunistas...a CLT ao mesmo tempo que concedia os principais benefícios da luta operária (carga horária de 8 horas, aposentadoria, férias, etc..), transferia para Vargas a imagem de defensor dos trabalhadores e a tirava dos sindicatos. Vargas, ao criar a CLT e a Justiça do Trabalho, desmontou a autonomia, substituindo-a por um sistema de controle estatal.
c) Fim da liberdade sindical: Os diversos sindicatos classistas eram o principal meio através do qual o comunismo expandia-se. A CLT extinguiu essa liberdade sindical, impondo a unicidade: apenas um sindicato por categoria, o qual deveria estar obrigatoriamente subordinado ao  Ministério do Trabalho. Só os trabalhadores registrados em Sindicatos autorizados pelo Ministério do Trabalho tinham os benefícios da CLT. Vargas copiou aquilo que foi criado pelos fascistas e nazistas na área sindical: os sindicatos foram substituídos por corporações classistas e patronais, onde o Estado tornou-se o árbitro das disputas.

A INDUSTRIALIZAÇÃO: VARGAS, A "MÃE DOS RICOS"
Para industrializar o país, Vargas precisava também ajudar os empresários nacionais, ou seja, sendo nacionalista, Vargas entendia que era preciso ser também o defensor do empresariado nacional contra o capital estrangeiro. Era importante continuar a industrializar o Brasil pelos seguintes motivos:
- não depender unicamente da agropecuária e de seu principal produto, o café
- substituir os importados: a Segunda Guerra Mundial, assim como a primeira, forçou o país a investir na produção interna de bens como aço, cimento e combustíveis.
- Nacionalismo Econômico: A industrialização era vista como um meio de garantir autonomia nacional, evitando a dominação estrangeira.
 Nacionalismo, Corporativismo e Desenvolvimentismo: a industrialização não tinha apenas objetivos econômicos, mas foi parte de um projeto de poder: um Brasil com mais tecnologia, mais urbanizado e mais controlado pelo Estado. 
 - Vargas implementou uma série de incentivos estratégicos para impulsionar a industrialização, fortalecendo a burguesia industrial nacional. Essas medidas combinavam protecionismo estatal, financiamento público e infraestrutura, criando as bases para o capitalismo industrial no Brasil.
- Tarifas alfandegárias elevadas: aumento de impostos sobre importações de produtos manufaturados para proteger a indústria nascente (ex.: têxteis, alimentos, metalurgia).
- Controle Cambial: O governo controlava o câmbio, priorizando a compra de equipamentos industriais e insumos essenciais.
- A criação de uma siderúrgica de aços planos, a Companhia Siderúrgica Nacional, em 1941, através de capital norte-americano em troca da concessão de bases americanas no Nordeste.
- A criação da Companhia Vale do Rio Doce: Criada em 1942, foi responsável pela exploração e produção de minério de ferro no Brasil, impulsionando a indústria siderúrgica e contribuindo para o crescimento do setor de infraestrutura.
- Incentivos à indústrias têxteis para suprir a demanda interna por tecidos e roupas.
- Fábrica Nacional de Motores (FNM): fundada em 1942, inicialmente com o objetivo de fabricar motores aeronáuticos; Foi também resultado da parceria com o governo dos EUA, que financiou a construção.
- Isenções fiscais e medidas protecionistas para grandes grupos empresariais tais como: - Roberto Simonsen (indústria têxtil e construção).
Francisco Matarazzo (indústria alimentícia).
Assis Chateaubriand (comunicação e indústria).
A concessão de créditos para os empresários nacionais fizeram Vargas ser também apelidado de "a mãe dos ricos".

CORPORATIVISMO E A FORMAÇÃO DE CARTÉIS
O corporativismo varguista favoreceu as grandes empresas, incluindo as grandes construtoras, que passaram a desfrutar da preferência e proximidade com o governo para a realização de obras públicas, através de suas conexões políticas. Foi criado assim um ambiente propício para o cartelismo no setor de obras públicas.
O cartel é uma forma de cooperação entre concorrentes que controla uma parte do mercado e elimina a concorrência através de acordos de fixação de preços, divisão de mercado e outras práticas anticompetitivas. No caso das grandes construtoras e empresas do setor de obras públicas, elas se beneficiaram do corporativismo e da relação próxima com o governo para estabelecer acordos informais ou mesmo formais que lhes conferiam vantagens e controle sobre o mercado. Essa cartelização geralmente tem efeitos negativos tais como os preços mais elevados (superfaturamento), baixa qualidade dos serviços, falta de inovação e dificuldades de acesso para empresas menores e mais competitivas. Além disso, a falta de concorrência efetiva pode levar a um desperdício de recursos públicos e prejudicar o desenvolvimento e a eficiência do setor.

DECADÊNCIA E FIM DO ESTADO NOVO
Durante o Estado Novo, Vargas parecia demonstrar uma certa simpatia pelos regimes nazifascista. Esta simpatia era mais pragmática do que ideológica, pois o Brasil exportava muita matéria prima, principalmente para a Alemanha, país que se tornou o maior parceiro comercial do Brasil, superando os Estados Unidos. 
Muitos afirmam que no Brasil havia o maior número de nazistas fora da Alemanha, o que não passa de um mito: havia em torno de três mil adeptos, ao passoi que nos Estados Unidos, a Liga Germano-Americana, que era nazista, tinha mais de 25 mil integrantes que empregavam a suástica com orgulho.
Mesmo que aparentasse simpatia pelo regime, Vargas negou o culto à violência, que era comum a esses regimes e ainda integrou elementos da cultura negra na identidade nacional, o que era inconcebível para a ideologia de uma raça superior.
Na realidade, Vargas não era nem nazista nem fascista, era pragmático e nacionalista e enquanto foi vantajoso manteve relações comerciais com o Eixo.

Após o início da Segunda Guerra, Vargas percebe a maré autoritária está chegando ao fim, sendo necessário aderir aos Estados Unidos como o melhor meio de obter vantagens para si e para o Brasil. Entretanto, após a guerra, o modelo autoritário de Vargas mostrou-se contraditório, pois sendo uma ditadura, enviou tropas à Europa para lutar contra ditaduras que até pouco tempo eram amigas do Estado Novo. . 
Além disso, havia a pressão interna para que Vargas deixasse o poder, pois já faziam 15 anos ininterruptos. Sentindo a pressão, Vargas

sexta-feira, 2 de junho de 2023

A REVOLTA DE BECKMAN (1684-1685)

A revolta de Beckman foi uma das revoltas nativistas ocorridas no Brasil colonial. Entende-se por nativistas todas as revoltas que não pretendiam a separação de Portugal, mas a solução de problemas que as autoridades locais não tinham interesse em resolver.
A revolta de Beckman foi uma delas: ocorrida na Capitania do Maranhão, foi resultado de diversas causas que que revoltaram fazendeiros e comerciantes contra a má administração colonial. Os revoltosos chegaram a tomar a sede do governo, mas no final foram presos, julgados e executados. 
Antecedentes:
- A economia maranhense
-No século XVII, a economia era agrária e extrativista; o algodão era a principal base econômica, mas produzia-se também açúcar e fumo; No extrativismo, destacavam-se as drogas do sertão (ex: salsa, urucum, cacau, baunilha, castanha-do-pará, etc. Para tentar desenvolver a economia local, o governo português criou uma Companhia de Comércio, a única que estava autorizada tanto a importar (escravos e diversas mercadorias) quanto a exportar mercadorias. Os preços, tanto dos escravos quanto das mercadorias foram tabelados, ou seja, não poderia ser cobrado um preço maior do que o da tabela.
- O monopólio comercial (ou estanco) e a questão da mão de obra:
A dificuldade dos fazendeiros do Maranhão era obter mão de obra escrava para suas lavouras;  os índios estavam protegidos pelos jesuítas através de acordo com o governo português. Restava a mão de obra negra através do tráfico transatlântico...mas isso dependia do fornecimento pela Companhia de Comércio do Maranhão, que assumiu o
compromisso de fornecer anualmente no mínimo 500 escravos...o problema é que a empresa nunca cumpriu com sua parte do acordo: sempre demorava para trazer os escravos e sempre cobrava um preço acima do preço tabelado, sob protestos dos fazendeiros, que não tinham outra opção senão pagar o valor a mais.
- Além de escravos, a Companhia deveria também fornecer tecidos, manufaturados europeus, bacalhau, vinhos e farinha de trigo...a
Companhia também atrasava as entregas, fornecendo produtos de má qualidade; no caso dos alimentos, muitos chegavam já estragados.
- A Companhia tinha também o compromisso de transportar mercadorias locais para Portugal, tais como cacau, baunilha, cravo, tabaco, etc. Da mesma maneira, deixava a desejar, atrasava as entregas e desagradava a todos.
- Outro ponto importante é que os preços das mercadorias eram tabelados, mas a Companhia descumpria a tabela e cobrava sempre a mais, sabendo que os clientes dificilmente iriam negar a pagar a extorsão, pois a necessidade era grande.
- Os Jesuítas e os indígenas
- os fazendeiros também não tinham como usar a mão de obra indígena, pois era proibida: eles estavam sob a proteção dos Jesuítas, através de um acordo com a coroa portuguesa. Entretanto, os jesuítas, ao ensinar os índios as técnicas agrícolas, aproveitavam-nos para produzir as "drogas do sertão", fato que irritava profundamente os fazendeiros, os quais, eventualmente, contratavam os caçadores de índios para invadir as missões e capturá-los de maneira ilegal.
-O desinteresse do governador
- outra reclamação era destinada ao governador Francisco de Sá e Menezes, que passava mais tempo em Belém do Pará, onde residia, do que em São Luís...o governador não demonstrava interesse em resolver os problemas do povo maranhense; em seu lugar, "governava" o capitão-mor Balthasar Fernandes, comandando um pequeno destacamento.
-Insatisfação geral:
- Os fazendeiros reclamavam porque a falta de mão de obra emperrava a produção agrícola
- Os comerciantes reclamavam da demora da chegada das mercadorias importadas
- Fazendeiros e comerciantes reclamavam que havia uma tabela de preços, porém, a Companhia não a respeitava e cobrava sempre a mais.
- Os caçadores de indígenas reclamavam da lei que proibia a escravidão dos nativos;
- A população reclamava da irregularidade do abastecimento de alimentos e da carestia dos produtos.

As Ações dos revoltosos
No início de fevereiro de 1684. os irmãos Beckman (Manoel e Tomás), Francisco Dias
Deiró e outros proprietários de terras, juntamente com alguns padres, espalharam bilhetinhos nas missas e panfletos pela cidade, atacando a administração de Francisco de Sá e Menezes. No dia 25 de fevereiro de 1684,
aproveitando a ausência rotineira do governador, uma enfurecida multidão com mais de 100 pessoas conseguiu invadir a sede do governo maranhense, render o pequeno contingente militar e assumir o governo,  criando uma Junta Governativa composta por seis membros, sendo dois representantes dos fazendeiros, dois do clero e dois dos comerciantes. As principais decisões dessa Junta foram:
a) expulsaram os jesuítas: os índios
b) extinguiram a Companhia de Comércio
c) declararam deposto o governador Francisco de Sá e Menezes

O FIM DA REVOLTA
Durou pouco mais de um ano o governo dessa Junta, pois em em
maio de 1685, os portugueses enviaram uma esquadra e um novo governador, Gomes Freire de Andrade; as tropas retomaram o poder local sem muita dificuldade; muitos moradores e envolvidos com a revolta fugiram com medo das punições. 
Os principais líderes foram presos, julgados e condenados, alguns ao exílio, outros à execução, dentre eles, Tomás Beckman.
Os Jesuítas retornaram. O negócio com a Companhia de Comércio foi desfeito.

As consequências da revolta de Beckman:

1 - A Resistência contra a situação de descaso, privilégios e exploração econômica impostas pelo monopólio comercial
2 - Os colonos maranhenses lutaram contra o injusto tratamento ao qual estavam submetidos pelo governo local. Este tratamento prejudicava não somente os grandes produtores rurais e comerciantes, mas também os médios e pequenos, sendo assim prejudicava toda a cadeia produtiva da colônia.
3 - A Revolta demonstrou a importância da união e solidariedade entre as pessoas que compartilham dos mesmos sentimentos de injustiça. Essa coesão foi fundamental para o sucesso da revolta enquanto ela durou.
4 - Luta pela liberdade econômica: A revolta, mesmo não sendo separatista, foi uma das primeiras a lutar contra as imposições e a insensibilidade da Metrópole.
5 - A revolta deixou um legado importante na história do Maranhão e do Brasil, sendo lembrada como um símbolo de resistência e luta pela justiça.
6 - Sobre os jesuítas, alguns anos depois, a Coroa portuguesa autorizou o seu retorno e a retomada do aldeamento dos indígenas.