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domingo, 4 de junho de 2023

A ERA VARGAS (1930-1945)

A ERA VARGAS (1930-1945)
Foi o período em que Getúlio Vargas governou o Brasil durante quinze anos, na maior parte do tempo de maneira autoritária.


A chegada ao poder:
Vargas chega ao poder após o evento conhecido como "Revolução de Trinta", que na prática foi um golpe dos militares, os quais derrubam a própria república que tinham criado. Por que um novo golpe militar?
Desde o início, a democracia na república brasileira era apenas letra morta da Constituição. Essa república teve como características o domínio das oligarquias, o coronelismo, o clientelismo político, currais eleitorais, troca de favores, etc. Além disso, as diversas revoltas e até duas guerras (Canudos e Contestado) formaram um histórico de permanente instabilidade, onde as elites políticas mostravam-se insensíveis a qualquer ideia de mudança. Os militares, que foram os parteiros da república, perceberam que ela estava longe dos ideais da ordem e progresso...a república perdeu-se pelos caminhos do engano, trapaça e mentira...o país não tinha nenhum projeto de modernização...só havia clientelismo político e privilégios...sendo assim, os militares decidiram agir após as eleições de 1930, aproveitando o uso político do assassinato de João Pessoa, que era o candidato a vice-presidente de Vargas. A Aliança Liberal ( era uma coalizão de elites dissidentes, partidos regionais e grupos militares ) tratou João Pessoa como um mártir, usando sua imagem para inflamar os ânimos contra o governo do presidente Washington Luís e seu sucessor eleito, Júlio Prestes. O corpo de João Pessoa foi levado em cortejo por várias capitais do Brasil, onde multidões foram mobilizadas em protestos. João Pessoa foi transformado em um "mártir da democracia", aquele que teria sido vítima do "terror oligárquico" e da perseguição política promovida pelos partidários de Washington Luís e Júlio Prestes. A imprensa aliada a Vargas (como o jornal "A Liberdade") difundiu a ideia de que o assassinato era "mais uma prova da barbárie do regime".
A comoção pública foi instrumentalizada para legitimar a insurreição armada...sendo assim, o Exército decide que é hora de intervir, derrubar a república velha para implantar uma nova república sem os erros do passado.
Resumos das ações do golpe militar:
- A insurreição começou em 3 de outubro de 1930, com levantes militares no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Nordeste.
- As tropas gaúchas e nordestinas, lideradas por comandantes como Goes Monteiro e Juarez Távora, estavam em marcha rumo ao Rio de Janeiro.
- Washington Luís ainda resistia, confiando nas forças legalistas.
- No dia 24 de outubro de 1930, Uma Junta militar, incluindo Augusto Tasso Fragoso (Exército), João de Deus Mena Barreto (Exército) e Isaías de Noronha (Marinha), invadiu o Palácio do Catete e depôs Washington Luís. 
- A Junta militar governou por 10 dias (24/10 a 3/11/1930), quando passou o poder formalmente a Getúlio Vargas. 

As três fases da Era Vargas:
a - Governo Provisório - 1930 a 1933
b - Governo Constitucional - 1934 a 1937
c - Estado Novo - 1937 a 1945

Autoritarismo e Contexto autoritário 
Em seus quinze anos no poder, Vargas moustrou-se muito mais autoritário do que democrata. Esse lado autoritário era consequência tanto da influência dos governadores gaúchos Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros quanto do contexto político dos anos trinta, marcados pela crise de credibilidade da democracia e do economia liberal, modelos que passaram a ser considerados como incapazes de impedir a expansão da influência  do comunismo, do fascismo e do nazismo. As ditaduras de Stálin, Mussolini e Hitler estavam em ascensão e serviram de inspiração para os simpatizantes e aspirantes a tiranos, onde Vargas estava inserido.
O Populismo:
Outra característica de Vargas foi o seu Populismo trabalhista: Para agradar os trabalhadores urbanos e afasta-los das tentações do discurso comunista, Vargas criou o Ministério do Trabalho e implantou as leis trabalhistas através da CLT e do Corporativismo.
Outra marca do populismo era a intensa Propaganda: Repetindo no Brasil práticas populistas voltadas para a exaltação de sua pessoa e de seu governo, Vargas usou largamente a propaganda para repassar a imagem de protetor, pai, defensor e guia, principalmente dos trabalhadores urbanos, os quais foram cooptados por Vargas (foi só o urbano,...o trabalhador rural continuou desprezado durante todo o seu governo) através da implantação das leis trabalhistas. Copiando o colega america Franklin Roosevelt, Vargas passou a usar o rádio para se comunicar diretamente com uma parcela do povo, através da "Hora do Brasil".

Governo Provisório (final de 1930 a 1933)
Vargas chegou ao poder convidado pelos militares e inicialmente, demonstrou uma  grande capacidade de negociação política ao ponto de conciliar os interesses daqueles que queriam a imediata redemocratização do país e daqueles que queriam um governo centralizado, extremamente nacionalista e autoritário. Suas ações iniciais foram no sentido de eliminar toda a oposição ao seu governo, fazendo uma espécie de faxina do poder político até então vigente: 
- Fechou os Parlamentos federal, estadual e municipal
- Extinguiu a  Constituição
- Extinguiu todos os partidos políticos
- Substituiu a maioria dos governadores por pessoas de sua confiança, boa parte deles tenentistas.

Importantes decisões de Vargas durante esse período:
- O Voto Feminino: Até 1927 as mulheres não votavam: o texto da Constituição republicana de 1891 era de interpretação dúbia e não as incluía no conjunto de brasileiros proibidos de votar (analfabetos, mendigos, soldados rasos e parte do clero), entretanto, não deixava claro se podiam. A legislação eleitoral da república velha era bastante descentralizada ao ponto de permitir que cada estado decidisse o que queria
...sendo assim, o Rio Grande do Norte, em 1927, autorizou o voto feminino, com destaque para a professora Celina Guimarães Viana, a primeira a votar no Brasil republicano. 
-Em 1932, Vargas, através do Decreto 21.076, autoriza o voto feminino, o qual foi incluído também na Constituição de 1934.

- A Reforma Eleitoral: O mesmo Decreto nº 21.076 reformou o modelo eleitoral através das seguintes inovações: 
Voto Secreto – Até então, as eleições eram abertas, o que facilitava a coerção e fraudes. O voto secreto buscava reduzir a pressão sobre os eleitores, especialmente dos coronéis e oligarquias locais.
Justiça Eleitoral Autônoma – responsável por organizar, fiscalizar e apurar as eleições, a qual não estaria sob a interferência dos governos estaduais e municipais no processo. 
Representação Proporcional – Introduziu o sistema de representação proporcional para cargos legislativos, buscando uma distribuição mais justa das cadeiras conforme a votação dos partidos. 
Alistamento Eleitoral Obrigatório – O voto era obrigatório para homens alfabetizados entre 21 e 60 anos e facultativo para mulheres alfabetizadas entre 18 e 21 anos.

-Início das Reformas trabalhistas:
Em 1931 Vargas criou o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio (MTIC), colocando o movimento operário sob vigilância estatal. 
Lei de Sindicalização (1931): Exigia que sindicatos fossem reconhecidos pelo Ministério para funcionarem, sob ameaça de intervenção. Na prática, isso significava o fim dos sindicatos livres e o início da vigilância e controle do Estado sobre o movimento sindical, o qual estava até então sob o controle dos comunistas. A intenção de Vargas era impedir o avanço do comunismo no meio do operariado.
Policiamento: Greves passaram a ser reprimidas, e líderes sindicais independentes eram perseguidos e presos.

A Guerra civil paulista (conhecida como Revolução Constitucionalista de 1932)
O tempo passava e Vargas demorava para convocar a Assembleia Constituinte...ele não era presidente de fato, mas um governante provisório com extremos poderes...sendo assim, foi perdendo o apoio das oligarquias que viam nele uma esperança de mudança e redemocratização. Sua demora resultou na revolta paulista de 1932, conhecida como Revolta Constitucionalista ou guerra civil paulista. Os paulistas queriam dentre outras exigências, a convocação imediata de uma Assembleia Constituinte e a nomeação de um interventor que fosse paulista e civil, pois quem estava comandando São Paulo era o militar pernambucano oriundo do tenentismo, João Alberto. Mesmo com a derrota dos paulistas, Vargas os atendeu, convocando a Assembleia Constituinte para 1933. Essa Assembleia elaborou e promulgou a Constituição de 1934.A mesma Assembleia elegeu indiretamente Vargas como presidente até 1937.

Governo Constitucional (1934-1937):
A Constituição de 1934: promulgada, era bastante democrática para uma época em que a democracia estava em baixa. Vargas, embora não gostasse, foi obrigado a conviver com a oposição política, tendo que formar uma base da apoio para ter governabilidade, conviver com a liberdade de imprensa, etc. Foi também nesse curto período que Vargas implantou algumas leis trabalhistas antes da CLT: salário mínimo, 8 horas diárias de trabalho, férias e liberdade sindical.

AIB E ANL 
Nessa época, surgiram dois movimentos políticos inspirados no Fascismo e no Stalinismo:
a)  Ação Integralista Brasileiro (AIB): 

tinha inspiração fascista, era antiliberal e anticomunista: defendia valores nacionalistas e era antissemita. Seu líder era Plínio Salgado. Por ser anticomunista, os integralistas são erroneamente associados a um regime liberal ou de direita; entretanto, isso é uma interpretação sem fundamento, pois um dos princípios do integralismo era ser antiliberal e um dos princípios básico da direita é a defesa do liberalismo. A AIB era corporativista e defendia a forte presença do Estado regulando relações trabalhistas, econômicas, etc., tudo que é contrário aos princípios da direita. 
Principais pautas da AIB:
Nacionalismo autoritário: Defesa de um Estado forte e centralizado, inspirado no fascismo italiano.
Anticomunismo radical: Combate à influência soviética no Brasil.
Corporativismo: Organização da sociedade em corporações (sindicatos patronais e operários controlados pelo Estado): O Estado passaria a ser o árbitro de todas as negociações entre patrões e empregados. As empresas deveriam estar registradas em sindicatos patronais devidamente autorizados, os quais os representariam em uma mesa de negociação com os sindicatos classistas...o Estado seria o árbitro dessa negociação.
Moralização política: Rejeição à democracia liberal e aos partidos tradicionais.
Expansionismo cultural: Valorização de símbolos nacionais e imposição de uma identidade brasileira homogênea.
Militarização: Os integralistas ("camisas-verdes") organizavam milícias paramilitares.
Base social: Classe média urbana, setores conservadores, militares, intelectuais e parte da elite católica. Por ser anticomunista, os integralistas ganharam o apoio de setores liberais e conservadores, os quais, na falta de um representante legítimo, preferiram aquele que consideravam com menos potencial de destruição dos valores, já que os aliancistas defendiam uma pauta considerada anti-cristã, marxista, materialista e pró-Stálin.  

b) Aliança Libertadora Nacional (ANL):
-Defendia a implantação de um Estado autoritário através da tomada do poder. Seu líder era o comunista Luís Carlos Prestes, que tinha voltado ao Brasil  usando o nome falso de Antonio Villar.
- A ANL seguia as diretrizes do Comintern (Internacional Comunista), que por sua vez obedecia aos comandos de Stálin. em 1934, o Comintern recomendava ações moderadas através da criação de uma política de Frentes Populares (alianças entre comunistas, socialistas e até burgueses) contra o nazifascismo. No Brasil, isso significava unir forças com tenentes, sindicalistas reformistas e até a burguesia que fosse nacionalista.
-Era preciso adaptar-se à realidade brasileira: o Brasil não era industrializado e a maioria dos trabalhadores eram camponeses analfabetos e desorganizados...o operariado era minoria. A tática seria avançar em reformas que, no futuro, criassem condições para implantar uma ditadura socialista. 

Principais Pautas da ANL:
-destruir os latifúndios, distribuir terras e dar direitos trabalhistas aos camponeses. 
-Nacionalizar empresas estrangeiras.
-Oposição ao imperialismo: Embora se afirmassem antiimperialistas (contra os EUA e Inglaterra), eram contraditórios, pois defendiam um novo tipo de imperialismo, no caso o da União Soviética. 
-Sindicatos livres da regulação do Estado.

O Manifesto radical da ANL:
- Na prática, essa pauta moderada ANL era comparada à estratégia dos mencheviques e criticada pelos aliancistas radicais que defendiam a derrubada imediata do governo Vargas e a instalação de uma ditadura socialista. 
- Em 1935, seguindo as ordens imperialistas de Stálin, a Comintern mudou sua estratégia, recomendando  fim de alianças com as frentes populares, ao mesmo tempo em que deveriam partir para a luta armada com o objetivo de tomar o poder.  
- Em julho de 1935, Luiz Carlos Prestes divulga um manifesto revolucionário (conhecido como "Manifesto de Julho" ou "Manifesto de Prestes") onde defendia a derrubada de Vargas e a instauração de um "governo popular revolucionário". Esse documento foi um dos estopins para a repressão do governo e a posterior Intentona Comunista.
Principais pontos do manifesto:
- Acusou Vargas de ser fascista e lacaio dos imperialistas.
- Chamou Vargas de "traidor da Revolução de 30", já que muitos tenentes (como o próprio Prestes) haviam apoiado sua chegada ao poder, mas depois se decepcionaram com a falta de reformas sociais conforme a agenda aliancista.
- Defendeu a "insurreição popular armada" como único caminho para libertar o Brasil do "latifúndio, imperialismo e fascismo".
-Incentivou soldados, marinheiros e operários a se rebelarem contra o governo.
-Prometeu uma reforma agrária radical e a nacionalização de empresas estrangeiras .

A Lei de Segurança Nacional e o Fechamento da ANL: 

- Em abril de 1935, antes mesmo do violento manifesto da ANL, já estava em vigor a Lei de Segurança Nacional, que foi apelidada de "Lei Monstro". O crescimento da ANL foi um dos motivos que levaram  Vargas e o Congresso a aprovarem essa lei, a qual, na prática acabava com as liberdades (opinião, pensamento, expressão, etc.), garantidas pela Constituição de 1934. A lei proibia a organização de associações ou partidos com o objetivo de subverter a ordem política ou social, assim como impedia a impressão e a circulação de livros, panfletos e quaisquer publicações consideradas subversivas. Da mesma forma, sindicatos e associações profissionais poderiam ser fechados, estrangeiros naturalizados poderiam ter a cidadania brasileira cassada e serem expulsos do país; professores poderiam perder a cátedra; e funcionários públicos, o emprego. A lei previa ainda a cassação de militares que tivessem comportamento considerado incompatível com a disciplina militar. Além disso, proibia a greve de funcionários públicos e criminalizava quem tentasse executar planos de desorganização dos serviços urbanos e dos sistemas de abastecimento, além de estabelecer sanções (incluindo fechamento) para jornais e emissoras de rádio que veiculassem matérias consideradas subversivas.
Após a divulgação do violento manifesto, a ANL foi fechada, tendo como base a Lei de Segurança Nacional. Revoltado, Prestes decidiu que era a hora de ir à luta armada.

A Intentona Comunista de 1935 - Causas
Luiz Carlos Prestes e o Partido Comunista Brasileiro (que na época estava na legalidade) acreditavam que existia um número considerável de comunistas entre os tenentistas...além disso, acreditavam que os quartéis estavam "maduros" para uma insurreição. Prestes veio do Tenentismo e, na sua opinião, assim como foi em 1922 (18 do Forte) e 1924 (Revolta Paulista), os militares de baixa patente apoiariam uma revolta. Além disso, o PCB tinha algumas células dentro de quartéis, especialmente entre sargentos, cabos e marinheiros. 
Havia também um discurso anti-Vargas por uma parte dos militares, o qual na realidade era muito mais de apoio ao integralismo do que ao comunismo. 
A Internacional Comunista pressionou o PCB a acreditar que o Brasil estava em uma "situação revolucionária", mesmo sem base real. Prestes era dogmático e não aceitava opiniões contrárias de aliancistas que o aconselhavam a não tentar tomar os quartéis, pois não havia apoio suficiente no meio militar para realizar essa façanha.  

O Fracasso da Intentona: 
Só houve levantes em três estados: RN, PE e RJ.
- Em Natal, no dia 23 de novembro de 1935, tropas de assalto tomaram o 21º Batalhão de Caçadores. Logo em seguida, tomaram também a sede do governo. Em seguida, proclamaram a instalação de um governo comunista sob uma nova bandeira, fato que gerou um clima de  anarquia, insegurança e violência, que se alastrou a outros municípios do Estado, como São José do Mipibu e Ceará-Mirim.
-Em Pernambuco:  No Recife, em 24 de novembro, no Quartel General da 7ª Região Militar, o Sargento Gregório Bezerra assassinou o Tenente José Sampaio e feriu o também Tenente Agnaldo de Almeida. Em Jaboatão dos Guararapes, no 29º Batalhão de Caçadores (atual 14º Batalhão de Infantaria Motorizado), após um violento combate, militares rebelados partiram para o Recife, recebendo apoio de alguns civis ao longo do caminho. O objetivo era  destituir o Governo local e fortalecer o movimento iniciado em Natal. No bairro recifense de Afogados, na praça do Largo da Paz, os revoltosos foram barrados pelas forças estaduais. Na madrugada do dia 25 de novembro, tropas do Exército vindas de Maceió e João Pessoa somaram-se aos legalistas na ação e derrotaram os rebeldes, deixando um saldo de mais de 100 mortos. 
Após a vitória em Recife, as tropas legalistas do Exército seguiram para Natal e conseguiram sufocar o movimento rebelde, que foi encerrado em 27 de novembro, deixando um rastro de destruição em prédios públicos, quartéis e bancos, e mais de 20 mortos, entre civis, rebeldes e legalistas.

- No Rio de Janeiro, o levante restringiu-se ao 3º RI da Praia Vermelha e à Escola de Aviação Militar do Campo dos Afonsos. No 3º RI, os aliancistas tinham em torno de 30 homens.  O comandante da 1ª Região Militar, general Eurico Gaspar Dutra, estava com sua tropa de prontidão e mobilizou-a contra os revoltosos, impedindo suas tentativas de sair do quartel, o qual foi bombardeado por canhões da marinha e da aviação.  Por volta do meio-dia de 27 de novembro, as tropas de Dutra invadiram o quartel, forçando a rendição dos revoltosos, resultando em um saldo de 20 mortes. A inferioridade numérica dos revoltosos e o fato de não contarem mais com o elemento surpresa — os levantes do Nordeste já tinham eclodido e a polícia de Vargas dispunha de informações inclusive sobre a data do levante no Rio — permitiram que o movimento fosse rapidamente controlado.

A Intentona ajudou Vargas a implantar a ditadura do Estado Novo 
Após o fracasso da Intentona, não havia praticamente nenhum movimento comunista disposto a tentar um novo golpe. O Congresso Nacional havia declarado um estado de guerra, fato que permitia a Vargas governar por decreto, isto é, sem passar pelo controle democrático do Poder Legislativo. Vargas ordenou a prisão dos envolvidos na Intentona. Luís Carlos Prestes era o principal alvo da repressão e o maior símbolo do comunismo no Brasil. Prestes foi preso em março de 1936 e ficou nove anos na prisão. 
O fracasso da intentona comunista deu a Vargas o pretexto para implantar a ditadura e acabar com o curto governo constitucional. A tentativa de tomada de quarteis era algo inaceitável para a maioria dos comandantes do Exército. Alguns oficiais passaram a defender a ideia de que só uma ditadura seria capaz de impor a ordem no Brasil . Sendo assim, alguém teve a ideia de se criar uma farsa sobre um novo plano dos comunistas para tomar o poder...o plano era ainda maior do que o anterior. Esse plano ficou conhecido como Plano Cohen.  Embora Vargas não tenha sido o autor, ele o aprovou e o usou para consolidar seu poder como ditador do Estado Novo.
Vargas divulgou através do rádio a descoberta do documento no dia 30 de setembro de 1937 e pediu ao Congresso Nacional a autorização para adotar medidas ainda mais drásticas de segurança. A divulgação do Plano provocou enorme apreensão entre a população. A imprensa, de maneira geral não questionou. Os candidatos à presidência da República na eleição que se aproximava, José Américo de Almeida e Armando de Sales Oliveira, também não questionaram e informaram que suas campanhas não incluíam comunistas. O Congresso aprovou o pedido da decretação do Estado de Guerra (ou de sítio) por mais noventa dias.  
O Estado de sítio permitia a suspensão de várias garantias constitucionais e o aumento do poder do Executivo, incluindo o controle sobre a imprensa, a repressão de qualquer movimento considerado subversivo e a possibilidade de prender opositores sem o devido processo legal.
Com tanto poderes em suas mãos, Vargas, no dia 10 de novembro de 1937, ordenou ao Exército o fechamento do Congresso Nacional, no Rio de Janeiro. No mesmo dia, à noite, em pronunciamento radiofônico, Vargas anunciou a outorga de uma nova Constituição, redigida por Francisco Campos, inspirada na Constituição polonesa, motivo pelo qual ela foi apelidada de "A Polaca".

A Ditadura do Estado Novo (1937-1945):
Com os parlamentos e partidos políticos fechados, Vargas governava sem oposição através de decretos-lei. 
Muitos governadores e prefeitos foram substituídos por interventores.Toda a imprensa estava sob censura. Muitos opositores e críticos da ditadura foram presos, sendo ou não comunistas, com destaque para Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, Caio Prado Júnior, Cândido Motta Filho, Monteiro Lobato, etc. As liberdades individuais foram bastante reduzidas e os opositores foram presos... ao mesmo tempo, Vargas fez uso de intensa propaganda política sua e aproximou-se das massas através do populismo e do trabalhismo. 

A Intentona Integralista:
Foi uma tentativa frustrada de golpe da Ação Integralista Brasileira (AIB) contra o governo de Getúlio Vargas em maio de 1938, cujas causas foram:
1. A traição de Vargas: Os integralistas apoiaram Vargas e o golpe, acreditando que seriam incorporados ao governo. No entanto, em dezembro de 1937, Vargas decretou o fim de todos os partidos políticos, incluindo a AIB, fato que levou os integralistas a sentirem-se traídos pelo ditador, o qual preferiu cooptar setores militares e burocráticos. 
2. A Ação: Revoltados, um grupo de cerca de 80 integralistas, no dia 11 de maio de 1938, decidiu  tomar o Palácio Guanabara (residência de Vargas no Rio de Janeiro), prender Vargas e declarar empossado um governo integralista.
3. A Reação do Governo: A segurança de Vargas resistiu, e os integralistas não conseguiram tomar o palácio. O levante foi rapidamente sufocado, com mortes de ambos os lados. Alguns integralistas foram presos, e outros fugiram.
Consequências: Vargas ordenou uma caça aos integralistas, prendendo centenas de militantes. Plínio Salgado foi exilado em Portugal e só retornou ao Brasil anos depois, sem influência política. O integralismo perdeu força como movimento político. 
O fracasso da Intentona reforçou o poder de Vargas, que usou o episódio para justificar maior repressão contra qualquer oposição. O regime se tornou ainda mais centralizador e autoritário, perseguindo todo e qualquer movimento contrário. não só integralistas, mas também comunistas e liberais.

A CRIAÇÃO DO DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda):
Com objetivos distintos, Vargas criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), responsável por
-espionar prováveis inimigos
-censurar livros, jornais, revistas, peças teatrais, filmes, etc.
-produzir e divulgar todo o tipo de propaganda que exaltasse o regime e o líder
-Utilizando o rádio como uma moderna ferramenta de comunicação, Vargas criou um jornal diário chamado “A Hora do Brasil”, uma imitação do programa americano implantado por Franklin Roosevelt.

A CRIAÇÃO DO DASP (Departamento de Administração do Setor Público):
Tendo como objetivo moralizar e modernizar o serviço público, Vargas criou este departamento que visava melhorar o atendimento ao público e diminuir o forte controle dos políticos sobre os cargos públicos. Naquela época, só era funcionário público quem tivesse bons contatos com os políticos. Além disso, o DASP foi também utilizado para espionar prováveis funcionários públicos críticos ou inimigos de Vargas.

O POPULISMO TRABALHISTA: VARGAS, O PAI DOS POBRES
A JUSTIÇA DO TRABALHO:
Através do Decreto-lei nº 1.237, de 2 de maio de 1939, Vargas implanou a Justiça do Trabalho.
A CLT
Através do Decreto-Lei n.º 5 452, de 1 de maio de 1943, Vargas implantou a Consolidação das Leis do Trabalho. Embora não haja um consenso, muitos especialistas enxergam uma certa semelhança entre a CLT e a legislação trabalhista fascista de 1927, criada por Mussolini, chamada de Carta del Lavoro. O próprio Vargas, é claro, negou copiar o modelo fascista, afirmando que a CLT era "uma criação original brasileira". Apesar das semelhanças formais, o contexto e os objetivos eram distintos.
De maneira geral, Vargas tinha alguns objetivos ao criar essa legislação:
a) Industrialização em andamento: naquela época, o Brasil era majoritariamente rural e o governo Vargas dava continuidade ao processo de industrialização do Brasil...sendo assim, era importante atrair o trabalhador rural para as cidades através da CLT, a qual só beneficiava o trabalhador urbano.
b) Vargas, o Defensor: antes da CLT, eram constantes as greves e sabotagens dos operários comandados pelos sindicalistas comunistas...a CLT ao mesmo tempo que concedia os principais benefícios da luta operária (carga horária de 8 horas, aposentadoria, férias, etc..), transferia para Vargas a imagem de defensor dos trabalhadores e a tirava dos sindicatos. Vargas, ao criar a CLT e a Justiça do Trabalho, desmontou a autonomia, substituindo-a por um sistema de controle estatal.
c) Fim da liberdade sindical: Os diversos sindicatos classistas eram o principal meio através do qual o comunismo expandia-se. A CLT extinguiu essa liberdade sindical, impondo a unicidade: apenas um sindicato por categoria, o qual deveria estar obrigatoriamente subordinado ao  Ministério do Trabalho. Só os trabalhadores registrados em Sindicatos autorizados pelo Ministério do Trabalho tinham os benefícios da CLT. Vargas copiou aquilo que foi criado pelos fascistas e nazistas na área sindical: os sindicatos foram substituídos por corporações classistas e patronais, onde o Estado tornou-se o árbitro das disputas.

A INDUSTRIALIZAÇÃO: VARGAS, A "MÃE DOS RICOS"
Para industrializar o país, Vargas precisava também ajudar os empresários nacionais, ou seja, sendo nacionalista, Vargas entendia que era preciso ser também o defensor do empresariado nacional contra o capital estrangeiro. Era importante continuar a industrializar o Brasil pelos seguintes motivos:
- não depender unicamente da agropecuária e de seu principal produto, o café
- substituir os importados: a Segunda Guerra Mundial, assim como a primeira, forçou o país a investir na produção interna de bens como aço, cimento e combustíveis.
- Nacionalismo Econômico: A industrialização era vista como um meio de garantir autonomia nacional, evitando a dominação estrangeira.
 Nacionalismo, Corporativismo e Desenvolvimentismo: a industrialização não tinha apenas objetivos econômicos, mas foi parte de um projeto de poder: um Brasil com mais tecnologia, mais urbanizado e mais controlado pelo Estado. 
 - Vargas implementou uma série de incentivos estratégicos para impulsionar a industrialização, fortalecendo a burguesia industrial nacional. Essas medidas combinavam protecionismo estatal, financiamento público e infraestrutura, criando as bases para o capitalismo industrial no Brasil.
- Tarifas alfandegárias elevadas: aumento de impostos sobre importações de produtos manufaturados para proteger a indústria nascente (ex.: têxteis, alimentos, metalurgia).
- Controle Cambial: O governo controlava o câmbio, priorizando a compra de equipamentos industriais e insumos essenciais.
- A criação de uma siderúrgica de aços planos, a Companhia Siderúrgica Nacional, em 1941, através de capital norte-americano em troca da concessão de bases americanas no Nordeste.
- A criação da Companhia Vale do Rio Doce: Criada em 1942, foi responsável pela exploração e produção de minério de ferro no Brasil, impulsionando a indústria siderúrgica e contribuindo para o crescimento do setor de infraestrutura.
- Incentivos à indústrias têxteis para suprir a demanda interna por tecidos e roupas.
- Fábrica Nacional de Motores (FNM): fundada em 1942, inicialmente com o objetivo de fabricar motores aeronáuticos; Foi também resultado da parceria com o governo dos EUA, que financiou a construção.
- Isenções fiscais e medidas protecionistas para grandes grupos empresariais tais como: - Roberto Simonsen (indústria têxtil e construção).
Francisco Matarazzo (indústria alimentícia).
Assis Chateaubriand (comunicação e indústria).
A concessão de créditos para os empresários nacionais fizeram Vargas ser também apelidado de "a mãe dos ricos".

CORPORATIVISMO E A FORMAÇÃO DE CARTÉIS
O corporativismo varguista favoreceu as grandes empresas, incluindo as grandes construtoras, que passaram a desfrutar da preferência e proximidade com o governo para a realização de obras públicas, através de suas conexões políticas. Foi criado assim um ambiente propício para o cartelismo no setor de obras públicas.
O cartel é uma forma de cooperação entre concorrentes que controla uma parte do mercado e elimina a concorrência através de acordos de fixação de preços, divisão de mercado e outras práticas anticompetitivas. No caso das grandes construtoras e empresas do setor de obras públicas, elas se beneficiaram do corporativismo e da relação próxima com o governo para estabelecer acordos informais ou mesmo formais que lhes conferiam vantagens e controle sobre o mercado. Essa cartelização geralmente tem efeitos negativos tais como os preços mais elevados (superfaturamento), baixa qualidade dos serviços, falta de inovação e dificuldades de acesso para empresas menores e mais competitivas. Além disso, a falta de concorrência efetiva pode levar a um desperdício de recursos públicos e prejudicar o desenvolvimento e a eficiência do setor.

DECADÊNCIA E FIM DO ESTADO NOVO
Durante o Estado Novo, Vargas parecia demonstrar uma certa simpatia pelos regimes nazifascista. Esta simpatia era mais pragmática do que ideológica, pois o Brasil exportava muita matéria prima, principalmente para a Alemanha, país que se tornou o maior parceiro comercial do Brasil, superando os Estados Unidos. 
Muitos afirmam que no Brasil havia o maior número de nazistas fora da Alemanha, o que não passa de um mito: havia em torno de três mil adeptos, ao passoi que nos Estados Unidos, a Liga Germano-Americana, que era nazista, tinha mais de 25 mil integrantes que empregavam a suástica com orgulho.
Mesmo que aparentasse simpatia pelo regime, Vargas negou o culto à violência, que era comum a esses regimes e ainda integrou elementos da cultura negra na identidade nacional, o que era inconcebível para a ideologia de uma raça superior.
Na realidade, Vargas não era nem nazista nem fascista, era pragmático e nacionalista e enquanto foi vantajoso manteve relações comerciais com o Eixo.

Após o início da Segunda Guerra, Vargas percebe a maré autoritária está chegando ao fim, sendo necessário aderir aos Estados Unidos como o melhor meio de obter vantagens para si e para o Brasil. Entretanto, após a guerra, o modelo autoritário de Vargas mostrou-se contraditório, pois sendo uma ditadura, enviou tropas à Europa para lutar contra ditaduras que até pouco tempo eram amigas do Estado Novo. . 
Além disso, havia a pressão interna para que Vargas deixasse o poder, pois já faziam 15 anos ininterruptos. Sentindo a pressão, Vargas

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